Avaliação exploratória dos efeitos de compostos químicos indólicos em ratos machos e fêmeas
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Wagner Wessfll
Resumo
Uma das condições de saúde ainda não bem elucidadas é o transtorno de uso de
substâncias (TUS). Nem todos os indivíduos que usam drogas adquirem um
transtorno de uso, o que indica que o TUS é caracterizado pela complexa
interação de múltiplos fatores. Um potente psicoestimulante com grande potencial
de gerar TUS é a cocaína. Existem evidências do envolvimento do sistema
serotoninérgico na modulação de comportamentos relacionados com o uso de
drogas. O aumento crônico de serotonina ou 5-hidroxitriptamina (5-HT), uma
indolalquilamina, pode facilitar comportamentos relacionados com recompensa
associada a drogas pelas interações entre serotonina e dopamina (DA). Alguns
exemplos de moléculas semelhantes à 5-HT que modulam a DA são agonistas e
antagonistas de receptores 5-HT usados na clínica, que mostraram efeitos sobre
comportamentos relacionados ao uso e consumo de drogas, e novas substâncias
psicoativas que possuem o sistema serotoninérgico como alvo, e que são
bastante usadas concomitantemente com outros estimulantes, como a cocaína.
Outra questão bastante intrigante é a susceptibilidade de fêmeas aos efeitos de
drogas de abuso, principalmente por cocaína, devido a influências dos hormônios
sexuais. Considerando as consequências danosas que o uso destas novas
substâncias e de cocaína implicam no ser humano, o estudo de moléculas com
estrutura semelhante à da serotonina se torna relevante, afim de avaliar potencial
de abuso ou antiaditivo das mesmas. Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar a
potencial ação sobre o sistema nervoso central (SNC), de moléculas com núcleos
indólicos que atuem sobre receptores 5-HT, sobre os efeitos da cocaína em ratos
machos e fêmeas. Para tanto, foram usados ratos Wistar albinos machos e
fêmeas mantidos em ambiente padrão (PD, n= 3 por caixa). Foram subdivididos
em três grupos de tratamento: 1) veículo (VEI, ou solução fisiológica); 2) Molécula
serotoninérgica SM7; 3) Molécula serotoninérgica SM12. A partir do dia 35 foi
feita lavagem vaginal das fêmeas para identificar o ciclo estral. Após 50 dias, foi
iniciado o protocolo de Condicionamento de Preferência de Lugar (CPL). O
tratamento com moléculas SS7 ou SS12 ou VEI foi administrado no dia de teste
do CPL e no último dia do protocolo, no qual foi realizado teste comportamental
em campo aberto. Nenhuma das duas moléculas mostrou efeitos na locomoção e
defecação, mas frequências de levantar nos machos expostos à COC do grupo
SM7 foi significativamente maior quando comparado ao grupo não-exposto à
cocaína. Nenhuma das moléculas mostrou potencializar ou reduzir as
propriedades reforçadoras da cocaína, ainda que o número de entradas tenha
sido mais elevado para as fêmeas que receberam SM12 comparadas às que
receberam veículo. O perfil de citotoxicidade revelou menor viabilidade das
células em concentrações mais altas de SM12. Estes resultados indicam poucos
efeitos negativos da SM7 e da SM12 sobre SNC, porém, parece haver uma
influência na emocionalidade considerando o comportamento de levantar no
campo aberto promovido pela administração da molécula SM7 nos machos
expostos à cocaína, o que poderia indicar efeito cumulativo desta molécula nos
machos. A SM12, em fêmeas, aumentou o número de entradas no CPL, o que é
similar a outros resultados, mostrando que a modulação do sistema
serotoninérgico pode mudar parâmetros de locomoção em fêmeas. Em geral,
SM12 mostrou maior citotoxicidade e efeitos comportamentais. Mais estudos devem ser realizados para avaliar se esta molécula poderia influenciar outros
aspectos do comportamento in vivo.
Descrição
Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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