Efeitos da Eletroestimulação de Corpo Inteiro na Dor Lombar Crônica Inespecífica: uma revisão sistemática com metanálise

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A dor lombar crônica inespecífica (DLCI) é uma das principais causas de incapacidade e exige intervenções eficazes para reduzir seus impactos funcionais. A eletroestimulação de corpo inteiro (EECI) tem sido proposta como alternativa terapêutica para indivíduos com limitação ou baixa adesão ao exercício tradicional, por permitir o recrutamento simultâneo de grandes grupos musculares com baixa sobrecarga articular. Esta revisão sistemática com metanálise teve por objetivo sintetizar os efeitos da EECI sobre a dor, força muscular de tronco, incapacidade e qualidade de vida de pessoas com DLCI. Foram avaliadas três comparações: EECIversus ausência de intervenção; EECI versus outras modalidades terapêuticas nãofarmacológicas e, EECI versus EECI associada ao exercício. Para isso foram pesquisadas através de uma estratégia de busca padronizada ensaios clínicos randomizados ou controlados não randomizados que avaliaram o efeito da EECI isoladamente ou associada ao exercício em pessoas com DLCI comparado a controle, placebo, EECI, exercício ou outras modalidades terapêuticas (não farmacológicas). Após a busca em diferentes bases de dados, cinco estudos atenderam aos critérios de elegibilidade, totalizando 582 indivíduos. A seleção dos estudos, a extração dos dados, avaliação do risco de viés assim como a avaliação da certeza da evidência foram realizadas por dois avaliadores independentes e, na ausência de consenso um terceiro revisor foi solicitado para solucionar as dúvidas. O risco de viés foi avaliado por meio das ferramentas RoB 2.0 e ROBINS-I, e a certeza da evidência pelo sistema GRADE. Os resultados indicaram que a EECI reduziu a dor e aumentou a força dos músculos extensores do tronco quando comparado à ausência de intervenção. Não há diferença entre EECI e exercício resistido para os desfechos dor e força muscular de extensores e flexores do tronco e, tampouco para EECI e vibração de corpo inteiro quando analisado os mesmos desfechos. EECI é superior à terapia multimodal para reduzir a dor, melhorar a incapacidade e a qualidade de vida, mas não para melhorar a força global de tronco. Por fim, EECI associada a exercício de alongamento é superior a EECI isolada para reduzir dor e incapacidade. O risco de viés geral para os desfechos avaliados em sua maioria foi considerado alto ou sério. A certeza da evidência foi avaliada para a comparação EECI versus exercício resistido e foi considerada muito baixa para dor e baixa para força muscular do tronco. Em conclusão, a EECI pode ser utilizada como uma alternativa viável para tratamento de pessoas com DLCI, especialmente para aqueles que não se adaptam a outras modalidades terapêuticas, contudo, as evidências atuais são frágeis do ponto de vista metodológico e novos ensaios clínicos necessários.

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Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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