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Item type: Item , Saúde da população negra: história em quadrinhos como dispositivo pedagógico para educação antirracista em saúde a partir da percepção de usuários e profissionais(2026-06-10) Tieppo , Melissa Zorzi; Oliveira, Mônica Maria Celestina de; Weis, Alisia Helena; Programa de Pós-Graduação em Saúde da FamíliaNo último censo IBGE 2022, a maior parte da população do Brasil se declarou parda. Apesar de ser uma maioria, é fundamental reconhecer que a população negra ainda enfrenta desafios, como o racismo estrutural e as desigualdades sociais, oriundos do colonialismo que fundou o Brasil. Estas questões estão diretamente relacionadas à distribuição e manutenção das iniquidades raciais que afetam os marginalizados pela sociedade. Considerando que um quarto dos residentes no município de Caxias do Sul se autodeclaram pretos e pardos, políticas públicas que garantam o acesso à saúde de qualidade podem não estar asseguradas, apesar da existência da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), instituída desde 2009. Diante desse contexto, emergiu o questionamento de como os usuários e os profissionais de saúde percebem o racismo e as desigualdades raciais no acesso e no cuidado em saúde em um território da APS e de que maneira essas percepções poderiam subsidiar estratégias formativas voltadas ao enfrentamento do racismo institucional nos serviços de saúde? Assim, foi objetivo desta pesquisa avaliar o acesso e o cuidado da saúde da população negra em um território adscrito à Atenção Primária, à luz da literatura e a partir das percepções de usuários e profissionais de saúde, subsidiando o desenvolvimento de uma ferramenta de formação profissional para o enfrentamento das desigualdades raciais no cuidado. Este estudo de natureza qualitativa, com corpus textuais de 40 entrevistas, procurou evidenciar se o racismo se insere na UBS participante como um padrão amplamente documentado na saúde brasileira. A população do estudo se constituiu tanto de usuários autodeclarados pretos/pardos pertencentes ao território, como de profissionais de saúde atuantes na UBS de estudo. Assim, identificou-se desigualdades raciais no acesso à saúde no território estudado, revelando as barreiras estruturais e institucionais enfrentadas pela população negra. O estudo evidenciou fragilidades na implementação local da PNSIPN e nas práticas de registro em saúde. Como produto foi desenvolvido, a partir dos achados da pesquisa, um dispositivo pedagógico em formato de história em quadrinhos (HQ) – material didático – para a educação permanente em saúde que promova a reflexão e o letramento racial no cuidado em saúde. Este estudo contribuiu para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 (Saúde e Bem-estar) e 4 (Educação de Qualidade).Item type: Item , Quedas e fraturas em idosos: sobrevida e atuação remota da fisioterapia(2024-07-17) Cardoso , Éder Kröeff; Rosa, Luís Henrique Telles da; Programa de Pós-Graduação em Ciências da ReabilitaçãoAs quedas em idosos apresentam elevado risco para ocorrência de fraturas. A fratura do colo do fêmur em idosos é considerada um problema de saúde pública e está associada a altas taxas de morbidade e mortalidade. A telerreabilitação tem sido apontada como uma estratégia promissora tanto para prevenir quedas quanto para facilitar a recuperação após incidentes. O artigo 1 destaca a sobrevida de mulheres idosas após fraturas do colo do fêmur, enquanto o artigo 2 descreve duas modalidades de fisioterapia remota como opção para prevenção de quedas. Métodos: Utilizando dados de um hospital de emergência, o primeiro artigo, uma coorte com 168 mulheres idosas acompanhadas após a fratura do colo do fêmur identificou uma mortalidade de 38% em quatro anos após as fraturas, com uma sobrevida média de cerca de três anos. O segundo artigo, um ensaio clínico randomizado duplo-cego, envolveu 32 idosos. Os participantes foram atendidos remotamente e avaliados em termos de mobilidade, equilíbrio e força muscular, com um follow-up de 16 semanas para monitorar a recorrência de quedas. Os resultados demonstraram iguais incidências de quedas nos dois grupos, e a melhora significativa do equilíbrio no grupo síncrono. Os achados reforçam a necessidade de intervenções multidisciplinares no planejamento da alta e continuidade do tratamento para idosos. Além disso, sugere-se que as modalidades de telerreabilitação podem ser implementadas como parte das estratégias de saúde pública para a prevenção de quedas entre idosos.Item type: Item , Despersonalização/desrealização e flexibilidade psicológica: explorando as relações através de um estudo correlacional e de mediação(2025-04-24) Araujo , Lucas Augusto Luvison de; Pacheco, Janaína Thaís Barbosa; Programa de Pós-Graduação em Psicologia e SaúdeA despersonalização/desrealização (DP/DR) é uma experiência dissociativa caracterizada por alterações na percepção de si mesmo e/ou do ambiente, frequentemente acompanhada por sofrimento psicológico significativo e prejuízo funcional. Embora amplamente associada a diversos transtornos mentais, ainda é pouco estudada enquanto fenômeno clínico próprio. Já a flexibilidade psicológica refere-se à capacidade de permanecer em contato com pensamentos, emoções e sensações internas — mesmo que sejam difíceis ou desconfortáveis — sem tentar evitá los ou suprimi-los rigidamente, mantendo ao mesmo tempo o engajamento em ações alinhadas a valores pessoais. Trata-se de um processo central na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e tem sido amplamente estudada como um componente transdiagnóstico relacionado à saúde psicológica. A presente dissertação teve como objetivo geral investigar o papel da flexibilidade psicológica na relação entre sintomas de despersonalização e a percepção de satisfação com a vida e o sofrimento psicológico, por meio de um estudo de delineamento transversal, com análises correlacionais e de mediação. Participaram 160 adultos da população geral, que responderam a instrumentos para mensuração de despersonalização (Cambridge Depersonalization Scale), flexibilidade psicológica (CompACT), sofrimento psicológico (DASS-21) e satisfação com a vida (SWLS). A coleta de dados foi realizada entre os meses de janeiro e setembro de 2024 de maneira totalmente remota. A divulgação do estudo foi feita através de duas fontes: inicialmente através da divulgação de convite para a participação da pesquisa através de redes sociais (Instagram, Whatsapp e Facebook). Num segundo período, o estudo foi divulgado através de e-mail institucional para servidores de uma universidade federal brasileira. Foi utilizada a plataforma de hospedagem de questionários RedCap para a participação no estudo. Antes de serem expostos aos instrumentos, todos os participantes tiveram acesso ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE e assentiram a sua participação voluntária na pesquisa. A análise dos dados foi feita utilizando-se a versão 25 do Statistical Package for the Social Sciences (SPSS, IBM Corp., Nova York). Foram realizadas análises correlacionais, comparações entre grupos e quatro modelos de mediação. Os resultados serão apresentados no artigo a seguir. As análises indicaram que a presença de sintomas de despersonalização está associada a níveis mais baixos de flexibilidade psicológica, os quais, por sua vez, predizem maior sofrimento psicológico e menor satisfação com a vida. Os modelos de mediação demonstraram efeitos indiretos significativos da despersonalização sobre os desfechos avaliados por meio da flexibilidade psicológica, sugerindo que parte do impacto negativo da DP/DR ocorre em razão da forma inflexível como o indivíduo lida com sua experiência interna. A inclusão da variável mediadora aumentou significativamente o poder explicativo dos modelos, com os coeficientes de determinação (R²) passando de 32,4% para 39,3% na satisfação com a vida, de 49,9% para 59,1% na depressão, de 34,1% para 40,5% na ansiedade e de 35,6% para 42,2% no estresse. Tais achados reforçam o papel da flexibilidade psicológica como processo transdiagnóstico relevante, além de apoiar o uso de intervenções baseadas na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) para pessoas que apresentam sintomas de despersonalização. A dissertação também previa um segundo estudo de caso clínico que não foi conduzido devido à dificuldade de recrutamento de participantes com o diagnóstico de Transtorno de Despersonalização/Desrealização. Os resultados obtidos contribuem para o avanço teórico e clínico no entendimento da DP/DR, sugerindo que intervenções voltadas ao aumento da flexibilidade psicológica podem atenuar os efeitos negativos desse fenômeno sobre o bem-estar psicológico.Item type: Item , Crianças em tratamento para o câncer: a comunicação pais-criança sobre a morte e o processo de morrer(2025-07-14) Santos , Ana Júlia Schmidt dos; Levandowski , Daniela Centenaro; Programa de Pós-Graduação em Psicologia e SaúdeA morte ainda é um tema cercado por tabus, mesmo em contextos onde sua presença é frequente, como nas unidades de oncologia pediátrica. O câncer é a principal causa de morte entre crianças e adolescentes no Brasil e no mundo, e o tratamento da doença impõe à criança e à família mudanças profundas na rotina, nas relações e nas emoções. A vivência do tratamento e do adoecimento pode despertar nas crianças dúvidas a respeito da morte e do morrer. Apesar da recorrência da morte neste cenário, observa-se uma dificuldade persistente por parte dos adultos – familiares e/ou profissionais de saúde – em abordar este tema com as crianças. A presente dissertação teve como objetivo descrever a percepção de cuidadores (mães e pais) de crianças em tratamento oncológico sobre a comunicação a respeito da morte e do processo de morrer. Realizou-se uma pesquisa qualitativa e transversal, com delineamento de estudo de casos múltiplos (Yin, 2015), que envolveu a realização de entrevistas semiestruturadas com cinco cuidadores de crianças 04 a 12 anos em tratamento oncológico (em progressão ou recidiva da doença) e a aplicação de questionário de dados sócio-demográficos e clínicos. A entrevista investigou se o assunto era discutido com a criança, de que forma a comunicação cuidador-criança acontecia em relação à morte de conhecidos e à possibilidade da própria morte, os principais desafios relatados pelos cuidadores na comunicação sobre este tema e como eles vivenciavam essa experiência. Análises transversais dos casos (síntese de casos cruzados (Yin, 2015) evidenciaram que a maioria dos cuidadores evitava abordar diretamente o tema da morte com a criança, mesmo quando ela expressava dúvidas ou percepções sobre a gravidade da doença, denunciando a existência de um “pacto de silêncio” familiar e da equipe. Entre os principais desafios relatados pelos cuidadores na comunicação sobre o tema constaram o medo de causar sofrimento à criança, a falta de preparo emocional para lidar com a temática e a ausência de orientação profissional sobre como comunicar-se de forma adequada com a criança. Por outro lado, a abertura de um espaço para a escuta e acolhimento dos cuidadores, juntamente com a psicoeducação proporcionada ao final da entrevista, mostraram-se benéficas para apoiá-los nesse processo e sensibilizá-los para a importância de uma comunicação mais sensível e franca sobre o tema, promotora de maior bem-estar infantil. Conclui-se que falar sobre a morte com crianças em tratamento oncológico é uma necessidade ética e representa uma atitude de humanização do cuidado, que contribui para o enfrentamento da doença e para a construção de significados sobre a vida e não apenas sobre a morte. A pesquisa reforçou a importância da preparação dos profissionais de saúde, incluindo a temática da morte já na formação acadêmica, com vistas à transformação de práticas assistenciais.Item type: Item , Métodos automatizados para controle de qualidade em equipamentos de ultrassom modo B: o teste de escala de cinza(2026-08-03) Jardim , André Gonçalves; Botelho, Viviane Rodrigues; Pianoschi, Thatiane Alves; Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Informação e Gestão em SaúdeEquipamentos de ultrassom diagnóstico estão sujeitos a exigências regulatórias de controle de qualidade no Brasil, porém o teste de escala de cinza permanece dependente de análise visual, sujeita à subjetividade do avaliador. Este trabalho desenvolve, aprimora e valida metodologias computacionais para a automatização do teste de escala de cinza e do alcance dinâmico exibido em equipamentos de ultrassom Modo B. A metodologia utilizou um banco de 156 imagens DICOM de três phantoms multipropósito (ATS 539, CIRS 040GSE e CIRS 054GS), adquiridas com transdutores convexos e lineares de múltiplos fabricantes e pareadas com máscaras de referência obtidas por segmentação manual. Foram implementadas três estratégias de detecção automática das regiões de interesse — abordagem morfológica bidimensional (AM2D), abordagem diferencial de sinais unidimensionais (ADS1D) e detecção por picos com restrição geométrica (DP) —, avaliadas por varredura combinatória exaustiva de 2.100 combinações de hiperparâmetros, totalizando 327.600 execuções individuais. O desempenho foi quantificado por métricas espaciais, score composto multicritério, testes de Friedman e Wilcoxon pareado e análise de concordância de Bland-Altman aplicada à Grayscale Mapping Function (GMF). A combinação líder (DP com filtro Savitzky-Golay) alcançou IoU médio de 0,7663, área de interseção de 85,06% e score composto de 0,8517. A GMF obtida pelo método automatizado apresentou viés inferior a 1,1 nível de cinza, coeficiente angular estatisticamente equivalente à unidade e coeficiente de determinação superior a 0,959, com ponto ótimo operacional em 75% do raio. Conclui-se que o método automatizado é funcionalmente equivalente à segmentação manual e oferece uma base computacional reprodutível, em código aberto, para a incorporação do teste de escala de cinza ao fluxo de controle de qualidade em ultrassonografia diagnóstica.




