PPGPED - Dissertações

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    Doença Inflamatória Intestinal (DII) em pacientes pediátricos: avaliação das características salivares
    (2023-07-13) Ferreira, Aline Marques; Puricelli, Edela; Programa de Pós-Graduação em Pediatria: Atenção à Saúde da Criança e ao Adolescente
    Introdução: A doença inflamatória intestinal (DII) envolve o trato gastrointestinal e afeta milhões de adultos e crinças/adolescentes no mundo. Esta doença inflamatória crônica resulta de interações complexas entre genética, fatores ambientais e microbiota. A microbiota qua parece ser fundamental no desenvolvimento do sistema imunológico do hospedeiro e concentra numa relação comensal a maior parte da sua colonização bacteriana no trato gastrointestinal. Enquanto estas prosperam no rico ambente do intestino passam a liberar benefícios de múltiplas funções locais e sistêmicas do hospedeiro. Este equilíbrio homeostático das bactérias permite que o trato gastrointestinal permaneça saudável e livre de supercrescimento de bactérias potencialmente patogênicas. A microbiota oral desempenha um papel essencial na manutenção da integridade das estruturas bucais. Ao contrário do intestino, o ecossistema bacteriano oral é relativamente estável e não está sujeito a mudanças significativas. A saliva desempenha um papel importante no monitoramento da saúde bucal, regulando e mantendo a integridade dos tecidos orais duros e alguns tecidos moles. Objetivo: Avaliar se há alterações das propriedades físicas e químicas do produto salivar de pacientes pediátricos com diagnóstico de doença inflamatória intestinal (DII) Método: Foi realizado um estudo transversal com técnica de amostragem por conveniência, recrutando todos os pacientes em acompanhamento no Ambulatório de Doença Inflamatória Intestinal do Serviço de Gastroenterologia do HCSA, no período de agosto de 2021 a abril de 2022 e que cumpriram os critérios de inclusão. Foram analisadas 33 amostras. Os participantes do estudo responderam a um questionário estruturado e foram submetidos a um exame intrabucal e coleta salivar. Através da amostra salivar foram realizadas as seguintes avaliações: velocidade de fluxo salivar estimulado, pH salivar, viscosidade salivar clínica e laboratorial (reologia). Resultados: As análises realizadas nas amostras coletadas demonstraram que a totalidade (n=33) apresentou pH da saliva normal (pH=7). A média da viscosidade salivar clínica foi de 3,1mm e da viscosidade salivar laboratorial 1,5cP. A média da velocidade de fluxo salivar foi de 0,9mm, considerado baixo fluxo pelos critérios estabelecidos na literatura. Da amostra total, 60% apresenta velocidade de fluxo salivar abaixo do normal. Conclusão: Apesar do nosso estudo apresentar uma amostra numéricamente reduzida os testes não invasivos aplicados em pacientes pediátricos com DII até o momento sustentam credibilidade nos seus resultados quando comparados com a literatura consultada. Tais possilidades devem ser exploradas no atendimento odontológico visando motivação tanto ao profissional como paciente/familiar para entendimeto das alterações locais/sistêmicos advindo da disbiose oral frente a diferentes patologias em evolução
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    Análise Ultrassonográfica da Espessura Muscular no Paciente Crítico Pediátrico
    (2023-04-27) Oliveira, Jéssica Knisspell de; Lukrafka, Janice Luísa; Schaan, Camila Wolghemuth
    INTRODUÇÃO: a ultrassonografia (US) tem sido utilizada para quantificar e qualificar a morfologia muscular de crianças criticamente enfermas, detectando possíveis alterações na espessura muscular. OBJETIVO: analisar a espessura muscular através de imagens de ultrassonografia de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) de um hospital terciário do sul do Brasil; avaliar a confiabilidade da medição ultrassonográfica da espessura muscular do bíceps braquial/braquial (BB) e quadríceps femoral (QF) em crianças gravemente doentes; avaliar a mudança na espessura muscular durante internação na UTIP; verificar diferenças na espessura muscular ao longo da internação em UTIP entre diferentes condições clínicas. MÉTODOS: primeiramente, foi realizado um estudo observacional na UTIP de um hospital universitário terciário do sul do Brasil. O estudo incluiu pacientes entre 1 mês e 12 anos de idade, recebendo ventilação mecânica invasiva por pelo menos 24 horas. Imagens ultrassonográficas do bíceps braquial/braquial e quadríceps femoral foram obtidas, realizadas por um ultrassonografista experiente e três novatos. A confiabilidade intra e interavaliadores foi calculada usando o coeficiente de correlação intraclasse (ICC) e a análise do gráfico de Bland-Altman. Secundariamente, realizamos um estudo longitudinal prospectivo, no período de dezembro de 2021 a outubro de 2022. Foram incluídos pacientes de ambos os sexos; de um mês a 12 anos; em ventilação mecânica invasiva por 24h. As medições da US foram realizadas até 24h após internação, 72h após e semanalmente até alta da UTIP. RESULTADOS: inicialmente, a espessura muscular foi medida em 10 crianças, com idade média de 15,5 meses. A espessura média dos músculos avaliados foi de 1,14cm ± 0,27 para o bíceps braquial/braquial e 1,85cm ± 0,61 para o quadríceps femoral. A confiabilidade intra e interavaliadores foi muito boa (ICC > 0,81) para todos os ultrassonografistas. As diferenças foram pequenas e não apresentaram distorção na análise dos gráficos de Bland-Altman e todas as medidas estiveram dentro dos limites de concordância, exceto uma medida de bíceps braquial/braquial e quadríceps femoral. Posteriormente, foram selecionados 73 pacientes. 69 realizaram duas avaliações, 53 três avaliações e 22 quatro avaliações ultrassonográficas. A mediana de idade foi 18 meses, sendo 46 (63%) <1 ano. O diagnóstico mais comum foi doenças respiratórias (68,5%). Houve mudança na espessura do BB no período de 24h-2sem (-0,115 cm p=0,02), 72h-2sem (-0,125 cm p=0,009) e 1sem-2sem (-0,137 cm p=0,002) e no QF de 24h2sem (-0,25 cm p=0,002) e 72h-2sem (-0,21 cm p=0,015). A prevalência de atrofia muscular (diminuição >10% na espessura), foi 34,8% em pelo menos um grupo muscular entre 24h-72h; 35,8% entre 24h-1sem; e 45,5% entre 24h-2sem. CONCLUSÃO: a US pode ser utilizada em crianças criticamente enfermas para avaliar com precisão as alterações na espessura muscular, mesmo por diferentes avaliadores. Além disso, permite avaliação da espessura muscular de diferentes grupos musculares de crianças criticamente doentes, sendo importante no monitoramento muscular durante internação na UTIP.
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    Avaliação do consumo de fibra alimentar e suas fontes em dietas de crianças de baixa condição socioeconômica: análise longitudinal
    (2020) Rambow, Camila; Vítolo, Márcia Regina
    Objetivo: Avaliar longitudinalmente o consumo de fibra, principais fontes alimentares e seu reflexo na ingestão de energia e macronutrientes, em crianças aos 12 meses, 3 anos e 6 anos de idade. Metodologia: Estudo de coorte aninhado a ensaio de campo randomizado, cuja intervenção do estudo principal consistiu em um programa de atualização sobre os “Dez passos para alimentação saudável para crianças menores de dois anos” para os profissionais das unidades de saúde. As coletas de dados foram realizadas por meio de visitas domiciliares com aplicação de questionários dietéticos e socioeconômicos, além de dois recordatórios de 24 horas de dias não consecutivos, nas três faixas etárias. A adequação do consumo de fibra foi avaliada conforme valores de Ingestão adequada (AI), preconizados pela Dietary Reference Intakes (DRI). As fontes alimentares de fibras foram classificadas em três grupos, baseados no sistema de classificação NOVA em: in natura e minimamente processados, processados e ultraprocessados. Para avaliação da ingestão de fibras, energia e macronutrientes foram realizados cálculos no software DietWin Profissional® (Porto Alegre, Brasil), e utilizada a média estimada pelo método Multiple Source Method (MSM). Além disso, os dados dietéticos apresentados no presente estudo foram ajustados para energia (g/1.000kcal). As análises estatísticas foram realizadas no programa SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) versão 20.0 (Chicago, USA), tendo as variáveis contínuas testadas quanto à normalidade da sua distribuição pelo teste de Kolmogorov-Smirnov e, apresentadas por média ± desvio padrão ou mediana e percentis 25 e 75. Análises de frequência foram realizadas para descrição das variáveis. Ainda, para avaliar o efeito da associação entre variáveis de consumo alimentar e tercis de consumo de fibras (g/1.000kcal), foi realizada análise de variância (teste Kruskal-Wallis), seguido pelo post hoc teste de Dunn. O nível de significância adotado foi p < 0.05. Resultados: Participaram do estudo 554 crianças aos 12 meses, 476 aos 3 anos e 387 aos 6 anos. Em todas as faixas etárias, mais de 85% das crianças apresentaram consumo abaixo da Ingestão Adequada. Constatou-se que os alimentos in natura ou minimamente processados foram os principais contribuintes de fibras, sendo responsáveis pelo fornecimento de 83,48% da fibra alimentar total aos 12 meses; seguido por 74,88% aos 3 anos e 71,92% aos 6 anos. Em relação às fontes alimentares, identificou-se feijão, frutas, cereais e tubérculos como principais contribuintes de fibras. Dentre elas, em todas as idades foi observado o feijão como o alimento de maior relevância para a ingestão de fibra, sendo responsável pelo fornecimento superior a 30% de fibra total diária na dieta e consumido por mais de 80% da população estudada. Além disso, foi observado que crianças no maior tercil de consumo de fibras apresentaram maior ingestão de fibras provenientes de alimentos in natura ou minimamente processados, e que suas dietas possuíam maior teor de carboidratos e menor de lipídios, nas três faixas etárias (p<0.001). Conclusões: Os resultados deste estudo mostram elevadas prevalências de inadequação de consumo de fibras e ressalta a importância da ingestão de alimentos in natura ou minimamente processados, principalmente o feijão como fonte de fibra na infância. Além de identificar, que dietas com maiores teores de fibras, possuem menor quantidade de lipídeos.
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    Remissão clínica após suspensão de tratamento com imunobiológico em pacientes pediátricos com asma grave
    (2023-06-21) Castelli, Giovana De Marchi; Pitrez, Paulo Marcio Condessa
    A asma é considerada um problema de saúde global e o Brasil é um dos países com maior prevalência de doença na população infantil no mundo. Na região sul a prevalência de asma em crianças é de 20%, com quase metade dos pacientes apresentando doença não controlada, e 7% dos pacientes com história de hospitalização no último ano. Um subgrupo de crianças, cerca de 10% dos asmáticos, não responde adequadamente ao tratamento farmacológico convencional, com ausência de controle da doença, mesmo com a melhor otimização do manejo clínico em centros de referência. Este grupo, classificado como asma grave, apresenta o maior consumo de recursos públicos nos programas de controle da asma e possui grande impacto em marcadores de qualidade de vida, porém os dados de prognóstico ainda são incipientes nesta população. O objetivo desta dissertação é descrever as características e a evolução da remissão clínica de asma grave em pacientes pediátricos. A série de casos foi realizada no Ambulatório de Asma Infantil PUCRS, com 8 pacientes provenientes do Sistema Único de Saúde (SUS) incluiu adolescentes entre 14 e 21 anos, de ambos os sexos, com diagnóstico de asma. Os participantes foram incluídos e classificados seguindo os critérios internacionais. A avaliação do controle da doença foi realizada através de dois questionários curtos (GINA e ACT), questionário clínico e a função pulmonar avaliada através de espirometria. Três pacientes descontinuaram com sucesso o omalizumabe com controle dos sintomas e uso de medicação. Um paciente manteve o tratamento com o anticorpo monoclonal. Outros três tiveram resultados positivos ao interromper o tratamento, mas apresentaram dificuldade no controle dos sintomas no acompanhamento. Um paciente relatou descontrole dos sintomas ao suspender a medicação e permanece com mau controle da doença. Os pacientes mantiveram baixas taxas de exacerbações sem necessidade de internação. As medidas de função pulmonar não representaram melhora ou piora. Esses dados demonstram os benefícios a longo prazo do omalizumabe na redução das exacerbações e internações hospitalares, mesmo após sete anos de descontinuação da terapia.
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    Força e espessura muscular associada a capacidade de exercício em pacientes pediátricos com fibrose cística
    (2023-01-06) Kasten, Ana Paula da Silva; Tartari, Janice Luisa Lukrafka; Fischer, Gilberto Bueno
    Introdução: A fibrose cística (FC) é uma doença genética de herança autossômica recessiva e evolução crônica, que acomete as glândulas exócrinas e se caracteriza como multissistêmica. Entre as principais manifestações clínicas estão a diminuição progressiva da função pulmonar e da capacidade funcional para o exercício. Além disso, sabe-se que a desnutrição e as alterações metabólicas geradas pelo processo inflamatório pulmonar podem levar à redução da massa e do desempenho muscular, causando descondicionamento físico, gerando assim um importante impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes. Objetivo: Verificar associação da espessura e força muscular do quadríceps com capacidade de exercício, função pulmonar e qualidade de vida em pacientes pediátricos com fibrose cística. Métodos: estudo transversal com crianças e adolescentes com idade entre 6 e 18 anos com diagnóstico de fibrose cística. Para avaliar a espessura muscular, utilizou-se a ultrassonografia do músculo quadríceps femoral; para avaliar a força muscular foi utilizado o Dinamômetro Isocinético; para avaliar a capacidade de exercício foi realizado o Modified Shuttle Walk Test e o TGlittre-P, para a função pulmonar foi realizado espirometria e para avaliar qualidade de vida foi aplicado o Cystic Fibrosis Questionnaire (CFQ). Resultados: Participaram do estudo 26 pacientes, com média de idade de 10,8±3,4 anos. MSWT e TGlittre-P apresentaram redução significativa em relação ao predito (p<0,001). A espessura média do músculo quadríceps correlacionou-se significativamente com o pico de torque (p=0,002) e ambos foram correlacionados com a distância média percorrida no MSWT (p=0,001; p=0,004). O TGlittre-P apresentou correlação negativa com espessura muscular (p=0,034) e pico de torque (p=0,043). A espessura e força muscular também apresentaram correlação com VEF1 (p=0,022; p<0,001) e CVF (p=0,038; p<0,001). No CFQ, houve correlação entre o domínio físico e a espessura muscular em crianças (p=0,006) e adolescentes (p=0,011). Correlações também foram demonstradas em adolescentes entre a força muscular com o domínio respiratório (p=0,037) e negativamente com o domínio tratamento (p=0,024). Conclusão: Crianças e adolescentes com FC apresentam correlação entre espessura e força muscular com a capacidade de exercício, função pulmonar e qualidade de vida.
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    Papel da suplementação com selênio no tratamento da esteatose hepática causada por frutose no Peixe-Zebra (Danio rerio)
    (2023-10-02) Christimann, Carla; Silveira, Themis Reverbel da; Porawski, Marilene; Departamento de Pediatria
    Introdução: A frutose é um açúcar simples, de ocorrência natural, metabolizada principalmente pelo fígado e possui potencial lipogênico. Tem sido amplamente utilizada na indústria alimentícia ligado à glicose para formar sacarose, contida em alimentos altamente processados e bebidas hipercalóricas. O selênio é um micronutriente essencial com potencial antioxidante e anti-inflamatório importante na nutrição humana e essencial em muitas funções biológicas. De grande importância, determina a expressão de selenoproteínas e desempenha um papel fundamental na regulação do nível de espécies reativas de oxigênio (ERO) podendo reduzir o estresse oxidativo e prevenir a lesão hepática. Objetivo: Avaliar o potencial protetor e/ou redutor do selênio na esteatose hepática de peixes-zebra expostos à frutose. Materiais e Métodos: Estudo experimental conduzido em peixe-zebra (Danio rerio), de ambos os sexos, em quatro grupos: controle (C) – sem suplementação de selênio e sem indução de esteatose; frutose (F) – sem suplementação de selênio e com indução de esteatose; selênio (SE2) - com suplementação de selênio e sem indução de esteatose e frutose-selênio (F-SE2) - com suplementação de selênio e com indução de esteatose. A esteatose foi induzida por exposição à frutose 2% realizada por 45 dias consecutivos após 15 dias do início da dieta suplementada ou não com selênio 2μg/g, totalizando 60 dias de experimento. No dia 61, animais foram eutanasiados, pesados e medidos individualmente e após foi realizada a coleta dos tecidos. Análise histológica: 5 fígados para cada tipo de análise (Hematoxilina & Eosina e Oil Red), de cada grupo. Expressão gênica: 6 amostras (pool de 5 fígados por amostra). Resultados: Expressos em média e desvio padrão para variáveis quantitativas simétricas e mediana e intervalo interquartílico (IQR) das variáveis quantitativas assimétricas. Não houve diferença significativa no peso (C: 0,068±0,109; F: 0,078±0,097; SE: 0,132±0,116; F-SE: 0,087±0,116). Houve diferença significativa no IMC (C: 0,0428±0,01027; F: 0,0474±0,00843; SE:0,0548±0,00960; F-SE: 0,0469±0,00850 p<0,001). Foi observado acúmulo de lipídeos nos hepatócitos do grupo frutose (p=0,018) quando comparados ao controle, sem melhora significativa quando suplementado com selênio. Não foram observadas diferenças significativas para expressão gênica de SEPP1 e GPx1 (p=0,311 e p=0,064 respectivamente). Conclusões: A suplementação de selênio 2μg/g por período de 45 dias, não foi efetiva para proteção da esteatose causada por frutose em peixe-zebra.
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    O uso de tecnologia assistiva no desempenho funcional de crianças e adolescentes com paralisia cerebral
    (2019) Bueno, Thais dos Reis; Halpern, Ricardo; Sukiennik, Ricardo
    Paralisia cerebral (PC) é a encefalopatia crônica mais comum na infância. Caracterizada por lesão cerebral durante seu processo de maturação com sequelas principalmente motoras, pode também deixar sequelas sensitivas, cognitivas, e consequentemente alterando seu funcionamento em atividades de vida diária e instrumentais. Sendo assim, é indicado acompanhamento e tratamento incluindo por vezes terapia ocupacional a fim de melhorar funcionalidade em atividades cotidianas. Esses profissionais fazem uso de recursos de tecnologia assistiva a fim de facilitar a inclusão desses pacientes em sua vida pessoal e social. Porém, esses recursos incluem custos elevados, havendo necessidade de recursos adaptados de baixo custo. Objetivo: Avaliar o efeito de recursos de tecnologia assistiva de baixo custo na funcionalidade de crianças e adolescentes com paralisia cerebral. Métodos: Trata-se de um ensaio clínico aberto onde crianças e adolescentes foram avaliados em dois momentos, momento 0 (início) e seis meses após intervenções individualizadas utilizando-se tecnologia assistiva de baixo custo. Foram reavaliadas mensalmente. A amostra compreendia idades entre três e quinze anos. Os instrumentos utilizados foram: Sistema de Classificação de Funcionalidade da Função Motora Grossa (GMFCS) e Inventário de Avaliação Pediátrico de Incapacidade (PEDI). Resultados: A idade média dos participantes foi de 7,5 anos, 26,9% do sexo feminino e 73,1% do sexo masculino. Quanto ao nível funcional GMFCS, quando divididos em grupos, representaram a amostra em nível I (17,7%), nível II (15,4%), nível III (19,2%), nível IV (23,1%) e nível V (34,6%). O melhor resultado obtido foi observado no item habilidades funcionais na área de mobilidade (p= 0,021) quando a pontuação média variou de 19,9 (11,4 – 51,2) para 26,5 (11,4 – 50,8), assim como na assistência do cuidador na área de autocuidado (p=0,069) com pontuação média de 32,0 (0 – 53,2) para 34,2 (0 – 54,6). Conclusões: Ainda que a indicação de tecnologia assistiva de baixo custo tenha mostrado benefícios para pacientes com PC, não foi possível estabelecer uma diferença estatisticamente significativa do uso da técnica nessa amostra de crianças.
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    Avaliação da performance de uma escala de risco de queda em pediatria
    (2022) Cardoso, Eva Jaqueline da Silva; Martha, Vanessa Feller
    As quedas são apresentadas como um evento de alta incidência no ambiente hospitalar e por vezes minimizados pela equipe assistencial e pais, devido ao estágio de desenvolvimento, deambulação e a exploração do novo. Entretanto, dependendo da gravidade, podem levar a consequências físicas, emocionais e financeiras. O objetivo deste estudo foi avaliar a performance de uma escala de avaliação de risco (AR) já utilizada em um hospital pediátrico de Porto Alegre, chamada AR, e compará-lo com outros dois instrumentos: a escala I’M SAFE e a escala Humpty Dumpty Fall Scale (HDFS). Foi desenvolvido um estudo transversal controlado baseado nas notificações de quedas durante o período de janeiro de 2016 a dezembro 2019. Pacientes pediátricos admitidos nas unidades de internação clínica e cirúrgica com idade igual ou menor que 18 anos foram elencados para o estudo. Cada caso índice (n=106) foi pareado com um paciente controle (n=106), sendo selecionado numa escala de tempo sequencial, o primeiro paciente internado após o caso índice e permanecido em internação por, no mínimo, 24 horas. Foram excluídos os pacientes com informações de prontuário incompleto ou prontuário físico não localizado, assim como pacientes com idade superior a 18 anos. Os resultados mostraram que a escala HDFS apresenta um bom risco atribuível ao desfecho quedas (RP = 1,67 e P = 0,001), enquanto as escalas AR e I’M SAFE apresentaram um baixo risco atribuível ao mesmo desfecho (RP = 1,14 e P = 0438, RP= 1.11 e P = 0,463, respectivamente). A partir disso, foi realizada uma simulação incluindo o fator idade na escala AR Nova sendo observado um aumento de 75,9% para 90,6% de pacientes de alto risco. A adaptação da escala AR Nova levou a uma melhora em seu desempenho quanto a valor discriminatório na quantificação do evento queda (RP = 2,66 e P = 0,031). Na comparação entre as escalas a HDFS e escala AR Nova ambas tem valor discriminatório para quantificar o evento queda. Desta forma, verificamos a necessidade de ajuste na escala atual utilizada pelo hospital (AR) e sua posterior validação. Existe, também, a necessidade de revisão do protocolo de prevenção de quedas com foco na educação para prevenção de quedas na instituição.
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    Eventos adversos em pós-operatório cardíaco em uma Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica
    (2023) Wasniewski, Ana Beatriz Ramos; Silveira, Themis Reverbel da; Oliveira, Mariana Gonzales de
    Introdução: Crianças submetidas a cirurgia cardíaca possuem alto risco de morbidade e mortalidade. Desse modo, é necessário identificar e quantificar fatores do pós-operatório imediato que possam indicar os desfechos a curto e longo prazo. A ocorrência de eventos adversos (EA) está associada a piores desfechos e aumento de morbidade e mortalidade. A taxa de mortalidade de pacientes submetidos a cirurgias cardíacas varia entre as instituições, refletindo o potencial de melhorias na qualidade assistencial por meio da identificação e da atenuação de fatores de risco associados a piores desfechos. Objetivo: Analisar a ocorrência de EA e fatores de associação em pós-operatório cardíaco na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital da Criança Santo Antônio. Método: Coorte histórica dos primeiros 7 dias de pós-operatório de pacientes submetidos a cirurgia cardíaca de abril a dezembro de 2019 por meio de revisão de prontuários hospitalares e que internaram em UTIP. Revisão das características demográficas, clínico-laboratoriais e escores de gravidade dos pacientes e de 9 eventos que foram agrupados em cirúrgicos, não cirúrgicos e relacionados a dispositivos. Resultados: 238 prontuários preencheram os critérios de inclusão do estudo. Em 110 pós-operatórios (46,2 %) ocorreu pelo menos 1 EA e o número total de eventos foi 193 (81%). O EA de maior número foi complicação com cateteres venosos seguido por parada cardíaca, sangramento e reexploração cirúrgica. Idade e peso menores, o índice pediátrico de mortalidade (PIM-2) e escore vasoativo-inotrópico (VIS) mais elevados, escore de risco ajustado para cirurgia cardíaca congênita (RACHS-1) RACHS-1 3 e 4, fechamento tardio do esterno, tempo de circulação extracorpórea (CEC) e clampeamento aórtico maiores foram associados a EA com significância estatística. Na análise univariada, VIS ≥ 20, RACHS-1 ≥ 3, idade ≤ 24 meses, PIM-2 ≥ 5, CEC ≥ 120 min e clampeamento aórtico ≥ 30 min foram estatisticamente significantes com a ocorrência de evento. Na análise multivariável, VIS ≥ 20 (OR 2,90, p 0,004) e RACHS-1 ≥ 3 (OR 2,11, p 0,019) mostram se relevantes e com significância estatística, enquanto idade e esterno aberto possuem apenas tendência a essa associação. Considerando a previsão de ocorrência de eventos adversos a partir dos valores de VIS e de RACHS-1, a área sob a curva mostrou valor de 0,73 (95% IC: 0,66 – 0,79). Conclusão: A ocorrência de EA mostrou-se presente em número expressivo na população estudada. Os eventos relacionados a dispositivos foram os mais frequentes. Os escores VIS e RACHS-1 foram relevantes para predizer a ocorrência de eventos adversos em pós-operatório cardíaco.
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    Ingestão de alimentos ultraprocessados e morbidade respiratória no primeiro ano de vida
    (2022) Lessa, Samantha Mallmann; Amantéa, Sérgio Luis; Tietzmann, Daniela Cardoso
    Introdução: A morbidade respiratória engloba uma série de doenças de etiologias infecciosas e alérgicas, capazes de comprometer tanto o trato respiratório superior, quanto inferior. Emergências respiratórias pediátricas estão entre as causas mais frequentes de internação hospitalar e óbitos em crianças menores de 1 ano de idade e alguns fatores tornam as crianças pequenas mais suscetíveis à essas afecções, dentre eles as aglomerações que aumentam os contatos da criança com diferentes agentes infecciosos, o sistema imunológico infantil que está em desenvolvimento em crianças menores de dois anos e o estado nutricional infantil. Objetivo: investigar a relação entre fatores socioeconômicos, nutricionais e morbidade respiratória no primeiro ano de vida. Método: Estudo de caso-controle delineado a partir de dados secundários da pesquisa “Avaliação da efetividade de estratégia para prevenção de consumo de açúcar e alimentos ultraprocessados no primeiro ano de vida em três Regiões do Brasil: ensaio de campo randomizado”. O estudo foi realizado em três capitais do Brasil (Porto Alegre, Manaus e Salvador), representativas das macro-regiões Sul, Norte e Nordeste. Para cada cidade, pares mãe/neonato foram recrutados nos seguintes hospitais públicos Amigos da Criança: Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, Porto Alegre/RS, Maternidade Moura Tapajós, Manaus/AM, Maternidade Climério de Oliveira, Salvador/BA sendo elegíveis mães primíparas ou multíparas, com idade maior ou igual a 18 anos, parto único hospitalar, com recém-nascidos à termo, sem intercorrências clínicas e sem outras patologias que impedissem a amamentação. Para o presente estudo a variável de interesse foi definida como morbidade respiratória diagnosticada por atendimento médico realizado no primeiro ano de vida. Para os casos, foram consideradas todas as crianças diagnosticadas com as seguintes doenças: asma, bronquite, bronquiolite e pneumonia. Para os controles, as crianças foram distribuídas de acordo com a idade categorizada (< 6 meses e > 6 meses) e para cada base foi realizado, por um estatístico independente, um sorteio aleatório (2 controles para cada caso) entre as crianças que não foram diagnosticadas com doenças respiratórias. Assim, o tamanho da amostra totalizou 222 crianças. Foram realizadas análises bivariadas para avaliar associação entre as variáveis e o desfecho, calculando-se as Razões de Chance e respectivos intervalos de confiança, utilizando Regressão Logística, sendo todas as análises executadas no software R, versão 4.1.3, considerando um nível de significância de 5%, ou seja, um p-valor < 0,05 foi considerado estatisticamente significativo. Resultados: De maneira geral, 52,7% da amostra foi composta por crianças do sexo feminino, com mães predominantemente na faixa etária de até 30 anos (61,5%) sendo que a grande maioria das crianças conviviam com menos de 6 pessoas (72,1%) e a renda familiar (per capita) era de até 3 salários mínimos (76,1%). O Tabagismo materno e o aleitamento materno apresentaram significância estatística quanto ao desfecho, estando as crianças de mães que fumam ou já fumaram com chance 2,12 vezes maior de desenvolver infecção respiratória (p-valor = 0,024). No caso do aleitamento materno, crianças com aleitamento inferior a 6 meses apresentaram 2,05 vezes a chance de doença respiratória do que as crianças com aleitamento igual ou superior a 6 meses (p-valor = 0,036). O centro de coleta também mostrou associação significativa com o desfecho, tendo os centros Nordeste e Norte se mostrado como um fator de proteção para morbidades respiratórias, com as razões de chance de 0,15 [0,06-0,33] e 0,38 [0,18-0,77], respectivamente. Ultraprocessados de maneira geral não apresentaram associação significativa, mas o baixo número de não-consumidores compromete uma análise mais robusta dessa variável. Outros fatores também não estavam associados à ocorrência de doença respiratória. Conclusão: O consumo precoce de alimentos ultraprocessados não esteve associado à morbidade respiratória. Entretanto tal achado deve ser interpretado com cautela, uma vez que o consumo precoce de alimentos ultraprocessados ocorreu em mais de 80% da amostra estudada, fator que limita o poder de comparação da amostra. Constatou-se que o tabagismo materno e a baixa duração do aleitamento materno, foram determinantes para o desfecho de morbidade respiratória em crianças menores de 12 meses. Da mesma forma, crianças que residiam no Centro de estudo da Região Sul foram mais expostas ao desfecho que às residentes nos Centros Norte e Nordeste.
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    Correlação da ultrassonografia pélvica com o desenvolvimento puberal em meninas
    (2022) Bertoncello, Francine Zap; Kopacek, Cristiane; Liliane, Herter
    Introdução: A puberdade, período de transição da infância para a idade adulta em que se alcança a maturidade sexual, costuma iniciar entre os 8 e 13 anos de idade na menina. Quando há o surgimento de caracteres sexuais secundários antes dos 8 anos ou a ocorrência de menarca antes dos 9 anos, considera-se Puberdade Precoce. O início das manifestações puberais podem se dar por reativação prematura do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, isto é, Puberdade Precoce Central (PPC); por produção periférica ou exposição a estrógenos, isto é, Puberdade Precoce Periférica (PPP); ou ainda, pode ser devido a um aumento da sensibilidade do receptor de estrógenos, ocasionando as formas isoladas de puberdade. O diagnóstico é dado por um conjunto de fatores clínicos, laboratoriais e de imagem. Muitas vezes, o quadro clínico é sugestivo de PPC, porém o Hormônio Luteinizante (LH) basal encontra-se em valores pré-puberais. Nesses casos, deve-se lançar mão do exame considerado padrão-ouro para o diagnóstico: o teste de estímulo com hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) ou com análogo de GnRH. Todavia, o teste com GnRH ou análogo de GnRH apresenta alto custo, é invasivo, doloroso e demanda tempo. Por outro lado, a ultrassonografia pélvica tem se mostrado uma excelente ferramenta na avaliação das patologias pélvicas nas meninas e também no diagnóstico de puberdade precoce. Este estudo tem por objetivo descrever e correlacionar as mudanças puberais (estágios de Tanner mamário) com o desenvolvimento da genitália interna, avaliado por meio da ultrassonografia pélvica. Além disso, objetiva avaliar os parâmetros habituais da ultrassonografia pélvica como testes diagnósticos para início de puberdade e, em especial, avaliar um parâmetro menos estudado: o estudo doppler das artérias uterinas. Métodos: Estudo transversal. Meninas com idade entre 1 ano e 18 anos incompletos e que foram encaminhadas para o serviço de Diagnóstico por Imagem do Hospital da Criança Santo Antônio para realização de ultrassonografia pélvica ou de abdome ou de vias urinárias foram convidadas a participar do estudo durante o período de novembro de 2020 a dezembro de 2021. O desenvolvimento puberal foi classificado de acordo com os estágios de Tanner mamário. A presença de telarca foi o critério utilizado para distinguir meninas púberes de não púberes. Para avaliar a associação entre as variáveis categóricas utilizou-se o teste Qui Quadrado de Pearson. Para a comparação de variáveis contínuas com distribuição normal e sem distribuição normal utilizou-se teste ANOVA e Kruskal-Wallis, respectivamente, com teste post-hoc de Bonferroni para comparações múltiplas. A correlação de Spearman foi utilizada para variáveis quantitativas sem distribuição normal. As variáveis ultrassonográficas foram avaliadas como testes diagnósticos para início de puberdade, sendo utilizada a curva ROC para comparação com área sob a curva com intervalo de confiança de 95% e p-valor. O ponto de corte foi definido por meio do índice de Youden (J) e foi realizado cálculo de sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo, valor preditivo negativo e acurácia. O nível de significância adotado foi de 5% (p = 0,05) e as análises foram realizadas no software estatístico SPSS (IBM SPSS Statistics for Windows, Version 25.0. Armonk, NY: IBM Corp.). Resultados: 60 meninas foram incluídas no estudo com idade entre 1 ano e 17 anos e 6 meses, com média de 8,94 anos (±4,42). Por meio do teste de Correlação de Spearman, evidenciou-se que o volume ovariano teve correlação positiva significativa com a idade (p 0,001; r 0,89), com o Tanner da mama (p 0,001; r 0,87) e correlação negativa significativa com o IP médio (p 0,001; r -0,46). A idade teve correlação positiva significativa com o volume uterino (p 0,001; r 0,87), com o Tanner da mama (p 0,001; r 0,89) e correlação negativa com o IP médio (p 0,006; r -0,38). O volume uterino teve correlação positiva significativa com o Tanner da mama (p 0,001; r 0,89) e correlação negativa com o IP médio (p 0,002; r – 0,43). O IP médio teve correlação negativa significativa com o Tanner mamário (p 0,001; r -0,47). As pacientes foram divididas em três grupos: no grupo pré-puberal (M1) com 28 pacientes, 12 no grupo puberdade inicial (M2 e M3) e 20 no grupo de puberdade tardia (M4 e M5). Na comparação entre os grupos, o volume uterino e ovariano demonstraram aumento estatisticamente significativo (p 0,001) conforme a progressão puberal. Não houve diferença significativa entre o IP médio dos três grupos (p 0,23). O IP médio do grupo pré puberal foi de 4,8 (± 1,3), o grupo puberdade inicial foi de 4,1 (± 1,2) e puberdade tardia com média 3,2 (± 1,9). Quando avaliados os estágios de Tanner individualmente em relação ao IP médio, observou-se que houve diferença significativa entre os estágios M1 e M4 (p 0,012). O volume uterino ≥ 2,45mL obteve sensibilidade de 92%, especificidade de 90%, VPP de 90%, VPN de 93% e acurácia de 91% em predizer início de puberdade. O IP médio ≤ 2,75 obteve sensibilidade de 100%, especificidade de 48%, VPP de 62%, VPN 100% e acurácia de 72%. O volume ovariano médio ≥ 1,48mL obteve sensibilidade de 96%, especificidade de 90%, VPP de 90%, VPN 97% e acurácia de 93%. O diâmetro do maior folículo ≥ 0,75cm obteve sensibilidade de 96%, especificidade de 44%, VPP de 65%, VPN de 92% e acurácia de 71%. A presença de endométrio mensurável à ecografia obteve sensibilidade de 100%, especificidade de 70%, VPP 60%, VPN 100% e acurácia de 79%. Conclusão: A progressão do desenvolvimento puberal da genitália interna feminina pode ser acompanhada por meio da ultrassonografia pélvica e é de grande valor no diagnóstico da puberdade precoce feminina. O volume uterino e ovariano demonstraram ser os melhores testes diagnósticos para puberdade precoce. O IP de artérias uterinas, no estudo, apesar de útil na avaliação puberal, não foi superior a outras variáveis ultrassonográficas.
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    Alteplase na trombólise sistêmica em pacientes na unidade de terapia intensiva pediátrica
    (2022) Santos, Allana Andreolla e; Silveira, Themis Reverbel da ; Erling Júnior, Nilon
    Introdução: A incidência de tromboembolismo pediátrico tem aumentado nos últimos anos, relacionada ao uso crescente de práticas invasivas e ao aumento da sobrevivência de pacientes graves. A morbimortalidade relacionada a esses eventos é bastante significativa, tanto a curto quanto a longo prazo. A recanalização dos vasos trombosados parece ser uma maneira promissora de reduzir esses efeitos negativos, porém os esquemas terapêuticos ainda são baseados em séries de casos e na extrapolação das diretrizes de adultos. Objetivo: Avaliar o uso do protocolo institucional de trombólise sistêmica com alteplase em pacientes com trombose grave (venosa ou arterial). Método: Estudo retrospectivo, incluindo todos os pacientes que receberam alteplase para trombólise sistêmica entre janeiro de 2018 e agosto de 2020. Foram registrados dados demográficos dos pacientes, informações a respeito do evento trombótico (precipitantes, complicações e desfecho) e do tratamento com alteplase (dose, duração, ocorrência de sangramento e necessidade de transfusão de hemoderivados, exames laboratoriais durante a trombólise), além do desfecho clínico e ecográfico. Resultados: Foram incluídos 73 protocolos em 68 pacientes, com mediana de idade de 2,6 meses, 45% do sexo masculino e 79,5% de cardiopatas. As médias das doses de manutenção variaram de 0,09 a 0,12 mg/kg/h; e a mediana da duração do tratamento trombolítico foi de 21,6 horas [8-45,7]. A taxa de resposta completa foi de 48%, e, a parcial, de 22%. Sangramento maior ocorreu em 38% dos pacientes e, menor, em 20,5%. Os pacientes com resposta completa apresentaram menor mortalidade (23% vs 56% e 59%, p=0,01) e menor ocorrência de sangramento maior (23% vs 50% e 54,5%, p = 0,032), em relação aos que apresentaram resposta parcial e ausência de resposta. Os cardiopatas não evoluíram de forma distinta quanto a sangramento e à resposta trombolítica. Após análise multivariada, RNI aumentado foi preditor independente para sangramento maior (RR 1,25, p < 0,001). Em relação ao risco de óbito, infecção em tratamento (RR 2,71, p = 0,05) e aumento do PIM2 (RR 1,03, p = 0,011) foram associados a risco, enquanto pH menos acidótico (RR 0,84, p = 0,001) e fibrinogênio mínimo mais alto (RR 0,94, p = 0,007) foram protetores. Conclusão: A infusão de alteplase, conforme protocolo institucional, mostrou taxas de sucesso e de complicações aceitáveis, mesmo nessa população predominantemente de cardiopatas jovens, com maior risco de sangramento. Os pacientes que evoluíram com resposta completa após trombólise sistêmica apresentaram menor mortalidade e menor ocorrência de sangramento maior, em relação aos que apresentaram resposta parcial e ausência de resposta.
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    Efetividade a longo prazo do uso da mesalazina em crianças com alopecia areata grave
    (Wagner Wessfll, 2021) Vivian, Analú; Bau, Ana Elisa Kiszewski
    Há diversas opções terapêuticas para o tratamento da alopecia areata (AA), porém, a maioria com resultados conflitantes de eficácia. Sendo assim, nenhum medicamento está atualmente aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA). A AA grave costuma a longo prazo afetar significativamente a qualidade de vida, justificando, assim, a intervenção terapêutica. Nesse contexto, surge a necessidade de realização de novos estudos que busquem opções terapêuticas eficazes e seguras para a doença. Este trabalho tem o objetivo de avaliar a eficácia do uso da mesalazina no tratamento de crianças e adolescentes com AA moderada a grave por um período de no mínimo 12 meses de tratamento. Trata-se de um estudo retro e prospectivo, no qual foi avaliada a resposta de 18 pacientes com idades entre 6 e 15 anos, com diagnóstico de AA e escore da severidade da alopecia SALT (Severity of Alopecia Tool)≥40, ou com diagnóstico de AA difusa. Os resultados foram avaliados aos 6 e 12 meses após o início do tratamento, mediante resultado do SALT. Pacientes com AA grave (SALT≥50) obtiveram, com o uso de mesalazina aos 6 meses de tratamento, 36% de redução média na doença. Aos 12 meses, houve um decréscimo de cerca de 66% na AA em decorrência da medicação. Já nos dois pacientes com AA moderada (SALT<50), houve igualmente elevada redução: 46,7% (6 meses) e 73,6% (12 meses). Os quatro pacientes com AA difusa também obtiveram resposta satisfatória de repilação. Nenhum dos pacientes apresentou efeitos adversos significativos durante o uso da medicação. Com este estudo, ressalta-se o provável benefício do uso da mesalazina na melhora e controle da AA, sendo essa uma segura possibilidade de tratamento na população pediátrica.
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    Efeitos da epinefrina nebulizada em associação com solução salina hipertônica em crianças com bronquiolite aguda
    (Wagner Wessfll, 2021) Pereira, Renan Augusto; Amantéa, Sérgio Luis; Zhang, Linjie
    A bronquiolite aguda é uma doença caracterizada por sibilância torácica e sinais de infecção viral no trato respiratório que ocorre em lactentes. O tratamento da bronquiolite aguda permanece controverso devido à falta de evidências científicas robustas. A epinefrina nebulizada e a solução salina hipertônica são exemplos de intervenções estudadas em crianças com bronquiolite, com resultados conflitantes entre os trabalhos. Esta revisão sistemática e metanálise objetiva avaliar a eficácia no tempo de permanência hospitalar, escores de gravidade clínica, saturação de oxigênio e perfil de segurança da nebulização de epinefrina associada a SSH em crianças com bronquiolite aguda. Os desfechos foram representados por diferença de médias (DM) ou diferença de médias padronizadas (DMP), e foram utilizados intervalos de confiança (IC) 95%. 18 estudos foram sistematicamente selecionados e 16 deles contribuíram para a metanálise (1.756 pacientes). De maneira geral, um impacto discreto, mas significativo, foi observado no tempo de permanência hospitalar no grupo que utilizou a terapia combinada (DM de -0,35 dias, IC 95% -0,62 a -0,08, p = 0,01, I2 = 91%). Estratificação pelo tempo da análise do escore de gravidade clínica revelou resultados positivos a favor da terapia combinada, quando avaliado 48 horas e 72 horas após a admissão (DMP de -0,35, IC 95% -0,62 a -0,09, p = 0.008, I2 = 41% e DMP de -0.27, IC 95% -0.50 a -0.04, p = 0.02, I2 = 0%, respectivamente). Não foi observada diferença na saturação de oxigênio entre os grupos. Dados adicionais mostraram um bom perfil de segurança, com uma baixa taxa de eventos adversos (1%), a maioria destes leves e transitórios. Em conclusão, evidências de baixa qualidade sugerem que a epinefrina nebulizada associada a SSH pode ser considerada uma alternativa segura e potencialmente eficaz para reduzir o tempo de permanência hospitalar e o escore de gravidade clínica na bronquiolite aguda.
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    Mortalidade infantil em cidades gêmeas do Brasil
    (Wagner Wessfll, 2021) Oliveira, Heluza Monteiro de; Wendland, Eliana Márcia Da Ros
    A mortalidade infantil é considerada um dos principais indicadores de saúde que refletem as condições de vida de uma população. O Brasil já alcançou a meta de redução da Taxa de Mortalidade Infantil (TMI) proposta pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Toda via, algumas áreas do país ainda apresentam níveis elevados desse indicador, como a Faixa de Fronteira Nacional. Com o objetivo de descrever e analisar o padrão da TMI e sua associação com determinantes sociais encontrados no conjunto de 32 cidades gêmeas* 1 pertencentes a Faixa de Fronteira Brasileira, no período de 1996 a 2018. Trata-se de um estudo ecológico, com dados secundários coletados a partir do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), disponíveis no site do Sistema Único de Saúde (DATASUS). As médias das TMI por local de residência foram comparadas as médias por ocorrência e correlacionadas com algumas variáveis sociodemográficas e de saúde. A Região Norte apresentou as maiores médias das TMI tanto por ocorrência como por residência. A Região Centro-Oeste mostrou variabilidade nas TMI. A Região Sul a maioria das cidades gêmeas apresentaram baixas TMI. Identificou-se correlações positivas e significativas entre os indicadores: índice de Gini e Cobertura da Estratégia Saúde da Família e uma correlação negativa e significante para o indicador do Índice de Desenvolvimento Humano-Municipal (IDH-M). Embora exista um padrão de diminuição da TMI, desigualdades permanecem, com um aumento das taxas em várias cidades nos últimos anos. A falta de registro ainda é um problema importante, tanto no Norte quanto no Sul do Brasil prejudicando uma análise mais detalhada dos dados. Algumas Cidades Gêmeas, mesmo apresentando uma rede precária de atenção à saúde, apresentaram números de mortes infantis por local de ocorrência maiores do número de mortes por local de residência, indicando um afluxo de pacientes para estas cidades. A mortalidade infantil no Brasil continua a ser um grave problema de saúde pública, apresentando desigualdades importantes, mesmo em regiões com maior nível socioeconômico e mostrando uma piora dos indicadores nos últimos anos, que merecem ser monitorados com maior atenção. A falta de registros impede que medidas de controle sejam tomadas precocemente e preventivamente.
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    Mensuração do ângulo interbrônquico na bronquiolite viral aguda
    (Wagner Wessfll, 2021) Biondo, Gabriela Fontanella; Amantéa, Sérgio Luis
    Introdução: bronquiolite viral aguda (BVA) é a mais comum infecção das vias aéreas inferiores em crianças com menos de 2 anos de idade e o principal motivo de hospitalização por causas respiratórias em lactentes abaixo de 1 ano. As tentativas em determinar a gravidade da doença com base nas manifestações clínicas e radiológicas se constituem num grande desafio. As mensurações da anatomia da traqueia, dos brônquios principais e até dos bronquíolos não são limitadas somente à antropometria pura, mas também são úteis para melhor conhecimento e aplicabilidade em fisiologia pulmonar, cirurgia torácica, anestesiologia e em cuidados de pacientes criticamente doentes. Métodos: Estudo transversal, de eixo retrospectivo, onde foram incluídos todos os pacientes admitidos no Hospital da Criança Santo Antônio de Porto Alegre, durante o período de um ano, com diagnóstico clínico de BVA no ano de 2016 e 2017. Foi mensurado o ângulo interbrônquico (ITB) destes pacientes e analisados características clínicas e epidemiológicas. Resultados: Foram incluídos no estudo 425 pacientes, com diagnóstico de BVA por vírus sincicial respiratório (VSR) confirmados por imunofluorescência. A maioria destes pacientes era do gênero masculino n 253 (59,5%) e a mediana de ITB tem correlação com o prognóstico dos pacientes com BVA podendo, após mais estudos, ser utilizado como escore de gravidade foi de 130 dias. A maioria dos pacientes, n387 (91,11%), necessitou de oxigenoterepia por cateter nasal como medida suporte, 3,3% fizeram uso de ventilação não invasiva (VNI) (n14) e 4% de ventilação mecânica (VM) (n17). Entre os pacientes estudados obtivemos apenas um que evoluiu para óbito (0,2%). Foram considerados graves os pacientes que necessitaram de VM ou VNI e suporte em unidade de terapia intensiva. A média do ITB foi menor para estes pacientes do que para os de menor gravidade. Conclusão: Com base nesse estudo conclui-se que o ITB de pacientes pediátricos com BVA apresenta mensuração menor do que as séries fisiológicas de mesma faixa etária publicadas na literatura.
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    Força muscular periférica em crianças e adolescentes com cardiopatia congênita: revisão sistemática e metanálise
    (Wagner Wessfll, 2021) Niedermeyer, Camila da Cunha; Lukrafka, Janice Luisa; Schaan, Camila Wolgenmuth
    INTRODUÇÃO: Pacientes com cardiopatia congênita (CC) são menos ativos quando comparados com indivíduos saudáveis e apresentam limitação da capacidade funcional, relacionada com a presença de fraqueza e fadiga muscular. Em crianças com CC ou algum déficit de desenvolvimento, a força muscular costuma estar diminuída, afetando as habilidades motoras e funcionais na prática das atividades de vida diária, estando relacionada diretamente com a redução da capacidade de exercício. OBJETIVO: O objetivo do presente estudo foi avaliar a força muscular periférica de crianças e adolescentes com CC por meio de uma revisão sistemática com metanálise. MÉTODOS: A revisão sistemática incluiu estudos observacionais que avaliaram a força muscular periférica em crianças e adolescentes menores de 18 anos com CC, bem como controles saudáveis para comparação. A avaliação quantitativa foi realizada por meio de metanálise, comparando-se a dinamometria isocinética e a dinamometria de preensão palmar das crianças e adolescentes com CC e seus respectivos controles. RESULTADOS: Um total de 5.512 artigos identificados na busca preencheram os critérios de elegibilidade e quatro foram incluídos para metanálise nesta revisão. Três estudos avaliaram a força muscular isocinética (FMI) e encontraram redução significativa de 44.63Nm quando comparados com controles saudáveis (95% CI, –75.03 a –14.23; I2 82%, P para heterogeneidade =0.004). Dois estudos avaliaram a força de preensão palmar (FPP) e mostraram que não houve diferença significativa entre pacientes com CC e controles saudáveis, com o valor de 0,08Nm (IC 95%, –6,39 a –6,55; I2 98%, P para heterogeneidade <0,00001). CONCLUSÃO: Crianças e adolescentes com CC apresentaram diminuição da força muscular de membros inferiores, entretanto na força de preensão palmar esse resultado não foi confirmado e os dois grupos foram semelhantes.
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    Impacto do conhecimento em asma no controle da doença e na qualidade de vida de pais de pacientes pediátricos com asma em um centro especializado
    (Wagner Wessfll, 2021) Beziazacinai, Bruna de Amorim; Pitrez, Paulo Marcio Condessa
    Introdução: a asma é a doença crônica mais comum em Pediatria. O controle da doença tornou-se o objetivo principal do manejo da asma, pois o não controle da doença resulta em impacto negativo na vida dos pacientes, familiares e no sistema de saúde pública do país. Um dos fatores que pode interferir no controle da doença é o nível baixo de conhecimento em asma e crenças em mitos populares, resultando em menor compreensão das orientações médicas e prescrições, com consequente não controle da doença e baixa adesão ao tratamento. Objetivo: avaliar os níveis de conhecimento em asma, técnica inalatória, controle da doença e qualidade de vida dos pais de crianças e adolescentes com asma, em um centro de referência de asma do sistema público de saúde no Brasil. Métodos: Realizado um estudo transversal, em um ambulatório especializado em asma pediátrica no sul do Brasil, entre maio de 2019 e março 2020. Foram selecionados pais de crianças e adolescentes com diagnóstico médico de asma (entre 1 e 17 anos), em acompanhamento no ambulatório. Os questionários aplicados nos pais foram: sociodemográficos; Short Assessment of Health Literacy for Portuguese SpeakingAdults (SAHLPA-18); Conhecimento em Asma Pediátrica (Q-CAP); Pediatric Asthma Parent Quality of Life Questionnaire (PAQLQ); Controle da doença da Global Initiative for Asthma (GINA). Nos pacientes, foram aplicados os questionários Morisky Medicatio nAdherence Scales (MMAS‐8) e o Pediatric Asthma Quality of Life Questionnaire (PAQLQ). Resultados: foram incluídos no estudo um total de 48 pais, com idade média de 37,0±8,6 anos, 15 (31,2%) com ensino médio completo, 28 (58,3%) pertencentes a classe econômica C, sendo que as mães foram maioria durante as consultas (n=40; 83,3%). Em relação aos pacientes, 28 (58,3%) eram do sexo masculino e com idade média de 7,8±4,2 destes, e apenas 12 (40,0%) estavam com a asma totalmente controlada. Em relação à adesão ao tratamento, devido a idade mínima para responder ao questionário de 7 anos, dos 30 (62,5%) pacientes que responderam o questionário (MMAS-8), apenas um (3,3%) se mostrou aderente ao tratamento. Um total de 43 (89,6%) pais apresentaram conhecimento específico inadequado em asma (Q-CAP). A qualidade de vida também foi afetada pelo não controle da asma. Conclusão: os pais de pacientes com asma mostraram níveis de conhecimento em asma insatisfatórios. Os pacientes mostraram elevadas taxas de não controle da doença e adesão ao tratamento. Novas estratégias sobre educação em saúde devem ser desenvolvidas a fim de aumentar índices de adesão ao tratamento, controle da doença e conhecimento sobre asma.
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    Prevalência e fatores associados ao excesso de peso e obesidade em crianças e adolescentes do Sul do Brasil
    (Wagner Wessfll, 2021) Barboza, Fernanda Henemann; Wendland, Eliana Márcia Da Ros
    Objetivo: identificar a prevalência e os fatores associados à obesidade em escolares do 2º ao 9º ano matriculados em escolas municipais do Sul do país. Metodologia: estudo transversal com 329 crianças e adolescentes de 7 a 17 anos de idade, matriculados em escolas municipais de Estância Velha, Rio Grande do Sul. Foi realizada uma amostragem aleatória estratificada por múltiplos estágios, por escolas e proporcional ao número de turmas de cada escola e nível educacional. Foram entregues questionários aos responsáveis pelas crianças com questões informações socioeconômicas, hábitos alimentares e atividade física dos estudantes, atividade física, tempo de tela, percepção de imagem corporal, informações sobre tempo de gestação, tipo de parto, peso ao nascer e amamentação. Adicionalmente, os estudantes de 6º ao 9º ano responderam a um questionário com informações sobre doenças sexualmente transmissíveis, drogas, uso de medicamentos e álcool, percepção da imagem corporal, hábitos alimentares, atividade física e tempo de tela. Os estudantes foram submetidos a avaliação de peso corporal, estatura, circunferência do braço e cintura, dobra cutânea tricipital e subescapular. Todos os responsáveis assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, e as crianças e adolescentes assinaram o termo de assentimento. Todos os dados foram processados e tratados com auxílio do programa de análises estatísticas SP2SS versão 21.0 Resultados: Constatou-se a prevalência de 16,9% de obesidade na amostra e 40,2%, se observados alunos com excesso de peso (sobrepeso e obesidade). As associações consideradas fatores de proteção em relação ao alto Índice de Massa Corporal dos jovens foram o controle dos pais/responsáveis sobre a alimentação domiciliar dos menores e o consumo não regular de bebidas açucaradas. Em um intervalo de confiança de 95%, pôde-se analisar o impacto do tempo em frente a tela sobre a obesidade infantil como um hábito de risco. Os demais fatores não foram passíveis de associação. Conclusões: Constatada a prevalência relevante de obesidade nas crianças do Município de Estância Velha. A associação dos fatores permite a construção de políticas públicas, objetivando reduzir essas altas incidência de excesso de peso para a idade adulta bem como de outras consequentes doenças crônicas.
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    Impacto da implementação de um protocolo nos níveis séricos de vancomicina em uma unidade de terapia intensiva pediátrica
    (Wagner Wessfll, 2020) Rezende, Raíssa Queiroz; Dias, Cícero Armídio Gomes
    Introdução: a vancomicina é um antibiótico amplamente utilizado na terapia intensiva pediátrica, mas suas propriedades farmacológicas dificultam seu uso com resultados eficazes e seguros. São recomendados as concentrações séricas de vale de vancomicina de 15-20 μg/mL como alvo para tratamento de infecções graves causadas por Staphylococcus Aureus resistente à meticilina. Objetivo: avaliar o impacto da implementação de um protocolo nos níveis séricos de vancomicina. Método: estudo retrospectivo, quase experimental, incluiu pacientes de até 18 anos internados na UTI Pediátrica em uso de vancomicina por pelo menos 5 dias. Avaliou se pacientes em dois períodos distintos - pré e pós implementação de um protocolo de uso da vancomicina, o qual constava indicações de doses iniciais, níveis séricos alvos e ajuste de dose conforme níveis. Comparados ambos os grupos entre si quanto às características dos pacientes, capacidade de atingir nível sérico alvo e comportamento dos níveis ao longo do tratamento. Resultados: incluídos 65 pacientes em cada grupo. Ambos os grupos foram comparáveis entre si, com predominância de lactentes, do sexo masculino e com doença cardíaca como principal motivo da internação. Apenas 29,2% dos pacientes tiveram identificação de germes nas culturas pré tratamento, além disso, apenas 2/130 (1,5%) pacientes tiveram Staphylococcus Aureus resistente à meticilina identificados nas culturas. O grupo pré protocolo apresentou 10,8% de primeiro nível sérico no alvo de 15 a 20 μg/mL, enquanto o grupo pós protocolo obteve 21,5% dos níveis iniciais no alvo (p=0,153). A proporção de pacientes que alcançou nível sérico alvo durante os primeiros 5 dias de tratamento teve um aumento estatisticamente significativo de 34/65 (52,3%) no grupo pré protocolo para 48/65 (73,8%) no grupo pós protocolo (p=0,018). Os níveis séricos reagiram de forma similar entre os dois períodos (p=0,561), observando uma estabilidade maior entre as avaliações no ano pós protocolo em relação ao ano pré protocolo, com uma diferença entre o 1º e 5º nível de 8,9 μg/mL (IC 95% -3,1 a 21) no grupo pré protocolo e de 0,4 μg/mL (IC 95% -6,1 a 6,9) no grupo pós protocolo (p=0,175). Conclusão: atingir o alvo adequado de nível sérico de vancomicina em pacientes gravemente doentes é um desafio na pediatria e o uso de diretrizes e protocolos de prática clínica permite um melhor ajuste e controle de doses dentro do alvo almejado.