Análise eletromiográfica de músculos cervicais e de tronco superior mediante posturas de facilitação do controle de cabeça em crianças com paralisia cerebral - abordagem segundo o conceito neuroevolutivo Bobath

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A Paralisia Cerebral (PC) é um distúrbio caracterizado por alterações no desenvolvimento do movimento e da postura, decorrentes de uma lesão cerebral não progressiva durante o desenvolvimento fetal ou infantil. Resulta em uma variedade de problemas sensóriomotores, ocasionando atraso ou distúrbio no desenvolvimento neuropsicomotor. O desenvolvimento do controle de cabeça é a aquisição motora mais básica no processo neuroevolutivo e depende da capacidade de integrar aferências vestibulares e proprioceptivas ao comando motor eferente das vias ventro-mediais de controle postural. O Conceito Neuroevolutivo Bobath agrupa técnicas de inibição, estimulação e facilitação como estratégias para resolução de problemas funcionais, focando na recuperação sensório-motora dos segmentos corporais acometidos, em oposição às compensações de movimento. O objetivo deste trabalho foi verificar a atividade eletromiográfica de músculos envolvidos no controle de cabeça, mediante duas posturas amplamente utilizadas como estratégia de facilitação do controle de cabeça, em crianças com diagnóstico de PC. Tratou-se de um ensaio clínico do tipo sequencial (crossover), no qual 31 crianças com diagnóstico clínico de PC quadriplégica e classificação em nível de IV a V na escala de avaliação da função motora Gross Motor Function Classification System (GMFCS), foram submetidas a dois manuseios para facilitação do controle de cabeça. O manuseio facilitarório foi realizado utilizando a articulação do quadril, ponto-chave de controle amplamente utilizado pelo método Bobath, nas posturas em decúbitos lateral e ventral, averiguando seus efeitos no incremento da atividade eletromiográfica de músculos cervicais e de tronco superior nos planos sagital, frontal e transverso. A captura dos sinais foi realizada ao nível da quarta vértebra cervical (C4) na musculatura paraespinhal, ao nível da décima vértebra torácica (T10) na musculatura paraespinhal e no músculo esternocleidomastóide (ECM). Os resultados demonstraram aumento da ativação muscular no sinal eletromiográfico de superfície (EMG) nos três pontos testados [C4 (P< 0.001), T10 (P< 0.001) and ECM (P= 0.02)] quando o manuseio foi realizado em decúbito lateral. O sinal EMG apresentou maior aumento ao nível de C4 em decúbito lateral, quando comparado ao decúbito ventral. No decúbito ventral na cunha, com manuseio do mesmo ponto-chave, houve aumento significativo da atividade EMG nos níveis T10 e ECM (P= 0.018 e P= 0.004, respectivamente), mas o mesmo não foi evidenciado na região do extensor cervical (C4 P= 0.38). A principal conclusão desta pesquisa foi que as duas posturas e manuseios, utilizando o ponto-chave de quadril, podem facilitar a ativação muscular cervical e ao nível de tronco superior, sendo o decúbito lateral, a melhor alternativa. Portanto, este manuseio facilitatório, baseado no Conceito Bobath, pode proporcionar à criança com sequelas sensório-motoras da PC, oportunidades positivas de controle de cabeça.

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Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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