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    Predição de Eventos Cardiovasculares Maiores após Transplante Hepático baseado em um modelo de Machine Learning Supervisionado
    (2023-12-20) Soldera, Jonathan; Hochhegger, Bruno; Brandão, Ajácio Bandeira de Mello; Programa de Pós-Graduação em Patologia
    INTRODUÇÃO: Os pacientes submetidos a transplante hepático (TH) estão envelhecendo e apresentando maior gravidade clínica. A taxa de eventos cardiovasculares adversos graves (MACE) após o TH aumentou, o que, por sua vez, incrementou a mortalidade no pós-TH de 30 dias. O teste de estresse cardíaco não invasivo perde precisão quando aplicado a pacientes cirróticos préTH. OBJETIVO: Avaliar a viabilidade e a precisão de um modelo de aprendizado de máquina usado para prever MACE pós-TH em uma coorte regional. MÉTODOS: Este estudo de coorte retrospectivo envolveu 537 pacientes submetidos a TH de um centro acadêmico do Sul do Brasil. Desenvolvemos um modelo preditivo para MACE pós-TH (definido como um desfecho composto de acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca de início recente, arritmia grave e infarto agudo do miocárdio não fatal) usando o modelo de aprendizado de máquina Extreme Gradient Boosting (XGBoost). Abordamos dados ausentes (abaixo de 20%) para variáveis relevantes usando o método de imputação knearest neighbor (kNN), calculando a média dos dez vizinhos mais próximos para cada caso. O conjunto de modelagem incluiu 83 atributos, abrangendo dados do paciente e laboratoriais, complicações de cirrose e avaliações cardíacas pré-TH. O desempenho do modelo foi avaliado usando a área sob a curva característica de operação do receptor (AUROC). Também empregamos Explicações Aditivas de Shapley (SHAP) para interpretar o impacto das características. O conjunto de dados foi dividido em conjuntos de treinamento (75%) e teste (25%). A calibração foi avaliada usando o escore Brier. Seguimos as diretrizes de Relato Transparente de um Modelo de Previsão Multivariada para Prognóstico ou Diagnóstico Individual (TRIPOD) para relatórios. Scikit-learn e SHAP no Python 3 foram usados para todas as análises. O material suplementar inclui o código para desenvolvimento do modelo e uma prática calculadora online de previsão de MACE. RESULTADOS: Dos 537 pacientes incluídos, 23 (4,46%) desenvolveram MACE intra-hospitalar, com idade média no momento do transplante de 52,9 anos. A maioria, 66,1%, era do sexo masculino. O modelo XGBoost alcançou um impressionante AUROC de 0,89 durante a fase de treinamento. Este modelo apresentou valores de acurácia, precisão, recall e pontuação F1 de 0,84, 0,85, 0,80 e 0,79, respectivamente. A calibração, conforme avaliada pelo escore Brier, indicou excelente calibração do modelo, com um escore de 0,07. Além disso, os valores SHAP destacaram a importância de certas variáveis na previsão de MACE pós-operatório, com resultados negativos nos testes de estresse cardíaco não invasivos, uso de betabloqueadores não seletivos, níveis diretos de bilirrubina, tipo sanguíneo O e alterações dinâmicas na cintilografia de perfusão miocárdica sendo os fatores mais influentes em nível de coorte. Esses resultados destacam a capacidade preditiva de nosso modelo XGBoost na avaliação do risco de MACE após TH, tornando-o uma ferramenta valiosa para a prática clínica. CONCLUSÃO: Nosso estudo avaliou com sucesso o desempenho do modelo de aprendizado de máquina XGBoost na previsão de MACE após TH. O modelo demonstrou um desempenho impressionante, alinhando-se aos resultados da literatura, e apresentou uma calibração excelente. Nossa abordagem cautelosa para evitar overfitting e vazamento de dados sugere a estabilidade dos resultados quando aplicados a dados prospectivos, reforçando o valor do modelo como uma ferramenta confiável para prever MACE pós-TH na prática clínica.
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    Alterações mnemônicas e imunorreatividade para populações de neurônios e células gliais no hipocampo: efeitos da taurina em um modelo de demência esporádica do tipo alzheimer
    (2023-11-21) Huf, Fernanda; Fernandes, Marilda da Cruz; Gutierres, Jessié Martins; Programa de Pós-Graduação em Patologia
    Introdução: A doença de Alzheimer (DA), é uma patologia neurodegenerativa e irreversível que ocasiona declínio progressivo da memória e comprometimento cognitivo. A taurina é um aminoácido que está distribuído em vários tecidos corporais, com destaque para o cérebro, tem efeitos neuroprotetores. Objetivos: Verificar os efeitos da taurina sobre alterações comportamentais, de locomoção e memória, e na imunorreatividade de marcadores para neurônios, células gliais e receptor de insulina no hipocampo de animais expostos ao modelo de demência esporádica do tipo Alzheimer com injeção de estreptozotocina intracerebroventricular (STZ-ICV). Materiais e métodos: Foram utilizados 40 ratos Wistar machos, a metade desses animais foi tratada por 25 dias com taurina, por via oral, uma vez ao dia, na dose de 100 mg/kg. No grupo controle, os animais receberam veículo (VE, solução salina). Os animais foram divididos em quatro grupos experimentais (n = 10): I, veículo (VE); II, taurina 100 mg/kg (TAU), III, STZ (STZ, 3 mg/kg ICV) e IV, STZ + taurina 100 mg/kg (STZ + TAU). Os animais dos grupos III e IV receberam injeção ICV bilateral de STZ, enquanto os animais dos grupos I e II receberam apenas líquido cefalorraquidiano artificial. Após, os animais foram avaliados em tarefas comportamentais e eutanasiados por perfusão transcardíaca, e os cérebros fixados para a realização das técnicas de imunoperoxidase e imunofluorescência. Resultados: Verificou-se que a taurina foi capaz de melhorar a memória espacial e sensorial de longa e curta duração dos animais. Houve um efeito positivo da taurina sobre os receptores de insulina das regiões hipocampais. A taurina pode desenvolver um papel importante na sobrevivência e proteção de neurônios maduros, principalmente na região CA1 do hipocampo. Além disso, o tratamento reduziu a neuroinflamação hipocampal. Conclusão: A taurina possui efeitos benéficos e importantes sobre o hipocampo de animais que receberam STZ-ICV, podendo ser usada como terapia complementar no tratamento da DA.
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    Avaliação de Biomarcadores Prognósticos em Câncer de Esôfago.
    (2021-09-24) Santos, Aniúsca Vieira dos; Bica, Claudia Giuliano; Alves, Rafael José Vargas
    Introdução: A elevada incidência mundial de câncer de esôfago, e a manutenção das baixas porcentagens de sobrevida global dos pacientes, estimulam estudos sobre potenciais biomarcadores prognósticos. Pesquisas têm sido realizadas sobre o papel das enzimas antioxidantes no processo carcinogênico, como a Superóxido Dismutase 2 (SOD2) e em especial o polimorfismo Val16Ala de SOD2, mas seu impacto prognóstico no câncer de esôfago não foi estabelecido. Estudos também avaliaram a associação entre a infecção por Papilomavírus Humano (HPV), principalmente HPV16, e a expressão da proteína supressora de tumor p16, com correlações divergentes destes com a progressão da doença. Objetivos: Investigar SOD2, HPV16, e p16 como potenciais biomarcadores prognósticos em câncer de esôfago. Metodologia: Artigo I - revisão sistemática sobre o polimorfismo Val16Ala de SOD2 e a associação com o prognóstico de pacientes com câncer. Artigo II - Análise dos genótipos do polimorfismo Val16Ala e a expressão imunohistoquímica de SOD2 no câncer de esôfago, e sua associação com a sobrevida global. Artigo III - Associação entre infecção por HPV16 e a expressão imunohistoquímica de p16 no câncer de esôfago, e sua correlação com a sobrevida. Resultados: Artigo I - Foram identificadas evidências na literatura da associação entre o polimorfismo Val16Ala (alelo Ala), e o prognóstico de pacientes com câncer. Artigo II - Polimorfismo Val16Ala foi associado ao risco de câncer de esôfago (RR 2.18, 95%CI 1.23-3.86), mas não a sobrevida dos pacientes (P=0.53). A baixa expressão de SOD2 foi associada a menor sobrevida (HR, 0.41; 95% CI, 0.22-0.79). Artigo III - Não houve associação de HPV16 e p16 com a sobrevida dos pacientes com câncer de esôfago (P=0.56). Conclusão: Na investigação de biomarcadores para câncer de esôfago, destacamos o polimorfismo Val16Ala-SOD2 (modelo AA vs AV+VV) associado ao maior risco dessa neoplasia, e os resultados promissores da expressão imunohistoquímica de SOD2 como biomarcador prognóstico.
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    Fatores prognósticos relacionados ao bypass cardiopulmonar na correção cirúrgica da cardiopatia congênita e suas associações com malformações extracardíacas
    (2021-09-15) Silva, Leonardo Leiria de Moura da; Rosa, Rafael Fabiano Machado; Bodonia, Bruno Marino Taussig de; Zen, Paulo Ricardo Gazzola
    Introdução: As cardiopatias congênitas (CC) se constituem num espectro amplo de anormalidades estruturais do coração ou dos grandes vasos intratorácicos com origem na embriogênese, e que podem estar associadas a malformações extracardíacas. O reparo específico de tais lesões frequentemente requer a interrupção do fluxo sanguíneo no sítio cirúrgico, alcançado através do uso da circulação extracorpórea (CEC) e do clamp aórtico (CAo), cujos tempos de duração são considerados fatores prognósticos. Objetivos: Determinar os tempos de CEC e CAo e suas associações com os diferentes tipos de cardiopatia congênita, tempo de internação em terapia intensiva e malformações extracardíacas associadas. Material e Métodos: Foi desenvolvido um estudo transversal com 307 pacientes admitidos no centro de tratamento intensivo (CTI) pediátrico após correção cirúrgica de CC. Prontuários médicos, registros anestésicos e cirúrgicos foram analisados, investigando fatores relacionados à patologia de base, ao uso intraoperatório de CEC e/ou CAo, além do tempo de internação em CTI. Exames dismorfológicos, citogenéticos e de imagem foram igualmente compilados e analisados à luz da classificação embriológica proposta por Botto (2001). Resultados: Um total de 266 pacientes (86,6%) foram submetidos à correção cirúrgica de CC, sendo que 236 casos (88,7%) utilizaram CEC e 222 casos (83,4%) necessitaram de CAo. O tempo de CEC foi significativamente associado aos quatro defeitos da via de saída (TOF, TGA, DVSVD e TA), do septo atrioventricular e síndrome do coração esquerdo hipoplásico (HLHS) (p<0,001). O tempo de clamp aórtico foi significativamente associado a três defeitos da via de saída (TOF, TGA e TA) e HLHS (p<0,001). Os tempos de CEC e CAo foram significativamente associados com cardiopatias cianóticas e complexas, assim como o tempo de internação prolongada em CTI (p<0,001). Conclusão: As particularidades relacionadas a cada tipo embriológico de cardiopatia congênita podem impactar os tempos de CEC, de CAo, e de internação em CTI, potencializando os efeitos deletérios resultantes da resposta inflamatória sistêmica relacionada ao bypass cardiopulmonar.
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    Impactos genéticos e epigenéticos do ambiente pré e pós-natal no excesso de peso infantil
    (2020-11-26) Castilhos, Janaína Kehl de; Mattevi, Vanessa Suñé
    Introdução: Atualmente, a prevalência mundial de obesidade atingiu níveis alarmantes, inclusive em crianças. Os mecanismos epigenéticos como a metilação do DNA podem ser responsáveis pela interação entre fatores genéticos, ambientais e comportamentais responsáveis pelo desenvolvimento da obesidade e comorbidades associadas. Objetivos: Determinar o impacto de uma intervenção nutricional e de um polimorfismo do gene DNMT3B (rs2424913) no perfil de metilação e seu impacto no ganho de peso corporal em uma coorte de crianças acompanhada desde o nascimento até os doze anos de idade. Material e Métodos: Este é um estudo de coorte prospectivo realizado com 500 crianças nascidas entre 2001 e 2002 na cidade de São Leopoldo – RS. Foram analisados o impacto de orientação nutricional durante o primeiro ano de vida, os genótipos da variante rs2424913 (-149 C>T) e o padrão de metilação global aos 4 anos de idade da criança. Além disso, foram avaliados dados antropométricos, comportamentais e sociodemográficos maternos e infantis. Resultados: Encontramos uma diferença significativa entre as médias da metilação global aos 4 anos de idade entre as crianças do grupo controle e intervenção. Ao analisar o rs2424913, encontramos diferenças significativas entre os níveis da metilação global e variáveis antropométricas para os indivíduos com genótipo TT em relação aos demais genótipos, nos diversos pontos temporais da coleta de dados. Conclusão: A associação do genótipo TT com os padrões de metilação global indica a possível funcionalidade do SNP rs2424913, enquanto que a associação da metilação global com a intervenção nutricional realizada no primeiro ano de vida indica que a metilação pode ser impactada por mudanças ambientais e comportamentais. Nossos resultados também demonstram que a variante genética analisada pode alterar características antropométricas que estão envolvidas no desenvolvimento de obesidade, reforçando evidências de que intervenções precoces são de suma importância na prevenção desta patologia.
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    Efeitos neuroprotetores da exendina-4 na demência esporádica do tipo Alzheimer induzido por estreptozotocina em ratos
    (2023) Zago, Adriana Maria; Fernandes, Marilda da Cruz; Carvalho, Fabiano Barbosa
    Introdução: A doença de Alzheimer (DA) é responsável por aproximadamente 60 a 70% de todos os casos de demência no mundo. A demência é uma patologia neurodegenerativa e irreversível que ocasiona declínio progressivo da memória, comprometimento cognitivo, alterações comportamentais, afetando severamente as atividades diárias e levando à morte. Objetivos: Investigar os efeitos neuroprotetores da exendina-4 (EXE-4) sobre alterações cognitivas e morfológicas no hipocampo de ratos submetidos a um modelo experimental de demência esporádica do tipo Alzheimer induzido por estreptozotocina (STZ). Material e Métodos: Foram utilizados 40 ratos Wistar machos, que receberam estreptozotocina (STZ Intracerebroventricular, 10 µl, 3 mg/kg, e líquido cefalorraquidiano artificial como veículo) e tratados com EXE-4 (10 µg/kg, via intraperitoneal, solução salina como veículo), durante 21 dias. Após, os animais foram submetidos aos testes para avaliar a memória, a atividade locomotora e exploratória. Ao final, os animais foram submetidos à eutanásia, e seus cérebros foram removidos para análises teciduais das regiões do Corno de Ammon 1 e 3 (CA1 e CA3) e giro denteado no hipocampo, pelas técnicas de imunofluorescência e imuno-histoquímica. Resultados: Verificou-se que a EXE-4 apresentou efeitos benéficos sobre os neurônios piramidais e granulares que constituem o hipocampo, protegeu a memória de curta e longa duração, melhorou a proliferação celular e reduziu a neuroinflamação. Conclusão: Concluiu-se que a EXE 4 pode ser um adjuvante no tratamento da DA, melhorando a qualidade de vida das pessoas acometidas por essa patologia.
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    Investigação citogenética molecular de alterações cromossômicas associadas a síndromes de microdeleção em pacientes pediátricos portadores de cardiopatia congênita
    (2023) Floriani, Maiara Anschau; Rosa, Rafael Fabiano Machado; Zen, Paulo Ricardo Gazzola
    Introdução: A cardiopatia congênita (CHD) é o tipo mais comum de defeito congênito, sendo uma das principais causas de mortalidade no primeiro ano de vida. As síndromes de microdeleções e microduplicações (MMS) podem estar associadas a malformações cardíacas. A compreensão dos fatores genéticos envolvidos nestas condições tem um impacto direto na decisão do tratamento. O objetivo foi identificar alterações genéticas associadas ao desenvolvimento de MMS em pacientes pediátricos com CHD avaliados em um serviço de referência do Sul do Brasil. Métodos: 210 participantes foram recrutados durante os anos de 2005 e 2006, na unidade de terapia intensiva (UTI) de um hospital pediátrico. MMs e regiões do cromossomo 22 foram avaliadas pelo kit SALSA MLPA Probemix P245 Microdeletion Syndromes-1A para detecção de variações de número de cópias (CNVs). Resultados: MMS foram detectados em 11 dos 207 pacientes (5,3%) avaliados. A deleção heterozigota na região do cromossomo 22q11.2 foi o CNV mais prevalecente (5 dos 11 pacientes). Também foram detectadas deleções atípicas de RTDR1 e uma duplicação em 22q11.2. O MLPA também identificou microdeleções nos genes SNRPN e NF1 em pacientes com cariótipo normal. Conclusão: O estudo revelou a prevalência e variabilidade de alterações genômicas associadas com MMS em pacientes pediátricos com CHD. Os resultados trazidos pela utilização do MLPA são de grande ajuda no planejamento e cuidados especializados.
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    Avaliação audiológica em crianças com gagueira pré e pós terapia fonoaudiológica
    (2021) Gregory, Letícia; Zen, Paulo Ricardo Gazzola; Sleifer, Pricila
    Introdução: Gagueira é um distúrbio caracterizado por uma disruptura involuntária no fluxo e ritmo de fala, que pode estar associada a fatores neuroaudiológicos ligados ao processamento auditivo central (PAC). Os potenciais evocados auditivos de longa latência e os testes comportamentais que avaliam as habilidades do processamento auditivo central são utilizados como instrumento para avaliar o PAC em diversas populações com queixas fonoaudiológicas, assim como para investigar os possíveis efeitos da terapia fonoaudiológica. Objetivos: Descrever e analisar as respostas obtidas na avaliação eletrofisiológica e comportamental das habilidades do processamento auditivo central em crianças com gagueira pré e pós terapia fonoaudiológica. Além disso, verificar possíveis associações entre os achados audiológicos, severidade da gagueira e escala Scale of Auditory Behaviors (SAB). Material e Métodos: Participaram do estudo 18 crianças de 7 a 11 anos, de ambos os sexos, com gagueira desenvolvimental persistente de leve a grave (grupo pesquisa), e 18 crianças sem alterações de fala ou linguagem (grupo controle), pareados por sexo, idade e preferência manual. Foram realizadas avaliações das habilidades auditivas em dois momentos distintos, pré e pós intervenção, através de audiometria tonal e vocal, medidas de imitância acústica, potencial evocado auditivo de tronco encefálico, potencial evocado auditivo de longa latência (pesquisa da onda P2 e P3) e avaliação comportamental do processamento auditivo central. Também foi aplicada a escala SAB, a fim de obter informações qualitativas relacionadas ao PAC. As crianças com gagueira foram submetidas a terapia fonoaudiológica de PAC semanalmente, durante 6 meses e 12 crianças retornaram para reavaliação. Resultados: Na amostra estudada, as crianças com gagueira apresentaram maiores valores de latência das ondas P2 e P3 e menores valores de amplitude de P3 em comparação aos seus pares fluentes. Além disso, apresentaram pior desempenho nos testes comportamentais do PAC. Houve associação entre severidade da gagueira e aumento da latência das ondas P2 e P3, bem como associação entre pontuação no SAB e latência das ondas P2 e P3. Após terapia fonoaudiológica, as crianças com gagueira apresentaram diminuição de latência e aumento de amplitude da onda P3, assim como melhor desempenho nos testes comportamentais do PAC. Conclusão: Crianças com gagueira apresentam pior desempenho nas avaliações eletrofisiológicas e comportamentais do processamento auditivo central quando comparadas a crianças fluentes, indicando dificuldade nas habilidades atenção auditiva, detecção e discriminação de um estímulo acústico, memória auditiva, resolução temporal, de figura-fundo, separação binaural, discriminação de duração, ordenação temporal, reconhecimento de sons verbais em escuta monótica e dicótica. Essas habilidades podem ser melhoradas com a terapia fonoaudiológica e a evolução do processo terapêutico pode ser monitorada por meio dos potenciais evocados auditivos de longa latência.
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    Robô Laura como preditor de sepse/deterioração clínica em adultos internados
    (2022) Scherer, Juliane de Souza; Bica, Claudia Giuliano
    Introdução: A alta morbimortalidade da sepse exige uma rápida identificação. O tempo é um fator determinante e está associado a uma melhor evolução do quadro e um prognóstico mais favorável. Dessa forma, detectar precocemente ou predizer a deterioração clínica utilizando Inteligência Artificial (IA) é uma alternativa para alertar a equipe de profissionais sobre o risco de sepse dos seus pacientes. Objetivo: Analisar os alarmes críticos preditores de deterioração clínica/sepse para tomada de decisão clínica nos pacientes internados em complexo hospitalar de referência. Método: Trata-se de uma coorte retrospectiva. Foram avaliados os alarmes registrados pelo robô no período de março a setembro de 2020. A ferramenta de Machine Learning (ML), Robô Laura®, pontua alterações nos parâmetros vitais e exames laboratoriais. Primeiramente, os dados foram exportados da plataforma manualmente, tabulados e organizados em tabelas do programa Microsoft Excel®; após, foi realizada uma pesquisa no prontuário eletrônico do paciente em busca do tempo de resposta da equipe, intervenções realizadas, tempo de internação e desfechos. Resultados: Extraíram-se 122.703 alarmes da plataforma, classificados de 2 até 9. A pré- seleção dos alarmes críticos (6 a 9) apontou 263 alertas urgentes (0,2%), dos quais, após o filtro de critérios de exclusão, delimitaram-se 254 alertas para 61 pacientes internados. Todos os alarmes foram respondidos na primeira hora, conforme preconizado pelo protocolo de sepse institucional, e 82% dos pacientes receberam alguma intervenção. A mortalidade dos pacientes por sepse foi de 75%, dos quais 52% devido à sepse relacionada ao novo Coronavírus. Após os alarmes serem atendidos, 82% dos pacientes permaneceram nos setores. Conclusão: Os resultados sugerem que a IA pode sustentar decisões clínicas assertivas, desde que respeitados alguns pré-requisitos: adaptação dos protocolos com base nos perfis dos pacientes-alvo e envolvimento da equipe multiprofissional, com destaque aos enfermeiros, pela presença ininterrupta ao lado dos pacientes.
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    Neoplasias malignas após transplante renal: experiência de centro único
    (2021) Schneider, Daniele Luzia dos Reis; Keitel, Elizete
    Introdução: As neoplasias malignas são uma das três principais causas de morte em receptor de transplante renal com enxerto funcional, após as infecções e doenças cardiovasculares. Contudo, a incidência varia conforme as características da população. Objetivo: Identificar a incidência de neoplasias malignas em receptores renais e os fatores associados à sobrevida global. Métodos: Estudo de coorte retrospectivo em um centro único. Foram analisados 2.146 prontuários de pacientes adultos submetidos ao transplante renal entre janeiro de 2000 à dezembro de 2015. Resultados: A incidência cumulativa de neoplasias malignas foi de 5,5% com seguimento médio de 9 anos, sendo o câncer renal mais frequente, seguido por câncer de pulmão e tumores de origem hematológica. Receptores renais que desenvolveram neoplasias malignas apresentaram menor sobrevida global em comparação aos receptores sem malignidade (12,2 vs 18,2 anos, p <0,001). As neoplasias de origem hematológica refletiram em maior mortalidade em comparação as neoplasias de órgão sólido (p = 0,03). O desenvolvimento de neoplasias malignas pós transplante foi um preditor independente para morte dos receptores (HR = 4,48, IC 95%: 3,25 –6,18; p <0,001). Conclusão: A incidência de malignidade foi de 5,5% e mostrou-se um fator prognóstico independente para a morte do receptor no pós transplante.
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    Ototoxicidade induzida pela exposição a agrotóxicos: estudo em modelo animal
    (2021) Reis, Aléxia dos; Dallegrave, Eliane; Machado, Márcia Salgado
    Introdução: O uso de agrotóxicos isolados e em combinação é muito comum na agricultura, bem como na saúde pública a fim de combater vetores de doenças e na medicina veterinária para eliminar ectoparasitas. Embora diversas pesquisas já tenham apontado os impactos negativos na saúde de indivíduos expostos a tais substâncias, a ototoxicidade secundária a organofosforados e piretróides, classes de agrotóxicos muito utilizados, ainda é pouco explorada, sendo necessários novos estudos para estabelecer se há nexo-causal e possíveis mecanismos de toxicidade. Objetivos: Avaliar os efeitos do organofosforado (OF) diclorvós, do piretróide (PIR) cipermetrina e da associação de ambos na função auditiva de ratos por meio de emissões otoacústicas produto de distorção (EOAPDs) e potenciais evocados auditivos de tronco encefálico (PEATE). Material e Métodos: dois projetos foram realizados. No primeiro estudo, 36 ratos Wistar foram divididos entre 3 grupos (12 ratos/grupo): controle negativo (água), controle positivo para lesão auditiva (8 mg/kg de cisplatina) e grupo experimental (associação de 1,48 mg/L de diclorvós e 0,25 mg/L de cipermetrina; OF + PIR). A exposição ocorreu de forma inalatória por 4 h, 5 vezes por semana, durante 6 semanas (grupos controle negativo e exposição). O grupo controle positivo recebeu cisplatina via intraperitonial durante 3 dias consecutivos, 24 h antes da eutanásia. Foram avaliadas emissões otoacústicas evocadas produto de distorção e variáveis de toxicidade sistêmica (massa corporal, sinais clínicos, níveis de colinesterase plasmática e massa relativa dos órgãos). No segundo estudo, 25 ratos foram divididos em cinco grupos (5 ratos/grupo): controle negativo (água), controle positivo para lesão auditiva (8 mg/kg de cisplatina), OF (1,48 mg/L), PIR (0,25mg/L) e grupo OF + PIR (associação de 1,48 mg/L de diclorvós e 0,25 mg/L de cipermetrina). A exposição ocorreu de forma inalatória por 4 h, 5 vezes por semana, durante 6 semanas (grupos controle negativo, OF, PIR e OF + PIR). O grupo controle positivo recebeu cisplatina via intraperitonial durante 3 dias consecutivos, 24 h antes da eutanásia. Foram avaliadas emissões otoacústicas evocadas produto de distorção, PEATE e variáveis de toxicidade sistêmica (massa corporal, sinais clínicos, níveis de colinesterase plasmática e massa relativa dos órgãos). Resultados: No primeiro estudo, não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos nos parâmetros de massa corporal, sinais clínicos ou nos níveis de colinesterase plasmática. Houve redução de amplitudes das EOAPDs no grupo experimental. No segundo projeto, não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos nos parâmetros de massa corporal, sinais clínicos ou nos níveis de colinesterase plasmática. O grupo cisplatina apresentou redução na mediana das amplitudes das EOAPDs pós exposição em 4 kHz, 10 kHz e 12 kHz. O grupo PIR apresentou redução na mediana das amplitudes das EOAPDs pós exposição em 6 kHz e 8 kHz e no grupo OF + PIR houve redução em 12 kHz. No teste PEATE, o grupo cisplatina apresentou uma mediana maior bilateralmente quando comparado ao grupo controle negativo. À esquerda, o grupo OF + PIR apresentou mediana menor quando comparado ao grupo controle positivo para lesão auditiva. O grupo OF+ PIR apresentou bilateralmente resultados similares ao grupo controle negativo (água). Conclusão: Houve ototoxicidade secundária à exposição aos agrotóxicos avaliados por EOAPD e PEATE, sem toxicidade sistêmica relevante.
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    Estudo de biomarcadores e da enzima superóxido dismutase 2 na resistência ao tamoxifeno adjuvante em pacientes com câncer de mama luminal
    (Wagner Wessfll, 2020) Dal Berto, Maiquidieli; Bica, Claudia Giuliano; Alves, Rafael José Vargas
    Introdução: O carcinoma mamário é uma doença complexa e heterogênea, com subtipos biológicos distintos, e devido à incidência e mortalidade é considerada um grave problema de saúde. Novas metodologias estão permitindo estratificar e classificar o câncer de mama de acordo com a expressão proteica e genômica, estabelecendo assim assinaturas genéticas em relação à possibilidade de resposta a terapia. Essa medicina personalizada é baseada na compreensão da carcinogênese molecular, farmacocinética, farmacogenômica, e nas diferenças genéticas de cada indivíduo. Aproximadamente 70% dos diagnósticos são do subtipo Luminal, devido a expressão de receptores de estrogênio ou/e receptores de progesterona. Pacientes com esse perfil recebem terapia anti-estrogênio, sendo o tamoxifeno (TMX) o fármaco de primeira linha mais utilizado para o tratamento. No entanto, aproximadamente 30% dos pacientes com câncer de mama desenvolvem resistência a terapia com o TMX, levando à recidiva da doença e consequentemente ao aumento da mortalidade. Objetivos: Elucidar processos biológicos envolvidos na resistência ao TMX e buscar possíveis biomarcadores preditores de recorrência nas pacientes com câncer de mama em uso do TMX adjuvante. Material e Métodos: No estudo 1 foi realizado uma revisão de escopo limitada aos trabalhos publicados nos últimos 5 anos para encontrar estudos clínicos que investigassem biomarcadores envolvidos na resposta ao TMX. Uma análise in silico foi realizada em conjunto, para avaliar a inter-relação entre marcadores selecionados e o envolvimento com processos biológicos. O estudo 2 foi um estudo de coorte retrospectivo de pacientes com câncer de mama luminal que usaram TMX adjuvante e tiveram um acompanhamento de no mínimo cinco anos. Os genótipos do polimorfismo Val16Ala da enzima superóxido dismutase 2 (SOD2) foram avaliados por PCR em tempo real e os marcadores de apoptose e proliferação foram realizados por imuno-histoquímica. O estudo dos diferentes genótipos foi realizado através de uma análise multivariada de regressão de Cox (backward wald) ajustada para grau, estadiamento clínico e marcadores BCL-2 e KI67. Resultados: No estudo 1, quarenta e cinco estudos foram selecionados. Após análise por agrupamento e ontologia gênica, 23 marcadores moleculares foram significativamente associados, formando três grupos de forte correlação com processos biológicos do ciclo celular, transdução de sinal de estímulos proliferativos e resposta hormonal. No estudo 2, tivemos uma amostra de 72 pacientes, 36% apresentaram recidiva, com idade média de diagnóstico de 46 ± 12,68 anos, 35% apresentaram grau histológico 3 e 29.6 % apresentaram estágio clínico III. As frequências genotípicas de SOD2 foram Ala/Ala = 33.3%, Val/Val = 36.1% e Ala/Val = 30.6%. Na análise multivariada, a presença do alelo Val mostrou uma tendência a ser um fator de risco para recorrência (RR = 2,14 (IC 95% 0,84-5,47). Dos 36% pacientes com recidiva, 73,1% apresentaram expressão positiva para o marcador Bcl2 (p = 0,015), indicando um número reduzido de células apoptóticas no tumor primário. Conclusão: Com isso, nossos dados encontrados são geradores de hipótese, tanto do artigo I quanto do artigo II, que sugerem mecanismos e biomarcadores promissores para predição da resistência ao Tamoxifeno®. E assim, contribuindo para estudos futuros e uma medicina personalizada.
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    Ponto prevalência bi-anual de infecção por Clostridium difficile em pacientes com diarreia em hospitais brasileiros
    (Wagner Wessfll, 2018) Pires, Renata Neto; Pasqualotto, Alessandro Comarú
    Introdução: A infecção por Clostridium difficile (ICD) é a principal causa de diarreia relacionada à assistência à saúde em adultos nos países desenvolvidos, e está associada a morbidade, surtos hospitalares e custos significativos. Dados epidemiológicos brasileiros, no entanto, são muito escassos. Objetivos: Determinar a prevalência de ICD em pacientes hospitalizados, rastrear a presença da cepa hipervirulenta e avaliar a contaminação de alimentos por C. difficile. Material e Métodos: Estudo observacional prospectivo conduzido em oito hospitais brasileiros e em dois únicos dias (08/03 e 12/07/17). Pesquisamos pacientes adultos com fezes não formadas, coletamos dados demográficos e clínicos. E concomitante pesquisamos carnes comercializadas. Os métodos diagnósticos foram: PCR em tempo real (Cepheid; Xpert C. difficile), cultura das fezes em anaerobiose, utilizando-se meio seletivo (UFRGS) e MALDITOF. Resultados: Entre os 6.374 pacientes pesquisados, 153 apresentaram diarreia (2,4%) e 19/153 foram positivos para ICD (12,4%). A prevalência ICD no verão foi de 13,3% (12/90) e 10,9% (7/63) no inverno. A exposição à fluoroquinolonas foi o único fator de risco (risco relativo 3.13; intervalo de confiança, 1.07-9.19). Prevalência geral de ICD foi de 3,0 / 1.000 paciente-dia (2,2 / 1000 paciente- dia, verão e 3,70 / 1000 paciente-dia, inverno). Identificamos o primeiro caso de cepa hipervirulenta no Brasil, classificada ST67 (pertence ao grupo da cepa 027). Não encontramos carnes contaminadas por C. difficile. Conclusão: Observamos uma baixa prevalência de diarreia (24 casos / 1.000 pacientes-dias) no estudo, mas uma alta prevalência de ICD entre pacientes hospitalizados no sul / sudeste do Brasil (3,0 / 1.000 dias-paciente). A frequência do ICD provavelmente é subestimada no Brasil, uma vez que a suspeita clínica é baixa e as ferramentas de diagnóstico não estão amplamente disponíveis. A vigilância de ICD precisa ser incorporada nos hospitais, através da aplicação de métodos diagnósticos eficazes e confiáveis.
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    Fatores relacionados à necessidade de analgesia em pós-operatório de biópsias hepáticas
    (Wagner Wessfll, 2020) Amaral, Ricardo Holderbaum do; Hochhegger, Bruno
    Introdução: Os procedimentos orientados por métodos de imagem são realizados em volume crescente, tanto como adjuntos quanto substitutos de cirurgias. Os eventos adversos desses procedimentos são relacionáveis a planejamento inadequado e comunicação não efetiva entre membros da equipe e o operador ou entre o operador e o paciente. A biópsia hepática, um dos procedimentos ambulatoriais mais realizados na atualidade, carece de protocolos definidos sobre avaliação, profilaxia ou tratamento da dor, em parte devido à relativa falta de estudos dedicados ao tema. Objetivos: Analisar as características epidemiológicas e específicas dos procedimentos e correlacioná-las com a necessidade e o tipo de analgesia utilizada no pós-operatório de biópsias hepáticas orientadas por ecografia, bem como a incidência de demais complicações. Determinar a incidência de complicações maiores na população estudada. Material e Métodos: Foi realizada uma análise retrospectiva de 1042 biópsias hepáticas realizadas entre 2012 e 2018. Os dados coletados incluíram dor detectada na sala de recuperação, analgesia utilizada, indicação do procedimento, lobo puncionado, idade e sexo do paciente. O protocolo institucional indicava orientações e reavaliação para dor leve (1-3 segundo Escala Visual Analógica), analgésicos simples para dor moderada (4-6 segundo EVA) e opióides para dor importante (7-10 segundo Escala Visual Analógica). Resultados: as indicações foram principalmente doença difusa (89.9%), principalmente no seguimento de hepatite C (47%) e suspeita de NASH (38%). Dor com necessidade de analgesia ocorreu em 8% dos procedimentos. Mulheres demandaram analgesia em 10.5% das vezes, enquanto homens, em 5.9% (p<0.05). Não houve diferença estatisticamente significativa na necessidade de analgesia em relação à idade, lobo hepático puncionado ou indicação por doença nodular versus difusa. Os analgésicos mais utilizados foram dipirona (75.9%), seguido de paracetamol (16.4%) e associação com opióides (7.6%). Conclusão: esse é um procedimento seguro e bem tolerado, sendo que há espaço para a proposição e adoção de práticas padronizadas no rastreio e tratamento da dor em pacientes submetidos a biópsia hepática ambulatorial.
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    Ressonância magnética de pulmão na avaliação de imagem de doenças pulmonares intersticiais e na esclerose sistêmica
    (Wagner Wessfll, 2020) Lonzetti, Lilian Scussel; Hochhegger, Bruno
    Introdução: Atualmente a tomografia computadorizada (TC) de tórax é o exame padrão de imagem utilizado nos pacientes com suspeita de envolvimento pulmonar na esclerose sistêmica (ES). A TC é um exame de imagem muito sensível para detecção de alterações da macroestrutura do parênquima pulmonar e da fibrose estabelecida. Entretanto, há variação na avaliação e o método é subjetivo. Nesse cenário a ressonância magnética (RM) de pulmão progrediu nos últimos anos. Evidências sugerem que a RM pode desempenhar um importante papel na avaliação da atividade da doença pulmonar intersticial (DPI), tendo como principal vantagem à combinação exclusiva de avaliação estrutural e funcional em uma única sessão de imagens. Objetivo: Avaliar o estudo da arte da ressonância magnética nas doenças pulmonares intersticiais, e também, verificar a acurácia da RM na avaliação de atividade inflamatória não específica em relação à TC em pacientes com ES. Material e Métodos: Fizemos dois artigos, o primeiro sobre a importância da ressonância magnética como modalidade diagnóstica para avaliação de imagem das doenças pulmonares intersticiais (DPI) e o segundo artigo sobre a acurácia da RM na identificação de atividade inflamatória não específica e fibrose quando comparada a TC. Resultados: O protocolo de RM de tórax ideal para DPIs deve incluir sequências de retenção de respiração sem contraste, sequências de precessão livre em estado estacionário e sequências de contraste. Uma das principais aplicações da RM nas DPIs é a diferenciação entre áreas de inflamação ativa (ou seja, estágio reversível) e fibrose. A alveolite apresenta alta intensidade de sinal nas sequências ponderadas em T2 (SW) e realce precoce nas sequências de RM com contraste, enquanto as lesões fibróticas predominantes apresentam baixo sinal e realce tardio nessas sequências, respectivamente. A RM pode ser útil em doenças do tecido conjuntivo, fibrose pulmonar idiopática e sarcoidose. Mostramos também que a RM apresenta acurácia de 84,62% (IC95%: 65,13% a 95,64%) atividade inflamatória não específica e para e fibrose de 80,77% (IC95%: 60,65% a 93,45%) em relação à TC em pacientes com ES. Conclusão: A RM pode ser útil em doenças do tecido conjuntivo, fibrose pulmonar idiopática e sarcoidose. Em pacientes com ES é um método útil de avaliação e seguimento, pelo fato de não necessitar do uso de contraste e não utilizar radiaçao ionizante.
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    Avaliação da expressão de DLL3 em carcinoma de pequenas células do pulmão no sul do Brasil e sua correlação com EGFR, PDL-1, CICLIN D 1, marcadores neuroendócrinos e achados clínicos
    (Wagner Wessfll, 2021) Marçal, Josenel Maria Barcelos; Zen, Paulo Ricardo Gazzola; Rosa, Rafael Fabiano Machado
    INTRODUÇÃO: carcinoma de pequenas células do pulmão (CPCP) representa uma neoplasia rara, associada ao tabagismo, de curso clínico agressivo, com recidivas após tratamento convencional. Novas terapias-alvo têm sido produzidas e testadas, baseadas na expressão de biomarcadores por células neoplásicas, como a proteína delta Like 3 (DLL3), que é um ligante inibitório da via de sinalização Notch, envolvido na regulação da tumorigênese. OBJETIVOS: avaliar a expressão de DLL3 em células neoplásicas do CPCP e sua correlação com os biomarcadores EGFR, PDL-1, ciclina D1 e com marcadores do painel de rotina (sinaptofisina, cromogranina, CD56, citoqueratinas, TTF1); e avaliar a associação dos dados clínicos e a sobrevida com a expressão de DLL3. MÉTODOS: estudo retrospectivo, constituido por 40 amostras de biópsias de CPCP, selecionadas no Laboratório de Anatomia Patológica e Micologia do Complexo Hospitalar Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, selecionadas no periodo de 2006 a 2016.As amostras foram avaliadas quanto à expressão de biomarcadores por imuno-histoquímica: DLL3 (membranas e citoplasma), EGFR e PDL-1 (membranas), Ciclina D1eKi67 (núcleo). O painel de rotina com TTF1, Cromogranina A, sinaptofisina, CD56, CK70 anteriormente realizado, foi tabulado como positivo ou negativo. Dos prontuarios dos pacientes, foram levantados os dados clínicos, data do óbito ou última revisão. RESULTADOS: foram produzidos três artigos. O artigo I demonstrou expressão de DLL3 de 32,5% na amostra avaliada. Nesses pacientes, a expressão de EGFR foi 46,2%; PDL-1 30,8%; ciclina D1 53,8% ; e cromogranina A 30,8% . Todos os pacientes positivos para cromogranina A foram negativos para anti DLL3 (p> 0,17). A sobrevida geral para DLL3 positivo foi ligeiramente maior em pacientes com cromogranina A negativa (p 0.299). O artigo II apresentou uma revisão bibliográfica: Correlação Entre Embriogênese Pulmonar, Organogênese, Alterações Moleculares e Tumorigênese: artigo de Revisão; e o artigo III propôs uma mini revisão sobre marcas registradas do câncer e sua importância. CONCLUSÃO: a expressão de DLL3 em células neoplásicas foi de 32,5% na correlação com EGFR, PDL-1 e Cyclin D1. Os valores de HR indicam impacto clínico. Pacientes DLL3 positivos apresentaram baixa expressão de cromogranina A, indicando uma tendência à ação protetiva. O estudo de biomarcadores em CPCP, poderá proporcionar o desenvolvimento de novas terapias-alvo e de marcadores preditivos.
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    Diagnóstico de Tuberculose Latente Pré-Transplante Renal: novas possibilidades com testes sorológicos
    (Wagner Wessfll, 2020) Meinerz, Gisele; Keitel, Elizete
    A tuberculose (TB) é uma infecção endêmica no Brasil. O rastreamento de tuberculose latente (TL) inclui história prévia, alterações radiográficas sugestivas de infecção prévia e resultado do teste tuberculínico (TT). Mais recentemente, foram incluídos os ensaios de liberação de interferon-gama (em inglês, interferon-gamma release assays, ou IGRAs). O presente estudo objetiva complementar o rastreamento usual de TL nos candidatos a transplante renal e nos doadores vivos com os resultados de um tipo de IGRA, o QuantiFERON®-TB Gold In-Tube ELISA (QFT), e avaliar se haverá aumento na indicação de tratamento com isoniazida (INH). Métodos: avaliação de receptores adultos de transplante renal (RTR) e seus doadores vivos (DV), quando aplicável, com rastreamento completo para TL e coleta de QFT. Foram incluídos pacientes entre abril/2014 e outubro/2018, com acompanhamento até outubro/2019. Resultados: foram avaliados 116 RTR, 30% com QFT positivo. Resultado positivo de QFT nos RTR foi associado a história de TB (p = 0,007), TT reator (p < 0,0001), alterações radiográficas (p = 0,003) e diabetes (p = 0,035). Foram 25 DV, 40% com QFT positivo. Resultado positivo de QFT nos DV foi associado a TT reator (p=0,002). O uso do QFT aumentou a indicação de INH em 80%. A incidência de TB pós-transplante foi 2.6% em uma mediana de acompanhamento de 2 (1-33) meses. A sobrevida do enxerto em 5 anos e a média de acompanhamento nos pacientes com e sem TB foram 66,7% vs. 76,5% e 46,3 ± 14,4 vs. 57,1 ± 1,8 meses, respectivamente (p = 0,402). Conclusão: no presente estudo, o uso de QFT com o rastreamento usual de TL aumentou a indicação de tratamento com INH, mas a incidência de TB ainda foi elevada.
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    Avaliação tomográfica de aprisionamento aéreo por densitovolumetria pulmonar para diagnóstico da Síndrome de Bronquiolite Obliterante em pacientes transplantados pulmonares unilaterais
    (Wagner Wessfll, 2020) Nascimento, Douglas Zaione; Hochhegger, Bruno
    Introdução: A sobrevida no longo prazo após o transplante pulmonar é limitada pela disfunção crônica do enxerto, representada principalmente pela síndrome da bronquiolite obliterante (SBO) que é caracterizada por um processo de obliteração multifocal das pequenas vias aéreas. O diagnóstico de SBO é feito através da espirometria e a tomografia computadorizada (TC) de tórax tem um papel complementar. O aprisionamento aéreo é o principal achados tomográfico nos pacientes transplantados pulmonares com SBO. Objetivos: Avaliar e quantificar o aprisionamento aéreo na TC de tórax de pacientes submetidos a transplante pulmonar unilateral e correlacionar essas aferições com o diagnóstico de SBO. Material e Métodos: Foram incluídos pacientes transplantados pulmonares unilaterais realizados em único centro e foi avaliado o grau de aprisionamento aéreo por três diferentes métodos: índice de aprisionamento aéreo na expiração (ATIexp), densidade pulmonar média na expiração (MLDexp) e razão entre a densidade pulmonar média na expiração e na inspiração (E/I ratio(MLD). Os resultados foram correlacionados com o diagnóstico de SBO. Resultados: No total de 46 pacientes na amostra, 12 tinham o diagnóstico de SBO. Os métodos de ATIexp e de E/I-ratio(MLD) tiveram uma acurácia de 85% e 90% para detecção de SBO, respectivamente. O limiar para detecção pelo ATIexp foi >0.06 e pelo E/I-ratio (MLD) foi de 0.93. O MLDexp teve uma acurácia de 83,3% para um limite mínimo de densidade pulmonar média de - 737 UHs. Conclusão: Os três diferentes métodos utilizados no estudo são de fácil aferição através da TC de tórax e podem trazer importantes informações acerca dos enxertos pulmonares com promissora correlação com o diagnóstico de SBO nos pacientes submetidos a transplante pulmonar unilateral.
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    Expressão de proteínas de reparo e síntese de DNA em meningiomas
    (Wagner Wessfll, 2020) Silva, Camila Batista de Oliveira; Pereira-Lima, Júlia Fernanda Semmelmann; Oliveira, Miriam da Costa
    Introdução: Meningiomas são considerados a segunda neoplasia mais comum do sistema nervoso central em adultos. Na sua maioria são benignos com crescimento lento, frequentes em mulheres e com elevada taxa de recorrência. Em tumores observa-se menor eficiência nos processos de reparo, permitindo aumentando da instabilidade genômica e carcinogênese. Objetivos: Neste trabalho, avaliamos a expressão de proteínas envolvidas na síntese celular (ciclina D1) e reparo de erros no DNA (MUTYH, XPF, XPG) em meningiomas, relacionando-as com variáveis clínicas, tumorais e sobrevida livre de recorrência-recrescimento. Material e Métodos: Neste estudo transversal, foram incluídos 85 pacientes, submetidos à cirurgia de ressecção via transcraniana com diagnóstico confirmado de meningioma. Os prontuários foram revisados para obtenção de parâmetros clínicos (idade, sexo, tamanho, localização, ressecção, recorrência ou recrescimento) e os meningiomas classificados quanto ao grau e subtipos segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Foi realizada a técnica de imuno-histoquímica para análise dos marcadores. Resultados: O estudo incluiu 85 pacientes, com idade média de 52±13,3 anos e a maioria mulheres (proporção de 2:1). Sessenta e sete casos foram de grau I (79%). Os tumores de grau II foram preditores independentes de recrescimento de recidiva (HR: 2,8; p=0,038). A expressão elevada de ciclina D1 foi associada ao grau II (p=0,001) e expressã baixa de MUTYH com grau I (p=0,04). A forte expressão de XPF e XPG foi associada ao grau II (p=0,002; p<0,001) e à recidiva (p=0,04; p=0,003). A forte expressão de XPF foi significativamente relacionada a tumores grandes (p=0,03). Foram encontradas associação de ciclina D1, MUTYH e XPF. A sobrevida não foi associada à expressão de nenhuma das proteínas estudadas. Conclusões: Conhecer o papel das proteínas de reparação do DNA e da síntese celular é importante para entender os processos de origem e desenvolvimento tumoral. Meningiomas grau II e forte expressão de XPF e XPG foram preditores de recorrência ou recrescimento e podem auxiliar no manejo clínico, considerando a alta recorrência de meningiomas e a ausência de consenso em relação ao tratamento.
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    Expressão de marcadores de reparo de DNA e marcadores de proliferação em gliomas
    (Wagner Wessfll, 2020) Ongaratti, Bárbara Roberta; Pereira-Lima, Júlia Fernanda Semmelmann; Oliveira, Miriam da Costa
    Introdução: Os gliomas correspondem a 80% dos tumores malignos de sistema nervoso central. Apesar do progresso na caracterização da patogênese, permanecem incuráveis e, na maioria dos casos, resistentes aos tratamentos. Estudos sugerem que o sistema de reparo de DNA está correlacionado à tumorigênese e à progressão em gliomas. Objetivos: Avaliar a expressão imuno-histoquímica (IHQ) dos marcadores de reparo do DNA XRCC2, XRCC3 e XRCC4 e dos marcadores de proliferação celular Ki-67, p53, PCNA e ciclina D1 e suas relações com variáveis clínicas em gliomas. Materiais e métodos: Foram incluídos 39 pacientes com gliomas. A técnica IHQ foi aplicada para determinar a expressão dos marcadores e as variáveis clínicas foram obtidas a partir dos prontuários. Resultados: A idade média de 52±12,8 anos, sendo 59% homens e 82% dos casos gliomas de alto grau (GAG). Os pacientes com GAG apresentaram-se 13 anos mais velhos ao diagnóstico (p=0,015). Pacientes com >50 anos mostraram risco cinco vezes maior de apresentar recrescimento/recidiva (p=0,017). XRCC2 e XRCC3 mostraram-se expressas em todos os casos e XRCC4 em 97,4% dos casos. A marcação forte de XRCC4 foi correlacionada à menor sobrevida global (p=0,009). Ki-67 e p53 mostraram correlação positiva com o grau tumoral (p<0,0001 e p=0,011) e entre si (p=0,026). PCNA e ciclina D1 mostraram correlação positiva com a idade (p=0,045 e p=0,016). A expressão de PCNA mostrou correlação positiva com a de XRCC3 (p=0,019). Conclusão: A expressão de XRCC2, XRCC3 e XRCC4 na quase totalidade dos casos demonstra que as vias de reparo por recombinação homóloga (HR) e por junção das extremidades não-homólogas (NHEJ) estão ativadas em gliomas independentemente do grau. A correlação entre a expressão do PCNA e de XRCC3 demonstra que essas atuam em consonância na HR nos gliomas. O XRCC4 demonstrou ser um potencial preditor de menor sobrevida global em pacientes com gliomas.