Hábitos alimentares, estilo de vida e estado mental durante a pandemia de COVID-19 e o efeito da suplementação de zinco em mulheres com sobrepeso ou obesidade
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Nos últimos anos, houve um aumento na prevalência e incidência de
obesidade, atingindo proporções epidemiológicas preocupantes. Notavelmente, a
obesidade representa um sério desafio para a saúde pública em todo o mundo, e
esse cenário pode ter se agravado ainda mais após a pandemia de COVID-19. A
obesidade é uma doença de origem multifatorial, neurocomportamental,
progressiva e recidivante, embora seja tratável. É caracterizada pelo excesso
anormal de tecido adiposo, o qual aumenta a suscetibilidade a doenças crônicas
não transmissíveis e também afeta a estrutura e a função cerebral. Diante deste
contexto, é essencial investigar estratégias adjuvantes para o tratamento da
obesidade. O zinco (Zn) é um mineral com importantes funções metabólicas que
pode modular o comprometimento neurológico relacionado à obesidade. Assim, a
presente tese teve dois enfoques principais: 1 - Investigar as mudanças nos hábitos
alimentares, estilo de vida e cognição durante a pandemia de COVID-19 e 2 -
Avaliar os efeitos de doze semanas de suplementação de Zn no perfil inflamatório,
função cognitiva e estado mental de mulheres com sobrepeso ou obesidade por
meio de um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. A primeira
parte deste estudo foi conduzida por meio de uma pesquisa on-line realizada em
dois momentos distintos: no início da pandemia por COVID-19 (em 2020) e durante
o segundo ano de pandemia (em 2021). Os resultados revelaram que ao longo do
período pandêmico, tanto no início quanto no segundo ano, houve um impacto
adverso nos hábitos alimentares e no modo de vida da população gaúcha. Esse
impacto foi associado ao aumento de peso e ao aumento do risco de
comprometimento cognitivo. A segunda parte desta tese, foi realizada por meio de
um estudo randomizado, onde participaram mulheres com idade entre 40 e 60
anos, as quais foram divididas aleatoriamente em dois grupos, suplementação
(recebendo 30 mg de Zn/dia) ou placebo durante 12 semanas. Dados
sociodemográficos, antropométricos, dietéticos, atividade física, função cognitiva,
estado emocional foram coletados juntamente com amostras de saliva no início e
no final do estudo. A avaliação cognitiva consistiu no Mini Exame do Estado Mental
(MEEM), Teste de Fluência Verbal, Teste do Desenho do Relógio e Teste de
Stroop. Os sintomas de ansiedade e depressão foram avaliados por meio dos
instrumentos escala de Beck e BDI-II, respectivamente. Amostras de saliva foram
coletadas para análise de IL-1β, IL-6, TNF-α, insulina, nitrito e zinco. Os
participantes foram instruídos a não mudar seus hábitos alimentares durante a
participação no estudo. Das 42 participantes (média de idade 49,58 ± 6,46 anos),
32 foram incluídos nas análises do estudo. As alterações no peso corporal, IMC e
macronutrientes não foram significativamente diferentes entre os grupos placebo
versus suplementação (p > 0,05). As pontuações cognitivas nos testes MEEM e
Stroop foram significativamente melhores no grupo de suplementação em
comparação com o grupo de placebo (p < 0,05, p = 0,13), respectivamente. Doze
semanas de suplementação com Zn foi capaz de melhorar os escores cognitivos
avaliados pelo teste MEEM e Stroop em mulheres com sobrepeso ou obesidade,
independentemente da perda de peso corporal. Esses resultados sugerem que a
suplementação de Zn pode ser considerada uma estratégia adjuvante para a
prevenção dos prejuízos cognitivos associados à obesidade.
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Tese (Doutorado)-Programa de Pós-Graduação em Biociências, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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