Terapia cognitiva baseada em mindfulness e depressão resistente ao tratamento: um ensaio clínico randomizado controlado
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trodução: O Transtorno Depressivo Maior (TDM), especialmente quando
resistente ao tratamento (DRT), traz desafios clínicos, necessitando intervenções
custo-efetivas. São escassos os estudos no Brasil utilizando Terapia Cognitiva
Baseada em Mindfulness (MBCT), ainda mais com pacientes de serviços públicos
de saúde mental. Métodos: Objetivou-se, no primeiro estudo, avaliar a eficácia da
MBCT em relação a outra intervenção de comparação ativa estruturalmente
equivalente, ambas associadas ao tratamento usual (TAU) em pacientes brasileiros
com TDM, com ou sem DRT. O desenho metodológico foi um ensaio clínico
randomizado controlado que comparou duas intervenções de 8 semanas, MBCT e o
Health-Enhancement Program (HEP), associadas ao TAU para adultos com TDM,
associado ou não ao DRT com avaliação de seguimento de 4 semanas. O desfecho
primário foi os sintomas depressivos e a mudança na gravidade da depressão,
medida pela redução percentual na pontuação total, além disso, foram avaliados os
construtos respostas ruminativas e Aceitação e Ação; e construtos oriundos da
Psicologia Positiva, entre eles, Mindfulness, Autocompaixão, Autorregulação
Emocional, Afetos Positivos, Satisfação de Vida, Otimismo e Esperança Cognitiva.
No segundo estudo, objetivou-se apresentar dados da eficácia da intervenção MBCT
com pacientes brasileiros deprimidos, na melhora de sintomas depressivos, nas
respostas ruminativas e nos acréscimos dos construtos da Psicologia Positiva
(Mindfulness, autocompaixão, satisfação de vida, otimismo, esperança, afetos),
analisando os resultados encontrados por análise de rede. Resultados: No primeiro
estudo, no final do tratamento de 8 mais 4 semanas de follow-up, a amostra para
análise por protocolo foi de 35 no MBCT e 32 no HEP. Em relação à condição HEP, a
condição MBCT foi associada a uma taxa significativamente maior de
respondedores ao tratamento no final da intervenção (48,6 vs. 15,6%; p = 0,01). O
MBCT apresentou diferenças significativas do grupo HEP em quase todos os
construtos avaliados, entre eles, no escore total de Autocompaixão na S8 e S12
(MBCT 95,26 vs. HEP 77,56; MBCT 98,2 vs. HEP 78,72; p = 0,01), nas estratégias
adequadas de autorregulação emocional na S8 e S12 (MBCT 54,51 vs. HEP 43,16;
MBCT 56,86 vs. HEP 44,63; p = 0,01). Com relação à Satisfação de Vida, não houve
diferenças significativas entre os grupos. MBCT melhorou significativamente as
taxas de resposta ao tratamento em 8 semanas, mas não as taxas de remissão. No
segundo estudo, a amostra foi composta por 40 pacientes deprimidos (67,5%
mulheres). Com relação a pré-intervenção, todos os construtos tiveram mudanças
significativas pós-intervenção (p<0.001). Dentre as que tiveram tamanho de efeito
muito grande, estão os sintomas depressivos (2,4; IC95% 1,79 a 3,01),
autocompaixão (-1,69, IC95% -2,17 a -1,20), afetos positivos (-1,50; IC95% -1,95 a
-1,04) e satisfação de vida (-1,36; IC95% -1,72 a -0,92). Na análise de rede, foi
observada maior centralidade pós-intervenção para as facetas do Mindfulness, além
disso, associações mais fortes com os sintomas depressivos foram encontradas.
Conclusões: Em ambos os estudos a intervenção MBCT melhorou vários aspectos
positivos do funcionamento emocional. MBCT parece ser um complemento viável na
gestão de TDM e DRT.
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Tese (Doutorado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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