PPGCR - Teses

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    Treinamento muscular expiratório na capacidade respiratória de crianças hígidas e com fissuras labiopalatinas
    (2023-12-14) Kniphoff, Gustavo Jungblut; Cardoso, Maria Cristina de Almeida Freitas; Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação
    Introdução: Na infância, as doenças respiratórias agudas representam um grande problema de saúde pública, dado a alta incidência. No Brasil, as doenças respiratórias em crianças entre um e quatro anos de idade são consideradas a primeira causa de óbito. As crianças predispõem-se a um maior risco às complicações no trato respiratório devido às diferenças fisiológicas e anatômicas. Objetivo: Verificar sistematicamente os valores da capacidade vital respiratória de crianças hígidas, bem como comparar o efeito do treinamento muscular expiratório na capacidade respiratória entre crianças hígidas e com fissuras labiopalatinas - FLP. Metodologia: Artigo 1 – estudo observacional de revisão da literatura retrospectiva, seguindo as diretrizes da recomendação PRISMA, com pesquisa nas bases de dados PubMed, Scopus, Embase e SciELO. Artigo 2 – estudo prospectivo por ensaio clínico randomizado com crianças hígidas de ambos os sexos, com média de idade de seis anos, avaliados pré e pós-intervenção e reavaliados em um follow-up de três meses. Artigo 3 – estudo comparativo prospectivo por ensaio clínico randomizado realizado entre crianças hígidas e com FLP, divididos em dois grupos principais, sendo dois subgrupos em cada, avaliados pré e pósintervenção e reavaliados em um follow-up de três meses. Na intervenção dos ensaios clínicos randomizados os participantes foram divididos em dois grupos (Grupo Água que utilizou a pressão positiva expiratória – PEP em Selo de Água e o Grupo Respiron, que utilizou o aparato Respiron®) e os treinamentos realizados em três séries de 10 repetições/semana, durante seis semanas. Resultados: Artigo 1 – seis artigos atenderam aos critérios de inclusão e evidenciaram a espirometria como método utilizado para avaliação da função pulmonar de crianças, com Capacidade Vital Forçada - CVF mínima de 0,87L e máxima de 1,69L e Volume Expiratório Forçado no Primeiro Segundo - VEF1 mínimo em 0,72L e máximo de 1,51L. Artigo 2 – foram incluídas 34 crianças, cuja amostra total evidencia resultados expressivos em que todos os sujeitos visto que apresentaram melhora com diferença estatística nas variáveis de capacidade respiratória e força muscular respiratória (p<0,001). Artigo 3 – O Grupo FLP constituiu-se de 10 crianças enquanto o Grupo Controle de 34 crianças. No grupo FLP a diferença entre o pós e o follow-up não foi significativa (p=0,231), ao passo que no grupo controle a média no follow-up foi significativamente maior (p<0,001). Conclusão: Artigo 1 – tanto a CVF quanto o VEF1 variam de acordo com a idade e não seguem um padrão linear, tornando difícil estabelecer valores preditivos para cada idade. Artigo 2 – encontrou-se melhora para capacidade respiratória e para a força muscular respiratória, em curto, médio e longo prazo em crianças hígidas. Artigo 3 – as crianças hígidas apresentaram uma melhor função respiratória quando comparadas com crianças com FLP, mesmo após três meses de protocolo de treinamento expiratório. O treinamento muscular expiratório pode melhorar a função respiratória tanto de crianças com FLP quanto de crianças hígidas.
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    Avaliação da Autocompaixão, Qualidade do Sono e Dor Lombar em Adultos
    (2024-02-28) Ballejos, Kellen Greff; Reppold, Caroline Tozzi; Calvetti, Prisla Ücker; Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação
    A dor lombar é uma das causas de incapacidade mais prevalentes no mundo, gerando problemas de saúde pública, impactos psicossociais negativos e altos custos para a sociedade através de demandas médicas. Existe também, uma alta prevalência de dor lombar no contexto universitário, considerando que os estudantes passam períodos prolongados em postura inadequada e sofrem interferências no sono. Nesse sentido, torna-se relevante aprofundar os fatores relacionados à dor lombar, medidas preventivas e tratamentos alternativos para o público adulto. Portanto, a presente tese é constituída por dois estudos. Artigo 1: Foi realizada uma revisão sistemática que objetivou investigar os benefícios das intervenções baseadas em autocompaixão na dor lombar e saúde mental de adultos. O protocolo de revisão foi registrado no PROSPERO (CRD42022376341) e o método foi realizado de acordo com as diretrizes do PRISMA. As pesquisas foram realizadas utilizando as palavras-chave "autocompaixão" e "lombalgia" em português, inglês e espanhol nas seguintes bases de dados: PubMed, LILACS, SciELO, PePSIC, PsycINFO, Embase, Scopus, Web of Science e Cochrane. Foram também realizadas buscas adicionais nas referências dos estudos incluídos. Trinta e três artigos foram identificados e analisados por dois revisores independentes utilizando o Rayyan, quatro destes estudos foram inclusos. O sistema RoB 2 foi utilizado para análise do risco de viés. Os principais achados sugerem que as intervenções de meditação por autocompaixão demonstram benefícios no tratamento da dor lombar, na redução da intensidade da dor e na melhoria da aceitação da dor. Artigo 2: Um estudo transversal foi conduzido com o objetivo de investigar o efeito da autocompaixão na qualidade do sono e dor lombar em universitários. A amostra de 134 universitários respondeu questões sociodemográficas e escalas psicométricas, entre elas, a Depression Anxiety and Stress Scales (DASS 21), Pain Catastrophizing Scale (PCS), Pittsburgh Sleep Quality Index (PSQI) e Self-Compassion Scale (SCS). Os resultados demonstraram que a autocompaixão mediou aproximadamente 16.8% da relação de PSQ e nível de dor lombar. As análises sugerem que componentes da autocompaixão podem contribuir para o tratamento em intervenções clínicas e psicossociais para a prevenção e tratamento da dor lombar.
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    Assimetria do balanço dos braços na doença de Parkinson e Caminhada Nórdica como estratégia de intervenção
    (2023-11-28) Araneda, Jéssica Andrea Espinoza; Pagnussat, Aline de Souza; Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação
    A doença de Parkinson (DP) é um distúrbio neurodegenerativo crônico e progressivo, cuja prevalência está aumentando rapidamente como consequência do envelhecimento da população. O distúrbio da marcha é um dos sintomas mais comuns da doença e é a principal causa de quedas, limitação funcional e baixa qualidade de vida. Até o momento, as alterações nos parâmetros da marcha dos membros inferiores foram amplamente estudadas na DP. No entanto, o estudo do desempenho dos membros superiores durante a marcha tem recebido muito menos atenção na literatura. O balanço do braço (BB) ocorre naturalmente durante a marcha e estudos mostram que ele contribui para a recuperação da estabilidade, facilita o movimento dos membros inferiores e reduz o custo metabólico durante a marcha. Pessoas com DP geralmente apresentam diminuição da amplitude do BB no lado mais afetado do corpo, gerando assimetria do balanço do braço (ABB). Foi demonstrado que a ABB é um marcador motor precoce da doença, permitindo o diagnóstico diferencial em estágios iniciais e monitorando a progressão da doença. Além disso, as disfunções dos membros superiores são progressivas ao longo do tempo e podem afetar a qualidade da marcha, tornando seu estudo particularmente importante para melhorar o diagnóstico e o gerenciamento da DP. A caminhada nórdica (CN) é um esporte que consiste em caminhar com o uso ativo de dois bastões e, portanto, pode influenciar positivamente os parâmetros do BB e o desempenho da marcha em maior grau do que a caminhada livre. Considerando a importância dos parâmetros de BB para a marcha na DP, realizamos uma revisão sistemática com meta-análise para investigar as diferenças na ABB e em outros parâmetros de BB entre indivíduos com DP e saudáveis. Além disso, analisamos a relação entre a ABB, os parâmetros espaçotemporais da marcha dos membros inferiores e a progressão da doença. Os resultados mostraram, com moderada qualidade de evidência, que os indivíduos com DP têm maior ABB independentemente da fase da medicação (ON ou OFF) e do tipo de teste de marcha utilizado. A qualidade da evidência, muito baixa, sugere que também apresentam maior assimetria da velocidade do BB e menor amplitude tanto no braço mais afetado como no menos afetado. A meta-regressão indicou que à medida que a doença progride e os sintomas pioram, a ABB tende a diminuir. Em segundo lugar, criamos um protocolo de ensaio clínico com o objetivo de estudar os efeitos de um programa de CN sobre os parâmetros cinemáticos do BB em comparação com a caminhada livre e sua influência no desempenho dos membros inferiores, mobilidade funcional e qualidade de vida. Este é o primeiro estudo voltado para os efeitos da CN sobre a assimetria e a amplitude do BB e sua influência sobre os parâmetros espaço-temporais da marcha, portanto, pode fornecer novas evidências para a compreensão dos efeitos da CN sobre os distúrbios da marcha na DP
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    Efeitos da Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea e da Terapia Manual Laríngea na Disfonia por Tensão Muscular: ensaio clínico randomizado
    (2023-12-13) Lemos, Isadora de Oliveira; Cassol, Mauriceia; Silvério, Kelly Cristina Alves; Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação
    Trata-se de um ensaio clínico randomizado com objetivo de verificar os efeitos da TENS, da TML e das duas técnicas associadas em relação aos sintomas vocais e de dor musculoesquelética, qualidade vocal, medidas aerodinâmicas e níveis de tensão muscular em pacientes com DTM. Foram incluídas mulheres com idade entre 18 e 50 anos e com diagnóstico fonoaudiológico de Disfonia por Tensão Muscular. As participantes foram alocadas em três grupos de intervenção: G1 –TENS; G2 –TML; G3 –associação da TENS e da TML. As técnicas foram realizadas por 25 minutos, na frequência de duas vezes por semana, durante seis semanas. As mulheres foram avaliadas quanto aos sintomas vocais, sintomas de fadiga vocal, intensidade de dor musculoesquelética autorreferida em região perilaríngea e cervical; avaliação perceptivo-auditiva utilizando-se o protocolo GRBAS; tempos máximos de fonação (TMF), relação S/Z e níveis de tensão muscular com aplicação do protocolo Laryngeal Palpatory Scale. Para comparar médias entre os grupos, a Análise de Variância (ANOVA) foi aplicada. Na comparação de proporções, o teste qui-quadrado de Pearson, em conjunto com a análise dos resíduos ajustados, foi utilizado. A comparação entre os momentos e entre os grupos foi realizada pelo modelo de Equações de Estimativas Generalizadas (GEE) complementado pelo teste Least Significant Difference (LSD). Em relação aos sintomas vocais e de fadiga vocal, todos os grupos obtiveram redução significativa. Quanto ao sintoma de dor musculoesquelética autorreferida, os três grupos melhoraram em região superior das costas, região inferior das costas, músculo masseter e região posterior do pescoço. Em relação aos TMF, todos os grupos obtiveram aumento significativo de seu valor e na relação s/z não houve diferença estatisticamente significativa.Na avaliação perceptivo-auditiva, houve melhora de grau geral de desvio da qualidade vocal em G2 e G3, diminuição de soprosidade em G1 e aumento de soprosidade em G3 e diminuição de tensão vocal em G3. Em relação aos níveis de tensão muscular, destaca-se diminuição significativa de tensão à fonação na região perilaríngea no G3. Destacam-se os resultados do grupo de técnicas associadas com melhora de qualidade vocal, redução de tensão vocal, e de níveis de tensão muscular à fonação. Além disso, três produções foram realizadas, além do estudo principal, com os objetivos de revisar sistematicamente o uso da TENS em pacientes disfônicos e os sintomas de fadiga vocal na clínica vocal e de analisar os sinais e sintomas vocais e de dor musculoesquelética de mulheres com Disfonia por Tensão Muscular.
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    Realidade Virtual Imersiva na Reabilitação de Pessoas com Paralisia Cerebral
    (2022-11-30) Machado, Fabiana Rita Camara; Oliveira Junior, Alcyr Alves de; Sukiennik, Ricardo; Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação
    Introdução: A paralisia cerebral (PC) exige intervenções eficazes, cujo as mais promissoras são baseadas na aprendizagem motora. Evidências apontam que realidade virtual (RV) parece potencializar o treinamento motor nas pessoas com PC, através da oferta de feedback, engajamento e motivação. Objetivo: Avaliar os efeitos sobre o controle de cabeça, equilíbrio de tronco e função motora grossa de pacientes com paralisia cerebral nível III, IV e V da Gross Motor Function Classification System (GMFCS) submetidas a treinamento com realidade virtual imersiva (RVI). Como metas secundárias, investigar a usabilidade de um jogo sério em realidade virtual para auxiliar na estabilidade e no equilíbrio da cabeça e do tronco de crianças com PC com foco na percepção e na experiência de profissionais da saúde; avaliar as possíveis variações de funcionalidade e verificar a qualidade de vida de pessoas com PC de moderada a grave submetidas a treinamento com RVI e, por fim, averiguar a sobrecarga, o nível de ansiedade e de depressão de cuidadores de pessoas com PC de moderada a grave. Método: Estudo randomizado controlado com dois grupos, fisioterapia convencional (controle) e realidade virtual, 19 pacientes com diagnóstico de paralisia cerebral de ambos os sexos com idade entre 6 e 18 anos, classificados como nível III, IV e V no Sistema de Classificação da Função Motora Grossa. Os pacientes foram avaliados nas habilidades motoras, controle de cabeça e equilíbrio de tronco pelas escalas Gross Motor Function Measure-88 (GMFM), Early Clinical Assessment of Balance parte I – versão 2 (ECAB) e Escala Visual Analógica Controle de Cabeça (EVACC). Além disso, foram analisadas funcionalidade e qualidade de vida pelo Inventário de Avaliação Pediátrica de Incapacidade (PEDI) e Pediatric Quality of Life Inventory version 3.0 (PedsQL®) respectivamente. O estudo ainda observou o comportamento psicoemocional de pais e/ou cuidadores dessas pessoas com PC submetidas a treinamento com RVI, os quais foram avaliados através das ferramentas Zarit Caregiver Burden Interview (BI), Beck Anxiety Inventory (BAI) e Beck Depression Inventory (BDI). Um estudo transversal foi realizado com profissionais de saúde para investigar a usabilidade do jogo sério, os quais foram avaliados através da viabilidade e da satisfação do sistema pela Escala de Usabilidade do Sistema (SUS). Resultados: A função motora grossa, o controle de cabeça e o equilíbrio de tronco no grupo de realidade virtual apresentaram melhora significativa (p = 0,007; p = 0,017 e p = 0,011). Não foi possível observar mudanças na funcionalidade e na qualidade de vida das pessoas com PC em ambos os grupos. Os cuidadores apresentaram mínimo grau a leve de ansiedade, demonstraram sobrecarga moderada, porém não houve mudanças na intensidade da depressão. O jogo sério foi considerado excelente a melhor que imaginado (SUS = 82,10 ± 12,66). Conclusão: O sistema de reabilitação específico em RV associado a jogo sério auxilia na estabilidade da cabeça, no equilíbrio de tronco e na melhora da função motora grossa de crianças com PC nível III, IV e V na GMFCS, oferecendo experiência agradável e com ampla aplicabilidade
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    Estratégias de movimento durante a marcha com obstáculos e treinamento de equilíbrio HiBalance em pessoas com doença de Parkinson
    (2023-11-29) Manosalva, Cristian Caparrós; Pagnussat, Aline de Souza; Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação
    O objetivo desta tese foi: Objetivo 1, um primeiro estudo comparou os parâmetros espaço-temporais da marcha entre indivíduos com e sem DP ao atravessar obstáculos. Objetivo 2, um segundo estudo descreveu detalhadamente uma intervenção HiBalance de três meses sobre parâmetros espaço-temporais da marcha com obstáculos e fatores de risco para quedas em pessoas com DP para um futuro ensaio clínico randomizado. Método 1: Foi realizada uma revisão sistemática com meta-análise. Foram pesquisadas seis bases de dados até setembro de 2023. Foram selecionados estudos que avaliaram parâmetros de marcha de pessoas com e sem DP ao caminhar sobre obstáculos. Dois investigadores independentes avaliaram a elegibilidade e extraíram parâmetros de marcha ao cruzar obstáculos. O risco de viés e a heterogeneidade foram avaliados e um modelo de efeitos aleatórios foi aplicado para determinar os tamanhos dos efeitos. Método 2: Foi desenvolvido um protocolo para um ensaio clínico randomizado. Quarenta pessoas com diagnóstico de DP idiopática serão distribuídas aleatoriamente em dois grupos: HiBalance (n=20) ou treinamento de marcha (n=20). As intervenções serão realizadas duas vezes por semana durante três meses, com sessões de 50 minutos. As avaliações serão realizadas antes, depois e no acompanhamento de seis meses. Os resultados primários incluirão parâmetros espaço-temporais de marcha ao cruzar o obstáculo. Os resultados secundários incluirão variáveis relacionadas ao risco de queda (ou seja, equilíbrio postural, força muscular, potência muscular e medo de cair). Resultados 1: Vinte e cinco estudos foram incluídos na revisão e 17 na metanálise. A metanálise mostrou que pessoas com DP apresentam passo após cruzar o obstáculo mais curto que pessoas sem a doença, ampliam sua base de apoio e reduzem a velocidade de marcha ao cruzar o obstáculo. Resultados 2: Nossa hipótese é que o treinamento de três meses com este protocolo HiBalance será mais eficaz do que o treinamento de marcha na melhoria das estratégias de movimento durante a travessia de obstáculos (ou seja, aumentando a velocidade de travessia de obstáculos e o comprimento do passo) e reduzirá a largura do passo e a variabilidade de altura). Além disso, o protocolo HiBalance será mais eficaz do que o treino de marcha na melhoria do equilíbrio, força e potência dos músculos dos membros inferiores e na redução do medo de cair. Conclusões: Pessoas com DP adotam comportamento motor mais conservador durante a travessia de obstáculos do que aquelas sem DP. Contudo, esta estratégia implicaria uma maior exigência de controle postural, apresentando uma situação de maior risco de tropeçar e cair. A proposta de ensaio clínico com HiBalance responde à necessidade de implementar intervenções específicas de equilíbrio e marcha para problemas específicos que requerem a solução da tarefa motora de ultrapassar obstáculos em pessoas com DP
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    Jogos como Recurso Terapêutico para a Funcionalidade dos Membros Superiores na Doença de Parkinson
    (2023-09-23) Corrêa, Philipe Souza; Cechetti, Fernanda
    A presente tese é constituída por três estudos. Artigo 1: Uma revisão sistemática foi conduzida com o objetivo de quantificar e analisar o efeito de protocolos de terapia baseada em Realidade Virtual (RV) na destreza manual em indivíduos com doença de Parkinson (DP). A busca foi realizada nas bases de dados PubMed, EMBASE e PEDro até dezembro de 2020 e oito artigos foram incluídos na análise. Embora a maioria tenha demonstrado melhora na destreza manual, os artigos apresentaram alto risco de viés e baixa qualidade metodológica. Os resultados sugeriram que a terapia baseada em RV possui potencial e viabilidade como protocolo de reabilitação para destreza manual, porém os estudos analisados não abordaram os impactos relacionados às atividades de vida diária (AVD’s) e à qualidade de vida (QV) na DP. Artigo 2: Teve como objetivo verificar os efeitos de uma intervenção nos membros superiores (MMSS) utilizando equipamento de RV não imersivo nas AVD’s e na QV de indivíduos com DP, por meio de uma série de casos. Seis participantes foram avaliados por meio do miniexame do estado mental, da escala unificada de avaliação para a DP (UPDRS), do questionário sobre a doença de Parkinson (PDQ-39) e do test d’évaluation des membres supérieurs de personnes âgées (TEMPA). As intervenções tiveram duração de 27 minutos, duas vezes por semana, durante cinco semanas, utilizando o Leap Motion Controller. Observou-se melhora na força e resistência muscular, nas AVD’s e na QV. Portanto, o protocolo baseado em RV aplicado nos MMSS foi eficaz para melhorar as variáveis analisadas, além de servir como piloto para o protocolo das atividades virtuais e referência para o cálculo amostral do estudo principal. Artigo 3: Este ensaio clínico randomizado teve como objetivo analisar e comparar os efeitos de jogos de RV não imersiva com jogos de tabuleiro na funcionalidade dos MMSS, AVD’s e QV na DP. Vinte participantes, Hoehn & Yahr 2-3, foram divididos em dois grupos: jogos de RV não imersiva (n = 10) e jogos de tabuleiro (n = 10). As sessões tiveram duração de 30 minutos, duas vezes por semana, durante 8 semanas e os participantes foram avaliados quanto às AVD’s (TEMPA e MDS-UPDRS-II), função motora geral (MDS-UPDRS-III), destreza manual através do Box and Block Test (BBT) e Nine Hole Peg Test (9HPT), além da qualidade de vida (PDQ- 39). Os resultados mostraram que ambos os tratamentos foram eficazes, não havendo diferença significativa entre os grupos em relação as variáveis. Houve melhora nas AVD’s, conforme evidenciado pela execução das tarefas do TEMPA e MDS-UPDRS-II. Além disso, a destreza manual apresentou resultados positivos no BBT e 9HPT, com os jogos de RV demonstrando melhora intragrupo e na comparação intergrupos. Ambos os grupos mostraram melhora na função motora e na qualidade de vida. Portanto, constatou-se que os jogos de RV não imersivos e os jogos de tabuleiro têm um grande potencial como protocolos de reabilitação para os MMSS, impactando diretamente nas AVD’s e na QV de indivíduos com DP. O caráter desafiador e motivador dessas abordagens pode oferecer uma nova perspectiva de tratamento, especialmente nos estágios iniciais a moderados da doença.
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    Estudo prospectivo de pacientes com queixa de cefaleia atendidos em centros terciários no Brasil através de um registro nacional de cefaleia: estudo piloto
    (2022) Grassi, Vanise; Rieder, Carlos Roberto de Mello; Kowacs, Fernando
    A avaliação e o tratamento das cefaleias primárias e secundárias constituem um desafio em saúde pública global. Reconhecendo o seu impacto epidemiológico e a importância de qualificar o atendimento aos pacientes acometidos por cefaleia, um grupo de pesquisadores vinculados à Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe) propôs a criação e elaborou o protocolo inicial do Registro Brasileiro de Cefaleia, o REBRACEF. O objetivo desta tese foi avaliar a viabilidade desse protocolo, descrevendo a metodologia empregada e os dados preliminares obtidos a partir do estudo piloto. Trata-se de um estudo prospectivo observacional longitudinal multicêntrico, realizado entre setembro de 2020 e agosto de 2021. Foram coletados dados prospectivos em três centros especializados no atendimento de cefaleia, em estados da região sul e sudeste do Brasil. Pacientes com idade igual ou superior a 18 anos e com diagnóstico de cefaleia primária ou secundária, de acordo com os critérios diagnósticos da Classificação Internacional das Cefaleias, foram convidados a participar. Sessenta e seis pacientes foram incluídos no estudo piloto, 43 (35%) do Grande do Sul e 23 (35%) de Minas Gerais. Quatorze pacientes (21,2%) foram excluídos da análise final devido à perda de seguimento na primeira (6 participantes) ou segunda (8 participantes) entrevista. Da amostra total, 88,5% eram do sexo feminino, 57,7% eram casados(as), 75% eram indivíduos com alto grau de escolaridade (12 ou mais anos de escolaridade), 40,4% estavam empregados(as) e 34,6% apresentavam rendimento familiar mensal entre U$220 e U$1100 mensais. A idade média da amostra foi 38,5 + 10 anos e a maioria dos pacientes (61,6%) apresentava história de cefaleia em familiares de primeiro ou de segundo grau. A maioria dos pacientes (48,5%) consultou nos centros especializados através de planos de saúde suplementar, 28,8% através do Sistema Único de Saúde e 13,6% atendidos em clínica privada. As cefaleias primárias corresponderam a 82,8% dos diagnósticos realizados. Dentre as cefaleias secundárias, a cefaleia por uso excessivo de medicamentos foi a mais frequente (7,7%). A maioria (75%) dos pacientes incluídos no estudo piloto recebeu o diagnóstico de migrânea em seus diversos subtipos. A cronicidade dos sintomas migranosos foi significativamente relacionada a menores escores na escala de qualidade de vida (p=0,003) e com maiores escores nas escalas de depressão (p=0,03), ansiedade (p=0,008) e insônia (p=0,005). Na análise comparativa entre as entrevistas inicial e de seguimento (realizada 90 dias após a primeira) dos pacientes com migrânea, ocorreu uma diminuição significativa na intensidade das crises de cefaleia. Não ocorreu modificação nas categorias de frequência de crises, uso excessivo de medicamentos sintomáticos, percepção sobre qualidade de vida e impacto da cefaleia. Os dados do estudo piloto do Registro Brasileiro de Cefaleia estão em consonância com achados prévios que relacionam os quadros crônicos de migrânea com pior qualidade de vida, comorbidades psiquiátricas e distúrbios do sono. O Registro Brasileiro de Cefaleia será uma fonte valiosa de dados longitudinais e contribuirá para uma melhor caracterização dos diversos fenótipos dos pacientes com cefaleias primárias e secundárias, o detalhamento do uso dos recursos em saúde e a identificação dos fatores preditores de um melhor desfecho clínico.
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    A sarcopenia em idosos: metodologias de treinamento físico e avaliação dos critérios diagnósticos
    (2022) Ferreira, Luís Fernando; Rosa, Luis Henrique Telles da
    Introdução: A sarcopenia vem sendo um problema de saúde mundial, tendo alto custo para sistemas de saúde, e grande impacto na vida do indivíduo idoso. Isso sus citou diversas pesquisas na área, culminando na publicação de diversos consensos de sarcopenia. Porém ainda existem áreas não claras nas pesquisas de sarcopenia, como a padronização da avaliação dos critérios diagnósticos, e os melhores métodos de prevenção e tratamento da síndrome. Esta tese é composta por dois artigos: o primeiro é uma revisão sistemática de revisões sistemáticas, objetivando comparar os resultados entre diferentes métodos de treinamento físico diante dos critérios diagnós ticos de sarcopenia; o segundo, um estudo transversal, avaliou idosos com as avalia ções propostas pelo EWGSOP, buscando demonstrar as correlações entre os méto dos de diagnóstico da sarcopenia. Métodos: O estudo 1 é uma revisão sistemática de revisões sistemáticas. Estratégia de busca incluiu MeSH para idosos e sarcopenia, realizada nas principais bases de dados. Os estudos selecionados incluem idosos submetidos a treinamento físico em comparação aos grupos controle. O estudo 2 é transversal, onde idosos foram avaliados para os critérios diagnósticos de sarcopenia recomendados por EWGSOP. Resultados: No estudo 1, 494 revisões sistemáticas foram encontradas. Após a triagem, 5 foram incluídos (48 artigos. n=3877). Idade mé dia: 74,02+6,1. 73,44% do sexo feminino. Duração média das intervenções: 17,38 se manas (média: 2,56 sessões semanais). AMSTAR e PRISMA apresentaram alta qua lidade metodológica. Meta-análises compararam os resultados das intervenções de treinamento de resistência (RTA) com outras que não a resistência (NRTA). Força de preensão palmar, SMM e velocidade de marcha apresentaram diferenças estatistica mente significativas (DES) favoráveis ao GI. Teste de sentar-e-levantar, RTA mostrou DES favorável ao GI; em NRTA ao GC. O timed-up-and-go não mostrou DES. Já no estudo 2, 78,31% eram mulheres, a média de idade foi de 67,85+5,27 anos. Nas ava liações de força foi encontrada correlação moderada entre preensão manual e PT de quadríceps e alta com PT de isquiotibiais. Avaliações de PT mostraram alta relação entre eles. A MME apresentou alta correlação com a MLG e baixa correlação com CP e CMB. A MLG apresentou alta correlação com todas as avaliações de composição corporal. No desempenho físico, VMU teve correlação moderada com SPPB e alta com TUG. O TUG apresentou baixa correlação com SPPB e VMU. Conclusões: O artigo 1 demonstrou que fazer parte de qualquer programa de treinamento pode ser benéfico para sarcopenia em idosos, com TF melhor para força e MME, e modalidades 8 mistas para performance física. Já o estudo 2 demonstrou que o teste de preensão palmar apresenta as melhores correlações e menor custo entre os testes de força muscular, enquanto o teste de sentar e levantar parece não ser adequado para esta variável. Para MME a BIA apresenta as melhores correlações, embora testes mais rápidos e baratos, como a antropometria, sejam uma opção viável. Para a performance física, VMU apresentou as melhores correlações. Os outros testes para esta variável, embora possuam boa correlação entre eles, devem ser adaptados às neces sidades do idoso em sarcopenia severa, a fim de avaliar mais fidedignamente
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    Mobilização com movimento na dor do ombro relacionada com o manguito rotador
    (2022) Baeske, Rafael; Silva, Marcelo Faria; Hall, Toby
    A presente tese é constituída de dois estudos. Artigo 1: O primeiro estudo teve como finalidade publicar o protocolo do estudo principal desta tese. Através de um ensaio clínico randomizado e placebo controlado, 70 pacientes com dor crônica no ombro relacionada com o manguito rotador serão alocados em dois grupos distintos: mobilização com movimento (MWM) aplicada de forma pragmática + exercícios (MWM+E) e falsa MWM + exercício (SMWM+E). O período de tratamento será de cinco semanas com duas sessões semanais. Os desfechos primários são incapacidade (shoulder pain and disability index) e dor (numeric pain rating scale) que serão medidos no início, término do período de tratamento e follow-up de um mês. Os desfechos secundários são amplitude de movimento (ADM) ativa livre de dor, medida por um avaliador cegado, no início e término do tratamento; auto-eficácia medida no início, término do tratamento e follow-up; e, percepção da melhora geral, medida no término do tratamento e follow-up. Artigo 2: O segundo estudo desta tese apresenta os resultados obtidos da implementação do protocolo supracitado. A pesquisa envolveu 59 participantes (84% do total calculado) de ambos os sexos, com média de idade de 49 anos e duração mediana de dor de 9,5 meses. O grupo MWM+E apresentou resultados clínicos e estatísticos superiores em relação à incapacidade e ADM ativa a curto prazo e dor a curto prazo e follow-up de um mês. Não foram encontradas outras diferenças significativas para os outros desfechos. Consequentemente, os achados desta investigação sugerem que o uso de mobilizações com movimento de forma pragmática em conjunto com exercícios pode acelerar o processo de recuperação funcional (incapacidade, dor e ADM) em pacientes com dor no ombro relacionada com o manguito rotador.
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    Ventilação periódica durante o exercício: análise de diferentes critérios de diagnóstico e de intervenções sobre a morbimortalidade e respostas ao exercício
    (2022) Ribeiro, Gustavo dos Santos ; Karsten, Marlus
    Introdução: A ventilação periódica durante o exercício (EOV) é uma alteração caracterizada por oscilações na ventilação minuto (VE), frequentemente vista na insuficiência cardíaca. Seu diagnóstico é baseado na interação entre amplitude, comprimento do ciclo e duração da oscilação. Entretanto, não há consenso sobre a definição de EOV mais indicada. Sua complexidade e diversidade limita o uso deste marcador na prática clínica. Além disso, quantificar a variabilidade da VE (vVE) pode contribuir na identificação precoce do fenômeno e o exercício físico pode amenizar as oscilações observadas no padrão ventilatório. Objetivos: (E1) Desenvolver uma ferramenta para auxiliar e padronizar a identificação da EOV. (E2) Caracterizar o perfil clínico dos pacientes utilizando três definições distintas do fenômeno, comparando a prevalência, a sensibilidade e especificidade para desfechos adversos em dois anos. (E3) Analisar a vVE, testar sua sensibilidade e especificidade para desfechos adversos a médio prazo, comparando-a com a abordagem dicotômica. (E4) Verificar o efeito do exercício na reversão da EOV. Métodos: (E1) Cinco definições dicotômicas, duas abordagens alternativas, uma técnica para suavizar o sinal e estatísticas básicas foram incorporadas em uma interface desenvolvida no LabVIEW. Dois avaliadores independentes testaram a confiabilidade da ferramenta. (E2) Dados de 233 pacientes foram analisados retrospectivamente para identificar a presença de EOV utilizando as definições de Ben-Dov, Corrà e Leite. Os dados foram agrupados em EOV-positivo ou negativo e, posteriormente, analisados por testes apropriados para determinar a prevalência, perfil clínico, sensibilidade e especificidade para predizer desfechos adversos em dois anos. (E3) Dados de 233 pacientes foram usados para calcular a vVE durante o teste cardiopulmonar de esforço. O ponto de corte para triagem de risco, sensibilidade e especificidade para eventos adversos foi determinada pela curva ROC. Os dados foram agrupados em alta e baixa vVE. O perfil clínico e a taxa de sobrevida foi analisada por testes apropriados. Em seguida, os dados foram agrupados e analisados utilizando a abordagem cruzada. (E4) Uma busca de alta sensibilidade foi realizada adotando os critérios: (P) pacientes com EOV, (I) exercício físico, (C) single-arm e (O) reversão de EOV. Os estudos elegíveis foram selecionados e sintetizados por revisores independentes. Resultados: (E1) A ferramenta desenvolvida apresentou alta reprodutibilidade para identificar EOV (κ > 0,83). (E2) A prevalência de EOV foi maior nas definições de Ben-Dov e Corrà comparada à Leite (17,2% vs 9,4%). Os casos positivos identificados por Corrà exibiram um risco 3x maior de resultados adversos. Ben-Dov apresentou risco 2x maior. (E3) A vVE demonstrou maior sensibilidade para predizer eventos adversos a médio prazo que a abordagem dicotômica (94,3 vs 37,1). Pacientes com baixa vVE e EOV exibiram um risco 3 e 7x maior de desfechos adversos que pacientes com baixa ou alta variabilidade sem EOV. (E4) O exercício físico mostrou-se eficaz para reverter casos de EOV (~70% dos casos). Conclusão: A definição de Corrà foi a única definição clássica que previu eventos adversos a médio prazo. A vVE apresentou resultados similares à abordagem dicotômica, sugerindo ser uma técnica promissora para ser incorporada à prática clínica. O exercício físico foi efetivo para reverter casos de EOV.
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    Avaliação de biomarcadores cardiopulmonares, metabólicos e epigenéticos em indivíduos com esquizofrenia submetidos a um programa de treinamento combinado
    (2021) Skzypek, Caroline Lavratti; Peres, Alessandra
    A esquizofrenia se caracteriza como uma doença mental grave que leva o indivíduo ao isolamento social, ao sedentarismo e às várias comorbidades associadas como a obesidade e as doenças cardiovasculares. Esta tese teve como objetivo avaliar o impacto do treinamento combinado sobre a modulação de parâmetros epigenéticos, marcadores inflamatórios e de dano oxidativo, capacidade funcional e força muscular periférica em pacientes esquizofrênicos. Trata-se de um estudo quantitativo, intervencionista, descritivo e quase-experimental com pré e pós intervenção. Ao todo, 22 pacientes foram submetidos a um programa de treinamento combinado (exercícios aeróbicos e de força) durante 60 min, três vezes por semana e amostras de sangue, dados antropométricos, teste de caminhada dos 6 min e teste de força de preensão palmar foram coletados nos momentos pré-intervenção e 30, 90, 180, 270 dias após o início da intervenção. O treinamento combinado reduziu a massa corporal e o IMC em 90, 180 e 270 dias, aumentou a distância percorrida em 90, 180 e 270 dias e a força muscular periférica nos 30 dias após a intervenção. A atividade de CK aumentou em 90 dias, e a menor atividade de CK-Mb foi encontrada em 180 dias e 270 dias. Uma diminuição na atividade de HDAC2 foi encontrada em 180 dias. Além disso, foram encontrados um aumento significativo nos níveis de IL-10 em 90, 180 e 270 dias, uma redução significativa do TNF-alfa em 180, 270 e da leptina em 90 e 270 dias. Foram encontradas reduções significativas de TBARS em 180 e 270 dias e nitritos aumentados em 270 dias. Não ocorreram diferenças significativas nas IL-6, IL- 33, no AOPP e no cortisol. Dessa forma, acredita-se que o treinamento combinado é uma estratégia de intervenção não farmacológica com a capacidade de modular diferentes fatores relacionados com a esquizofrenia contribuindo para a melhora do quadro geral de saúde, bem como, na redução de comorbidades associadas.
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    Avaliação no ambiente clínico e suas implicações para reabilitação de pacientes com impacto femoroacetabular
    (Wagner Wessfll, 2021) Frasson, Viviane Bortoluzzi; Baroni, Bruno Manfredini
    A presente tese é composta de 3 estudos. Artigo 1: O primeiro estudo teve como objetivo comparar a amplitude de movimento (ADM) do quadril e a força muscular entre pacientes com síndrome do impacto femoroacetabular (IFA) e sujeitos assintomáticos. Vinte pacientes com síndrome do IFA e vinte sujeitos assintomáticos passaram por avaliações, em ambiente clínico, de ADM do quadril e força muscular por meio da goniometria e da dinamometria manual, respectivamente. A ADM foi significativamente menor nos pacientes com síndrome do IFA para flexão passiva, rotação interna ativa, rotação externa ativa e passiva. Os pacientes com síndrome do IFA também apresentaram déficit de força de extensores, adutores e flexores do quadril em comparação com os assintomáticos. Artigo 2: O segundo estudo teve como objetivo comparar a ADM do quadril e a força muscular em pacientes com diferentes versões femorais (VF) e verificar se as medidas de ADM são capazes de predizer a VF. Trinta e um adultos jovens com dor no quadril foram submetidos a radiografias biplanares para quantificar a VF, além de avaliações da ADM do quadril e força muscular em ambiente clínico. Entre os 62 quadris avaliados, 18 apresentavam VF normal, 19 eram antevertidos e 25 retrovertidos. Os quadris antevertidos apresentaram maior amplitude de rotação interna, enquanto quadris retrovertidos apresentaram maior amplitude de rotação externa. Os três grupos apresentaram um índice de rotação do quadril (calculado pela diferença entre a rotação externa e a rotação interna) diferente, sendo este um preditor forte e independente da VF. Os pacientes com quadris antevertidos foram mais fracos em comparação aos pacientes com quadris retrovertidos para a rotação externa à 30°, abdução e adução. Artigo 3: O terceiro estudo teve como objetivo avaliar a capacidade prognóstica de características basais em pacientes com síndrome do IFA e determinar seu impacto para o desfecho de saúde destes pacientes. Cento e quarenta e cinco pacientes com síndrome do IFA, avaliados em ambiente clínico entre 2013 e 2019, foram reavaliados entre 1 e 8 anos após por meio do instrumento de avaliação do quadril iHOT-33. Quinze variáveis foram investigadas quanto à sua capacidade prognóstica. O ponto de corte do estado satisfatório aceitável para o paciente (PASS) do iHOT-33 foi estabelecido em 67 pontos, enquanto o escore delta do iHOT-33 foi definido como score final menos o escore inicial. Nas reavaliações se observou que 81 pacientes (56%) atingiram o PASS. Apenas o escore iHOT-33 inicial foi um preditor do PASS≥67. O escore iHOT-33 inicial, a VF normal e o índice de massa corporal foram capazes de predizer o escore delta do iHOT-33. Conclusões: A ADM do quadril e a força muscular se mostraram diferentes em pacientes com síndrome do IFA e sujeitos assintomáticos, assim como em pacientes com diferentes VFs. O índice de rotação do quadril se mostrou um forte preditor da VF dos pacientes. Apenas o iHOT-33 provou ser um fator prognóstico aceitável para pacientes com síndrome do IFA atingirem o PASS. Por outro lado, o iHOT-33 inicial, a VF normal e o índice de massa corporal foram capazes de predizer o escore delta do iHOT-33.
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    Associação entre estimulação transcraniana por corrente contínua e órtese elétrica funcional na reabilitação do paciente com sequela de acidente vascular cerebral
    (Wagner Wessfll, 2020) Cunha, Maira Jaqueline da; Pagnussat, Aline de Souza; Cimolin, Veronica
    O acidente vascular cerebral (AVC) é a principal causa de incapacidade de longo prazo em adultos em todo o mundo. Após um AVC, ocorre um desequilíbrio inter-hemisférico que afeta negativamente a recuperação funcional. A queda do pé é uma deficiência comum após o AVC, a qual está relacionada a altos graus de deficiência motora, fraqueza ou falta de controle voluntário dos músculos dorsiflexores do tornozelo e/ou aumento da espasticidade dos músculos flexores plantares. Essas deficiências motoras geram adaptações biomecânicas da marcha que podem resultar em diminuição da velocidade da caminhada, da mobilidade funcional e da qualidade de vida. Dessa forma, a estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS) tem sido utilizada como uma alternativa terapêutica que pode ajudar a reestabelecer o equilíbrio inter-hemisférico, induzir plasticidade e auxiliar na recuperação do desempenho motor. Há evidências de sua utilização na melhora da mobilidade funcional e da força muscular do membro inferior parético. A estimulação elétrica funcional (FES) no nervo fibular através do dispositivo estimulador de queda do pé (Foot Drop Stimulator - FDS) tem sido utilizada como alternativa para corrigir o movimento do pé e tornozelo após o AVC. Os indivíduos crônicos pós-AVC normalmente obtêm resultados modestos com os métodos tradicionais de reabilitação. Acredita-se que a combinação da estimulação central e periférica poderia maximizar os ganhos na reabilitação dessa condição. Desse modo, o objetivo geral desta tese foi avaliar o efeito da tDCS e FES aplicada sobre o nervo fibular comum (FES convencional ou FDS) na reabilitação do membro inferior de indivíduos com hemiparesia crônica após AVC. Para isso, uma revisão sistemática com meta-análise (artigo 1), estudo quase experimental (artigo 2) e um ensaio clínico randomizado (artigos 3, 4 e 5) foram realizados. Os resultados encontrados no artigo 1 mostram uma baixa qualidade de evidência para efeitos positivos da FES no fibular comum na velocidade da marcha quando combinada com fisioterapia. A FES pode melhorar a dorsiflexão ativa de tornozelo, o equilíbrio e a mobilidade funcional. O artigo 2 mostra que o treinamento com FDS melhora o movimento ativo de dorsiflexão do tornozelo durante o ciclo da marcha, bem como a distância percorrida ao longo das sessões de treino. O artigo 3, 4 e 5 revelam que a tDCS parece não adicionar efeitos ao treinamento com FDS na melhora da mobilidade funcional, espasticidade, qualidade de vida e performance da marcha. Além disso, a tDCS não induz efeito adicional na melhora da plasticidade e do comprometimento motor do membro inferior de indivíduos com hemiparesia crônica após AVC. Consideramos esses achados relevantes, pois podem subsidiar a decisão clínica de usar ou não a tDCS nesta população. Considerando que não encontramos efeitos no modo de estimulação bi-hemisférico, mais ensaios clínicos, com diferentes montagens e protocolos de aplicação, são necessários para verificar se o tDCS é eficaz na reabilitação de membros inferiores após AVC em fase crônica. De modo geral, a FES no nervo fibular comum pode ser usada como uma terapia complementar para reabilitação de indivíduos com hemiparesia crônica após AVC.
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    Efeitos da suplementação de precursores de carnosina associada ao treinamento combinado sobre capacidade funcional e parâmetros bioquímicos em ratos com insuficiência cardíaca
    (Wagner Wessfll, 2020) Stefani, Giuseppe Potrick; Dal Lago, Pedro
    O treinamento combinado tem sido associado a respostas positivas no estado clínico de pacientes com insuficiência cardíaca. Outras ferramentas não farmacológicas, como a suplementação de aminoácidos, podem melhorar ainda mais sua adaptação. Ao longo da trajetória no Laboratório de Fisiologia Experimental uma série de estudos com suplementos alimentares e treinamentos físicos foram realizados em modelos animais de insuficiência cardíaca a fim de observar os efeitos funcionais e moleculares. Sendo assim, o objetivo desta tese foi testar se a suplementação de precursores de carnosina (β-alanina e L-histidina) associada ao treinamento combinado (aeróbio e força) poderiam apresentar respostas melhores na capacidade funcional, variáveis bioquímicas de ratos com insuficiência cardíaca. Para os dois estudos foram utilizados 24 ratos machos Wistar. Todos os animais foram submetidos a cirurgia de indução de infarto agudo do miocárdio por meio da ligadura da artéria coronariana. Após o período de indução de insuficiência cardíaca, os animais foram divididos em três diferentes grupos: sedentários, treinamento combinado suplementado com placebo e treinamento combinado suplementado com β-alanina e L-histidina. Os animais foram submetidos a protocolos de treinamento de força em agachamento adaptado para ratos (3x/semana) e treinamento aeróbio contínuo em esteira para ratos (2x/semana). As modalidades de treinamento ocorreram em dias distintos. Animais suplementados com β-alanina e L-histidina receberam produtos por meio de gavagem (250 mg/kg/dia) diluídos em água destilada diariamente. Para placebo foi utilizado solução salina. Tanto treinamento, quanto suplementação foram realizados por oito semanas. Antes e após o período experimental, os animais realizaram testes máximos de capacidade funcional, força máxima e ecocardiografia. Ao término das últimas avaliações, os animais foram eutanasiados para seus tecidos serem coletados (coração, pulmões, fígado, gastrocnêmios e sóleos) e posteriormente analisados. A suplementação de β-alanina e L-histidina foi eficiente em aumentar o conteúdo de carnosina de músculos esqueléticos, no entanto, não aumentou o conteúdo de carnosina no coração. Não foram encontradas alterações nos parâmetros ecocardiográficos e morfológicos entre os grupos. A capacidade funcional e força máxima foram maiores nos grupos treinados, comparados ao grupo sedentário. Entretanto, o grupo suplementado com β-alanina e L-histidina demonstrou melhorar ainda mais estes parâmetros, comparado ao grupo treinado suplementado com placebo. Adicionalmente, a suplementação de β-alanina e L-histidina demonstrou menor estresse oxidativo, marcadores de inflamação e maior expressão de proteínas de choque térmico, expressão de mRNA de ATP1a2 e ATP2a2 no músculo esquelético, em comparação ao grupo sedentário. O treinamento combinado e a suplementação de β-alanina e L-histidina em ratos com insuficiência cardíaca melhoraram a capacidade funcional e os parâmetros bioquímicos de forma mais positiva que o treinamento isolado. A carnosina provocou adaptações positivas na resposta ao estresse celular no músculo esquelético e na expressão negativa de mRNA do transporte de cálcio.