Treinamento muscular inspiratório em indivíduos valvopatas submetidos à cirurgia cardíaca
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Resumo
O tratamento cirúrgico para correção das lesões valvares provocadas por doenças
estruturais do coração é, muitas vezes, a única opção capaz de restaurar a função dessas
valvas e a remissão dos sintomas. Entretanto, a cirurgia cardíaca promove alterações na
função pulmonar e na força muscular respiratória, facilitando o desenvolvimento de
complicações pulmonares. Dentre as diversas técnicas utilizadas para prevenção destas
complicações, destaca-se o treinamento da musculatura inspiratória (TMI) com resultados
positivos no pós-operatório de cirurgia de revascularização do miocárdio e cirurgia torácica.
Desta forma, hipotetizamos que o TMI pode contribuir para o incremento da função
pulmonar, da força muscular inspiratória, da capacidade funcional e da qualidade de vida de
pacientes submetidos à substituição valvar cardíaca. Neste ensaio clínico randomizado, duplo
cego, foram incluídos indivíduos adultos submetidos à cirurgia de substituição valvar cardíaca
eletiva, sem complicações pós-operatórias. Esses foram alocados em dois grupos: grupo
treinamento muscular inspiratório (G-TMI) e grupo placebo treinamento muscular inspiratório
(GP-TMI). O TMI teve início no terceiro dia de pós-operatório, sendo realizado diariamente,
duas vezes ao dia, durante um mês. Foram avaliados: função pulmonar (espirometria), força
muscular inspiratória (pressão inspiratória máxima - PImáx), capacidade funcional (teste de
caminhada dos seis minutos – TC-6) e qualidade de vida (questionário SF-36) no pré
operatório e ao final do protocolo, sendo a PImáx re-avaliada semanalmente para ajuste da
carga de treinamento (30% da PImáx). Os dados foram analisados com emprego do software
Statistica10 (StatSoft Inc., Oklahoma, EUA). O nível de significância foi fixado em 5%. Os
dados foram apresentados como média ± desvio-padrão, mediana (mínimo – máximo) ou
frequência. Como resultado, o G-TMI recuperou os valores da PImáx e de função pulmonar ao
final de um mês de treinamento. Este grupo também apresentou aumento na distância
percorrida no TC-6 em relação ao valor obtido no período pré-operatório. O GP-TMI
apresentou valores de PImáx inferiores aos encontrados no pré-operatório, com prejuízo dos
valores de função pulmonar e menor distância percorrida no TC-6 na avaliação final. Ao final
do TMI, a PImáx apresentou associação positiva com a distância percorrida no TC-6, com as
variáveis espirométricas e com os domínios capacidade funcional, dor, estado de saúde geral,
aspectos sociais e saúde mental do questionário SF-36. Deste modo, conclui-se que o TMI
realizado por quatro semanas após a cirurgia de substituição valvar cardíaca foi efetivo em
restabelecer os valores de força muscular inspiratória e função pulmonar ao nível pré
operatório, assim como incrementar a capacidade funcional. Além disso, pode-se observar
associação direta entre a função respiratória e a capacidade funcional, demonstrando a
relevância clínica da utilização do TMI no processo de reabilitação destes pacientes.
Descrição
Dissertação(Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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