Parâmetros de urinálise em pacientes graves com COVID-19 com e sem lesão renal aguda: um estudo transversal retrospectivo
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Introdução: A pandemia de COVID-19 trouxe impactos severos à saúde pública, especialmente em indivíduos com comorbidades, como hipertensão e diabetes. A lesão renal aguda (LRA) é uma complicação comum em casos graves, associada a altas taxas de mortalidade. Urinalises e biomarcadores urinários surgem como ferramentas promissoras para detecção precoce e prognóstico da LRA em pacientes infectados. Este estudo teve como objetivo identificar potenciais biomarcadores urinários preditivos de LRA e desfecho fatal em pacientes com COVID-19. Método: Trata-se de um estudo transversal realizado com 60 pacientes positivos para SARS-CoV-2, dos quais 39 foram hospitalizados com COVID-19 grave (19 com LRA e 20 sem LRA) e 21 apresentaram quadro leve (grupo controle). As coletas incluíram urina espontânea ou por sonda, processadas em até 2 horas. Foram analisadas variáveis clínicas, urinalises (por fita reagente e microscopia), citocinas inflamatórias, marcadores de estresse oxidativo (EO) e biomarcadores renais. A classificação de LRA foi feita conforme os critérios KDIGO 2012. Os dados foram analisados com testes estatísticos apropriados e curvas ROC para avaliação preditiva. Resultados: Pacientes com COVID-19 grave apresentaram maior idade, índice de massa corporal, presença de comorbidades e mortalidade. Hematuria e proteinúria foram achados frequentes na urina de hospitalizados. Níveis reduzidos de TFF-3 e aumentados de CXCL10 e KIM-1 foram observados em pacientes com LRA. O biomarcador TFF-3 apresentou o melhor desempenho preditivo para LRA e óbito (AUC 0,899), com valor de corte ≤0,306 ng/mL. Proteinúria também se associou ao desfecho negativo. Discussão: A presença de proteinúria, hematuria e alterações no sedimento urinário refletem lesões renais associadas à COVID-19. O TFF-3, envolvido na proteção epitelial, apresentou queda significativa nos pacientes com LRA, sugerindo perda da integridade tubular renal. Outros marcadores como CXCL10 e KIM-1 reforçam a participação da inflamação e do dano tubular no agravamento da função renal. O uso da urina como matriz de avaliação oferece vantagens pela fácil coleta e pela capacidade de refletir alterações precoces no rim. Conclusão: A avaliação de TFF-3 e proteinúria em amostras urinárias de pacientes com COVID-19 grave pode contribuir para a identificação precoce de LRA e risco de morte. A integração desses biomarcadores com urinalises convencionais amplia o potencial diagnóstico e prognóstico no contexto hospitalar, favorecendo a tomada de decisão clínica e a melhor alocação de recursos terapêuticos.
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Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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