Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde
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Navegando Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde por Autor "Almeida, Leandro"
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Item Bem-estar psicológico no uso de mídias sociais digitais: desenvolvimento e validação de uma escala psicométrica(2024-10-18) Silva, Pamela Carvalho da; Repold, Caroline Tozzi; Almeida, Leandro; Programa de Pós-Graduação em Ciências da SaúdeA presença das mídias sociais no cotidiano e o seu papel como componente da experiência contemporânea, despertam o interesse de pesquisadores e motivam o desenvolvimento de pesquisas psicológicas sobre a relação entre o bem-estar e mídias sociais. Aspectos metodológicos são importantes fatores na compreensão destes fenômenos. Desta forma, a partir da perspectiva multidimensional do bem-estar e do paradigma eudaimônico, esta pesquisa concentra-se no desenvolvimento e validação de uma escala psicométrica para avaliar as orientações ao bem-estar psicológico no uso dessas tecnologias por adultos brasileiros. O total de 420 adultos brasileiros usuários de mídias sociais participaram do estudo para desenvolver e validar a EBPMS. A metodologia e os procedimentos adotados se fundamentam no Standards da American Educational Research Association, considerando diferentes fontes de evidência de validade. Para etapa de validação baseada em conteúdo foi calculado o coeficiente de validade de conteúdo (CVC) para cada item candidato a compor a escala a partir de duas amostras em duas etapas, validade baseada em conteúdo por especialistas do campo da psicologia e bem-estar (n=6) e por público-alvo (n=15). A Análise fatorial (AF) e modelagem por equações estruturais (SEM) foram utilizadas para avaliar a validade baseada na estrutura interna e validade baseada em medidas externas. A consistência interna da EBPMS foi analisada a partir de confiabilidade composta e do alfa de Cronbach. Também foram obtidas as variâncias médias extraídas (AVE). Obteve-se um instrumento com propriedades psicométricas adequadas, composto 25 itens que operacionalizam as seis dimensões do BEP na categoria de análise de orientação e elaborados para refletir as especificidades do uso de mídias sociais. Os itens são divididos em seis subescalas de auto-relato, que funcionam como indicadores das orientações ao bem-estar psicológico no contexto das mídias sociais. Os seis fatores são (F1) Autonomia e Autoexpressão no Ambiente Digital; (F2) Autoaceitação e Autoapresentação no Ambiente Digital; (F3) Abertura e Aprendizado no Ambiente Digital; (F4) Integração e Domínio no Ambiente Online e Offline; (F5) Significado e Coletividade no Ambiente Digital; e (F6) Relacionamentos e Suporte Social no Ambiente Digital. A escala apresentou CVC ≥ 0,85, validade de estrutura interna com CFI = 0,957; TLI 0,950; SRMR 0.065 e RMSEA 0,071. Foram identificadas associações significativas entre as orientações e as dimensões do bem-estar psicológico, indicando impactos nas dimensões de autonomia, domínio sobre o ambiente e relacionamentos positivos. Espera-se que o instrumento possa preencher lacunas metodológicas e contribuir com pesquisas futuras que buscam compreender as relações entre o uso das mídias sociais e o bem-estar.Item Terapia cognitiva baseada em mindfulness e depressão resistente ao tratamento: um ensaio clínico randomizado controlado(2023) Kaiser, Vanessa; Reppold, Caroline Tozzi; Almeida, Leandro; Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúdetrodução: O Transtorno Depressivo Maior (TDM), especialmente quando resistente ao tratamento (DRT), traz desafios clínicos, necessitando intervenções custo-efetivas. São escassos os estudos no Brasil utilizando Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness (MBCT), ainda mais com pacientes de serviços públicos de saúde mental. Métodos: Objetivou-se, no primeiro estudo, avaliar a eficácia da MBCT em relação a outra intervenção de comparação ativa estruturalmente equivalente, ambas associadas ao tratamento usual (TAU) em pacientes brasileiros com TDM, com ou sem DRT. O desenho metodológico foi um ensaio clínico randomizado controlado que comparou duas intervenções de 8 semanas, MBCT e o Health-Enhancement Program (HEP), associadas ao TAU para adultos com TDM, associado ou não ao DRT com avaliação de seguimento de 4 semanas. O desfecho primário foi os sintomas depressivos e a mudança na gravidade da depressão, medida pela redução percentual na pontuação total, além disso, foram avaliados os construtos respostas ruminativas e Aceitação e Ação; e construtos oriundos da Psicologia Positiva, entre eles, Mindfulness, Autocompaixão, Autorregulação Emocional, Afetos Positivos, Satisfação de Vida, Otimismo e Esperança Cognitiva. No segundo estudo, objetivou-se apresentar dados da eficácia da intervenção MBCT com pacientes brasileiros deprimidos, na melhora de sintomas depressivos, nas respostas ruminativas e nos acréscimos dos construtos da Psicologia Positiva (Mindfulness, autocompaixão, satisfação de vida, otimismo, esperança, afetos), analisando os resultados encontrados por análise de rede. Resultados: No primeiro estudo, no final do tratamento de 8 mais 4 semanas de follow-up, a amostra para análise por protocolo foi de 35 no MBCT e 32 no HEP. Em relação à condição HEP, a condição MBCT foi associada a uma taxa significativamente maior de respondedores ao tratamento no final da intervenção (48,6 vs. 15,6%; p = 0,01). O MBCT apresentou diferenças significativas do grupo HEP em quase todos os construtos avaliados, entre eles, no escore total de Autocompaixão na S8 e S12 (MBCT 95,26 vs. HEP 77,56; MBCT 98,2 vs. HEP 78,72; p = 0,01), nas estratégias adequadas de autorregulação emocional na S8 e S12 (MBCT 54,51 vs. HEP 43,16; MBCT 56,86 vs. HEP 44,63; p = 0,01). Com relação à Satisfação de Vida, não houve diferenças significativas entre os grupos. MBCT melhorou significativamente as taxas de resposta ao tratamento em 8 semanas, mas não as taxas de remissão. No segundo estudo, a amostra foi composta por 40 pacientes deprimidos (67,5% mulheres). Com relação a pré-intervenção, todos os construtos tiveram mudanças significativas pós-intervenção (p<0.001). Dentre as que tiveram tamanho de efeito muito grande, estão os sintomas depressivos (2,4; IC95% 1,79 a 3,01), autocompaixão (-1,69, IC95% -2,17 a -1,20), afetos positivos (-1,50; IC95% -1,95 a -1,04) e satisfação de vida (-1,36; IC95% -1,72 a -0,92). Na análise de rede, foi observada maior centralidade pós-intervenção para as facetas do Mindfulness, além disso, associações mais fortes com os sintomas depressivos foram encontradas. Conclusões: Em ambos os estudos a intervenção MBCT melhorou vários aspectos positivos do funcionamento emocional. MBCT parece ser um complemento viável na gestão de TDM e DRT.