Realidade Virtual Imersiva na Reabilitação de Pessoas com Paralisia Cerebral
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Introdução: A paralisia cerebral (PC) exige intervenções eficazes, cujo as mais
promissoras são baseadas na aprendizagem motora. Evidências apontam que
realidade virtual (RV) parece potencializar o treinamento motor nas pessoas
com PC, através da oferta de feedback, engajamento e motivação.
Objetivo: Avaliar os efeitos sobre o controle de cabeça, equilíbrio de tronco e
função motora grossa de pacientes com paralisia cerebral nível III, IV e V da
Gross Motor Function Classification System (GMFCS) submetidas a
treinamento com realidade virtual imersiva (RVI). Como metas secundárias,
investigar a usabilidade de um jogo sério em realidade virtual para auxiliar na
estabilidade e no equilíbrio da cabeça e do tronco de crianças com PC com
foco na percepção e na experiência de profissionais da saúde; avaliar as
possíveis variações de funcionalidade e verificar a qualidade de vida de
pessoas com PC de moderada a grave submetidas a treinamento com RVI e,
por fim, averiguar a sobrecarga, o nível de ansiedade e de depressão de
cuidadores de pessoas com PC de moderada a grave.
Método: Estudo randomizado controlado com dois grupos, fisioterapia
convencional (controle) e realidade virtual, 19 pacientes com diagnóstico de
paralisia cerebral de ambos os sexos com idade entre 6 e 18 anos,
classificados como nível III, IV e V no Sistema de Classificação da Função
Motora Grossa. Os pacientes foram avaliados nas habilidades motoras,
controle de cabeça e equilíbrio de tronco pelas escalas Gross Motor Function
Measure-88 (GMFM), Early Clinical Assessment of Balance parte I – versão 2
(ECAB) e Escala Visual Analógica Controle de Cabeça (EVACC). Além disso,
foram analisadas funcionalidade e qualidade de vida pelo Inventário de
Avaliação Pediátrica de Incapacidade (PEDI) e Pediatric Quality of Life
Inventory version 3.0 (PedsQL®) respectivamente. O estudo ainda observou o
comportamento psicoemocional de pais e/ou cuidadores dessas pessoas com
PC submetidas a treinamento com RVI, os quais foram avaliados através das
ferramentas Zarit Caregiver Burden Interview (BI), Beck Anxiety Inventory (BAI)
e Beck Depression Inventory (BDI). Um estudo transversal foi realizado com
profissionais de saúde para investigar a usabilidade do jogo sério, os quais
foram avaliados através da viabilidade e da satisfação do sistema pela Escala
de Usabilidade do Sistema (SUS).
Resultados: A função motora grossa, o controle de cabeça e o equilíbrio de
tronco no grupo de realidade virtual apresentaram melhora significativa (p =
0,007; p = 0,017 e p = 0,011). Não foi possível observar mudanças na
funcionalidade e na qualidade de vida das pessoas com PC em ambos os
grupos. Os cuidadores apresentaram mínimo grau a leve de ansiedade,
demonstraram sobrecarga moderada, porém não houve mudanças na
intensidade da depressão. O jogo sério foi considerado excelente a melhor que
imaginado (SUS = 82,10 ± 12,66).
Conclusão: O sistema de reabilitação específico em RV associado a jogo sério
auxilia na estabilidade da cabeça, no equilíbrio de tronco e na melhora da
função motora grossa de crianças com PC nível III, IV e V na GMFCS,
oferecendo experiência agradável e com ampla aplicabilidade
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Tese (Doutorado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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