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Submissões Recentes

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    Marcadores de alimentação saudável e não saudável da população brasileira nas diferentes regiões do país
    (2025-11-27) Girelli, Tiélen Jenifer; Vinholes, Daniele Botelho; Programa de Pós-Graduação em Ciências da Nutrição
    Introdução: O Brasil é um país de dimensões continentais que abrange múltiplos biomas, climas e relevos impactando diretamente na produção agrícola, na disponibilidade de alimentos e nas condições socioeconômicas regionais. Essa diversidade contribui para a coexistência de práticas alimentares plurais, mas também para a ampliação de desigualdades que afetam de forma desigual a população. O comportamento alimentar é um processo complexo, que vai além das preferências individuais, resultando da interação de múltiplas influências. Objetivo: Identificar a relação entre o perfil sociodemográfico e os marcadores de alimentação saudável e não saudável da população brasileira adulta de acordo com as regiões do Brasil. Métodos: Estudo transversal, com análise dos dados da população adulta (18 anos ou mais) da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019. A amostra foi caracterizada segundo variáveis sociodemográficas, de estilo de vida e de saúde. Para análise do consumo alimentar foram incluídos todos os alimentos cuja frequência foi investigada no módulo P – estilo de vida – da PNS e foram descritos conforme a frequência de consumo segundo a região do país. Estimou-se a razão de prevalência bruta e ajustada pelas variáveis sociodemográficas selecionadas, para o consumo frequente (5 ou mais vezes na semana) para os marcadores de alimentação saudável (feijão, verduras/legumes e frutas) e não saudável (refrigerantes, sucos artificiais e doces) por meio de regressão de Poisson. Foi adotado um nível de significância de 5%. Resultados: Foram incluídos 78.993 adultos. Alimentos marcadores de alimentação saudável foram consumidos com maior frequência pela população do que aqueles marcadores de alimentação não saudável em todas as regiões. Após ajuste para as variáveis sociodemográficas, as regiões Norte e Nordeste foram as que se diferenciaram mais do restante do país: utilizando como referência a região Sul, a região Nordeste apresentou menor prevalência de consumo frequente de verduras/legumes (RP=0,71; IC95% 0,69- 0,72), enquanto a região Norte apresentou menores prevalências de consumo frequente de feijão (RP=0,93; IC95% 0,91-0,96) e frutas (RP=0,78; IC95% 0,76- 0,80). De forma similar no consumo dos marcadores de alimentação não saudável, utilizando como referência a região Sul, a região Norte apresentou menor prevalência de consumo frequente de doces (RP=0,51; IC95% 0,48-0,55), enquanto a região Nordeste apresentou menor frequência de consumo frequente de refrigerantes (RP=0,54; IC95% 0,49-0,59) e sucos artificiais (RP=0,30; IC95% 0,28-0,32). Conclusão: O consumo alimentar da população adulta brasileira é heterogêneo entre as macrorregiões do país, havendo diferença no consumo alimentar entre elas por si só, no entanto, as variáveis sociodemográficas acentuam ainda mais esta heterogeneidade.
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    O ouro líquido gaúcho: identidade, qualidade físico-química e características sensoriais de azeites de oliva extravirgens produzidos no estado do Rio Grande do Sul
    (2025-12-18) Silva, Lucas Tolio; Garavaglia, Juliano; Programa de Pós-Graduação em Ciências da Nutrição
    O azeite de oliva extravirgem ocupa posição central entre os alimentos de elevado valor nutricional, sensorial e cultural, sendo reconhecido mundialmente por seus benefícios à saúde, especialmente pela presença de ácidos graxos monoinsaturados e compostos bioativos, como fenóis e tocoferóis, além de uma matriz complexa de compostos voláteis responsáveis pelo seu perfil aromático característico. A crescente expansão da olivicultura em países do hemisfério sul tem contribuído para a diversificação da produção global, e o Brasil, em especial o estado do Rio Grande do Sul, destaca-se como um dos polos emergentes mais promissores. Nas últimas décadas, avanços tecnológicos, investimentos produtivos e condições edafoclimáticas favoráveis permitiram ao estado desenvolver azeites que apresentam qualidade química e sensorial comparável à de regiões tradicionais do Mediterrâneo. Apesar desse avanço, ainda são escassos estudos sistemáticos que integrem análises físico-químicas, composição lipídica, fenóis, compostos voláteis e avaliação sensorial de forma abrangente, especialmente com enfoque em identidade territorial e diferenciação varietal. Diante desse cenário, esta dissertação teve como objetivo caracterizar detalhadamente 58 amostras de azeites extravirgens produzidos no Rio Grande do Sul nas safras de 2022 e 2023, combinando técnicas analíticas avançadas e abordagem multivariada para compreender a influência da cultivar, da safra e da origem geográfica sobre os atributos químicos e sensoriais do produto. Foram determinados parâmetros de qualidade (acidez livre, índice de peróxidos e absorbância no ultravioleta), perfil de ácidos graxos por cromatografia, teor de compostos fenólicos totais pelo método de Folin-Ciocalteau, e perfil volátil por microextração em fase sólida no modo headspace acoplada à cromatografia gasosa com espectrometria de massas (HS-SPME/GC-MS). A caracterização sensorial foi conduzida por um painel treinado e certificado pelo Conselho Oleícola Internacional, permitindo integrar medidas objetivas e subjetivas em uma análise completa da qualidade. Os resultados demonstraram que todas as amostras atenderam aos critérios internacionais para classificação como azeite extravirgem, evidenciando o alto padrão da produção regional. A cultivar emergiu como principal fator determinante da composição química e do perfil sensorial, superando os efeitos de safra e mesorregião. Cultivares como Koroneiki, Picual e Coratina exibiram maiores teores de compostos fenólicos, estabilidade oxidativa superior e atributos sensoriais verdes mais intensos, enquanto Arbequina e Arbosana apresentaram perfis mais suaves, com menor amargor e picante. No perfil volátil, aldeídos e álcoois originados da rota da lipoxigenase, especialmente o trans-2-hexenal, configuraram-se como principais marcadores aromáticos da identidade dos azeites gaúchos. A análise quimiométrica indicou que quatro componentes principais explicaram 80% da variância global, permitindo a separação varietal e revelando padrões químicos consistentes que reforçam a possibilidade de caracterização territorial e estabelecimento de sistemas de denominação de origem. Os achados reforçam o potencial qualitativo da olivicultura gaúcha, evidenciam a singularidade química e sensorial dos azeites produzidos no estado e oferecem subsídios científicos para o fortalecimento da cadeia produtiva, valorização regional, certificação de origem e promoção do consumo de azeites extravirgens brasileiros. A integração entre métodos físico-químicos, sensoriais e estatísticos amplia o entendimento da identidade dos azeites nacionais e contribui significativamente para a consolidação do Brasil no cenário internacional da olivicultura.
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    Perfil de consumo proteico de pacientes em Terapia Renal Substitutiva: uma revisão sistemática com meta-análises de estudos observacionais
    (2025-12-12) Garbelotto, Charlles; Gottschall, Catarina Bertaso Andreatta; Garcez, Anderson; Programa de Pós-Graduação em Ciências da Nutrição
    A Doença Renal Crônica (DRC) é um problema de saúde pública global, e pacientes em Terapia Renal Substitutiva (TRS) apresentam alto risco de Desgaste EnergéticoProteico (DEP), uma condição associada à elevada morbimortalidade. A terapia nutricional é um pilar do tratamento, e as diretrizes clínicas (como KDOQI: Kidney Disease Outcomes Quality Initiative e SBNPE/BRASPEN: Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral) recomendam uma ingestão proteica elevada (1,0 a 1,4 g/kg). Contudo, essas recomendações baseiam-se em evidências consideradas frágeis, como estudos de balanço nitrogenado. Paralelamente, o perfil de consumo real e o estado nutricional desta população, conforme documentado em estudos observacionais, careciam de uma síntese quantitativa abrangente. O objetivo geral desta dissertação foi caracterizar o perfil nutricional de pacientes adultos em TRS, através de uma revisão sistemática com metanálises de estudos observacionais. Os objetivos específicos incluíram: (1) Sintetizar o consumo proteico (g/kg); (2) Comparar a ingestão entre modalidades de diálise (Hemodiálise vs. Diálise Peritoneal) e entre pacientes com e sem desnutrição; (3) Caracterizar marcadores bioquímicos (albumina e creatinina séricas); (4) Identificar a prevalência das etiologias da DRC; e (5) Avaliar a certeza da evidência (GRADE). Foi realizada uma busca sistemática em seis bases de dados e na plataforma Consensus, incluindo 61 estudos observacionais (8.517 participantes, 1983-2022). A média combinada de consumo proteico foi de 1,05 g/kg [IC 95% 1,00-1,11], no limite inferior das recomendações. A ingestão foi menor na Diálise Peritoneal (0,96 g/kg) e em pacientes com desnutrição (diferença de 0,15 g/kg). As médias de albumina e creatinina foram 3,71 g/dL e 9,34 mg/dL, respectivamente, e as etiologias mais prevalentes foram a nefropatia hipertensiva (26,2%) e a diabética (24,3%). A heterogeneidade estatística foi extremamente alta (I² > 85%), e a certeza da evidência para todos os desfechos foi classificada como "Muito Baixa". Esta dissertação fornece um panorama quantitativo abrangente, indicando que o consumo proteico em diálise é frequentemente subótimo. Contudo, a certeza "Muito Baixa" dos achados, limitada pela alta inconsistência e risco de viés dos estudos primários, sublinha a necessidade crítica de estudos observacionais metodologicamente mais robustos para fortalecer a base de evidências das diretrizes nutricionais.
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    Investigação computacional da interação entre B-DNA e Corróis mono-substituídos contendo unidades morfolina, piperidina e pirrolidina
    (2025-12-03) Moreira, Magáli Portela; Oliveira, Tiago Espinosa de; Química Medicinal
    A busca por novos compostos bioativos capazes de interagir com biomoléculas do genoma e modular processos biológicos essenciais tem ganhado cada vez mais destaque, especialmente no desenvolvimento de agentes com potencial terapêutico. Nesse panorama, os corróis meso-mono-substituídos despontam como uma classe promissora de macromoléculas heterocíclicas, caracterizadas por elevada afinidade por diversas biomoléculas. Entre seus principais alvos, o DNA se destaca, uma vez que a interação desses derivados com a dupla hélice tem revelado potencial significativo para a geração de candidatos a fármacos direcionados ao tratamento de infecções microbianas, doenças genéticas e de tumores. Nessa perspectiva, o presente trabalho visa investigar computacionalmente os mecanismos de interação entre derivados de corróis e o B-DNA, propondo seus modos de ligação e sítios preferenciais. Foram selecionados três derivados contendo unidades heterocíclicas com propriedades bioativas na posição meso do macrociclo: 4-(morfolin-4-il)corrol (MorpCor), 4-(piperidin-1-il)corrol (PipCor) e 4-(pirrolidin-1-il)corrol (PirCor). A metodologia empregada envolveu etapas de construção e otimização das estruturas, docking molecular e simulações de dinâmica molecular, seguidas de análises destinadas a elucidar as melhores interações e a estabilidade termodinâmica entre os ligantes e o comportamento dinâmico dos complexos formados em condições fisiológicas simuladas. Os resultados indicam que a interação entre os corróis e o DNA ocorre por meio de um modo de ligação híbrido, combinando a associação no com intercalação parcial entre os pares de bases. As simulações de dinâmica molecular revelaram que todos os complexos mantiveram a conformação global característica do B-DNA, apresentando apenas distorções locais e reversíveis, reflexo da flexibilidade intrínseca da hélice. A análise conformacional evidenciou uma correlação entre a estabilidade de ligação e o grau de distorção induzido na estrutura do DNA, seguindo a ordem MorpCor < PipCor < PirCor. Dessa forma, o estudo demonstrou que os corróis meso-mono-substituídos interagem com o B-DNA por meio de um mecanismo híbrido de ligação, delicadamente balanceado por compensações conformacionais que preservam a estabilidade estrutural da dupla-hélice frente às perturbações induzidas pelos ligantes. Esses resultados contribuem para o entendimento dos aspectos estruturais e energéticos que regem a interação de corróis com o DNA, oferecendo subsídios para o desenvolvimento racional de novos agentes bioativos.
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    Panorama das Glomerulopatias na América Latina: revisão sistemática e análise clínico-histopatológica em um hospital terciário
    (2025-10-13) Palma, Raphael Hemann; Keitel, Elizete; Meinerz, Gisele; Programa de Pós-Graduação em Patologia
    Introdução: As glomerulonefrites representam uma causa significativa de doença renal crônica, sendo a biópsia renal uma ferramenta fundamental para seu diagnóstico. No Brasil, estudos prévios identificaram GESF como a glomerulopatia mais frequente. Objetivo: Avaliar os principais diagnósticos de glomerulonefrite em um centro terciário de referência em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, descrever suas características clínicas e laboratoriais, e comparar os achados com estudos prévios realizados no Brasil e em outros países. Métodos: Estudo descritivo conduzido na Santa Casa de Porto Alegre entre 2021 e 2023, incluindo pacientes adultos submetidos à biópsia renal com diagnóstico histológico de glomerulonefrite. Foram analisados dados clínicos, laboratoriais e histológicos dos pacientes. Resultados: Um total de 366 pacientes foram incluídos. Ao longo do período estudado, observou-se um aumento de 21% no número de biópsias realizadas. A principal indicação para biópsia foi síndrome nefrótica, seguida por proteinúria não nefrótica, com ou sem hematúria. A Nefropatia por IgA foi a glomerulopatia mais prevalente (20%), seguida por GESF e nefrite lúpica. Discussão: Os achados demonstram uma tendência crescente no número de biópsias renais realizadas ao longo dos anos, o que é consistente com estudos anteriores da América Latina. Além disso, observa-se uma mudança no perfil epidemiológico das glomerulopatias no Brasil, sendo este o primeiro estudo a relatar a Nefropatia por IgA como a forma mais frequente de glomerulonefrite. Conclusão: Este foi o primeiro estudo brasileiro a identificar a Nefropatia por IgA como a glomerulonefrite mais prevalente, além de revelar uma maior representatividade da proteinúria não nefrótica como indicação para biópsia. Os resultados reforçam a importância da criação de um registro nacional unificado, da ampliação do acesso à microscopia eletrônica e da reavaliação crítica dos pacientes com diagnóstico presumido de nefropatia hipertensiva como principal causa de doença renal crônica.

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
Biblioteca Paulo Lacerda de Azevedo

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