Efeito do treinamento muscular inspiratório no pré-operatório de ressecção pulmonar anatômica: revisão sistemática com metanálise
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INTRODUÇÃO: O câncer de pulmão é o atualmente o mais comum e a principal
causa de morte relacionada ao câncer em todo o mundo. A ressecção pulmonar
anatômica é considerada a primeira escolha para o tratamento de neoplasias em
estágios iniciais. A implementação de intervenções no pré-operatório baseadas
no treinamento muscular inspiratório (TMI) poderia condicionar esses pacientes
e beneficiar a recuperação cirúrgica. OBJETIVO: Revisar sistematicamente as
evidências do efeito do TMI associado ou não a exercício físico no pré-operatório
de ressecção pulmonar anatômica na capacidade funcional, função pulmonar,
qualidade de vida, tempo de internação hospitalar, complicações no pósoperatório
e mortalidade. MÉTODOS: A pesquisa foi realizada nas bases de
dados: MEDLINE, Cochrane CENTRAL, EMBASE, LILACS e PEDro, desde o
início até setembro de 2019. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados
(ECRs) em adultos (> 18 anos) que realizaram TMI associado ou não a exercício
físico no pré-operatório de ressecção pulmonar. A seleção de estudos e extração
de dados foi realizada por dois revisores independentes. O risco de viés foi
avaliado com RoB 2.0 e a qualidade de evidência com GRADE. As metanálises
foram realizadas no software estatístico R (meta pacote). Registro no
PROSPERO: CRD42018105859. RESULTADOS: Foram incluídos 6 ECRs, com
219 participantes. Em comparação com grupo controle, os paciente que
realizaram TMI no pré-operatório demostraram melhora significativa na
capacidade funcional avaliada pelo teste de caminhada em 6 minutos (TC6) (4
ECRs, n=168, DM 28,93 [IC 95% 0,28; 57,58], p= 0,04, I2= 0%, baixa qualidade
de evidência) e reduziram significativamente o tempo de internação hospitalar (4
ECRs, n=161, DM –3,63 [IC 95% −4,96; −2,29], p= 0,00, I2= 0%, moderada
qualidade de evidência). Não houve diferença significativa entre os grupos com
relação a função pulmonar avaliada através das variáveis obtidas na
espirometria de volume expiratório forçado em um segundo (VEF1) (4 ECRs,
n=176, DM 0,0 [IC 95% −0,16; 0,16], p= 0,99, I2 = 0%, moderada qualidade de
evidência) e capacidade vital forçada (CVF) (4 ECRs, n=176, DM - 0,07 [IC 95%
−0,27; 0,14], p= 0,51, I2= 0%, moderada qualidade de evidência). Não houve
diferença significativa nas complicações no pós operatório como a ocorrência de
pneumonia (5 ECRs, n=195, RR 0,56 [IC 95% 0,29; 1,10], p= 0,09, I2= 0%, baixa qualidade de evidência), atelectasia (4 ECRs, n=163, RR 0,81 [IC 95% 0,24;
2,69], p= 0,72, I2= 0%, baixa qualidade de evidência), ventilação mecânica >48
horas (3 ECRs, n=144, RR 0,43 [IC 95% 0,12; 1,58], p= 0,20, I2= 0%, baixa
qualidade de evidência), na mortalidade (3 ECRs, n=152, RR 0,33 [IC 95% 0,04;
3,12], p= 0,33, I2= 0%, muito baixa qualidade de evidência) e na qualidade de
vida (3 ECRs, n=144, baixa qualidade de evidência). CONCLUSÃO: O TMI
associado ao exercício físico realizado no pré-operatório de ressecção pulmonar
anatômica melhora a capacidade funcional e reduz o tempo de internação
hospitalar no pós-operatório.
Descrição
Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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