Vivências de mulheres com histórico de doença trofoblástica gestacional (DTG)

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A maternidade faz parte do projeto de vida de muitas mulheres. Entretanto, algumas situações podem ocorrer durante a gravidez adiando ou interrompendo esse propósito, como a descoberta da doença trofoblástica gestacional (DTG). Esta doença decorre de uma condição genética anormal e rara da gestação, que pode acometer mulheres de todas as idades em período reprodutivo, sem que haja explicações claras até os dias atuais. Tal situação leva à interrupção da gravidez, trazendo diversas consequências na vida das mulheres. A literatura refere alterações psicológicas decorrentes da perda gestacional, medo da doença e de sua recidiva, angústias em relação ao tratamento e incertezas quanto a uma gravidez futura. No entanto, há uma prevalência de estudos na área referentes ao cuidado biomédico nesta situação, restringindo a compreensão de outros aspectos envolvidos no processo de acompanhamento e eventual tratamento da doença. Frente a este cenário, observa-se uma lacuna que remete à necessidade de realizar estudos com ênfase na dimensão psicossocial desta experiência, com o intuito de compreender o impacto emocional e o enfrentamento desta situação, buscando oferecer uma assistência mais integrativa às pacientes. Assim, este estudo, de caráter qualitativo, descritivo-exploratório e transversal, objetivou conhecer as vivências de mulheres acometidas pela DTG. Realizou-se um estudo com oito mulheres que estão ou estiveram em acompanhamento ou tratamento em um Centro de Referência em DTG de Porto Alegre/RS. As participantes possuíam idade média de 36,1 anos, escolaridade mínima de técnico completo, eram casadas, com perfil social e do estágio da doença heterogêneos. Utilizou-se um questionário sociodemográfico e de saúde para caracterização das participantes e realizou-se uma entrevista semi-estruturada que abordava questões relativas ao conhecimento sobre a doença, as mudanças percebidas após o diagnóstico, a perda gestacional, o tratamento ou acompanhamento da DTG, os recursos de enfrentamento deste percurso e os aspectos facilitadores e dificultadores desta trajetória, bem como expectativas e planos futuros. A análise temática realizada do material coletado possibilitou a formulação de quatro temas principais, quais sejam: 1) A constelação da maternidade, 2) O percurso da doença, 3) Os impactos emocionais, e 4) Repercussões nos relacionamentos. Foi possível perceber que a DTG gera intenso sofrimento emocional diante dos percalços do plano de gestar, interferindo nas relações interpessoais e profissionais, além de ocasionar mudanças na rotina e nos planos reprodutivos. Observou-se, entre as participantes, a manutenção do desejo da maternidade apesar do transcurso da doença, que tem a marca do desconhecido e do luto pela perda, repercutindo nos relacionamentos conjugais, parentais, sociais e profissionais. A partir do estudo, evidenciou-se a necessidade de qualificar o atendimento multiprofissional da DTG, a partir de uma maior difusão do conhecimento sobre esta doença, bem como das consequências e impactos sobre a gestante e sua família, a fim de fornecer uma assistência integral às pacientes.

Descrição

Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Psicologia e Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
Biblioteca Paulo Lacerda de Azevedo

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