Avaliação dos diferentes domínios de atividades físicas na gestação e sua associação com desfechos perinatais em mulheres com transtornos psiquiátricos

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O estudo investigou a realização de atividades físicas em gestantes com transtornos psiquiátricos a partir da avaliação de diferentes domínios desfechos perinatais. Fundamentado em uma revisão da literatura sobre saúde mental perinatal e sobre as implicações dos transtornos psiquiátricos durante a gestação, o trabalho enfatiza a necessidade de compreender como a prática de atividade física pode influenciar tanto a saúde mental quanto os desfechos obstétricos. Trata-se de um estudo transversal de caráter descritivo e analítico, realizado com 64 gestantes atendidas em hospital público referência em atendimentos a mulheres em situação de vulnerabilidade clínica e social. Foram utilizados instrumentos padronizados, incluindo a Structured Clinical Interview for DSM-5 Disorders – Clinical Version (SCID-5-CV) para diagnóstico psiquiátrico e o Pregnancy Physical Activity Questionnaire (PPAQ) para avaliação dos níveis e domínios de atividade física, além de questionários para coleta de dados sociodemográficos e clínicos. A amostra apresentou mediana de idade de 29 anos (18-43 anos), baixa escolaridade (17,2% com ensino fundamental incompleto), predomínio de mulheres solteiras (59,4%) e pertencentes à classe social C (48,4%). Embora 84,6% das participantes tenham atingido a recomendação mínima de atividade física semanal, a prática concentrou-se majoritariamente no domínio doméstico (mediana de 315 minutos/semana), enquanto os domínios de lazer, transporte e trabalho apresentaram medianas de zero minutos. Observou-se associação significativa entre níveis mais elevados de atividade física doméstica e ocorrência de intercorrências obstétricas (p=0,009), além de associação entre prática de atividade física vigorosa no lazer e diagnóstico de diabetes mellitus gestacional (p=0,003). Os resultados reforçam que a prática de atividade física, por si só, não garante proteção para a saúde perinatal, sendo essencial considerar o contexto em que ela ocorre. Atividades realizadas predominantemente no ambiente doméstico, associadas a sobrecarga e obrigação, podem não gerar os mesmos benefícios que práticas de lazer, ligadas à autonomia e prazer. Além disso, a associação observada entre atividade física vigorosa no lazer e o diagnóstico de diabetes mellitus gestacional sugere uma possível causalidade reversa, em que o diagnóstico clínico pode ter motivado o aumento da prática de exercícios como estratégia terapêutica. O estudo reforça a necessidade de estratégias que incentivem práticas voluntárias e prazerosas, especialmente para uma população triplamente vulnerável — marcada pela presença de transtornos psiquiátricos, baixo nível socioeconômico e pelos desafios próprios da gestação —, a fim de promover cuidados mais equitativos e efetivos no período perinatal.

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Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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