Estudo do efeito da poluição do ar sobre o estresse oxidativo e o número de células neuronais e microgliais no córtex e estriado de ratos
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Wagner Wessfll
Resumo
A exposição crônica à poluição atmosférica (PA) desencadeia mecanismos de
neuroinflamação e de estresse oxidativo os quais estão envolvidos na fisiopatogênese
de muitas doenças neurodegenerativas. O objetivo deste estudo foi investigar o efeito
da exposição crônica à PA em período pré-natal, após o nascimento ou pré e pós natal sobre biomarcadores de estresse oxidativo (EO), número de neurônios e de
células microgliais do córtex e do estriado de ratos. O nosso trabalho também
objetivou examinar se a troca de ambientes por ocasião do desmame alteraria
parâmetros de EO ou histológicos. Setenta e dois ratos Wistar machos foram
distribuídos em 4 grupos de exposição: 1) grupo F ou controle – exposto durante o
período pré e pós-natal até a idade adulta ao ar filtrado;2) grupo NFF – exposto ao ar
não filtrado no período pré-natal até o desmame e após, ao ar filtrado; 3) grupo FNF -
exposto ao ar filtrado no período pré-natal até o desmame e após, ao ar não filtrado;
4) NF - exposto ao ar não filtrado no período pré-natal até a vida adulta. Após 150 dias
de vida, córtex e estriado de 48 animais (n=12 por grupo de exposição) foram
dissecados e submetidos às análises de EO: determinação da da atividade das
enzimas superóxido dismutase (SOD) e catalase (CAT) e das concentrações de
malondialdeido (MDA) e glutationa total (GSHt). Na sequência, córtex e estriado de
outro lote de animais (24 - n= 6 por grupo de exposição) foram preparados para estudo
histológico, por técnica estereologica, para a determinação do número de neurônios e
de microglia. A concentração de MDA foi significativamente mais elevada no córtex e
no estriado do grupo NF. O estriado apresentou um aumento e o córtex apresentou
redução na concentração de GSHt no grupo FNF. A atividade da SOD foi reduzida no
córtex de todos os grupos expostos em algum período da vida à PA e no estriado do
grupo FNF. A exposição à PA não modificou a atividade da CAT nas regiões estudadas.
Não houve diferença entre os grupos quanto ao número de neurônios ou de microglia
no estriado. Por outro lado, o número de neurônios e de microglia foi significativamente
mais elevado no córtex do grupo FNF. Nossos resultados sugerem que estriado e
córtex têm limiares de reação e respostas adaptativas distintas ao EO gerado pela
exposição a PA. A troca precoce de ambiente impediu e talvez reverteu o quadro de
EO. Sugerimos que a PA seja capaz de induzir neurogênese no córtex, embora
provavelmente de forma transitória e como mecanismo compensatório.
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Tese (Doutorado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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