PPGPAT - Dissertações
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Item Avaliação do ganho de peso e fatores de risco cardiovascular em pacientes submetidos ao transplante renal(2025-10-20) Monteiro, Raisa Barbosa; Branchini, Gisele; Nunes, Fernanda Bordignon; Moreira, Thaís Rodrigues; Programa de Pós-Graduação em PatologiaIntrodução: O transplante renal (TR) é o tratamento mais eficaz para pacientes com doença renal crônica (DRC) em estágio terminal, promovendo melhora da sobrevida e qualidade de vida. Contudo, o pós-transplante envolve riscos, entre eles o ganho de peso, desenvolvimento de diabetes mellitus (DM), hipertensão arterial sistêmica (HAS) e desfechos cardiovasculares (DCV), principais causas de morbimortalidade nesses pacientes. Objetivo: Avaliar o ganho de peso, alterações de IMC e a ocorrência de desfechos cardiovasculares em pacientes submetidos ao TR, ao longo de cinco anos de seguimento. Material e Métodos: Estudo de coorte retrospectiva com 709 pacientes submetidos ao TR na Santa Casa de Porto Alegre entre 2012 e 2020. Foram analisados dados demográficos, antropométricos e clínicos, com foco em Índice de Massa Corporal (IMC), incidência de DM, HAS e eventos cardiovasculares (acidente vascular cerebral, infarto agudo do miocárdio e óbito por DCV). A associação entre as categorias de IMC e os desfechos cardiovasculares foi investigada estatisticamente. Resultados: Dos pacientes avaliados, 521 eram adultos e 188 idosos. Entre os adultos, observou-se aumento da prevalência de sobrepeso (33,6% para 49,3%) e obesidade (8,2% para 17,9%) cinco anos após o TR. Entre os idosos, a magreza reduziu (22,4% para 11,8%) e o excesso de peso aumentou (14,5% para 32,9%). No entanto, não houve associação estatisticamente significativa entre o ganho de peso e os desfechos cardiovasculares avaliados. Conclusão: Embora o ganho de peso seja comum no período pós-transplante, os dados não demonstraram associação significativa dos maiores IMCs com a ocorrência de eventos cardiovasculares. Os resultados reforçam a necessidade de um acompanhamento nutricional e clínico contínuo e multidisciplinar, visando prevenir complicações e otimizar os resultados do TR.Item Rastreamento de câncer de pulmão: avaliação do conhecimento de profissionais da saúde(2025-06-25) Pertile, Nicole de Moraes; Hocchegger, Bruno; Pautasso, Fernanda Felipe; Programa de Pós-Graduação em PatologiaIntrodução: O câncer de pulmão representa uma das principais causas de morte por neoplasia no mundo. Ocorrem cerca de 30 mil casos novos a cada ano no Brasil e apenas 15% dos casos são diagnosticados em estágio inicial da doença, tendo uma sobrevida global inferior a 20% em 5 anos. O rastreamento de câncer de pulmão possibilita a identificação da neoplasia em estágio precoce, reduzindo a mortalidade por essa doença. O principal método recomendado para rastreamento de câncer de pulmão é o exame de tomografia de tórax de baixa dose em pacientes de alto risco, sendo os principais fatores a idade, o tabagismo e a carga tabagica. O conhecimento dos profissionais de saúde sobre programas de rastreamento de câncer de pulmão é fundamental para que as recomendações aos pacientes de alto risco sejam realizadas. O desconhecimento dos critérios para rastreamento de câncer de pulmão pode resultar em oportunidades perdidas para a detecção precoce do câncer de pulmão. Objetivos: O presente estudo tem como objetivo avaliar o grau de conhecimento multiprofissional sobre rastreamento de câncer de pulmão. Material e Métodos: Estudo observacional transversal, realizado com profissionais da saúde do Brasil. O recrutamento dos participantes foi realizado por conveniência e através do apoio de grandes sociedades brasileiras. Os critérios de inclusão foram: ser profissional da saúde e atender a população em geral. O estudo teve aprovação do CEP e as coletas foram iniciadas em junho de 2023 e se estendeu até abril de 2024. A pesquisa foi realizada por meio de um questionário, construído pelos autores, sobre conhecimento em rastreamento de câncer de pulmão dividido em 3 sessões. Resultados: Foram incluídos no estudo 324 profissionais da saúde, com uma média de idade de 46,2 anos (DP = 12,5). A maioria do sexo feminino (f = 168; 51,8%), com formação acadêmica em medicina (f = 307; 94,7%), o estudo envolveu participantes de diversas regiões do país, predominando moradores do Sul do Brasil (f = 248; 76,5%). Em relação ao nível de conhecimento sobre rastreamento de câncer de pulmão, é essencial destacar a baixa taxa de acertos, 46,2%, entre os profissionais de saúde, dado extremamente relevante. Conclusão: Nossos achados apresentam um baixo percentual de acertos nos critérios de rastreamento, especialmente no número de maços de cigarro ao ano, dos profissionais da saúde. Esse resultado demonstra a importância da implementação de programas de educação continuada sobre o tema no país.Item Avaliação do potencial preditivo do ki67 em relação à evolução tumoral em pacientes com adenomas hipofisários(2017-02-24) Petry, Carolina; Oliveira, Miriam da Costa; Lima, Júlia Fernanda Semmelmann Pereira; Programa de Pós-Graduação em PatologiaIntrodução: Adenomas hipofisários (AH) são tumores benignos relativamente comuns, sendo que uma parcela significativa deles tem comportamento mais agressivo. Muitos estudos têm sido realizados a fim de descobrir algum marcador deste pior comportamento. Objetivo: Avaliar o potencial do índice Ki67 em predizer a evolução pósoperatória dos adenomas hipofisários em relação ao resíduo e recrescimento tumoral de acordo com o ponto de corte de 3%. Material e Métodos: Foram incluídos 52 pacientes no estudo, 28 mulheres (53,8%), com idade média 43,5±14,1 anos. Os AH eram não-funcionantes em 29 casos, secretores de GH em 18 e secretores de ACTH em 5 casos. Em 23 casos, o Ki67 foi igual ou maior que 3%. Resultados: Quando os dois grupos, de acordo com o Ki67<3% ou Ki67≥3%, foram comparados, o resíduo tumoral na primeira imagem (73 vs. 52%, p=0,15) e na última imagem pós-operatória (56 vs. 48%, p=0,58), a necessidade de nova intervenção (43 vs. 34%, p=0,57) e a invasão do seio cavernoso na última imagem (43 vs. 24%, p=0,23) foram sempre maiores no grupo com Ki67≥3%. Recrescimento tumoral ocorreu somente em 4 pacientes, todos eles com Ki67<3%. Um paciente com adenoma secretor de GH evoluiu com diagnóstico de carcinoma hipofisário. Conclusão: Quando comparados dois grupos de pacientes de acordo com o ponto de corte do Ki67 de 3%, observa-se que a maior ocorrência de resíduo tumoral e invasão do seio cavernoso não são acompanhadas de significância estatística. Estes achados não permitem sugerir neste momento que um manejo terapêutico mais agressivo deva ser indicado, a priori, para pacientes com adenomas hipofisários cujos estudos imuno-histoquímicos revelem um Ki67≥3%.Item Manifestações cutâneas em pacientes com Covid-19 tratados em um hospital universitário no sul do Brasil(2023-06-27) Dupont, Letícia; Bonamigo, Renan Rangel; Duquia, Rodrigo Pereira; Programa de Pós-Graduação em PatologiaIntrodução: Os achados dermatológicos relacionados ao SARS-CoV-2 são variados e polimórficos, englobando exantemas, lesões urticariformes, livedo, púrpura e perniose-like, entre outras dermatoses. Apesar de alguns estudos mostrarem associação de mortalidade da COVID-19 com manifestações cutâneas, principalmente as com origem vascular, essa relação ainda permanece incerta. Os objetivos primordiais deste estudo foram verificar a frequência de manifestações cutâneas em pacientes positivos para COVID-19 e a existência de associação entre determinadas variáveis (padrão de lesão cutânea, idade, sexo, etnia, uso contínuo de medicações, saturação de oxigênio do primeiro atendimento, local de manejo e quantidade de medicações utilizadas no contexto da infecção pelo SARS-CoV-2) com a mortalidade, em pacientes com diagnóstico confirmado de COVID-19 e manifestações cutâneas. Métodos: Este estudo foi dividido em duas partes: (A) Estudo transversal e retrospectivo, revisando prontuários de todos os pacientes com Polymerase Chain Reaction (RT-PCR) reagente para SARS-CoV-2, atendidos no Hospital Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, entre março de 2020 e novembro de 2020. (B) Série de casos prospectivos, com exame dermatológico presencial, realizado por dermatologista, de todos os pacientes internados em leitos de enfermaria COVID-19, entre abril de 2021 e julho de 2021. Todas as variáveis foram aferidas em ambos os grupos de pacientes. Resultados: Foram coletadas informações de 2.968 indivíduos com COVID-19 (2.826 dos prontuários e 142 do exame presencial por um dermatologista). Destes, foram encontrados 51 pacientes com lesões cutâneas relacionadas à COVID-19 (1,71%), sendo 36 do grupo de prontuários (1,27% de manifestações dermatológicas) e 15 do grupo examinado presencialmente (10,56% de manifestações dermatológicas). Dos 51 pacientes, 15 evoluíram para o óbito (29,41%). Não houve associação entre mortalidade e padrões de manifestações cutâneas. As variáveis sexo masculino (p=0,021), internação em unidade de terapia intensiva (UTI) (p=0,001) e uso de três ou mais antibióticos (p=0,041) foram associadas à maior mortalidade. Conclusões: Este estudo não confirma uma possível associação de risco de determinadas dermatoses em pacientes com diagnóstico de COVID-19 com a mortalidade pela doença viral. Os fatores de risco encontrados para mortalidade em pacientes com COVID-19 e manifestações cutâneas foram sexo masculino, internação em UTI e uso de três ou mais antibióticos. Utilizando a revisão de prontuários como ferramenta para avaliação de manifestações cutâneas relacionadas à COVID-19, há cerca de 10 vezes menos ocorrências quando comparado à avaliação presencial por um dermatologista.Item A expressão de HER2-LOW no câncer de mama(2025-03-31) Alencar, Dido Eliphas Leão de; Roehe, Adriana Vial; Programa de Pós-Graduação em PatologiaIntrodução: A estratificação refinada do receptor HER2 (Human Epidermal growth factor Receptor 2) em tumores de mama tem ganhado relevância clínica devido tratamentos emergentes com melhora de sobrevida, destacando subgrupos como “HER2-low” e “HER2-ultra-low”. Objetivo: Avaliar o impacto prognóstico dos diferentes níveis de expressão de HER2 (“ultra-low”, “low” e “HER2-0”) e investigar características clínico-patológicas associadas. Métodos: Foram analisadas 171 pacientes com câncer de mama, classificadas em três subgrupos conforme a expressão de HER2. As variáveis clínicas e patológicas foram comparadas por testes de qui-quadrado e ANOVA, e a sobrevida avaliada por curvas de Kaplan-Meier e modelo de Cox multivariável. Resultados: A distribuição dos fatores clínicos não diferiu significativamente entre os grupos. O subgrupo “HER2-ultra-low” apresentou melhor sobrevida global ao longo de um seguimento médio de 80 meses em um landmark de 60 meses. Em comparação ao “ultra-low”, o grupo “low” exibiu maior risco de óbito (HR=3,17; IC95% 1,04–9,68; p=0,043 no modelo multivariável). Não houve diferença estatisticamente significativa entre “HER2-low” e “HER2-0” na sobrevida. A expressão de receptores hormonais (ER e PR) mostrou efeito protetor. O índice de proliferação Ki 67 foi mais baixo em “HER2-0” do que em “low”. Conclusões: Nossos achados indicam que o status “HER2-ultra-low” pode constituir um subtipo biologicamente distinto, com prognóstico mais favorável em relação a “HER2-low”. A ausência de diferenças relevantes entre “HER2-low” e “HER2-0” suscita questionamentos quanto à utilidade clínica de isolar esse último subtipo. Pesquisas adicionais, com a incorporação de novas tecnologias de diagnóstico, são necessárias para elucidar de forma mais robusta o papel do HER2 em níveis baixos na prática oncológica.Item Oito anos de seguimento após Bypass Gástrico e Sleeve Gástrico de uma coorte brasileira: trajetória de peso e desfechos de saúde(2024-10-04) Salerno, Marianna Lins de Souza; Pereira-Lima, Júlia Fernanda Semmelmman; Rech, Carolina Garcia Soares Leães; Programa de Pós-Graduação em PatologiaIntrodução: Embora a gastrectomia vertical (GV), ou sleeve, seja atualmente a cirurgia bariátrica mais realizada, estudos com mais de 5 anos de acompanhamento mostram diferenças na perda de peso entre este procedimento e o bypass gástrico em Y-de-Roux (BGYR). Neste estudo, apresentamos dados comparativos sobre a eficácia na perda de peso entre essas técnicas em até 8 anos após a cirurgia. Objetivos: Avaliar a evolução da perda de peso e das comorbidades associadas à obesidade em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica pelas técnicas BGYR e GV. Material e Métodos: Estudo de coorte retrospectivo com pacientes de 18 anos ou mais submetidos a BGYR ou GV entre 2015 e 2018 no Centro de Tratamento de Obesidade da Santa Casa de Porto Alegre. Resultados: Entre os 591 pacientes (média de idade, 40 ± 10 anos, mediana do índice de massa corporal basal (IMC), 41,7, [IQR, 39,1;45] kg/m2; 83% mulheres), 327 foram submetidos ao BGYR (55%) e 264 ao GV (45%). No pré-operatório, 14% apresentavam diabetes mellitus tipo 2 (DM2), 40% hipertensão arterial sistêmica (HAS) e 53% dislipidemia. Após 8 anos, a média do percentual de perda de peso total (%PPT) foi maior no grupo BGYR: 32% (IC 95%, 29,1-34,1) após BGYR e 19% (IC 95%, 11,6-26,6) após GV, com diferença de 13% [IC 95%, 6,5%-18,6%] e p < 0,001. O reganho de peso também foi menor no BGYR em comparação ao GV: 23% [IQR 12,2; 33,3] e 39% [IIQ 27,1;66,9] respectivamente com p<0,001. Na análise das comorbidades aos cinco anos, a remissão do DM2, HAS e dislipidemia foi observada em 63%, 42% e 51% dos pacientes, respectivamente. Conclusão: Pacientes submetidos ao BGYR tiveram maior perda de peso e menor reganho do peso 8 anos após a cirurgia bariátrica quando comparados àqueles submetidos à GV.Item Avaliação da dinâmica da epidemia de COVID-19 pela inferência de carga viral de SARS-CoV-2 na cidade de Porto Alegre(2024-09-23) Silva, Larissa Rocha da; Pasqualotto, Alessandro Comarú; Programa de Pós-Graduação em PatologiaIntrodução: A infeção por SARS-CoV-2 já causou mais de 6,6 milhões de mortes em todo o mundo e seu modelo de transmissão foi estabelecido. No entanto, são necessários mais estudos sobre a relação entre as ondas epidemiológicas da COVID-19 e a carga viral do SARS-CoV-2. Neste sentido, este trabalho avaliou o impacto da carga viral do SARS-CoV-2 nas ondas de positividade da COVID-19. Objetivo do estudo: Avaliar a dinâmica da epidemia por meio do cycle threshold (Ct), de amostras admitidas para testagem SARS-CoV-2 por RT-qPCR no Hospital Santa Casa de Porto Alegre, associando-o às medidas preventivas vigentes à época da pandemia. Materiais e métodos: Amostras de indivíduos com suspeita de COVID-19 foram analisadas por meio de RT-qPCR no Laboratório de Biologia Molecular do Hospital Santa Casa de Porto Alegre. Os dados epidemiológicos foram extraídos de websites da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, bem como do Estado do Rio Grande do Sul. Foram utilizadas análises wavelet com filtro de 3 dias. Resultados: Foram avaliadas 11.302 amostras positivas para COVID-19 de pacientes residentes em Porto Alegre. A maioria dos participantes da pesquisa eram do sexo feminino. Com média de idade de 44,6 anos. A mediana da carga viral relativa (CVR) foi de 9,98. Notou-se que houve uma estreita relação entre a presença de casos positivos e o aumento da carga viral. O espectro de potência local revelou que as correlações positivas foram amplificadas com valores de carga viral relativa acima de 600, enquanto apresentaram baixa correlação com valores inferiores de CVR. Essas correlações foram potencializadas dentro de uma janela de até 3 dias, exercendo influência durante períodos prolongados, mesmo diante de eventos extremos associados aos picos pandêmicos. Essa influência perdurou, em média, por aproximadamente 16 a 32 dias. O período de ocorrência com mais energia foi de 8 dias, dominando estes espectros. Um resultado geral da análise wavelet é que entre os dados de CVR houve influência média de 32 dias de ciclos de ocorrência. Foi realizada análise de CVR filtrado de alta frequência, mostrando que a série temporal apresenta um padrão alternado de valores altos e baixos de CVR resultante da alta variância de CVR em 3 dias. Conclusão: A carga viral relativa de SARS-CoV-2 não conseguiu prever as ondas de positividade de COVID-19 devido à mutação genética do vírus, o que resultou em novas variantes. Houve períodos de alta CVR, em que a transmissão ocorreu em até 32 dias, e períodos de baixo CVR, em que a transmissão ocorreu em até 16 dias.Item Pré-eclâmpsia e transportadores iônicos: uma revisão da literatura(2023-09-22) Moura, Thaís Duarte Borges de; Branchini, Gisele; Nunes, Fernanda Bordignon; Programa de Pós-Graduação em PatologiaIntrodução: A pré-eclâmpsia (PE) é atualmente uma das complicações mais comuns em obstetrícia, envolvendo de 3 a 5% de todas as gestações, e está entre as três principais causas de morbimortalidade materna e perinatal no mundo. A manifestação clínica se dá através da hipertensão gestacional após a 20° semana de gestação. Essa hipertensão deve estar acompanhada por proteinúria e/ou disfunções maternas de órgãos-alvo como, complicações neurológicas, edema pulmonar, trombose microvascular, insuficiência renal, lesão hepática, e/ou disfunção uteroplacentária. A fisiopatologia da PE é complexa e ainda não bem definida. Evidências crescentes sugerem que a regulação dos canais iônicos pode desempenhar um papel fundamental nas adaptações da circulação uterina durante a placentação. Na gestação, os canais iônicos têm papel importante na homeostase do meio materno-fetal, visto que auxiliam na passagem de nutrientes e outros compostos químicos entre a mãe e o feto, regulam a síntese e secreção de hormônios, auxiliam na migração de células trofoblásticas, controlam o transporte de elementos e regulam a contração e o relaxamento de células musculares lisas dos vasos sanguíneos. Objetivos: Elaborar uma revisão narrativa compilando os trabalhos que descrevem o envolvimento dos transportadores iônicos na pré-eclâmpsia. Métodos: Foram rastreados os trabalhos na literatura científica, na base de dados MEDLINE e EMBASE. Como critérios de inclusão foram utilizadas publicações em inglês com resumos disponíveis de janeiro de 2000 a abril de 2023, com os descritores “transportador de membrana”, “canais iônicos” e “pré-eclâmpsia”, com o uso de operadores booleanos. Foram selecionados os artigos de pesquisa original que descreviam algum método de estudo dos canais iônicos na PE, além de artigos adicionais usados na construção da narrativa do texto, que descrevem características da pré-eclâmpsia e dos transportadores iônicos. Artigos duplicados na busca foram excluídos. Resultados e Conclusões: Foram arrolados 157 artigos científicos para elaboração da revisão narrativa, evidenciando o papel das principais famílias de transportadores iônicos entre tecido placentário, células primárias e tecido do cordão umbilical de todos os trimestres da gravidez de pacientes com PE, ensaios laboratoriais em células de cultivo, expressão de mRNA e experimentos em animais induzidos à PE. Em gestações complicadas, como em pacientes com PE, inúmeros estudos apontaram que, em condições prejudiciais, como na hipóxia e no estresse oxidativo, os canais iônicos são regulados negativamente e sua atividade é prejudicada. Assim, identificar as alterações em vias de sinalização dependentes de íons é imprescindível para compreender mais claramente a fisiopatologia da PE, visto que em caso de desregulação e/ou supressão de transportadores iônicos, a gravidez pode vir a apresentar complicações.Item Avaliação dos efeitos neuroprotetores do extrato seco da Unha de Gato (Uncaria tomentosa e Uncaria guianensis) sobre a memória, perda de neurônios e reatividade glial no hipocampo de ratos após neuroinflamação crônica recorrente(2023-12-21) Silva, Gabrielle Nunes da; Fernandes, Marilda da Cruz; Gutierres, Jessié Martins; Programa de Pós-Graduação em PatologiaIntrodução: Na neuroinflamação, ocorre um aumento na produção de citocinas pró-inflamatórias, essas moléculas são liberadas pelas células gliais, em resposta a estímulos patológicos, como infecção, trauma e doenças neurodegenerativas. A presença excessiva dessas citocinas pró-inflamatórias podem levar a disfunção sináptica, morte celular, danos neuronais e levar cronicamente a déficits de memória. Objetivos: Este estudo foi desenhado para caracterizar os efeitos do tratamento com Unha de Gato (UG, 30 e 100 mg/kg) no comprometimento de aprendizagem e memória, neurônios maduros, morte celular e ativação glial induzida por neuroinflamação crônica recorrente (CRN) e seus prováveis mecanismos moleculares subjacentes. Materiais e métodos: Foram utilizados 30 ratos Wistar machos adultos, divididos em quatro grupos: grupo veículo (VE), grupo LPS (LPS), grupo LPS + UG30 mg/kg (LPS+UG30) e grupo LPS + UG100 mg/kg (LPS+UG100), que receberam UG, via gavagem e injeção intraperitoneal de LPS a cada 5 dias por 34 dias. Utilizou-se a técnica de imuno-histoquímica para caspase-3, NeuN, Iba1 e GFAP, em cortes do giro denteado do hipocampo desses animais. A quantificação foi feita por densitometria óptica (DO). Resultados: A análise dos dados indicam que (1) a injeção crônica de lipopolissacarídeos (LPS) (i.p) resultou em um declínio significativo no índice de memória episódica de curto e longo prazo (tarefa de reconhecimento de objetos) e aprendizagem espacial e memória (tarefa de labirinto em Y) de ratos; (2) tratamento com ambas as doses de UG efetivamente protegeu contra comprometimento de aprendizagem e memória induzido por CRN; (3) O tratamento com UG diminuiu significativamente a expressão da proteína glial fibrilar ácida (GFAP) no giro dentado do hipocampo (GD), ambas as doses, e na região 1 do Corno de Ammon (CA1), na dose de UG100; e aumentou a expressão da proteína nuclear neuronal (NeuN) no hipocampo DG, CA1 e região 3 do Corno de Ammon (CA3) do CRN, e o mecanismo protetor subjacente do UG pode estar envolvido na influência dos astrócitos na sobrevivência neuronal. Por outro lado, os resultados indicam que o tratamento sistêmico com UG não consegue prevenir eficazmente o aumento da expressão de Iba-1 e caspase-3 clivada induzida por CRN. Conclusões: Assim, a aplicação de UG na dose de 100 mg/kg exerce efeitos protetores sobre a memória, neurônios adultos e astrócitos, mas não o suficiente para reverter os efeitos da ativação microglial ou morte celular induzida pela neuroinflamação crônicaItem Achados histopatológicos do efeito da Alamandina no tecido renal em modelo experimental de fibrose pulmonar(2024-04-25) Gavazzoni, Kelli; Dallegrave, Eliane; Rigatto, Katya Vianna; Programa de Pós-Graduação em PatologiaIntrodução: A doença renal aguda e crônica é um dos problemas mundiais que vem crescendo nas últimas décadas. A toxicidade vascular sustentada com lesão endotelial e apoptose ocasiona lesões renais com acúmulo de tecido fibrótico e perda ou agravamento da função renal. Uma vez que a filtração, secreção e reabsorção renal são dependentes da vasculatura, qualquer fármaco que apresenta efeitos relacionados aos vasos tem grande potencial de influenciar a sua função. Para minimizar os efeitos adversos sobre o sistema renal, foram estudados os possíveis efeitos da Alamandina, um novo e importante peptídeo contraregulatório do sistema renina-angiotensina, recentemente identificada e caracterizada, nos rins de ratos. Objetivos: Avaliar o efeito da Alamandina no tecido renal de ratos em modelo experimental de fibrose pulmonar induzida por Bleomicina. Materiais e Métodos: Foram utilizados 20 ratos Wistar alocados aleatoriamente em 4 grupos (N=5/grupo): Controle (CO), tratados com Alamandina (ALA), tratados com Bleomicina (BLM) e tratados com Bleomicina e Alamandina (BLM + ALA). Os animais pertencentes aos grupos BLM e BLM + ALA, foram anestesiados e tratados por via oral com 2.5 mg/kg de BLM no 1º dia. Os animais dos grupos ALA e BLM + ALA receberam Alamandina (Sigma Aldrich, St Louis, MO, EUA) via minibombas osmóticas (OM; Alzet 2004) por via subcutânea, introduzida no mesmo dia, na dose de 50 µg/kg, fornecendo 0,25 μl/hora, por 14 dias. Resultados: Achados histopatológicos estavam presentes em todos os grupos experimentais, exceto nos ratos controle. As principais alterações glomerulares compreenderam aumento de volume corpuscular, redução de espaço Bowman com lobulação acentuada do tufo glomerular, sinéquia, atrofia e septação do tufo glomerular. O epitélio tubular proximal renal apresentou atrofia, perda da borda em escova e presença de cilindros protéicos no lúmen tubular. Os túbulos contorcidos distais apresentam dilatação, hipertrofia e necrose celular. Conclusão: As alterações apresentadas em glomérulos e túbulos renais evidenciaram que a Alamandina, isolada ou concomitante com Bleomicina, alteram essas estruturas, o que pode comprometer a função renal.Item Anormalidades genéticas identificadas entre pacientes encaminhadas para avaliação por amenorreia secundária(2023-06-29) Besson, Marina da Rocha; Rosa, Rafael Fabiano Machado; Zen, Paulo Ricardo Gazzola; Nunes, Maurício Rouvel; Programa de Pós-Graduação em PatologiaO objetivo da pesquisa é verificar a frequência e os tipos de anormalidades genéticas identificadas em pacientes encaminhadas por AS a um Serviço de Genética Clínica de referência do Sul do Brasil.Item Suscetibilidade à neuropatia periférica por Talidomida: avaliação da prevalência de polimorfismos entre variantes genéticas SERPINB2 e PKNOX1 em pacientes com Eritema Nodoso Hansênico(2024-01-29) Perazzoli , Simone; Bonamigo, Renan Rangel; Vianna, Fernanda Sales Luiz; Programa de Pós-Graduação em PatologiaIntrodução: O Eritema Nodoso Hansênico (ENH) é uma resposta imune humoral ao Mycobacterium leprae, e caracteriza-se por nódulos eritematosos associados ou não a sintomas sistêmicos. O principal medicamento utilizado, no Brasil, para tratar o ENH é a talidomida, no entanto a medicação possui efeitos adversos importantes, como neuropatia periférica (NP). É escasso o conhecimento quanto ao perfil do paciente com hanseníase de maior risco para desenvolver NP por talidomida, sendo possível a influência de fatores clínicos e genéticos. Variantes genéticas dos genes SERPINB2 e PKNOX1 já foram implicadas com a predisposição para desenvolvimento de NP por talidomida em outros contextos clínicos, como mieloma múltiplo, quimioterapia por taxanos e doença inflamatória intestinal pediátrica. Objetivos: Avaliar a prevalência de polimorfismos entre variantes genéticas SERPINB2 e PKNOX1 em pacientes com ENH. Material e Métodos: Estudo transversal incluindo pacientes com diagnóstico de ENH. Foram avaliadas as variantes genéticas SERPINB2 e PKNOX1, variáveis clínicas relacionadas à doença e a ocorrência de NP em usuários de talidomida com os polimorfismos genéticos. Resultados: Foram avaliados 47 pacientes; o polimorfismo rs6103 SERPINB2 teve uma frequência de 66% do alelo C e 34% o alelo G; o polimorfismo rs2839629 do PKNOX1 apresentou uma frequência de 75% para o alelo A e 25% para o alelo G. Os que apresentaram neuropatia tiveram maior frequência dos genótipos homozigoto e heterozigoto C (85% e 77,3% respectivamente) para o polimorfismo rs6103 (SERPINB2) e dos genótipos homo e heterozigoto A (84% e 80%, respectivamente) para o polimorfismo rs2839629 (PKNOX1). Essas diferenças não foram estatisticamente significativas. Conclusão: De acordo com o presente estudo, muitos pacientes com ENH possuem polimorfismos que podem aumentar a suscetibilidade à NP relacionada à talidomida. É provável que fatores genéticos sejam importantes no desenvolvimento desta complicação em pacientes portadores de hanseníaseItem Impactos da pandemia de COVID-19 no Estadiamento Clínico e na vivência de mulheres com Câncer de Mama(2023-05-12) Fritsch, Thais Zilles; Bica, Claudia Giuliano; Alves, Rafael José Vargas; Programa de Pós-Graduação em PatologiaIntrodução: Um grande impacto na saúde pública foi evidenciado pela diminuição na procura por mamografias de rastreamento, com consequente efeito no diagnóstico precoce do câncer de mama logo nos primeiros meses de pandemia. Objetivo: Analisar o impacto da pandemia de COVID-19 no diagnóstico clínico de mulheres com câncer de mama e explorar o enfrentamento do câncer. Material e Métodos: Trata-se de um estudo misto retrospectivo transversal e exploratório com análise de conteúdo realizado em duas etapas no Hospital Santa Rita de Porto Alegre. A primeira realizada com banco de dados de procedimentos cirúrgicos da mama no período de janeiro de 2019 a dezembro de 2020. Em seguida, realizou-se entrevistas com 10 pacientes diagnosticadas em 2020 com estadiamento clínico avançado. Resultados: Foram avaliados 1.733 procedimentos entre os anos de 2019 e 2020. Dentre esses, 491 (49,2%) diagnosticaram câncer de mama em 2019 e 335 (45,5%) em 2020. Quando comparamos os anos de 2019 e 2020 não encontramos diferença significativa no estadiamento clínico ou no fenótipo tumoral. No entanto, observamos diferença na frequência de Histologias Lobulares, Grau histológico 2 e da neoadjuvancia como escolha de primeiro tratamento para o ano pandêmico. Das 52 mulheres elegíveis para as entrevistas, 10 foram entrevistadas, as quais relataram desafios e mudanças nas rotinas e fluxos hospitalares desde o diagnóstico até o tratamento. A principal preocupação permeou o medo da morte pela infecção de COVID-19, e deste modo, os cuidados durante o tratamento foram ainda mais intensificados. Conclusão: Na comparação pré e pandemia não evidenciamos diferença significativa no estadiamento clínico. Apesar da instabilidade mundial gerada pela pandemia, as mulheres sobreviveram e enfrentaram o câncer respeitando e se adequando em cada processo, sem serem infectadas pelo vírus. Mostrando, assim, o sucesso da equipe na prevenção de riscos e do esforço das pacientes e de seus familiares na manutenção da saúde mesmo em momentos de desafios para que o atendimento a paciente com câncer de mama seja mais efetivo.Item Avaliação de Marcadores de Prognóstico no Melanoma(2022) Azevedo, Munique Mendonça; Bica, Claudia GiulianoIntrodução: O melanoma é altamente metastático, representando a causa mais comum de morte por câncer de pele em escala global. Sua classificação e prognostico são definidos pelo sistema de estadiamento da AJCC, o qual não é suficiente para acessar o risco de mortalidade para cada paciente individualmente devido ao caráter heterogêneo da doença, o que garante a busca por novos biomarcadores. Objetivos: Avaliar o estado-da-arte no que diz respeito à biomarcadores de prognóstico no melanoma, bem como analisar a associação entre a neoplasia e os seguintes marcadores: DNA livre circulante (cfDNA), citocinas inflamatórias e polimorfismo Ala16Val do gene SOD2 que codifica a enzima antioxidante superóxido dismutase dependente de manganês (MnSOD). Material e Métodos: Primeiramente, foi realizada uma revisão sistemática da literatura no que se refere a marcadores genéticos e epigenéticos com valor prognóstico no melanoma. Também, foram realizados dois estudos caso-controle onde foram incluídos pacientes com melanoma do Hospital Santa Rita e indivíduos saudáveis. No primeiro, foi realizada a quantificação dos níveis de cfDNA no plasma de casos e controles por meio do Kit Quant-iTTM PicoGreen® dsDNA (Invitrogen) e posterior leitura da fluorescência em fluorômetro. Para avaliar o status inflamatório dos indivíduos, a concentração de citocinas inflamatórias (IL-1, IL-6, TNFα, INFy and IL-10) foi medida. No segundo estudo, foi avaliada a associação entre o melanoma e o polimorfismo Ala16Val do gene SOD2 através da genotipagem de pacientes com melanoma e indivíduos saudáveis. Para tanto, um fragmento do gene SOD2 contendo a região do polimorfismo foi amplificado com primers específicos seguido de clivagem com a enzima de restrição Hae III. Resultados: No artigo científico I, o texto completo de 25 artigos foi avaliado. A análise do perfil de microRNA e a expressão de mRNA associada ao status mutacional dos genes BRAF e NRAS foram as abordagens mais frequentes. No artigo II, níveis elevados de cfDNA e citocinas pró-inflamatórias foram observados nos pacientes com melanoma quando comparados aos controles. Por outro lado, os casos apresentaram níveis reduzidos da citocina anti-inflamatória interleucina 10 em relação aos indivíduos saudáveis. Após a excisão do tumor primário, houve redução significativa da concentração de cfDNA no sangue dos pacientes. Quanto ao artigo III, foi reportada a associação entre o polimorfismo da MnSOD e o risco de melanoma, a qual é influenciada por sexo e idade. Conclusão: Apesar de muito conhecimento ter sido acumulado no que se refere aos marcadores no melanoma, nenhum se mostrou eficiente para detectar o potencial de progressão da doença ainda em seus estágios iniciais. A implementação de biomarcadores sanguíneos pouco invasivos durante o acompanhamento clínico para identificar pacientes em alto risco de metástases é fundamental para melhorar o desfecho dos pacientes com melanoma.Item Avaliação das Margens Cirúrgicas no Carcinoma Ductal in situ da Mama e o Prognóstico das Pacientes após Tratamento Cirúrgico(2016) Schwengber, Indira Dini; Zettler, Cláudio Galleano; Paganini, Cassio FernandoIntrodução: O carcinoma ductal in situ (CDIS) é uma forma não-invasiva de câncer de mama, representando cerca de 20% das neoplasias diagnosticadas através do rastreamento mamográfico e sua incidência vem aumentando. Mas o tratamento cirúrgico e pós-cirúrgico desta patologia ainda é um assunto em discussão. Objetivos: Determinar a relação entre a extensão das margens cirúrgicas, as características biológicas e as taxas de recorrência local (RL) do CDIS após cirurgia mamária. Material e Métodos: Foi realizada uma coorte retrospectiva a partir da análise dos prontuários das pacientes com diagnóstico de CDIS, que foram submetidas à cirurgia conservadora da mama ou mastectomia, no período de 2000 a 2013, tratadas em um centro de mastologia no sul do Brasil. Critério de inclusão: pacientes com diagnóstico de carcinoma ductal in situ puro. Critério de exclusão: pacientes com CDIS associado à componente invasor e àquelas com dados incompletos no prontuário. Resultados: Das 80 pacientes selecionadas, 21 tinham dados incompletos nos prontuários, restando 59 pacientes para o estudo. A mediana de idade foi de 51 anos (variando entre 34 e 83 anos). A incidência de recidiva local após tratamento de CDIS foi de 6,8%. Não houve associação estatisticamente significativa entre a margem cirúrgica final e a ocorrência de recidiva (p = 0,357). Conclusão: No nosso serviço, a incidência de recidiva local após tratamento de CDIS foi de 6,8%, dado maior do que os 3% descritos na literatura. Isso nos estimula a estudar mais e pesquisar novas maneiras de melhorar o tratamento dessa doença para que os riscos de recidiva sejam mínimos. O CDIS não representa um risco de vida, pois é uma doença local sem envolvimento regional. No entanto, sendo um precursor imediato do câncer de mama invasor, seu diagnóstico e tratamento necessitam uma abordagem adequada e multidisciplinar, já que a recorrência pode ser como um carcinoma invasor.Item Alterações cutâneas gestacionais e os seus fatores de risco: estudo transversal com pacientes puérperas(2017) Hoefel, Isadora da Rosa; Bonamigo, Renan Rangel; Weber, Magda BlessmannIntrodução: A gravidez é um fenômeno que influencia, virtualmente, todos os sistemas maternos, provocando alterações hormonais, metabólicas, imunológicas e vasculares. A pele é um órgão muito acometido por tais modificações e, atualmente, existem poucos estudos sobre alterações cutâneas durante a gestação em nosso meio. Objetivos: determinar a prevalência de alterações cutâneas durante a gestação e correlacionar essas alterações com variáveis específicas. Material e Métodos: foi realizado um estudo transversal com 1284 puérperas. Através de um questionário foram coletados dados relativos `as alterações cutâneas durante a gestação de pacientes internadas na maternidade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, nos períodos entre maio a agosto de 2013, e junho a setembro de 2016. Resultados: O surgimento ou piora de estrias foi relatado por 49,5% (n=633) das pacientes, e teve associação estatisticamente significativa com a primiparidade, a presença de estrias prévias `a gestação e o ganho de peso superior a 21kg. Manchas faciais foram referidas por 33,9 % (n=434) e associou-se com a história familiar de manchas no rosto (p<0.001), a multiparidade (p<0.001) e o uso de fotoprotetor diário (p<0.001). A ocorrência ou piora de acne durante a gestação foi descrita por 35,7% (n=456) das pacientes e foi associada à primiparidade (p<0.001) e aos fototipos de Fitzpatrick IV e V. Alterações capilares ocorreram em 44,5% (n=569) e também associaram-se com a primiparidade (p=0,029). Conclusão: Alterações cutâneas são muito prevalentes durante a gestação. Embora muitas sejam consideradas fisiológicas e comuns, podem gerar grande desconforto `as pacientes. Assim, é importante conhecer essas modificações e entender possíveis fatores de risco associados. Entre os principais, a primiparidade parece ser o mais importante dos fatores de risco para o desenvolvimento de alterações cutâneas durante e gestação, com exceção das manchas faciais.Item Crioterapia do couro cabeludo durante a quimioterapia em câncer de mama: avaliação da percepção das pacientes sobre alopecia(2021-06-30) Silva, Poliana Rodrigues; Rosa, Daniela DornellesIntrodução: O câncer é um problema de saúde pública, no Brasil e, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo mais comum em mulheres. A quimioterapia é um dos tratamentos mais comumente realizados, sendo a alopecia um evento adverso muito comum, com impacto negativo na qualidade de vida das pacientes. Objetivos: Este estudo tem por objetivo avaliar a qualidade de vida de pacientes com câncer de mama submetidas a crioterapia capilar durante quimioterapia e descrever dados de densidade capilar avaliados por tricoscopia. Material e Métodos: Estudo piloto de coorte prospectivo em que foram incluídas 27 pacientes com diagnóstico de câncer de mama (média de idade 46 anos) de um único centro do Brasil, submetidas a crioterapia capilar. Foram aplicados questionários de qualidade de vida (QoL; EORTC QLQ-C30) e de satisfação com a autoimagem ao início e ao fim do tratamento, além de coleta de dados de alopecia. Uma comparação entre pacientes tratadas com (11) ou sem (16) antraciclinas foi realizada a fim de avaliar a influência deste tratamento na alopecia. A tricoscopia digital foi realizada em 3 momentos: no início, antes do segundo ciclo de quimioterapia e ao final do tratamento. Todas as análises de tricoscopia foram realizadas utilizando o equipamento Fotofinder®. Resultados: Não houve diferença nas médias dos escores de QoL ou de satisfação com imagem corporal na comparação entre pacientes que apresentaram perda de cabelo < 50% com aquelas com perdas > 50%. Os desfechos de QoL global e da subescala funcional do EORTC QLQ-C30, além da imagem corporal, foram melhores nas pacientes que utilizaram quimioterapia com antraciclinas. A densidade capilar descrita na tricoscopia demonstrou redução máxima de até 16,3%, sendo o principal local de perda a região frontal. Conclusões: Os resultados deste estudo demonstraram que não houve melhora na qualidade de vida das pacientes com menor grau de alopecia durante o tratamento quimioterápico quando submetidas a crioterapia capilar. O uso de escalas validadas para esse fim podem ser úteis para uma melhor avaliação de qualidade de vida nesta população.Item O tempo de espera na lista de transplante renal(2022-08-08) Ramos, Lisianara Acosta; Keitel, Elizete; Neumann, JorgeIntrodução: O transplante renal é o tratamento de substituição da função renal de melhor custo-benefício. O objetivo deste estudo foi analisar a lista de espera para transplante renal de acordo com a reatividade contra painel calculada (cPRA) e seus desfechos em um hospital terciário. Resultados: A média de idade foi de 45,39 18,22 anos, sem diferença entre os grupos de cPRA (p=0,328). O sexo masculino foi o predominante (61,2%), porém a proporção foi diminuindo linearmente com o aumento do cPRA (p<0,001). A distribuição de pacientes conforme os painéis foram: 0% (n = 390), 1% - 49% (n = 517), 50% - 84% (n = 269) e ≥ 85% (n = 226). O transplante foi realizado em 85,5% da amostra com uma mediana de 8 meses (IC 95%: 6,9 - 9,1) em lista. Houve diferença significativa na comparação da curva de tempo de espera por cPRA (Log Rank = 188,0 p<0,001). O cPRA ≥ 85% teve uma mediana de tempo até o transplante de 36 meses (IC 95%: 28,1 – 43,9), significativamente maior que os demais grupos. O cPRA ≥85% associou-se significativamente com a proporção status de ativos e óbito em lista de espera (p=0,004). Nos pacientes submetidos ao transplante não observamos diferença na sobrevida do enxerto e do paciente entre os diferentes cPRAs. Conclusão: O tempo de espera até o transplante renal foi significativamente maior em pacientes com cPRA ≥ 85%, no entanto a sobrevida do enxerto e do paciente foi similar nos diferentes grupos de cPRA. Palavras-chave: Tempo de espera em lista, Transplante Renal, anticorpos anti-HLA, cPRA Pacientes e métodos: Foram incluídos 1.640 pacientes que estavam em lista de espera entre 2015 e 2019. Para a análise, foram comparados tempo de espera de acordo com a cPRA. Para presença de anticorpos anti-HLA foi considerada a intensidade média de fluorescência (MFI) acima de 1000.Item Avaliação da toxicidade cutâneo-mucosa associada ao tratamento oncológico com terapias-alvo(2022-11-09) Recuero, Júlia Kanaan; Bonamigo, Renan RangelIntrodução: Vivemos atualmente um período de incessante atualização terapêutica, principalmente nos tratamentos oncológicos. Vários novos medicamentos foram usados e testados e os efeitos adversos relacionados estão sendo constantemente notados. Muitos desses novos medicamentos, como as terapias alvo, refletem um índice significativo de manifestações cutâneas associadas ainda pouco analisadas em nosso segmento. Objetivos: descrever as manifestações dermatológicas associadas ao uso da terapia alvo. Materiais e Métodos: Foi feita uma seleção de agosto de 2019 a agosto de 2021 de pacientes maiores de 18 anos em uso das terapias supracitadas no Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre que apresentaram toxicidade cutânea durante o tratamento. Coletaram-se dados clínicos e epidemiológicos, bem como foi realizada análise descritiva, classificando as reações e graduando as mesmas, além de descrever o, tempo de desenvolvimento do evento adverso e outros desfechos. O seguimento foi feito por pelo menos um ano após o diagnóstico, observando padrões de reações. Resultados: Um total de 25 pacientes foram inicialmente selecionados e 21 pacientes foram incluídos no estudo. Destes, 13 pacientes apresentavam câncer de cólon ou reto, 4 de pulmão, 3 de fígado e 1 de pele. Mais de um evento adverso ocorreu em nove pacientes (42%) aumentando para um total de 34 reações em 21 pacientes. Os medicamentos mais utilizados foram cetuximab (n=12), gefitinib (n=3), regorafenib (n=2) e sorafenib (n=2). As reações cutâneas mais comuns observadas foram erupção acneiforme (n=11, 52%), seguida de xerose (n=4, 19%), alterações ungueais (n=3, 14%) e síndrome mão-pé (n=3, 14). %). Os pacientes com erupções acneiformes eram mais jovens do que os pacientes com outros tipos de reações cutâneas (p=0,016). Conclusões: A erupção acneiforme é a mais comum das toxicidades por terapias direcionadas, e os pacientes afetados são mais jovens do que aqueles afetados por outras reações.Item Canais iônicos no câncer endometrial: uma revisão de literatura(2022-12-22) Noal, Francini Corrêa; Branchini, Gisele; Nunes, Fernanda BordignonIntrodução: O câncer é um dos principais problemas de saúde pública e a segunda causa de morte global, sendo o câncer endometrial (CE) o sexto mais comum. Para combater a doença, a cirurgia para a retirada do útero, ovário e tubas uterinas ainda é o procedimento mais indicado. Dependendo da agressividade da doença, tratamentos como quimioterapia e radioterapia são administrados adjuntamente. Há estudos que sugerem que os canais iônicos também podem ter contribuição no processo de carcinogênese, uma vez que suas funções de transporte iônico estão envolvidas em uma série de processos celulares fisiológicos, os quais podem estar alterados na iniciação e na progressão do câncer. Objetivos: elaborar uma revisão narrativa compilando os trabalhos que descrevem o envolvimento dos canais iônicos no câncer endometrial. Métodos: Foram buscados todos os trabalhos na literatura científica, na base de dados PubMed, com os descritores “proteínas de transporte de membrana”, “canais iônicos” e “neoplasia endometrial”, com o uso de operadores booleanos. Foram selecionados os artigos de pesquisa original que descreviam algum método de estudo dos canais iônicos no CE, além de artigos adicionais usados na construção da narrativa do texto, que descreviam características do câncer uterino e dos canais iônicos. Resultados e Conclusões: foram utilizados 127 artigos científicos para elaboração da revisão narrativa, evidenciando o papel das principais famílias de canais iônicos nos mais diversos processos celulares envolvidos no estabelecimento e progressão tumoral. Embora o câncer não seja catalogado como uma canalopatia, os canais e as bombas iônicas têm papel de destaque na progressão do câncer, na autossuficiência em sinais de crescimento, proliferação, evasão da morte programada, angiogênese, diferenciação celular, migração, adesão e metástase. As funções dos canais iônicos e transportadores como potenciais alvos terapêuticos estão entre as abordagens mais inovadoras para o tratamento anticâncer, apesar de não existirem ainda estudos avaliando os canais iônicos possíveis alvos de tratamento oncológico para o câncer endometrial.
