Avaliação audiológica em crianças com gagueira pré e pós terapia fonoaudiológica

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Introdução: Gagueira é um distúrbio caracterizado por uma disruptura involuntária no fluxo e ritmo de fala, que pode estar associada a fatores neuroaudiológicos ligados ao processamento auditivo central (PAC). Os potenciais evocados auditivos de longa latência e os testes comportamentais que avaliam as habilidades do processamento auditivo central são utilizados como instrumento para avaliar o PAC em diversas populações com queixas fonoaudiológicas, assim como para investigar os possíveis efeitos da terapia fonoaudiológica. Objetivos: Descrever e analisar as respostas obtidas na avaliação eletrofisiológica e comportamental das habilidades do processamento auditivo central em crianças com gagueira pré e pós terapia fonoaudiológica. Além disso, verificar possíveis associações entre os achados audiológicos, severidade da gagueira e escala Scale of Auditory Behaviors (SAB). Material e Métodos: Participaram do estudo 18 crianças de 7 a 11 anos, de ambos os sexos, com gagueira desenvolvimental persistente de leve a grave (grupo pesquisa), e 18 crianças sem alterações de fala ou linguagem (grupo controle), pareados por sexo, idade e preferência manual. Foram realizadas avaliações das habilidades auditivas em dois momentos distintos, pré e pós intervenção, através de audiometria tonal e vocal, medidas de imitância acústica, potencial evocado auditivo de tronco encefálico, potencial evocado auditivo de longa latência (pesquisa da onda P2 e P3) e avaliação comportamental do processamento auditivo central. Também foi aplicada a escala SAB, a fim de obter informações qualitativas relacionadas ao PAC. As crianças com gagueira foram submetidas a terapia fonoaudiológica de PAC semanalmente, durante 6 meses e 12 crianças retornaram para reavaliação. Resultados: Na amostra estudada, as crianças com gagueira apresentaram maiores valores de latência das ondas P2 e P3 e menores valores de amplitude de P3 em comparação aos seus pares fluentes. Além disso, apresentaram pior desempenho nos testes comportamentais do PAC. Houve associação entre severidade da gagueira e aumento da latência das ondas P2 e P3, bem como associação entre pontuação no SAB e latência das ondas P2 e P3. Após terapia fonoaudiológica, as crianças com gagueira apresentaram diminuição de latência e aumento de amplitude da onda P3, assim como melhor desempenho nos testes comportamentais do PAC. Conclusão: Crianças com gagueira apresentam pior desempenho nas avaliações eletrofisiológicas e comportamentais do processamento auditivo central quando comparadas a crianças fluentes, indicando dificuldade nas habilidades atenção auditiva, detecção e discriminação de um estímulo acústico, memória auditiva, resolução temporal, de figura-fundo, separação binaural, discriminação de duração, ordenação temporal, reconhecimento de sons verbais em escuta monótica e dicótica. Essas habilidades podem ser melhoradas com a terapia fonoaudiológica e a evolução do processo terapêutico pode ser monitorada por meio dos potenciais evocados auditivos de longa latência.

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Tese (Doutorado)-Programa de Pós-Graduação em Patologia, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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