Estimulação elétrica neuromuscular pós-transplante de pulmão: ensaio clínico randomizado

Carregando...
Imagem de Miniatura

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editora

Resumo

Introdução: O transplante pulmonar (TXP) aumenta a sobrevida e melhora a qualidade de vida dos portadores de doença pulmonar avançada. Entretanto, o paciente submetido ao TXP pode cursar com complicações musculoesqueléticas, além de trazer repercussões à função pulmonar. O exercício físico é essencial na reabilitação pulmonar (RP), porém, devido ao quadro funcional imposto pela doença e cirurgia se torna inviável tal prática no pós-operatório imediato. Portanto, a Estimulação Elétrica Neuromuscular (EENM) pode ser uma alternativa adicional ao exercício físico. Objetivo: Avaliar os efeitos da EENM em pacientes submetidos ao TXP. Métodos: Ensaio clínico randomizado (ECR) com 20 pacientes alocados em dois grupos: grupo EENM e grupo controle (GC). O desfecho primário do estudo foi a espessura e qualidade muscular avaliada pela ecografia; e os secundários foram: força muscular periférica avaliada pela escala Medical Research Council (MRC), teste de sentar e levantar (TSL) e força de preensão palmar através da dinamometria; capacidade funcional pelo teste de caminhada de 6 minutos (TC6m); mobilidade através da escala PERME; função pulmonar pela espirometria e tempo de ventilação mecânica invasiva (VMI), tempo de internação na unidade de terapia intensiva (UTI), tempo de internação hospitalar e mortalidade em até 1 ano, através dos prontuários eletrônicos. O treinamento com EENM foi aplicado uma vez ao dia (30 minutos de aplicação por sessão com acréscimo de um minuto a cada dois dias e redução no tempo OFF), até a alta da unidade de terapia intensiva (UTI) e posteriormente nas unidades de internação. Resultados: A amostra foi composta por 13 pacientes no grupo controle (65%) e 7 pacientes no grupo EENM (35%). Na avaliação da espessura muscular, encontramos redução na espessura do reto femoral esquerdo (RFE) e vasto lateral direito (VLD) (p=0,005 e p=0,011, respectivamente) no grupo controle e no músculo vasto medial direito (VMD) observamos aumento significativo da UTI para a alta hospitalar (p=0,002). Para a área de secção transversa (AST), houve aumento significativo das medidas ao longo do tempo somente no músculo RFE do grupo EENM, (p=0,049) e o RFE aumentou significativamente mais os valores da enfermaria para a alta hospitalar (p=0,027) e da UTI para a alta hospitalar (p=0,034) do que o grupo controle. Observamos melhora na força muscular avaliada pela escala MRC no grupo EENM ao longo do tempo e também quando comparado ao grupo controle na alta hospitalar (p<0,001). A força muscular também melhorou no TSL, o grupo EENM reduziu o tempo de execução no teste (p=0,047), porém sem diferença entre os grupos. O grupo EENM melhorou a força de preensão palmar ao longo do tempo (p<0,001) e também quando comparado ao grupo controle (p<0,008). A capacidade funcional não demonstrou efeito significativo nas avaliações (p>0,05). Em relação a mobilidade, avaliada pela escala PERME houve melhora significativa em ambos grupos (p<0,05), sem diferença entre os grupos. Quanto a função pulmonar, o volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) (litros e percentual do predito) melhorou em ambos os grupos (p<0,001), no entanto, apesar do grupo EENM apresentar valores mais baixos do que o controle na avaliação pré-TXP, a melhora foi mais acentuada no grupo EENM quando comparado ao controle (p<0,001). Nos resultados de capacidade vital forçada (CVF) (litros e em percentual do predito) houve melhora significativa em ambos os grupos (p<0,05), sem diferença entre os grupos (p>0,10). Quanto a razão VEF1/CVF (predito e % do predito), apresentou melhora no grupo EENM ao longo do tempo (p<0,001). Entre os grupos, houve diferença estatisticamente significativa na avaliação pré-TXP e na mudança ao longo do tempo, sendo mais acentuada no grupo EENM (p<0,001). Quanto ao tempo de VMI, tempo de internação na UTI, tempo de internação hospitalar e mortalidade não observamos diferenças entre os grupos. Conclusão: A EENM pode ser realizada durante a estadia do paciente na UTI, com facilidade, baixo custo, boa adesão e de forma segura. Observamos resultados positivos na espessura e qualidade muscular, força muscular avaliada pelo MRC e dinamometria e função pulmonar dos pacientes transplantados de pulmão com o uso da EENM.

Descrição

Tese (Doutorado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

Citação

Coleções

Avaliação

Revisão

Suplementado Por

Referenciado Por

Licença Creative Commons

Exceto quando indicado de outra forma, a licença deste item é descrita como Acesso Aberto Após Período de Embargo Acesso Aberto Imediato

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
Biblioteca Paulo Lacerda de Azevedo

Logotipo Setic