Saúde mental e qualidade de vida dos profissionais de saúde brasileiros: inquérito nacional durante a pandemia de Covid-19
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OBJETIVO: Nesta dissertação busca-se construir um perfil das dimensões humanas e conjunturais da saúde mental e qualidade de vida dos profissionais de saúde brasileiros durante a pandemia de COVID-19, bem como estabelecer a prevalência de sintomas de depressão, ansiedade e estresse, traçando relações com a qualidade de vida, consumo de álcool e dados sociodemográficos desses profissionais. MÉTODO: A pesquisa é dividida em dois momentos distintos. Inicia-se com um estudo de método misto, de estratégia incorporada concomitante, no formato QUAL+Quan. Nela, os produtos de uma síntese de literatura cinzenta (mapa de empatia) e de uma revisão narrativa de evidência em bases indexadas (panorama situacional) foram trabalhados para a criação do perfil detalhado. No segundo momento, realizou-se um estudo transversal e quantitativo de âmbito nacional, do tipo inquérito. O instrumento foi composto de questões referentes aos dados sociodemográficos, bem como os formulários validados WHOQOL-BREF, DASS 21 e CAGE. O inquérito foi distribuído por conselhos de classe, associações, sindicatos e programas de pós-graduação para oito categorias de profissionais entre 19/05 e 06/08/2021. RESULTADOS: Para o primeiro estudo foram extraídas pouco mais de 400 palavraschave das 19 matérias jornalísticas selecionadas para a composição dos 4 quadrantes do mapa de empatia. Em sua maioria, as percepções do pessoal de saúde incluíam ocorrências fora do corriqueiro, em tom predominantemente negativo. Para o panorama situacional, foram inclusos 31 estudos, de 19 países. Dessa análise, delinearam-se 5 categorias: esgotamento físico e mental; medo; afastamento dos círculos sociais; transtorno de rotinas; e, risco de contaminação. Já para o segundo, foram recebidas e utilizadas para análise 8269 respostas válidas. Evidenciou-se a prevalência dos sintomas de depressão, ansiedade e estresse, em nível moderado a muito grave em, respectivamente, 66,3%, 65,7% e 57,5% da amostra. Houve associação significativa entre a piora da qualidade de vida e dos sintomas de saúde mental com: exposição ao trabalho com pacientes covid; principalmente entre pessoas com menor faixa etária; ser do sexo feminino; crença de infecção por COVID-19; e descrição de problemas com uso de bebidas alcóolicas. CONCLUSÃO: Os dois momentos da dissertção reforçam-se mutuamente pois, o perfil das dimensões humanas e conjunturais demonstra como o esgotamento exacerbou o medo, reduzindo a capacidade dos profissionais de lidar com estresse e manter resiliência emocional. Já a análise das prevalências revela que o estado da saúde mental dos profissionais de saúde brasileiros estava duas a três vezes mais comprometido que na população em geral no 2º ano da pandemia de COVID-19, com associação significativa com percepção negativa da qualidade de vida. Os achados no pessoal de saúde brasileiro são semelhantes aos de casos mais graves encontrados no âmbito global, reforçando a necessidade de um olhar atento para os profissionais de saúde durante o enfrentamento de emergências de saúde. A falta de condições laborais adequadas majorou os riscos de infecção e transmissão do vírus, bem como o distanciamento intensificou sentimentos de desamparo e solidão, colocando-os em situação de vulnerabilidade. PALAVRAS-CHAVE: Saúde Mental, Qualidade de Vida, Pessoal de Saúde, Prevalência, COVID-19.
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Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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