Avaliação do reconhecimento de lateralidade, do senso de posição articular e da acuidade tátil em pacientes com epicondilalgia lateral crônica

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Objetivos: O objetivo primário do estudo foi verificar diferenças entre pacientes com epicondilalgia lateral (EL) crônica e indivíduos assintomáticos em relação ao reconhecimento de lateralidade, senso de posição articular do punho e acuidade tátil. Objetivos secundários foram verificar diferenças entre os lados afetado e não-afetado destes pacientes bem como correlacionar as variáveis acima citadas com desfechos clínicos. Metodologia: Este estudo seguiu um delineamento observacional, transversal, de caráter comparativo entre um grupo de casos e um grupo controle. Quatorze indivíduos com EL por mais de seis semanas (8 homens, idade média de 46,14 ± 10,85 anos) e quatorze indivíduos assintomáticos (8 homens, idade média de 46,21 ± 10,88 anos) pareados por sexo e idade foram recrutados na comunidade por meio de postagens em mídias sociais, cartazes e indicação de clínicas ortopédicas. Nós mensuramos a intensidade de dor atual, pior dor nas últimas 24 horas e pior dor na última semana utilizando a escala numérica de dor; incapacidade através da versão traduzida e validada do Patient Rated Tennis Elbow Evaluation (PRTEE); reconhecimento de lateralidade através do aplicativo Recognise; senso de posição articular do punho para movimentos de flexão e extensão utilizando um aparato personalizado; e acuidade tátil através do teste de discriminação de dois pontos com paquímetro. Aplicamos o teste de Shapiro-Wilk para determinação da normalidade dos dados, ANOVA de duas vias para verificar efeitos de lado, grupo e interação lado*grupo, T de Student para verificar diferenças em variáveis paramétricas e Mann-Whitney para variáveis não-paramétricas. Utilizamos testes de Pearson para verificar correlações. Análises foram realizadas com o programa SPSS versão 20.0 e o nível de significância aditado foi de p < 0,05. Resultados: Todos participantes com epicondilalgia lateral reportaram sintomas no braço direito e dez deles apresentavam dominância de membro superior no lado direito (71,43%). Pacientes pontuaram uma média de 39,07 ± 15,39 pontos no PRTEE e relataram valores de 3,29 ± 1,98, 4,93 ± 1,98 e 5,64 ± 1,86 para dor atual, pior dor nas últimas 24 horas e pior dor na última semana, respectivamente. ANOVAs não demonstraram efeitos significativos de lado, grupo ou interação lado*grupo para reconhecimento de lateralidade e acuidade tátil. No entanto, efeito significativo de interação lado*grupo foi encontrado para senso de posição articular em movimento de extensão, sendo que pacientes com EL adotaram posições menos estendidas no lado afetado (16,90° ± 3,24°) quando comparados tanto com o seu lado nãoafetado (19,31° ± 4,21°, p = 0,01) quanto aos sujeitos controles (21,79° ± 4,78°, p = 0,004). Dados de senso de posição para extensão de punho foram significativamente correlacionados com desfechos clínicos, como dor atual (r = -0,45, p = 0,02), pior dor nas últimas 24h (r = - 0,51, p = 0,005), pior dor na última semana (r = -0,53, p = 0,004) e incapacidade (r = - 0,48, p = 0,01). Conclusão: Embora pacientes com EL crônica não apresentaram déficits de reconhecimento de lateralidade e acuidade tátil, posições de menor extensão de punho foram adotadas com o braço afetado em relação ao lado nãoafetado e a sujeitos assintomáticos em um teste de senso de posição articular. Tais achados sugerem que, apesar do déficit proprioceptivo ipsilateral à lesão, indivíduos experienciando LE crônica devem não apresentar perturbações do esquema corporal.

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Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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