Os efeitos da associação do tratamento manipulativo osteopático a um protocolo de exercícios na dor e incapacidade de indivíduos com dor cervical crônica inespecífica: ensaio clínico pragmático
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Wagner Wessfll
Resumo
A dor cervical é considerada uma experiência sensorial e emocional
desagradável na região do pescoço associada a danos teciduais reais ou
potenciais. É um problema de saúde pública altamente prevalente com impacto
no bem-estar geral, custos por ausência no trabalho e por despesas médicas.
Existem muitas opções para o tratamento da dor no pescoço, incluindo terapia
manual, fisioterapia, tratamentos medicamentosos, exercícios físicos e
educação dos pacientes. As evidências atuais relatam que o Tratamento
Manipulativo Osteopático (TMO) é mais eficaz que o tratamento placebo ou
nenhum tratamento, para dor e funcionalidade, em pacientes com dor no
pescoço crônica inespecífica. No entanto, nenhum estudo avaliou os efeitos do
TMO associado a exercícios de fortalecimento e alongamento na dor e na
funcionalidade de pacientes com dor cervical.
O objetivo deste estudo foi investigar os efeitos da associação TMO e
exercícios físicos para região cervical, no alívio da dor e incapacidade para
dores no pescoço inespecíficas. Utilizando um desenho pragmático de ensaio
clínico randomizado com avaliadores cegados, os participantes foram divididos
em dois grupos: Grupo de Exercícios (GE; n = 45) em que o tratamento foi
realizado com exercícios isométricos e alongamentos passivos por quatro
semanas e Grupo Exercícios associado ao Tratamento Manipulativo
Osteopático (GE/TMO; n = 45) em que realizou tratamento com exercícios
isométricos e alongamentos passivos associados ao TMO de acordo com as
necessidades de cada indivíduo, também por quatro semanas. Após a
avaliação, os participantes iniciaram o tratamento, que consistiu em 4 consultas
com intervalos de 7 dias entre elas. A dor foi avaliada através do uso de uma escala numérica de classificação da dor de 0 a 10 e do limiar de dor à pressão
com o uso de um algômetro de pressão. A funcionalidade foi medida pelo Neck
Disability Index e a amplitude de movimento de rotação do pescoço usando
equipamento de goniometria gravitacional CROM®. O questionário Fear Avoidance-Beliefs também foi utilizado para crenças e medos relacionados ao
trabalho e atividade física. Todos os resultados foram coletados antes do
tratamento, ao término do tratamento (30 dias após a primeira sessão), e após
3 e 6 meses do início do tratamento. Utilizou-se como modelo estatístico as
Equações de Estimação Generalizada, que permite análises multivariadas,
indicando que o Tratamento Manipulativo Osteopático associado a exercícios
reduziu a dor (P = 0,007) e a incapacidade (P = 0.01) após 4 semanas de
tratamento, com diferença significante comparado com grupo exercício, bem
como a rotação ativa cervical foi significativamente maior no grupo que recebeu
TMO (p=0,03). Não foram observadas diferenças, após 4 semanas de
tratamento, entre os grupos na medida do limiar de dor à pressão e no
questionário de crenças FABQ. Além disso, não foram encontradas diferenças
significativas na intensidade da dor ou incapacidade funcional, quando os
grupos foram comparados: aos 3 meses (p = 0,1 ; p = 0,2) ou 6 meses (p = 0,4
; p = 0,9) e também não foi encontrada diferença entre os grupos nos
desfechos secundários no mesmo período de acompanhamento.
A associação entre TMO e exercícios reduz a dor e melhora a capacidade
funcional quando comparado com exercícios de forma isolada para indivíduos
com dor crônica inespecífica no pescoço, esta melhora ocorreu apenas quando
os resultados foram avaliados a curto prazo, ou seja, 30 dias após o início do
tratamento.
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Tese (Doutorado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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