Comprometimento nutricional de pacientes hospitalizados por exacerbação da doença pulmonar obstrutiva crônica: desnutrição e sarcopenia
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Wagner Wessfll
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Introdução: A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) caracteriza-se por seu caráter
progressivo e irreversível e pela presença de inflamação crônica, a qual é intensificada nos quadros
de exacerbação. Isso contribui para um intenso catabolismo proteico e, consequentemente, para o
comprometimento do estado nutricional de pacientes com DPOC. O objetivo desse estudo foi
avaliar a prevalência de desnutrição por diferentes ferramentas integrativas e a validade concorrente
e preditiva dessas em predizer desfechos intra-hospitalares. Além disso, foi avaliada a prevalência
de sarcopenia, os fatores associados a essa condição e a sua associação com desfechos clínicos em
pacientes com DPOC hospitalizados por exacerbação da doença.
Metodologia: Estudo de coorte prospectiva com pacientes internados por exacerbação da DPOC em
um hospital público terciário brasileiro. A coleta de dados foi realizada em até 72 horas após a
admissão hospitalar. O diagnóstico de desnutrição foi realizado pela ferramentas Avaliação
Subjetiva Global (ASG), Global Leadership Initiative of Malnutrition (GLIM), Academy of
Nutrition and Dietetics–American Society for Parenteral and Enteral Nutrition (AND-ASPEN) e
European Society for Clinical Nutrition and Metabolism (ESPEN). O diagnóstico de sarcopenia foi
realizado de acordo com o consenso proposto pelo European Work Group on Sarcopenia in Older
People (EWGSOP 2) considerando força do aperto de mão (FAM) e índice de massa livre de
gordura (IMLG) ou circunferência da panturrilha (CP) reduzidos. Os desfechos avaliados foram
tempo de internação hospitalar e mortalidade intra-hospitalar. Testes estatísticos apropriados foram
aplicados e p valores <0,05 foram considerados significativos. O protocolo de pesquisa foi
aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital e todos os pacientes deram seu consentimento.
Resultados: Foram incluídos no estudo 241 pacientes (68,3 ± 10,2 anos e 53,5% mulheres). A
prevalência de desnutrição variou entre 20,2% a 54,4%, de acordo com a ferramenta utilizada. O
diagnóstico de desnutrição pela AND-ASPEN apresentou melhor acurácia (AUC = 0,837; IC95%
0,783-0,841) e concordância com a ASG (k = 0,674). Além disso, foi preditor de tempo de
internação hospitalar prolongado (>14 dias) (OR = 1,73; IC95% 1,01-3,37). Em 208 pacientes foi
possível estabelecer o diagnóstico de sarcopenia, sendo identificada em 16,3%. Os fatores
associados à presença de sarcopenia foram os estágios 2 e 3 de severidade da doença (OR = 4,69;
IC95% 1,30- 16,91) e a presença de desnutrição (OR = 16,46 IC95% 3,50- 77,41). Quando
empregada a CP reduzida associada a força do aperto de mão (FAM) reduzida para diagnóstico de
sarcopenia, foi identificada prevalência de 20,3% e esse diagnóstico apresentou acurácia
satisfatória, (AUC = 0,886; IC 95% 0,811-0,961) e alta concordância (kappa = 0,703, p<0,001) com
o diagnóstico realizado a partir da FAM e IMLG reduzidos.
Conclusão: Desnutrição e sarcopenia foram identificados em 20-50% e 16-20% dos pacientes,
respectivamente, variando conforme diagnóstico aplicado. A ferramenta da AND-ASPEN
apresentou validade preditiva e concorrente satisfatórias em diagnosticar desnutrição no paciente
hospitalizado por DPOC exacerbado. Fatores como desnutrição e estágio da DPOC foram
associados à presença de sarcopenia, a qual pode ser diagnosticada com a CP como medida de
massa muscular quando IMLG não estiver disponível.
Descrição
Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Nutrição, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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