Assistência hospitalar a casos de perda gestacional: saúde mental e riscos ocupacionais de profissionais de saúde do sul do Brasil

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Profissionais de saúde estão frequentemente expostos a diversas situações que aumentam o risco de desenvolvimento de estresse ocupacional e outros agravos à saúde mental, como depressão e ansiedade. Esses riscos podem estar associados tanto à organização da rotina de trabalho quanto ao contato com pacientes e familiares. A assistência hospitalar à perda gestacional pode ser uma dessas situações de risco, já que presenciar o sofrimento das pacientes pode afetar emocionalmente os profissionais envolvidos. A experiência desses profissionais no cuidado à perda gestacional tem sido pouco abordada na literatura brasileira no campo da psicologia. Diante disso, o objetivo deste estudo foi compreender as percepções de profissionais de saúde que atuam na rede pública e privada de saúde do Sul do Brasil, especificamente em setores maternoinfantil, no que concerne a sua atuação na assistência hospitalar a casos de perda gestacional, e investigar seus níveis de bem-estar psicológico e a presença ou ausência de transtornos mentais comuns (TMC) e de exposição a situações de risco para o desenvolvimento de estresse ocupacional. Trata-se de uma pesquisa quanti-qualitativa e transversal, com a participação de 24 profissionais de saúde, sendo 75% deles enfermeiros, 12,5% médicos e o mesmo percentual de técnicos de enfermagem. A coleta de dados foi realizada de forma on-line, por meio de um formulário disponibilizado na plataforma Research Electronic Data Capture (REDCap), que incluiu: a) Ficha de dados sociodemográficos; b) Ficha de dados sobre formação e atuação profissional; c) Questionário sobre vivências de perdas; d) Questionário sobre experiências na assistência hospitalar a casos de perda gestacional; e) Self Reporting Questionnaire (SRQ-20); f) Job Stress Scale (JSS); e g) Escala de Bem-Estar Psicológico (EBEP). As respostas dos participantes deste estudo sugerem que a experiência de assistência hospitalar para casos de perda gestacional é fortemente influenciada pelas reações emocionais das pacientes. De maneira geral, essa experiência evoca nos profissionais de saúde sentimentos desafiadores, como impotência, frustração e tristeza. Além disso, a falta de preparo foi identificada como uma barreira expressiva para uma atuação eficaz nessas situações. Os participantes deste estudo demonstraram altos índices de TMC (29,2%) e de exposição a situações de risco para estresse ocupacional, especialmente trabalho passivo (37,5%) e alta exigência (29,2%), o que corrobora a literatura da área. Quanto ao bem-estar psicológico, as maiores médias e maior consistência nas medidas descritivas foram registradas nas dimensões de crescimento pessoal (34,63), propósito de vida (32,54) e autoaceitação (32,42). Além disso, foram observadas variações nas médias de bem-estar psicológico em função da profissão, do turno de trabalho e do nível de exposição ao estresse ocupacional. Os resultados indicam que, devido à falta de preparo dos profissionais, que pode agravar o sofrimento relacionado ao trabalho, iniciativas de educação continuada teriam o potencial de ajudá-los a lidar com essas situações desafiadoras de maneira técnica e humanizada. As principais limitações do estudo foram a baixa taxa de respostas e a ausência de uma investigação mais aprofundada sobre a estrutura física do ambiente de trabalho desses profissionais. Sendo assim, estudos futuros deveriam abordar também aspectos do ambiente organizacional para melhor compreender esse tema.

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Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Psicologia e Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciência da Saúde de Porto Alegre.

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