Participação do sistema imune-inflamatório na progressão do câncer colorretal: análise do impacto da obesidade e da sinalização purinérgica

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O câncer colorretal (CCR) é um problema de saúde mundial, com alta taxa de mortalidade quando alcança o grau metastático. Quando associado à obesidade o risco é aumentado, devido a alteração imunológica sofrida pelo organismo. Estudos indicam que a participação de um microambiente inflamatório, composto por células imunes e seus produtos de secreção, é essencial para a progressão tumoral. Dando ênfase à imunidade inata, macrófagos associados ao tumor (TAM) frequentemente apresentam uma polarização do tipo-M2 (predominantemente imunossupressora), a qual pode desempenhar importantes funções de promoção tumoral. Umas das vias alteradas nas células imunes durante a modificação gerada pelo microambiente tumoral é o sistema de sinalização purinérgico. O objetivo do presente trabalho foi investigar a participação do sistema imune/inflamatório na progressão do câncer colorretal. Para tanto, primeiro foi realizada uma revisão da literatura buscando concentrar os dados sobre sinalização purinérgica no câncer colorretal publicados até o momento. Segundo, em experimentos in vitro, as linhagens Caco-2 e HCT116, foram cultivadas com o soro dos grupos: obesos e não-obeso e parametros de viabilidade, migração, proliferação e adesão celular. Além disso, a secreção das citocinas IL-6, IL- 10 e TNF-α foram analisadas no soro e no sobrenadantes das linhagens celulares. Em terceiro, foram realizadas culturas primárias de macrófagos humanos obtidos a partir da diferenciação de monócitos circulantes. Tais culturas foram co-cultivadas diretamente com células de linhagem de CCR humano (HCT116) ou tratadas com o meio condicionado. A avaliação dos fenótipos M1/M2 dos macrófagos foi realizada por citometria de fluxo para os marcadores CD204, CD163 e HLA-DR ou por CBA para TNF, IL-1β, IL-6, IL-10 e IL-8; espécies reativas de oxigênio e a produção de óxido nítrico, assim como morte celular por necrose, proliferação e potencial de membrana também foram avaliados. Em suma, os principais resultados foram: o aumento da expressão da enzima CD73 e dos receptores P1 (A1, A2A, A2B) leva a progressão tumoral no CCR; os receptores da família P2 (P2X e P2Y) e os níveis de ATP apresentaram resultados contraditórios, com efeitos tanto pró- quanto anti-tumoral. Citocinas pró-inflamatórias (TNF-α e IL-6) foram mais elevadas no grupo obeso, no soro e no sobrenadante das linhagens celulares de CCR. Os macrófagos que foram co-cultivados com células tumorais apresentaram perfil de liberação de citocinas mesclado, aumento de proliferação, diminuição de ROS e aumento da expressão de CD206 e CD163, sinais característicos de um fenótipo pró-tumoral. Como conclusão, a participação do sistema purinérgico, o estado de inflamação causado pela obesidade e a adaptação dos macrófagos a células tumorais foram elementos auxiliares para o desenvolvimento/progressão tumoral.

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Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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