Sentidos e significados do trabalho para as juventudes brasileiras: um estudo psicossocial

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As transformações contemporâneas do trabalho têm produzido mudanças nas formas de inserção, nas expectativas e nos sentidos e significados atribuídos ao labor, especialmente entre as juventudes. Em um cenário de instabilidade, múltiplos vínculos laborais e reconfiguração das identidades profissionais, analisar o trabalho como fenômeno psicossocial é fator chave fundamental para compreender as experiências juvenis e suas implicações para processos de saúde, pertencimento social e perspectivas de futuro. Esta dissertação é composta por dois artigos que integram uma pesquisa sobre sentidos e significados do trabalho para as juventudes brasileiras no contexto contemporâneo, realizada com jovens trabalhadores de 18 a 29 anos, residentes nas cinco regiões do país. O estudo teve como propósito identificar as percepções de jovens brasileiros sobre os sentidos e significados do trabalho e analisar como essas percepções se relacionam com variáveis sociodemográficas, laborais, psicossociais e com a satisfação com a vida. O primeiro artigo, de abordagem quantitativa, analisou as relações entre sentidos e significados do trabalho, fatores psicossociais e satisfação com a vida junto a 1.005 jovens brasileiros. Foram aplicados questionário sociodemográfico e laboral, a Escala de Significados Atribuídos ao Trabalho (ESAT-BR), Protocolo de Avaliação de Riscos Psicossociais do Trabalho (PROART) e Escala de Satisfação com a Vida (SV). As análises incluíram estatísticas descritivas, comparativas e regressão linear múltipla, com o objetivo de identificar como variáveis sociodemográficas, ocupacionais e psicossociais se relacionam às percepções sobre o trabalho e ao bem-estar subjetivo. O segundo artigo, de natureza qualitativa, investigou os significados atribuídos ao trabalho nas narrativas de jovens brasileiros a partir das respostas à questão aberta “O que o trabalho significa para você?”, respondida por 345 participantes. A análise de conteúdo buscou compreender como o trabalho é vivido e simbolizado, identificando as categorias emergentes de sentido e suas relações com as condições materiais, afetivas e sociais de inserção laboral. De forma integrada, os dois estudos revelaram que o trabalho permanece central na constituição da identidade e do pertencimento social das juventudes, ainda que permeado por tensões. O conjunto dos achados demonstra que as condições materiais e simbólicas de inserção laboral influenciam a satisfação com a vida, os sentidos e os significados do trabalho, articulando dimensões econômicas, afetivas e sociais. As juventudes brasileiras atribuem ao trabalho uma função ambivalente: ao mesmo tempo que o reconhecem como espaço de aprendizado, propósito e transformação, vivenciam nele limites, pressões e incertezas que atravessam sua saúde mental e suas perspectivas de futuro. Conclui-se que a compreensão dos significados do trabalho para as juventudes é fundamental para repensar políticas e práticas que garantam o trabalho como espaço de direitos, dignidade e construção de sentido coletivo, promovendo condições que favoreçam experiências laborais mais saudáveis e socialmente justas.

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Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Psicologia e Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciência da Saúde de Porto Alegre.

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