Correlação entre medidas clínicas e instrumentadas na avaliação de indivíduos com hemiparesia crônica após acidente vascular cerebral
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Resumo
O acidente vascular cerebral (AVC) é uma doença cerebrovascular de alta
incidência e morbidade na população brasileira, considerada uma das principais
causas de incapacidade em adultos. A lesão cerebral ocasionada pelo AVC
geralmente leva a comprometimentos motores que reduzem a capacidade
funcional dos sujeitos acometidos. Frente a isso, é essencial a investigação de
abordagens mais adequadas na reabilitação desses sujeitos. Objetivo: verificar
a relação entre avaliações clínicas do comprometimento da função motora do
membro superior (MS) com medida instrumentada do desempenho motor e da
qualidade do movimento do MS e correlacionar as escalas clínicas do membro
inferior (MI) com a avaliação instrumentada do desempenho motor do MI em
indivíduos com hemiparesia crônica após AVC. Métodos: estudo observacional
transversal, no qual foram incluídos trinta e quatro indivíduos após o AVC. A
avaliação de Fugl Meyer (FMA) e a escala modificada de Ashworth (MAS) foram
utilizadas para avaliar clinicamente o comprometimento motor e a espasticidade,
respectivamente. As medidas instrumentadas incluíram a análise cinemática do
MS para avaliar o desempenho motor (tempo do ciclo do movimento, velocidade
de fase de ida e retorno) e a qualidade do movimento (amplitude de movimento,
suaviadade e deslocamento de tronco). Além disso, um sistema de unidade de
medida inercial foi utilizado para avaliar o desempenho motor dos MI durante a
análise da marcha (teste de caminhada dos 10 metros) e da mobilidade funcional
(Timed up & Go test). Os dados foram analisados por meio dos coeficientes de
correlação de Spearman e Pearson, regressão múltipla e receiver operator
characteristic curve (curva ROC). Resultados: A FMA de MS correlacionou-se
significativamente com o desempenho motor (tempo do ciclo do movimento, r=-
.567) e a qualidade do movimento (amplitude de movimento de cotovelo, r=.776)
do MS durante a tarefa de alcance. Além disso, a FMA isoldada conseguiu
predizer da variação no deslocamento anterior do tronco. Da mesma forma, o MI
da FMA apresentou relação com o desempenho motor do MI tanto na análise da
marcha (velocidade da marcha, r=.602), como na avaliação da mobilidade
funcional instrumentada (tempo total do teste, r=-.630). A MAS esteve mais
correlacionada com a qualidade do movimento do MS (MAS de cotovelo com
deslocamento de tronco, r=0,638) do que com o desempenho motor do MS e do
MI. Conclusões: esses resultados sugerem que a FMA pode ser usada, na
prática clínica, para inferir a qualidade do movimento do MS, e o desempenho
motor tanto de MS quanto de MI. A MAS, por sua vez, somente permite presumir
informações sobre a qualidade do movimento do MS parético de indivíduos com
hemiparesia crônica após o AVC.
Descrição
Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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