Fatores associados à colonização por enterobactérias resistentes a carbapenêmicos em pacientes oncológicos
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Wagner Wessfll
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Introdução: As infecções e as colonizações causadas por germes multirresistentes são
um problema globalmente reconhecido em relação à sua prevalência e relevância, estando
associados a um aumento no tempo de internação, custos para os serviços de saúde e taxas de
morbidade e mortalidade. A resistência bacteriana aos antimicrobianos, especialmente pelo
desenvolvimento de carbapenemases, tem sido um grave problema de saúde pública.
Informações sobre fatores associados à colonização podem ser úteis na orientação do
tratamento na suspeita de infecção. Portanto, a necessidade de analisar pacientes oncológicos
foi obtida a fim de compreender os fatores associados à ocorrência de colonização por ERC
(Enterobactérias Resistentes a Carbapenêmicos) nesse grupo.
Materiais e métodos: Estudo caso-controle desenvolvido em hospital de referência
terciário em tratamento oncológico em Porto Alegre, no período de janeiro a dezembro de
2017. A população foi constituída por pacientes com diagnóstico de doença oncológica em
internação clínica / cirúrgica. Resultados: Dos 139 isolados ERC, os mais comumente
identificados foram Klebsiella pneumoniae = 93 (66,9%), seguido por Enterobacter ssp = 25
(18%). A resistência foi atribuída à produção de carbapenemase em todos os 139 isolados, 103
(74,1%) foram positivos para o gene bla KPC (Klebsiella pneumoniae produtora de
carbapenemase), o gene bla NDM-1 (New Delhi metalobetalactamase) encontrado em 20
(14,3%) casos e os dois genes bla KPC e bla NDM-1 foram identificados simultaneamente em
16 (11,5%). A análise univariada mostrou que das variáveis significativamente associadas ao
desfecho representado pela colonização pelo ERC foram idade (p = 0,036), sexo masculino (p =
0,007), tumores com topografia óssea (p = 0,027), tipo de internação cirúrgica (p = 0,012),
número de transferências intra-hospitalares desde a internação (p = <0,001), tempo de
internação> 30 dias (p = <0,001), internação na UTI (Unidade de Tratamento Intensiva) nos
últimos 30 dias (p = <0,001), tempo de UTI superior a 15 dias (p = <0,001), procedimento
cirúrgico nos últimos 30 dias (p = 0,024), uso de antibióticos nos últimos 30 dias (p = <0,001) e
presença de lesão tumoral (p = 0,015). Em uma análise multivariada subsequente, o sexo
masculino (OR = 2,18, IC95%: 1.35-3.53 p = 0,001), internação hospitalar para procedimento
cirúrgico (OR = 2.23, IC95%: 1.08-4.59, p = 0,030) internação hospitalar por mais de 30 dias (OR
= 3.25; IC95%: 2.01-5.25; p = <0,001); internação em UTI nos últimos 3 meses (OR = 2.33;
IC95%: 1.31-4.14; p = 0,004), uso de antibióticos nos últimos 30 dias (OR = 2.48; IC95%: 1,41-
4.35; p = 0,002) e presença de ferida tumoral (OR = 4,11; IC95%: 1,50-11,2; p = 0,006),
permanecendo fatores de risco significativos para colonização da ERC. Os seguintes antibióticos foram estatisticamente significativos após o ajuste para cada
tipo de antibiótico: aminoglicosídeos (OR = 7,95, IC 95%: 2,44-25,9, p = 0,001) e linezolida (OR
= 3,95, IC 95%: 1,12). -13,9, p = 0,032).
Conclusões: Sexo masculino, internações hospitalares cirúrgicas, hospitalização
superior a 30 dias e internações prévias na UTI nos últimos três meses, uso prévio de
antimicrobianos, número de transferências intra-hospitalar e presença de lesão tumoral são
importantes fatores associados à colonização retal de ERC.
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Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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