Afasia Progressiva Primária: um estudo das queixas iniciais e do histórico de dificuldades de aprendizagem
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Wagner Wessfll
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Introdução: A Afasia Progressiva Primária (APP) é uma síndrome neurológica
caracterizada por prejuízo progressivo da linguagem em função de processos
neurodegenerativos. A APP é subdividida em três variantes: semântica,
agramatical/não-fluente e logopênica. O diagnóstico diferencial da APP pode ser
difícil, pois as características clínicas da doença podem se confundir as de outras
condições neurológicas, como a Doença de Alzheimer (DA). A investigação dos
sintomas iniciais é imprescindível para o diagnóstico diferencial. Além disso,
estudos internacionais sugerem que as dificuldades ou distúrbios de
aprendizagem na infância, como a dislexia, podem ser fatores de suscetibilidade
para o desenvolvimento da APP na vida adulta. No Brasil, ainda é escassa a
produção científica sobre esta doença, e, portanto, estudos nesta população
podem ser úteis para rastrear o perfil desses pacientes e fornecer subsídios para
o diagnóstico precoce. Objetivo: Verificar os primeiros sintomas de pacientes
com APP (estudo 1), bem como investigar a associação entre a APP e o histórico
de dificuldades de aprendizagem na infância de pacientes e seus familiares
(estudo 2). Método: Este estudo caracteriza-se por ser quantitativo, descritivo e
transversal. Participaram 20 indivíduos com APP (variante semântica n = 8,
variante não fluente n = 7, variante logopênica n = 3 e casos não classificados n
= 2) e 16 indivíduos com DA (n = 16). Em ambos os estudos dessa dissertação
as variáveis estudadas foram coletadas através de um questionário em formato
de entrevista com o familiar mais próximo do participante, contendo questões
sobre: aspectos sódiodemográficos, aspectos clínicos da doença, sintomas
iniciais (para o estudo 1), e aspectos da aprendizagem na infância do paciente e
de seus filhos (para o estudo 2). Para análise dos dados, foram utilizados os
testes qui-quadrado de Pearson e o teste exato de Fisher. O nível de
significância utilizado foi de 5%. Resultados: No estudo 1, a análise dos
sintomas iniciais da APP e da DA indicou que anomia, parafasias e dificuldades
motoras de fala foram sintomas iniciais mais frequentes estatisticamente em
pacientes com APP; enquanto a memória foi significativamente mais frequente
como sintoma inicial na DA. Também foi observado que a anomia foi mais
frequentemente associada à variante semântica, e as dificuldades motoras de
fala à variante não fluente. Nenhum sintoma inicial foi relacionado
estatisticamente à variante logopênica. No estudo 2, houve ocorrência
significativamente maior de evasão escolar entre pessoas com DA, quando
comparadas a pessoas com APP; e ocorrência significativamente maior de
repetência entre filhos de pessoas com DA quando comparados à APP. Nas
demais comparações, não foram observadas diferenças significativas.
Conclusão: Os resultados dos dois estudos que compõem essa dissertação de
mestrado trazem informações importantes para o diagnóstico diferencial das
APPs e para uma melhor compreensão dos fatores de susceptibilidade dessa
doença. Os resultados indicaram que alguns sintomas iniciais podem ser
exclusivos de cada variante da APP e da DA, colaborando, assim, para o
diagnóstico precoce e diferencial das doenças. Por outro lado, a investigação de
indicativos de dificuldades de aprendizagem na infância não apresentou
associação com APP, mas sim com a DA.
Descrição
Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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