O impacto das infecções respiratórias na gestão hospitalar: estamos preparados para outras pandemias?
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Data
2023
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Editor Literário
Resumo
Introdução: De forma frequente, instituições de saúde têm sua capacidade
desafiada por infecções sazonais, surtos epidêmicos e pandemias, geralmente
relacionados a infecções respiratórias virais. A facilidade de contágio dos
patógenos que causam essas infecções leva à sua rápida propagação na
população, causando desde sintomas leves, característicos de Síndrome Gripal
(SG), até quadros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com maior
risco de levar o paciente à hospitalização e, eventualmente, a óbito. A
recorrência dessas infecções e os riscos associados a elas permitem que as
instituições de saúde se preparem para enfrentar o provável aumento do
número de casos em determinados períodos. Objetivos: Avaliar o impacto da
SRAG entre 2010 e 2021 (período pós-pandemia da Gripe A até a pandemia
de COVID-19) no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, na perspectiva da
gestão financeira, aquisição de medicamentos, insumos e contratação de mão
de obra. Métodos: Foi conduzida uma pesquisa quantitativa utilizando o
método descritivo por meio da coleta direta ocasional e observacional. Foram
coletados dados secundários, sintéticos e pseudo-anonimizados de eventos
relacionados à SRAG nos sistemas de informação do hospital. Resultados: A
literatura científica consultada apresenta impactos financeiros da SRAG nos
sistemas de saúde, principalmente em relação ao custo de mão de obra,
consumo de medicamentos, diagnósticos e diárias de internação. O estudo de
caso realizado com dados do HCPA reforça esse padrão. O custo geral da mão
de obra no HCPA em parte do período analisado (2018/2021) chegou a R$
4.596.099.386,32, sendo que R$ 1.098.941.898,17 (23,91%) são demandados
pela área assistencial. O consumo geral de materiais foi avaliado em R$
1.653.276.714,12, sendo que R$ 52.569.691,00 foram registrados para 12.763
dos atendimentos de pacientes com notificação de infecção respiratória no
HCPA (3,18%). O tempo de ocupação dos leitos no HCPA, em geral, foi de
70.147.625,71 horas ao longo do período estudado e a parcela deste tempo
que corresponde à internação de pacientes com notificação de infecção
respiratória foi de 7.628.098,12 horas (10,87%). Conclusão: A gestão em
saúde é um desafio complexo e interdisciplinar que exige uma análise
sistêmica de todos os elementos conhecidos por parte de seus gestores.
Apesar das avaliações quantitativas realizadas no presente estudo, que
indicam o preparo e a capacidade de adaptação para manutenção da operação
do HCPA, mesmo em momentos de crise, a discussão dos resultados traz
outras perspectivas que impactam na gestão em saúde potencializadas pelas
infecções respiratórias, como o momento de infodemia que tem deturpado a
visão de parte da população quanto a fatos consolidados de prevenção, como,
por exemplo, vacinação e medicamentos.
Descrição
Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Informação e Gestão em Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
Palavras-chave
Gestão em saúde, Gestão hospitalar, Pandemias, Epidemias, Infecção respiratória, [en] Health Management, [en] Hospital Administration, [en] Pandemics, [en] Epidemics, [en] Respiratory Tract Infections