Desempenho de ferramentas integrativas para diagnóstico nutricional em predizer desnutrição e morbimortalidade em pacientes hospitalizados
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Wagner Wessfll
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Introdução: Embora não exista um método universalmente aceito para diagnóstico de
desnutrição, a Avaliação Subjetiva Global (ASG) é considerada uma referência para avaliação
nutricional no ambiente hospitalar; contudo ela depende da habilidade do avaliador. Na última
década, sociedades internacionais de nutrição clínica propuseram novas ferramentas para
diagnóstico de desnutrição: Academy of Nutrition and Dietetics–American Society of Enteral
and Parenteral Nutrition (AND-ASPEN), European Society for Clinical Nutrition and
Metabolism (ESPEN) e Global Leadership Initiative on Malnutrition (GLIM). Essas
ferramentas não foram validadas no Brasil para uso em pacientes hospitalizados não críticos,
poucos estudos avaliaram seus desempenhos em predizer morbimortalidade, e a acurácia delas
em uma mesma amostra parece ainda não ter sido comparada. Objetivo: Avaliar validade
concorrente e preditiva da ferramenta da AND-ASPEN em pacientes hospitalizados e comparar
sua acurácia com a das demais ferramentas integrativas para diagnóstico de desnutrição.
Métodos: Coorte prospectiva com pacientes hospitalizados > 18 anos. A coleta de dados foi
realizada nas primeiras 48 horas de admissão. Dados sociodemográficos, clínicos e laboratoriais
foram obtidos do prontuário e a gravidade clínica dos pacientes foi classificada a partir do Índice
de Comorbidades de Charlson (ICC). As ferramentas ASG, AND-ASPEN, ESPEN e GLIM
foram aplicadas para o diagnóstico de desnutrição. Os pacientes foram acompanhados até a alta
hospitalar para coleta dos desfechos tempo de internação hospitalar (TIH) e óbito intra hospitalar, bem como contatados por telefone após seis meses da alta para coleta dos desfechos
readmissão hospitalar e óbito. O estudo foi aprovado pelo Comitê de ética e pesquisa do hospital
e todos os pacientes assinaram o Termo de Consentimento. Resultados: Foram avaliados 600
pacientes (55,7 ± 14,8 anos; 51,3% homens, 78,2% de etnia autodeclarada branca). O TIH
mediano foi 10,0 (5,0 - 18,0) dias e 2,7% da amostra foi a óbito durante a internação. Entre
pacientes contatados após seis meses (n= 566), 35,3% tiveram readmissão e 8,3% foram a óbito.
A frequência de desnutrição foi de 34,0% pela ASG, 34,6% pela AND-ASPEN, 5,7% pela
ESPEN e 41,7% pelo GLIM. Desnutrição pela ferramenta da AND-ASPEN apresentou
concordância substancial com a ASG (kappa=0,690), assim como foi preditora de maior risco
de TIH prolongado (RR= 1,4; IC 95% 1,2–1,6), mortalidade hospitalar (HR=5,0; IC 95% 1,3–
18,8), readmissão (RR=1,4; IC 95% 1,2–1,8) e de maior chance de óbito em seis meses
(OR=5,1; IC 95% 2,6–9,9), após ajuste para o ICC. AND-ASPEN e GLIM apresentaram
acurácia satisfatória em identificar pacientes desnutridos (AUC= 0,846; IC 95% 0,810–0,883 e
AUC= 0,842; IC 95% 0,807–0,877, respectivamente), e significativamente superior a acurácia
da ESPEN, a qual não foi satisfatória (AUC= 0,572; IC 95% 0.522 – 0.622). AND-ASPEN
também foi testada sem o critério de força do aperto de mão (FAM), apresentando boa validade
concorrente e preditiva. Conclusão: Desnutrição avaliada pela AND-ASPEN é preditora de
pior prognóstico clínico em pacientes hospitalizados. Além disso, AND-ASPEN (com ou sem
avaliação da FAM) e GLIM são métodos acurados para identificar pacientes desnutridos no
ambiente hospitalar, enquanto o uso da ferramenta da ESPEN deve ser desencorajado.
Descrição
Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Nutrição, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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