Impacto de dois regimes de exercícios profiláticos à hipomobilidade mandibular na medida de abertura bucal, mucosa oral, dor, capacidade funcional e qualidade de vida de pacientes com câncer de cabeça e pescoço submetidos à radioterapia

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Introdução: Trismo radioinduzido (TR) refere-se a hipomobilidade mandibular decorrente da fibrose na musculatura mastigatória, quando localizada no campo de radiação. O TR é uma complicação progressiva e tardia da radioterapia (RDT), tendo pico de incidência entre os 9 e 12 meses do término da RDT. Estudos prévios enfatizam que o TR é de difícil resolução e, portanto, esforços devem ser focados na prevenção dessa complicação, entretanto, até a atual data, nenhum protocolo de prevenção demonstrou-se efetivo para tal finalidade. Objetivo: Verificar o efeito de dois protocolos de exercícios terapêuticos na preservação da mobilidade mandibular de pacientes com câncer de cabeça e pescoço (CCP) submetidos a RDT e, secundariamente, verificar o impacto dos exercícios na mucosa oral, dor, capacidade funcional e qualidade de vida (QV). Métodos: Trata-se de um ensaio clínico de prevenção, randomizado-controlado, paralelo, duplo-cego, com três braços. Esta pesquisa está registrada no ClinicalTrials.gov e no Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos, sob número de registro NCT02094690 e RBR-89mdvw, respectivamente. Noventa pacientes foram randomizados em três grupos: Grupo intervenção 1 (G1) – exercícios ativos da mandíbula, alongamento da musculatura mastigatória com o Therabite e treino de mastigação com hiperboloide; Grupo intervenção 2 (G2) - exercícios ativos da mandíbula e treino de mastigação com hiperboloide; e grupo controle (GC) – receberam apenas o protocolo padrão pré-radioterapia da instituição. Os grupos intervenção receberam o material necessário para realizar o protocolo em domicílio 4x/dia e, foi realizada 1x/semana, uma sessão de exercícios supervisionada pelo fisioterapeuta treinador, nas dependências do serviço de RDT, durante todo o tratamento radioterápico. A medida de abertura bucal máxima (ABM) foi mensurada com paquímetro digital antes do início da RDT (T0), imediatamente após a última sessão de RDT (T1) e 12 meses após o término da RDT (T2). A mucosite oral foi classificada de acordo com a Escala de Toxicidade Oral da Organização Mundial da Saúde (OMS). A dor foi avaliada usando a escala visual analógica. A capacidade funcional foi medida pela Karnofsky Performance Status e a QV foi mensurada através do Questionário de Avaliação da Qualidade de Vida da Universidade de Washington (UW-QoL). Resultados: A ABM não apresentou diferença significativa entre os grupos nos três momentos avaliados (p=0.264). A variação na medida de abertura bucal do T0 para o T2 foi de -1 mm no GC (95% intervalo de confiança [IC], -4.0 a 2.0), 1.3 mm no G1 (95% IC, -1.7 a 4.3) e 0.5 mm no G2 (95% IC, -3.4 a 4.4). No T1 a dor e a mucosite foram significativamente maiores no G1 quando comparado ao GC (p<0.024 e p<0.001, respectivamente). A capacidade funcional reduziu em todos os grupos do T0 para o T1 (p<0.001) mas sem significância entre os grupos (p=0.737). O escore total do UW-QoL reduziu significativamente do T0 para o T1 (p<0.001) e apresentou melhora significativa do T1 para o T2 em todos os grupos (p<0.001), sem diferenças significativas entre os grupos (p=0.180). Conclusão: Não é possível concluir que os protocolos de exercícios propostos nesse estudo são mais eficazes para a prevenção do TR que a orientação padrão pré radioterapia. Mais estudos são necessários para verificar a eficácia e o impacto na medida de ABM de exercícios profiláticos ao TR iniciados após o término da RDT, quando as alterações agudas da mucosa estiverem resolvidas, pois de acordo com este estudo iniciar os exercícios durante a RDT parece não ter benefício terapêutico na medida de ABM e pode aumentar a dor associada a mucosite. Nenhum dos protocolos apresentados nesse estudo foi capaz de evitar a redução na capacidade funcional e na QV dos pacientes.

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Tese (Doutorado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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