Vivências de mulheres com histórico de doença trofoblástica gestacional (DTG)
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Data
2022
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Editora
Editor Literário
Resumo
A maternidade faz parte do projeto de vida de muitas mulheres. Entretanto, algumas
situações podem ocorrer durante a gravidez adiando ou interrompendo esse propósito,
como a descoberta da doença trofoblástica gestacional (DTG). Esta doença decorre de
uma condição genética anormal e rara da gestação, que pode acometer mulheres de
todas as idades em período reprodutivo, sem que haja explicações claras até os dias
atuais. Tal situação leva à interrupção da gravidez, trazendo diversas consequências na
vida das mulheres. A literatura refere alterações psicológicas decorrentes da perda
gestacional, medo da doença e de sua recidiva, angústias em relação ao tratamento e
incertezas quanto a uma gravidez futura. No entanto, há uma prevalência de estudos na
área referentes ao cuidado biomédico nesta situação, restringindo a compreensão de
outros aspectos envolvidos no processo de acompanhamento e eventual tratamento da
doença. Frente a este cenário, observa-se uma lacuna que remete à necessidade de
realizar estudos com ênfase na dimensão psicossocial desta experiência, com o intuito
de compreender o impacto emocional e o enfrentamento desta situação, buscando
oferecer uma assistência mais integrativa às pacientes. Assim, este estudo, de caráter
qualitativo, descritivo-exploratório e transversal, objetivou conhecer as vivências de
mulheres acometidas pela DTG. Realizou-se um estudo com oito mulheres que estão
ou estiveram em acompanhamento ou tratamento em um Centro de Referência em DTG
de Porto Alegre/RS. As participantes possuíam idade média de 36,1 anos, escolaridade
mínima de técnico completo, eram casadas, com perfil social e do estágio da doença
heterogêneos. Utilizou-se um questionário sociodemográfico e de saúde para
caracterização das participantes e realizou-se uma entrevista semi-estruturada que
abordava questões relativas ao conhecimento sobre a doença, as mudanças percebidas
após o diagnóstico, a perda gestacional, o tratamento ou acompanhamento da DTG, os
recursos de enfrentamento deste percurso e os aspectos facilitadores e dificultadores
desta trajetória, bem como expectativas e planos futuros. A análise temática realizada
do material coletado possibilitou a formulação de quatro temas principais, quais sejam:
1) A constelação da maternidade, 2) O percurso da doença, 3) Os impactos emocionais,
e 4) Repercussões nos relacionamentos. Foi possível perceber que a DTG gera intenso
sofrimento emocional diante dos percalços do plano de gestar, interferindo nas relações
interpessoais e profissionais, além de ocasionar mudanças na rotina e nos planos
reprodutivos. Observou-se, entre as participantes, a manutenção do desejo da
maternidade apesar do transcurso da doença, que tem a marca do desconhecido e do
luto pela perda, repercutindo nos relacionamentos conjugais, parentais, sociais e
profissionais. A partir do estudo, evidenciou-se a necessidade de qualificar o
atendimento multiprofissional da DTG, a partir de uma maior difusão do conhecimento
sobre esta doença, bem como das consequências e impactos sobre a gestante e sua
família, a fim de fornecer uma assistência integral às pacientes.
Descrição
Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Psicologia e Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
Palavras-chave
Maternidade, Doença trofoblástica gestacional, Mulheres, [en] Parenting, [en] Gestational Trophoblastic Disease, [en] Women