Colonização por Streptococcus pneumoniae: manifestações respiratórias em coorte de crianças vacinadas com seguimento de um ano

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Data
2021
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Editor Literário
Resumo
O Streptococcus pneumoniae é um agente potencialmente patogênico de preocupação global, pois está associado à uma elevada taxa de morbimortalidade, sobretudo em crianças que, muitas vezes, são responsáveis pela transmissão desse agente entre adultos e idosos. Mas, para que a doença ocorra, ela precisa ser precedida de colonização da nasofaringe, condição essa que pode levar à ocorrência do processo infeccioso. A implementação da vacina pneumocócica conjugada 10- valente (PCV10) no calendário nacional infantil foi um grande avanço para a saúde brasileira, verificado, em um primeiro momento, pelo seu impacto na redução de doença pneumocócica invasiva (DPI). Atualmente, observa-se a adaptação dos microrganismos circulantes em que sorotipos vacinais são substituídos por não vacinais (SNV), fazendo com que a taxa geral de colonização não diminua e que os sorotipos vacinais ainda ocorram. Há poucos estudos longitudinais e prospectivos acompanhando um número grande de crianças em idade pré-escolar por longos períodos, relacionando colonização e doença respiratória. Assim, o objetivo deste trabalho foi investigar a influência da colonização por Streptococcus pneumoniae em crianças vacinadas quanto a desfechos infecciosos em um ano de observação. Para este estudo de coorte, foram elegíveis 228 crianças (perda 1,3%) entre 18 a 59 meses de idade, que tiveram coletado material de sua nasofaringe no "tempo zero", cujas famílias foram entrevistadas no "fim do seguimento". Finalizaram o acompanhamento, 225 participantes de pesquisa que, entre março de 2019 e outubro de 2020, foram entrevistados e a coleta de dados em prontuário realizada. Observamos uma alta taxa de colonização, 64,4%, e a presença de um único sorotipo vacinal pertencente a PCV10, o 6B (2,8% dos colonizados). Ser do sexo masculino mostrou associação para colonização (p=0,039). Quanto aos SNV (não PCV10 não PCV13), foram encontrados em 57% da coorte de colonizados, demonstrando a ocorrência do fenômeno replacement. Verificou-se que as crianças colonizadas por pneumococos não possuem risco aumentado para doenças respiratórias ou uso de antimicrobianos, não havendo associação entre essas variáveis. É plausível que altas coberturas vacinais e a observação prolongada da coorte, aliadas à alta ocorrência de SNV, que por consequência possuem menor virulência, possam ter levado a essa nulidade de associação. A única ressalva observada ocorreu caso a colonização aconteça pelo sorotipo 6B, mostrando a associação com a pneumonia em crianças abaixo de 2 anos de idade (p=0,016), exibindo uma observação inédita, não sendo encontrado outro relato semelhante até onde se tem conhecimento. Este ensaio mostrou que estar ou não portando Streptococcus pneumoniae não influenciou a ocorrência de doença respiratória em uma população de crianças totalmente vacinada, excetuando-se a pneumonia para os menores de 2 anos, quando a colonização ocorre pelo sorotipo 6B. Estudos que objetivam determinar e compreender a prevalência da colonização pneumocócica e a dinâmica de circulação dos sorotipos, como este, são de extrema importância por servirem de subsídio para o delineamento de estratégias direcionadas às políticas públicas no âmbito infantil, como por exemplo, o aumento da valência da vacina antipneumocócica disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com repercussões individuais e coletivas.
Descrição
Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
Palavras-chave
Pneumococo, Portador, Vacina Conjugada, Pneumonia, Crianças, [en] Carrier State, [en] Vaccines, Conjugate, [en] Child
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