Portadores de Streptococcus pneumoniae entre idosos e crianças: avaliação do efeito da vacina conjugada 10-valente

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Wagner Wessfll

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O Streptococcus pneumoniae coloniza o trato respiratório, especialmente a nasofaringe, servindo como um reservatório e fonte para a transmissão entre os indivíduos. A colonização é a primeira etapa para o desenvolvimento da doença pneumocócica, que pode se apresentar de duas formas clínicas: 1) a proliferação para locais próximos da nasofaringe, causando otite média aguda e sinusite; ou 2) a Doença Pneumocócica Invasiva (DPI), caracterizada pela invasão do pneumococo em sítios normalmente estéreis. A doença pneumocócica está associada a altas taxas de mortalidade e morbidade, principalmente, entre crianças e idosos. Para controlar a doença, foram desenvolvidas as vacinas pneumocócicas. No Brasil, desde 2010, a vacina PCV10 (Vacina Pneumocócica Conjugada 10-valente) faz parte do Calendário de Vacinação Infantil. Apesar das vacinas terem diminuído a taxa de DPI, internação e mortalidade por doença pneumocócica, após a sua implementação foi observado aumento da doença causada por sorotipos não vacinais. Sendo assim, os objetivos deste estudo foram (1) avaliar o impacto da vacinação na distribuição dos sorotipos de pneumococo em casos de doença pneumocócica invasiva, principalmente entre adultos (19-64 anos de idade) e (2) verificar os sorotipos que estão circulando entre as crianças (< 5 anos de idade) e idosos (≥ 65 anos de idade) sadios. Entre os casos de DPI verificou-se um aumento do sorotipo 19A, que não está incluído na PCV10. A prevalência aumentou de 3,5% (6/173) em 2008-2010 para 8,1% (32/395) em 2011-2014 (p=0,04). A não suscetibilidade aos antimicrobianos aumentou no período após PCV10, devido a predominância do CC 320 (Complexo Clonal) (63,9%; 23/36), especialmente a ST320, que apresenta como característica a resistência a antimicrobianos. Como a colonização é um pré-requisito para o desenvolvimento de DPI, é importante conhecer os sorotipos que estão causando a colonização. A prevalência de colonização entre as crianças foi de 63,7% (146/229), e entre os idosos foi de 3% (19/627) utilizando o método cultural. Sexo masculino, presença de congestão nasal ou coriza e frequentar creche ou escola foram variáveis associadas com colonização entre crianças; entre idosos, asma foi uma condição associada. Quando associado à técnica de qPCR, com pesquisa direta do pneumococo em amostras nasofaringe, a taxa de colonização total entre os idosos aumentou para 4,3% (27/627). Considerando a prevalência total entre os colonizados, o sorotipo 19A foi o mais prevalente (19,8%; 33/167). Todos os 33 isolados de pneumococos do sorotipo 19A identificados entre os colonizados (crianças e idosos) foram resistentes a penicilina parenteral (breakpoints para meningite e administração oral), cefuroxima (breakpoints para administração parenteral e oral), azitromicina, eritromicina, tetraciclina e sulfametoxazol-trimetoprim. A taxa de resistência a meropenem foi de 93,9%, para clindamicina foi de 90,9% e para cefepime e ceftriaxona foi de 87,9% (breakpoints para meningite). A pressão seletiva causada pela vacinação e a resistência aos antimicrobianos, podem ter contribuído para que o sorotipo 19A ocupasse o nicho dos sorotipos vacinais tanto em portadores como em casos de DPI. Mesmo com a vacinação, a doença pneumocócica permanece como um importante motivo de preocupação, seja pela emergência de sorotipos não vacinais, seja pela resistência a antimicrobianos.

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Tese (Doutorado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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