Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde
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Navegando Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde por Autor "Almeida, Silvana de"
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Item Análise integrativa de variantes de genes relacionados aos sistemas dopaminérgico e serotoninérgico com ingestão alimentar em crianças(2022) Silva, Mayara Cristina Batista da; Almeida, Silvana de; Valle, Edson Cordeiro do; Feistauer, VanessaA obesidade é uma condição que confere alto risco para o desenvolvimento de muitas doenças crônicas e tem se tornado cada vez mais prevalente em todo o mundo. O principal tratamento para a obesidade é a mudança do estilo de vida, principalmente no que se refere à ingestão alimentar. Porém, para muitos pacientes esta é uma tarefa praticamente impossível de ser realizada, principalmente para os que estão inseridos em um ambiente obesogênico, no qual predomina a fome hedônica que é mediada pelas vias dopaminérgica e serotoninérgica. Fatores genéticos também podem influenciar nestas vias, uma vez que nem todos os indivíduos expostos a um ambiente obesogênico desenvolvem a obesidade. Diversos estudos que analisam polimorfismos, individualmente, associaram variantes em genes relacionados à dopamina e à serotonina com ingestão alimentar, obesidade e outros fenótipos correlatos, enquanto estudos de genoma amplo explicam uma baixa proporção da variabilidade. Entretanto, tais estudos não são capazes de capturar o efeito de interações mais complexas como as interações gene-gene. Portanto, novos métodos de análise dos dados se fazem necessários. O objetivo do presente estudo foi analisar o efeito em conjunto de variantes de genes das vias dopaminérgica e serotoninérgica, já analisados, de forma individual, pelo nosso grupo de pesquisa, na ingestão alimentar de crianças em três diferentes etapas do desenvolvimento, utilizando regressão PLS (partial least squares). Para isso foram gerados modelos utilizando dados de variantes genéticas como variáveis preditoras e de ingestão alimentar das crianças aos 12 meses, 3 anos e 6 anos de idade como desfechos. Na nossa amostra, foram obtidos modelos que explicaram de 65,2% a 83% da ingestão energética diária média. Também foram realizadas simulações para predizer a ingestão energética, utilizando as variáveis preditoras, e os valores simulados foram comparados com os valores reais de ingestão energética diária média nas três idades. Não houve diferenças estatisticamente significantes entre os valores reais e os valores simulados, o que indica boa precisão dos modelos. O método utilizado tem potencial aplicação para predição de desfechos quantitativos de variantes genéticas previamente associadas com características complexas. Não foram encontrados na literatura outros estudos utilizando o mesmo método para análise do efeito em conjunto de variantes de genes dopaminérgicos e serotoninérgicos na ingestão alimentar de crianças. Novas análises com outras variantes genéticas e outros desfechos são necessárias para melhor avaliação da regressão PLS na análise conjunta de variantes genéticas com fenótipos complexos.Item A ausência de ocitocina altera comportamentos sociais e o padrão de expressão gênica hipocampal e a experiência sexual influencia a morfologia dos espinhos dendríticos no hipocampo de camundongos machos(2017) Lazzari, Virgínia Meneghini; Giovenardi, Márcia; Almeida, Silvana deOs comportamentos sociais, essenciais para a manutenção das espécies, são modulados pelo neuropeptídeo ocitocina (OT). Importantes funções relacionadas aos comportamentos sociais tais como a motivação sexual, interação social, memória e respostas emocionais são moduladas por estruturas do sistema nervoso central (SNC), tais como bulbo olfatório (OB), hipotálamo (HPT), córtex pré-frontal (PFC) e hipocampo (HPC). OT, vasopressina (AVP), dopamina (DA) e estrogênio, bem como seus respectivos receptores (OTR, V1aR, V1bR, D2R, ERa e ERb) atuam sobre estas estruturas. Variações nos receptores e nos neurotransmissores se refletem na morfologia dos espinhos dendríticos de neurônios envolvidos e nos desfechos comportamentais observados nestes roedores. Este estudo teve como objetivo analisar o impacto do nocauteamento do gene da OT nos comportamentos sexual e de interação social; na síntese hipotalâmica de AVP e na expressão gênica dos receptores de OT, AVP, DA e estrogênio no OB, HPT, PFC e HPC. Além disso, analisar o impacto do nocauteamento do gene da OT e da experiência sexual na densidade e morfologia de espinhos dendríticos na área CA2 do HPC de camundongos machos. Camundongos C57BL/6J foram genotipados para o grupo controle (WT) e para o grupo nocaute para OT (OTKO). Os testes de comportamento sexual foram realizados com camundongos com experiência sexual compondo os grupos WT (n=13) e OTKO (n=12). Os testes de interação social utilizaram machos após uma semana de isolamento social para os grupos WT (n=8) e OTKO (n=11). Após os testes comportamentais, 6 camundongos WT e 8 OTKO foram eutanasiados e o sangue foi coletado para análise de AVP plasmática. Nossos resultados mostraram que no teste de interação social, OTKOs mostraram níveis mais baixos de comportamentos sociais, menor dominância e níveis mais elevados de comportamentos nãosociais que os WT. Na análise etológica, o grupo OTKO apresentou menor desempenho agressivo e maior investigação social que o grupo WT. Não foram observadas diferenças significativas no comportamento sexual, por outro lado, encontramos menores concentrações plasmáticas de AVP no grupo OTKO em comparação com o grupo WT. Para a análise da expressão gênica, camundongos foram genotipados e alocados no grupo WT (n=10) e no grupo OTKO (n=10) e tiveram suas estruturas encefálicas (OB, HPT, PFC e HPC) coletadas. Para a expressão gênica utilizou-se a extração de RNAm, síntese de cDNA e PCR real time como técnicas empregadas. Machos OTKO apresentaram redução significativa nos níveis de transcrição de AVP no HPT e aumento significativo de expressão gênica de ERb no PFC. No HPC, o grupo OTKO apresentou expressão gênica de OTR aumentada e expressão gênica de D2R e V1bR diminuídas, se comparados ao grupo WT. Por fim, para a análise de densidade e morfologia de espinhos dendríticos, lâminas de encéfalo preparadas com a técnica de Golgi foram analisadas na área CA2. Quatro grupos foram utilizados: WT (n=5) e OTKO (n=6) virgens e WT (n=5) e OTKO (n=5) com experiência sexual. Os espinhos dendríticos dos primeiros 10 μm de dendritos proximais de neurônios piramidais de CA2 foram desenhados ao longo dos diferentes planos focais em "z". Para cada macho, 2-8 dendritos diferentes foram estudados com 1 dendrito por neurônio amostrado. Os 3 principais tipos de espinhos (finos, cogumelos, largos) foram identificados e contados a partir dessas amostras. Os resultados mostram que a experiência sexual reduziu a quantidade de espinhos largos na área CA2, e o grupo OTKO sexualmente experiente apresentou menor redução destes espinhos que os animais WT. Nossos principais achados nos permitem inferir que a OT é importante para o correto desfecho do comportamento social, porém que a falta dela não altera o comportamento sexual de camundongos machos. Além disso, a ausência da OT no SNC está relacionada com uma redução nas concentrações de AVP, visto que a concentração plasmática de AVP e a expressão gênica no HPT dos OTKO apresentaram-se diminuídas. Além disso, a falta de OT interfere principalmente no HPC, onde a expressão gênica de OTR, D2R e V1bR apresentaram-se alteradas. Por fim, a experiência sexual modula os espinhos dendríticos da CA2 tanto em WT quanto em OTKO, porém esta adaptação mostrou-se menos efetiva no grupo OTKO.Item Avaliação da influência de polimorfismos nos genes dos receptores de sabor TAS1R2 e TAS1R3 na ingestão alimentar e parâmetros antropométricos de crianças(2013) Melo, Silvia Valim de; Almeida, Silvana deA prevalência mundial da obesidade infantil vem apresentando um rápido aumento nas últimas décadas, tendo dobrado de 1980 até os dias atuais, e sendo caracterizada como uma verdadeira epidemia mundial. O componente genético desempenha um papel importante na regulação do balanço energético e diferenças interindividuais do IMC podem ser explicadas por fatores genéticos. A percepção do sabor pode ser uma regra-chave na determinação da preferência por alimentos e hábitos alimentares e diferenças individuais na percepção dos sabores (doce, amargo, salgado, ácido e umami), interferindo no estado nutricional e no risco de doenças relacionadas a esse estado. Desta forma, a compreensão da heterogeneidade de fatores causais da obesidade pode auxiliar na escolha de tratamentos e medidas preventivas individualizadas. Considerando que os polimorfismos rs35874116 no gene TAS1R2, e rs35744813 no gene TAS1R3 podem determinar diferenças na transcrição e na expressão dos receptores de sabor é possível que eles determinem diferenças de sensibilidade aos sabores doce e umami. Dessa forma, este estudo se propôs investigar a associação desses polimorfismos nos genes TAS1R2 e TAS1R3 com padrão de ingestão alimentar e parâmetros de adiposidade em crianças em três fases do desenvolvimento, um ano, aos três a quatro anos (325) e aos sete a oitos anos de idade (353). Os polimorfismos foram analisados em equipamento de automação laboratorial pela metodologia de discriminação alélica Taq Man©. As variáveis foram comparadas entre os grupos por General Linear Model, por ANOVA, pelo teste U de Mann-Whitney ou por Kruskal-Wallis. As frequências genotípicas encontradas estão de acordo com estudos prévios e em equilíbrio de Hardy-Weinberg. Foi observada nas crianças de um ano de idade que a presença do alelo A no polimorfismo rs35744813 no gene TAS1R3 estava associado com a maior ingestão diária média de energia quando comparado com os homozigotos G/G (p=0.037). Observou-se aumento na ingestão de alimentos com alta densidade de açúcares em portadores do alelo T no polimorfismo rs37874116 no gene TAS1R2 quando comparado com homozigotos C/C (p=0,047). E em crianças de sete a oito anos de idade, o polimorfismo rs37874116 no gene TAS1R2 foi associado à variação no IMC entre um e sete a oito anos de idade, as crianças homozigotos C/C ganharam mais peso que as portadoras do alelo T(p=0.009). Em crianças de 3 a 4 anos não houve diferenças significativas nas variáveis antropométricas para ambos os polimorfismos em genes TAS1R3 e TAS1R2. As descobertas deste estudo são relevantes, principalmente por avaliarem o consumo alimentar e estado nutricional em diferentes fases da infância e a sua correlação com as variações genéticas em genes de receptores de sabor, isso pode abrir novas perspectivas para pesquisadores e colaborar com o estudo da obesidade infantil.Item Avaliação da influência de polimorfismos nos genes DRD4 e SLC6A3 sobre ingestão alimentar e parâmetros antropométricos de crianças(2013) Fontana, Crisciele; Almeida, Silvana de; Genro, Júlia PasqualiniA obesidade na infância é um crescente problema de saúde mundial, cujas causas podem ser atribuídas à predisposição genética, aliada à inatividade física e à alimentação inadequada. A dopamina está envolvida na regulação da ingestão alimentar sob comando do sistema nervoso central. O gene DRD4 codifica o receptor de dopamina D4 e o gene SLC6A3 codifica o transportador de dopamina (DAT), polimorfismos nesses genes podem influenciar em diferenças na recompensa alimentar. Os objetivos desse trabalho foram investigar a associação do polimorfismo exon 3 VNTR do gene DRD4 e dos polimorfismos 3’UTR VNTR, rs2550948, rs2652511 e rs1048953 do gene SLC6A3 com ingestão alimentar e parâmetros de adiposidade em crianças em três fases do desenvolvimento: no primeiro ano de vida, aos 3 a 4 anos e aos 7 a 8 anos. A análise genotípica dos polimorfismos VNTR foi realizada através de PCR seguida de eletroforese em gel de agarose. Os SNPs foram analisados em equipamento de automação laboratorial pela metodologia Taq Man©. As variáveis foram comparadas entre os grupos por General Linear Model, por ANOVA, pelo teste U de Mann-Whitney ou por Kruskal Wallis. As frequências genotípicas encontradas estão de acordo com estudos prévios e em equilíbrio de Hardy-Weinberg. Na comparação entre os diferentes genótipos foram observadas associações entre os alelos de maior atividade dopaminérgica dos polimorfismos DRD4 exon 3 VNTR e SLC6A3 3’UTR VNTR com maior ingestão de alimentos palatáveis e maiores medidas de circunferência da cintura das crianças aos 3 a 4 anos. O polimorfismo rs1048953 esteve associado à ingestão energética diária no mesmo período e à razão cintura-estatura das crianças aos 7 a 8 anos. Nossos resultados sugerem que portadores dos alelos de maior atividade dopaminérgica dos polimorfismos DRD4 exon 3 VNTR e SLC6A3 3’UTR VNTR e portadores do genótipo T/T da variante rs1048953 podem apresentar risco aumentado para ingestão alimentar excessiva, visto que maior atividade dopaminérgica pode aumentar o valor motivador percebido pela recompensa alimentar e, possivelmente, levar a obesidade. Mais estudos são necessários para melhor suportar nossas observações.Item Caracterização molecular e fenotípica de grupos sanguíneos em doadores de sangue de uma cidade no noroeste do Rio Grande do Sul(2022) Soares, Scheila da Silva; Fiegenbaum, Marilu; Almeida, Silvana deA frequência alélica dos grupos sanguíneos é variável dependendo da origem étnica da população, o que torna importante a determinação da variabilidade desses alelos em diversas regiões do Brasil, e também em várias regiões do estado do Rio Grande do Sul. Os antígenos eritrocitários são polimórficos devido à diferentes variações genéticas, desde polimorfismos de um único nucleotídeo até inversões, deleções, inserções, entre outros. Na prática transfusional, tem se cada vez mais, procurado reduzir as chances de um indivíduo formar aloanticorpos. Em alguns casos, dependendo do fenótipo de um paciente, o doador pode ser encontrado com facilidade, porém em alguns casos específicos, no qual há a necessidade de uma combinação de antígenos negativos, é mais eficiente pesquisar doadores a partir de uma população de mesma origem étnica. Portanto, a pesquisa da frequência dos alelos e genótipos envolvidos na expressão dos antígenos de grupos sanguíneos em doadores e correlacionar com os diferentes fenótipos encontrados na rotina imuno-hematologica pode ter relevância para a prática transfusional. O presente trabalho teve como objetivo analisar o perfil antigênico dos grupos sanguíneos dos sistemas Rh, MNS, Kell, Duffy, Diego e Kidd em doadores de sangue de uma cidade do noroeste do RS. Foram analisados o perfil genotípico de 810 doadores de sangue, as análise das variantes genéticas de grupos sanguíneos foram realizadas utilizando a técnica de PCR em tempo real. Já a fenotipagem eritrocitária foi realizada pela técnica de hemaglutinação com kits de cartão-gel (Bio-rad®). Para a genotipagem foram utilizadas sondas de hidrólise do sistema TaqMan® (Thermo Fisher) para o sistema Diego c.2561C>T (DI*01/*02, rs2285644), Kell c.578C>T (KEL*01/*02, rs8176058), Duffy c.125A>G e c.1-67T>C (FY*01/*02, rs12075; FY*02N.01, rs2814778), Kidd c.838G>A (JK*01/*02, rs1058396) e MNS c.143T>C (GYPB*S/GYPB*s, rs7683365). As frequências alélicas foram comparadas utilizando o teste de qui-quadrado com correção de Yates. Todas as frequências genotípicas estão de acordo com o esperado para populações em equilíbrio de Hardy-Weinberg. Os fenótipos sanguíneos estimados através dos genótipos mais frequentes na população do presente estudo foram: RHC*Cc (51,5%), RHC*ee (70,1%), FY*A/FY*B (49,2%), GATA-67T/T (93,5%), KEL*02/KEL*02 (93,3%) JK*A/JK*B (53,2%) e DI*02/DI*02 (95,4%). Também calculamos a distância genética DST entre a população do nosso estudo com outros estudos semelhantes realizados em diferentes regiões do Brasil. O principal resultado da análise DST mostrou que as populações dos estados do Paraná, Minas Gerais e Bahia são geneticamente diferentes das demais populações. A população do nosso estudo, por outro lado, é semelhante às populações dos estados de São Paulo e Santa Catarina. Estudos que caracterizem o impacto funcional das variantes genéticas associadas à predição de novos alelos de grupos sanguíneos, são fundamentais no embasamento e implementação de técnicas moleculares seguras para a genotipagem desses antígenos. As técnicas moleculares podem contribuir para a prática transfusional através do manejo de unidade de sangue apropriada de acordo com as necessidades de cada indivíduo e em situações complexas, nas quais a sorologia não é eficiente, tornam-se uma boa opção, pois possibilitam uma aplicação em escala maior quando comparada às técnicas sorológicas.Item Determinação de polimorfismos dos genes ESR1 e ESR2 em pacientes com carcinoma hepatocelular(2016) Baldissera, Vanessa Dido; Giovenardi, Márcia; Almeida, Silvana de; Garrido, Marilene PorawskiINTRODUÇÃO: O carcinoma hepatocelular (CHC) é a neoplasia hepática que representa o sexto tumor maligno mais frequente no mundo. A variabilidade genética tem sido discutida como fator de risco para o desenvolvimento do CHC, sendo os polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs) os mais estudados. Diversos estudos destacam o efeito dos hormônios sexuais na função hepática, tendo-se em vista a hipótese de que os mesmos possuem um papel na patogênese da neoplasia hepática. Assim, é importante investigar a influência de polimorfismos dos receptores de estrogênio e o risco para o CHC. OBJETIVOS: Avaliar a associação de três SNPs do gene ESR1 e três SNPs do gene ESR2 com a suscetibilidade ao CHC em conjunto com fatores etiológicos já estabelecidos; e analisar a expressão do receptor de estrogênio (ER) por imuno-histoquímica em pacientes com e sem CHC. MÉTODOS: Foram coletadas amostras de espécimes hepáticos armazenados em blocos de parafina de 92 pacientes com diagnóstico de CHC denominados casos e 103 pacientes controles que foram submetidos à biópsia hepática. Foi utilizada a extração de DNA a partir de espécimes hepáticos e a análise dos SNPs foi realizada por discriminação alélica utilizando sondas de hidrólise (TaqMan®) em termociclador em tempo real. A comparação das frequências genotípicas entre os grupos caso e controle foi realizada pelo teste de Qui-quadrado de Pearson. Para a análise multivariada foi utilizada a regressão logística e as análises foram ajustadas utilizando como covariáveis sexo e a infecção pelo vírus da hepatite C (VHC). A comparação da expressão do ER entre casos e controles foi realizada pelo teste de Qui-quadrado de Pearson. RESULTADOS E DISCUSSÃO: O sexo masculino foi o mais prevalente, representando 70,7% dos pacientes no grupo caso e 70,9% no grupo controle. A média de idade foi de 56,7±9,0 anos no grupo caso e 50,9±11,8 anos no grupo controle (p<0,001). A presença de cirrose e VHC foi mais frequente no grupo caso do que no controle. Para o gene ESR1, o genótipo G/G do rs3020432, portadores do alelo T do rs1643821 e portadores do alelo do C do rs2234693 foram mais frequentes no grupo caso quando comparado ao controle (p<0,001, p=0,001 e p=0,002, respectivamente). A análise multivariada revelou um risco aumentado para o CHC do genótipo G/G do rs3020432 (OR = 4,43; 95% CI 1,91-10,26; p=0,001), da presença do alelo T do rs1643821 (OR=2,69; 95% CI 1,18-6,14; p=0,018) e da presença do alelo C do rs2234693 (OR=2,41; 95% CI 1,17-4,94; p=0,017), controlando para sexo e presença de VHC; neste modelo, a presença de VHC identificou um aumento de risco de 4,99 vezes maior de desenvolver o CHC (OR=4,99; 95% CI 2,50-10,00; p<0,001). Para o gene ESR2, os genótipos A/A do rs4986938, C/C do rs4365213 e G/G do rs17179740 foram mais frequentes no grupo caso do que no controle (p=0,043, p=0,005 e p=<0,001, respectivamente). A análise multivariada revelou um aumento de risco para o CHC do genótipo A/A do rs4986938 (OR=3,29; 95% CI 1,21-8,97; p=0,020) e do genótipo G/G do rs17179740 (OR=3,23; 95% CI 1,68-6,21; p=<0,001), controlando para sexo e VHC; neste modelo a presença de VHC identificou um aumento de risco de 6 vezes maior de desenvolver o CHC (OR=6,01; 95% CI 3,03-11,94; p<0,001). A expressão dos ERs, através da imuno-histoquímica no tecido hepático, não foi diferente entre os grupos estudados (p=0,104). CONCLUSÃO: Portadores do genótipo e dos alelos com as variantes nos SNPs rs3020432, rs1643821 e/ou rs2234693 do gene ESR1 e portadores dos genótipos das variantes nos SNPs rs4986938 e rs17179740 no gene ERS2 foram preditores para desenvolver CHC. A confirmação desses dados pode auxiliar na determinação de marcadores moleculares para predição de risco de CHC em conjunto com outros fatores de risco.Item Estudo da variabilidade nos genes ESR1 e ESR2 e do dimorfismo sexual sobre a eficácia e segurança na utilização da terapia hipolipemiante(2015) Smiderle, Lisiane; Almeida, Silvana de; Fiegenbaum, MariluA doença cardiovascular (DCV) é uma importante causa de mortalidade, e a hipercolesterolemia está diretamente relacionada ao seu surgimento e desenvolvimento. Os níveis de lipídeos séricos apresentam variabilidade interindividual e polimorfismos presentes no genoma já foram associados com esta variabilidade. O manejo da hipercolesterolemia é realizado através do uso de fármacos com potencial hipolipemiante, dentre eles as estatinas. Clinicamente, a eficácia das estatinas apresenta um elevado grau de variabilidade e pode ser influenciada pela genética de cada indivíduo e pelo dimorfismo sexual, dentre outros fatores. Homens e mulheres apresentam diferentes mecanismos de regulação gênica, que podem estar relacionados a diferenças na resposta farmacológica. Tais mecanismos podem ser estrógeno-dependentes, visto que o estrógeno, quando ligado aos seus receptores, atua como um fator de transcrição. Foram avaliadas as características clínicas da coorte em estudo composta por 495 indivíduos provenientes da região metropolitana de Porto Alegre, de ascendência europeia. Neste estudo foram analisados 13 polimorfismos de base única (SNPs) no gene que codifica o receptor de estrógeno 1 (ESR1) e 10 SNPs no gene codifica o receptor de estrógeno 2 (ESR2) e a sua possível associação na determinação de níveis lipídicos basais e na resposta da terapia com sinvastatina ou atorvastatina. As mulheres desta coorte apresentaram maiores níveis basais de colesterol total (CT), lipoproteínas de baixa densidade (LDL-C) e lipoproteínas de alta densidade (HDL-C) quando comparadas aos homens (p < 0,0001). Após o tratamento, mulheres tiveram uma maior redução dos níveis de colesterol total e de LDL-C que homens. O ajuste para covariáveis mostrou que os níveis basais de CT e de LDL-C são responsáveis por cerca de 30% da eficácia das estatinas (p < 0,001), independentemente do sexo. Mialgia (com ou sem alteração de creatinofosfoquinase - CPK) ocorreu mais frequentemente em mulheres (25,9%) (p = 0,002), enquanto o aumento isolado de CPK e alterações de função hepática foram mais frequentemente observados em homens (17,9%) (p = 0,017). Considerando o gene ESR1, foram observadas associações significativas entre o SNP rs1801132 e os níveis basais de TG (triglicerídeos) (p = 0,002, valor de p corrigido para múltiplos testes [pC] = 0,022). Para algumas das associações observadas, quando aplicada a correção para múltiplos testes, observou-se um valor de p>0,05: ESR1 rs3020314 com os níveis 14 de TG basais (p = 0,013, pC = 0,143); ESR1 rs4870061 e níveis basais de HDL-C (p = 0,045, pC = 0,495) e níveis basais de TG (p = 0,040, pC = 0,440). No que diz respeito à eficácia do tratamento, o genótipo C/C do ESR1 rs2234693 foi associado com maior aumento de HDL-C (p = 0,037, pC = 0,407) e o alelo T do rs3798577 foi associado com maior redução de CT (p = 0,019, pC = 0,209) e TG (p = 0,026, pC = 0,286). A análise dos polimorfismos no gene ESR2 aponta para uma associação entre portadoras dos genótipos G/A e A/A e menores níveis de LDL-C (p = 0,023, pC = 0,115). As associações dos polimorfismos dos genes ESR1 e ESR2 com níveis basais e eficácia foram observadas apenas em mulheres. Os resultados obtidos demonstram que os níveis basais de CT e LDL-C são os principais preditores da eficácia do tratamento, independentemente do sexo. Adicionalmente, sugerimos que existe dimorfismo sexual na segurança do tratamento com sinvastatina/atorvastatina. Polimorfismos nos genes ESR1 e ESR2 são em parte responsáveis pela variação nos níveis de LDL-C, HDL-C e TG e esse efeito, nesta coorte, parece ser específico do gênero feminino.Item Validação de loci de susceptibilidade à obesidade infantil identificados em estudos de varredura genômica e expressão diferencial de microRNAs circulantes(2015) Zandoná, Marília Remuzzi; Mattevi, Vanessa Suñé; Almeida, Silvana deA obesidade é uma condição multifatorial que apresenta um forte componente hereditário. A sua prevalência em crianças está crescendo indiscriminadamente por todo o mundo e a obesidade infantil está rapidamente emergindo como uma epidemia global. A identificação, no início da infância, de marcadores moleculares de susceptibilidade ao ganho excessivo de peso corporal pode proporcionar intervenções precoces no estilo de vida a fim de evitar que uma criança obesa se torne um adulto obeso. Os objetivos deste estudo consistiram em investigar a influência genética na obesidade infantil utilizando marcadores genéticos e epigenéticos, através da avaliação de polimorfismos em genes de susceptibilidade identificados por genome wide association studies e dos níveis circulantes de microRNAs (miRNAs) em crianças acompanhadas a partir do nascimento. As análises moleculares foram feitas através da reação em cadeia da polimerase em tempo real utilizando sondas de hidrólise. A análise de associação genética foi realizada em 745 crianças que foram examinadas ao nascimento, aos 12 meses e aos 3,5 anos de idade. Dez polimorfismos de nucleotídeo único foram genotipados e parâmetros nutricionais e antropométricos foram comparados entre os genótipos. Nove miRNAs circulantes foram avaliados em 38 crianças com idade de 6,2 anos e sua expressão foi comparada entre crianças magras e obesas e correlacionada com medidas antropométricas e variáveis bioquímicas. Associações significativas foram identificadas para os polimorfismos TMEM18 rs6548238, NEGR1 rs2815752, BDNF rs6265 e rs10767664 com fenótipos antropométricos, e para SEC16B rs10913469 com parâmetros nutricionais. Concentrações circulantes diferenciais de miR-16-5p e miR-19b foram identificadas, com expressão de 1,96 e 1,41 vezes, respectivamente, mais elevada em crianças magras em relação ao grupo obeso. Além disso, as concentrações plasmáticas destes dois miRNAs foram correlacionadas com índice de massa corporal e os níveis de miR-16-5p foram correlacionados aos níveis plasmáticos de insulina. Os resultados encontrados revelaram associação de quatro dos dez polimorfismos estudados com fenótipos relacionados à obesidade, demonstrando que é possível detectar a influência das variantes genéticas sobre características antropométricas e dietéticas no início da infância. Além disso, o presente estudo sugere um papel potencial de miR-16-5p e miR-19b circulantes como novos biomarcadores na obesidade infantil para prevenção precoce e para melhora do poder de diagnóstico das complicações metabólicas associadas à obesidade.Item Variantes em genes relacionados aos sistemas dopaminérgico e serotoninérgico versus padrão de ingestão alimentar e parâmetros de adiposidade em crianças(2015) Feistauer, Vanessa; Almeida, Silvana de; Mattevi, Vanessa SuñéA obesidade infantil é considerada um problema de saúde pública, principalmente em países desenvolvidos e em desenvolvimento. O aumento do consumo de alimentos ricos em gordura e açúcares, associado à redução da atividade física, causam um desbalanço energético que leva ao acumulo excessivo de gordura e, consequentemente, à obesidade. Esses alimentos ricos em gordura e carboidratos são altamente palatáveis, e estimulam uma fome hedônica, ou seja, uma fome relacionada ao prazer de comer, e não relacionada às necessidades calóricas. Os sistemas dopaminérgico e serotoninérgico estão diretamente relacionados ao prazer, apetite e motivação para comer. Entretanto, os indivíduos podem apresentar diferente níveis de sensação de recompensa, através da ingestão alimentar, o que pode conferir diferenças no padrão da ingesta. Portanto, a variabilidade genética dos sistemas dopaminérgico e serotoninérgico, pode estar relacionada às diferentes respostas frente aos alimentos entre indivíduos expostos aos mesmos fatores ambientais. O objetivo do estudo é investigar a associação de variantes nos sistemas dopaminérgico e serotoninérgico com parâmetros de adiposidade e padrão de ingestão alimentar em crianças. O presente estudo é uma coorte prospectiva de 427 crianças que participaram de um estudo randomizado iniciado ao nascimento, na cidade de Porto Alegre. O estado nutricional das crianças, mensurado por dados antropométricos e dietéticos, foi coletado aos 12 meses e aos 2-3 anos de idade. O DNA (Ácido Desoxirribonucleico) extraído de células da mucosa bucal foi analisado para os seguintes polimorfismos através de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) em tempo real, utilizando sondas de hidrólise (Sistema TaqMan): rs4680 (COMT); rs1800497 (DRD2); rs1048953 (SLC6A3); rs2071877, rs2312054 e rs12391221 (SLC6A14); e rs3813928 (HTR2C). O polimorfismo 5-HTTLPR (SLC6A4) foi analisado por PCR convencional seguido de eletroforese em gel de agarose. O genótipo A1/A1 do gene DRD2/ANKK1 foi associado com maior espessura de dobras cutâneas subescapular em Z-score aos 12 meses (p=0,022) e em 2-3 anos (p=0,020) e maior IMC Z-score em 2-3 anos (p=0,009), quando comparados aos portadores do alelo A2. Aos 12 meses, as meninas homozigotas G/G do polimorfismo rs3813928 (5-HTR2C) apresentaram maior ingesta diária média de energia (p=0,007), de carboidratos (p=0,019), e de lipídios (p=0,005); e maior espessura da dobra cutânea tricipital em Z-score (p=0,034) do que portadores do alelo A. Portanto, pressupõe-se que crianças homozigotas para o alelo A1 (DRD2/ANKK1) e meninas homozigotas G/G (5- HTR2C), apresentam menor densidade de receptores de dopamina e de serotonina, respectivamente, o que estimula a ingesta de alimentos palatáveis para prolongar a sensação de recompensa. Os demais polimorfismos não foram associados com padrões de ingestão alimentar e parâmetros de adiposidade na amostra estudada. No entanto, o acompanhamento desse estudo continua, e pode elucidar a contribuição genética para a obesidade ao longo dos anos.