Website como ferramenta de comunicação educativa para familiares de pacientes internados em UTI: impacto na satisfação, ansiedade e depressão

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Introdução: A Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) é um ambiente onde se concentram recursos humanos e materiais para o atendimento de pacientes graves. Por esse motivo, é caracterizada por ser uma unidade pouco humanizada, onde as famílias não são preparadas para lidar com situações de gravidade, gerando assim altos níveis de ansiedade e depressão e baixa satisfação dos familiares. Nessa assertiva, oportunizar para que as famílias estejam mais próximas da unidade, educar e possibilitar informações importantes sobre a UTI pode ser uma das formas de reduzir estes sintomas indesejados entre os familiares. Objetivo: Verificar se a utilização de um website informativo influência na redução dos sintomas de ansiedade em familiares acompanhantes que participaram de um programa de visita ampliada na UTI. Métodos: Foi realizado um estudo de corte longitudinal aninhado em um ensaio clínico randomizado, no período de abril de 2017 a junho de 2018 em 35 UTIs com horários de visita flexível no Brasil. Os membros das famílias participaram de ao menos uma reunião presencial educacional antes de serem autorizados a visitar o paciente por até 12 horas por dia durante a permanência na UTI. Além disso, esses familiares foram orientados a acessar um site educacional (www.utivisitas.com.br) destinado a ajudá-los a compreender os diversos processos e emoções associados à permanência na UTI. Os principais resultados do estudo foram a satisfação com os cuidados avaliados pelo Inventário de Necessidades Familiares para Cuidados Críticos (INEFT) e os sintomas de ansiedade e depressão avaliados pela Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS). Os membros da família foram avaliados através de questionários autoaplicados nas primeiras 48 horas após a internação do paciente e até 7 dias após a alta da paciente na UTI, morte ou no máximo de 30 dias para avaliação do resultado. Resultados: Foram avaliados 532 familiares durante o período do estudo. Destes, 61 (11,5%) acessaram o site. Após, uma análise multivariada foi conduzida, anos de escolaridade (razão de risco [RR], 1,06; intervalo de confiança [IC] 95%, 1,01-1,11) e escores de depressão HADS> 7 (RR, 1,74; IC 95%, 1,05-2,90) no início do estudo foram independentemente associados com o acesso ao site. Nesse ínterim, após ajuste para idade, escolaridade e escores HADS no início do estudo e status de sobrevida do paciente no final do acompanhamento, os membros da família que acessaram o site obtiveram média significativamente melhor do escore INEFT (152,8 vs. 145,2, P = 0,01) e menor prevalência de provável ansiedade clínica (razão de prevalência, 0,35; IC95%, 0,14-0,89) do que os familiares que não acessaram o site. Todavia, não houve diferenças significativas entre os dois grupos de estudo em relação aos sintomas de depressão. Conclusão: O acesso a um site educacional destinado a familiares de pacientes críticos foi associado à maior satisfação com o cuidado e à menor prevalência de ansiedade clínica.

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Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ensino na Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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