Prevalência e fatores associados ao encaminhamento para o serviço de fisioterapia após a alta hospitalar de fraturados por trauma de trânsito
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Introdução: Anualmente, entre 20-50 mil indivíduos apresentam lesões incapacitantes em decorrência dos acidentes de trânsito (AT) no mundo. No Brasil, em torno de 300 mil pessoas ao ano apresentam lesões graves. Objetivos: Descrever a prevalência e fatores associados ao encaminhamento para o serviço de fisioterapia após a alta hospitalar de fraturados em decorrência de trauma de trânsito, além de descrever as prevalências de acesso ao serviço de fisioterapia e retorno ao trabalho após a alta hospitalar. Metodologia: Foi realizado estudo transversal de caráter descritivo e associativo com acidentados, oriundos do setor de traumatologia de hospital público de referência de Porto Alegre. A coleta de dados foi realizada através de questionário e foi estruturada em dois momentos. Na primeira etapa, ao longo de quatro meses, buscou-se no sistema do hospital, fraturados por AT com idade maior ou igual a 18 anos para aplicação da primeira entrevista, a qual coletou informações socioeconômicas, relativas ao acidente, à lesão e ao momento de internação hospitalar. Na segunda etapa, um mês após a alta hospitalar, realizou-se contato telefônico para aplicação da segunda entrevista, sendo verificado o acesso ao serviço de fisioterapia, bem como, o retorno às atividades de trabalho. Após checagem da consistência dos dados, utilizou-se análise descritiva e de associação. Na análise bruta foram utilizados os testes de Qui-quadrado de Pearson e de tendência linear para verificar a associação do desfecho com as variáveis independes do estudo. Na análise ajustada utilizou-se Regressão de Poisson, respeitando o modelo hierárquico de relações entre as variáveis. O nível de significância considerado foi de p<0,05. Resultados: Participaram da primeira etapa da pesquisa 150 indivíduos acidentados no trânsito, os quais eram predominantemente do sexo masculino (83%). A maioria tinha entre 18-43 anos (70,7%), encontrava-se na categoria econômica C (55%) e aproximadamente, 70% era motociclista. Na segunda etapa da coleta de dados foram incluídos 136 acidentados, verificando-se que apenas 19% foram encaminhados para fisioterapia após a alta e efetivamente 9,6% tiveram acesso ao serviço; entretanto, menos da metade realizou fisioterapia através do Sistema Único de Saúde. Adicionalmente, verificou-se que 6% dos acidentados retornaram ao trabalho em até 30 dias após a alta hospitalar. Os resultados ainda apontaram que os motociclistas apresentaram 52% menor probabilidade de serem encaminhados para a fisioterapia após a alta hospitalar (p=0,03) e conforme foi aumentando o período de internação hospitalar aumentou a probabilidade de encaminhamento para o serviço após a alta (p=0,02). Conclusão: O encaminhamento para fisioterapia após a alta ocorreu em aproximadamente um quinto dos AT e em torno de um acidentado a cada dez teve efetivamente acesso ao serviço. Apenas 6% retornaram à produtividade nos primeiros 30 dias após a alta hospitalar. Além disto, o encaminhamento para a fisioterapia esteve associado positivamente ao tempo de internação e aos não motociclistas. Os resultados apresentados são preocupantes, de modo que o não encaminhamento para fisioterapia intensificará as incapacidades físicas e funcionais, contribuindo assim para um maior período de afastamento, com o consequente aumento dos custos com a perda de produtividade no país.
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Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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