Impacto da fragilidade e da anemia pré-operatória na recuperação de pacientes submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio

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Introdução: embora a cirurgia de revascularização do miocárdio (CRM) seja o procedimento cardiovascular mais realizado em todo o mundo há décadas e tratamento padrão para doença arterial coronariana complexa, a predição do risco cirúrgico para o procedimento apresenta falhas importantes. Nesse contexto, a fragilidade e a anemia pré-operatória, fatores de risco ainda pouco estudados, podem ter um papel relevante na predição do risco cirúrgico. Objetivos: nosso objetivo foi avaliar o impacto da fragilidade e da anemia pré-operatória sobre os desfechos hospitalares pós-CRM. Métodos: nós montamos uma coorte de pacientes submetidos consecutivamente à CRM isolada entre janeiro de 2013 e dezembro de 2017. A fragilidade foi definida como qualquer deficiência no Índice de Katz. Dos 1508 pacientes, 126 (8,4%) foram classificados como frágeis. As características basais e os desfechos foram comparados por análise univariada. Modelos de regressão multivariada foram aplicados para análise ajustada dos desfechos de interesse. A acurácia preditiva dos modelos de regressão foi analisada por meio de curvas ROC. A acurácia preditiva adicional da fragilidade e da anemia, quando associadas com os escores de risco cirúrgico, foi apurada pela comparação das curvas ROC com o teste DeLong. Resultados: nós observamos que os pacientes frágeis apresentavam idade mais avançada, mais comorbidades associadas e a maioria era do sexo feminino. Nós verificamos também que a fragilidade foi um preditor independente para mortalidade hospitalar e para eventos cardiovasculares e cerebrovasculares graves - MACCE. Além disso, por meio de análise ajustada, nós identificamos que a fragilidade esteve associada com maior tempo de internação pós-procedimento. A anemia pré-operatória, da mesma forma que a fragilidade, foi classificada como um preditor independente para mortalidade hospitalar e para MACCE. No entanto, nós não encontramos associação significativa entre anemia e maior tempo de internação hospitalar. Adicionalmente, nós verificamos que quando associadas com os escores de risco cirúrgico, a fragilidade e a anemia melhoraram a acurácia preditiva do EuroScore 1 e do EuroScore 2 para mortalidade hospitalar. Conclusões: nós constatamos que a fragilidade e a anemia pré-operatória são preditores independentes de mortalidade hospitalar e de MACCE pós-CRM. A fragilidade também foi um forte preditor de maior tempo de internação hospitalar. A associação da fragilidade e da anemia com os escores de risco cirúrgico resultou em uma melhora significativa da acurácia preditiva dos escores em relação à mortalidade hospitalar. A triagem da fragilidade pelo índice de Katz melhorou a avaliação de risco para CRM isolada e, quando associada à anemia, demonstrou que pacientes frágeis e anêmicos possuem piores resultados cirúrgicos. Identificar estes pacientes pode ainda resultar em cuidados pré-operatórios específicos para o manejo da fragilidade e da anemia pré-operatória.

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Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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