Avaliação de marcadores de translocação microbiana na COVID-19: impacto na resposta inflamatória e perfil de monócitos

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Esta dissertação teve como objetivo avaliar o impacto das alterações da barreira da mucosa gastrointestinal na resposta inflamatória sistêmica e subpopulações de monócitos na patogênese da COVID-19. Para isto, foram desenvolvidos dois estudos originais com foco na patogenia da infecção aguda pelo SARS-CoV-2, agente causador da COVID-19. No estudo 1, amostras de sangue periférico de pacientes com a forma grave da COVID-19 com desfecho de óbito apresentaram níveis aumentados de marcadores de translocação microbiana e de citocinas e quimicionas pró- inflamatórias (IL-6, TNF-α, CCL2/MCP-1 e CCL5/RANTES) ao longo da hospitalização. A incubação in vitro de monócitos com plasma de pacientes COVID- 19 não sobreviventes no T2 (fim da hospitalização) levou a uma maior expressão de TLR4, CCR2, CCR5, CCR7 e CD69. Conclui-se que há uma coexistência entre aumento da translocação microbiana, maior ativação de monócitos e hiperinflamação de pacientes com COVID-19 grave. O estudo 2 sugere que maiores níveis de endotoxinas na circulação podem indicar um estado comprometido da resposta imune do hospedeiro contra coinfecções em pacientes com COVID-19 grave. A estimulação ex vivo de sangue total de pacientes graves com COVID-19, com diferentes concentrações de LPS (1 e 10 ng/mL), induziu menor produção de IL-6, IL-10 e TNF- α na condição de 1 ng/mL e menor produção de IL-6, L-10, CCL2 e TNF-α após estimulação de 10 ng/mL em comparação com os controles. Ambas concentrações de endotoxina reduziram a frequência de monócitos CD14+HLA-DRlow em pacientes graves com COVID-19, enquanto que os aumentos na expressão de TLR-4 e ativação de NF-κB foram mais pronunciados em CD14+ HLA-DRlow e CD14+HLA-DRhigh monócitos de controles saudáveis e pacientes leves com COVID-19 em comparação com o grupo grave de COVID-19, sugerindo que a infecção aguda por SARS CoV-2 está associado a diminuição da resposta à endotoxina em monócitos. Diante disso, a infecção aguda por SARS CoV-2 e o desenvolvimento dos piores desfechos clínicos na COVID-19 podem estar associadas ao aumento da translocação microbiana, que coexiste com hiperinflamação e imunossupressão.

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Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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