Desnutrição e qualidade muscular em pacientes com Insuficiência Cardíaca
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INTRODUÇÃO: A Insuficiência Cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa associada à deterioração do estado nutricional. A ausência de um padrão ouro para o diagnóstico de desnutrição e a variedade de instrumentos utilizados dificultam a estimativa precisa de sua prevalência e seu valor prognóstico. A perda muscular, central nesse quadro, parece estar associada a piores desfechos clínicos e pior qualidade de vida de pacientes com IC. OBJETIVO: Revisar sistematicamente a evidência acerca da prevalência de desnutrição e a sua associação com desfechos clínicos em pacientes com IC e explorar, em amostra de pacientes ambulatoriais, a relação entre indicadores de qualidade muscular (IQM) e a qualidade de vida. MÉTODOS: Uma revisão sistemática foi conduzida, cujo protocolo foi registrado no PROSPERO (CRD42024506372). A busca foi realizada sem restrições de data ou idioma. Foram incluídos estudos originais observacionais que avaliaram desnutrição por qualquer ferramenta integrativa e sua associação com desfechos clínicos predefinidos O processo de seleção e extração dos estudos elegíveis foi realizado por dois revisores independentes, sendo as divergências resolvidas por terceiro revisor. O risco de viés e a certeza da evidência para cada desfecho foram avaliados nos estudos primários. O viés de publicação foi avaliado pelo gráfico de funil e estatisticamente, e a heterogeneidade explorada por análises de subgrupo. Para avaliar a relação entre o IQM e qualidade de vida, foi realizada uma análise secundária de um estudo transversal envolvendo uma amostra de pacientes com IC em acompanhamento ambulatorial com ≥ 18 anos. Foram coletados indicadores de massa muscular, antropométricos e de bioimpedância elétrica (BIA), além da força de preensão palmar (FPP) para o cálculo do IQM. A qualidade de vida foi avaliada pelo questionário Minnesota Living with Heart Failure (MLHFQ). RESULTADOS: A revisão incluiu 91 estudos (n = 51.086), a prevalência média de desnutrição foi de 44,6% (IC 95%, 37,7–51,7%, I2 = 99,1%) e maior nos pacientes hospitalizados (49,3%) do que em ambulatoriais (27,1%). A desnutrição foi associada à mortalidade (n = 28 estudos, 23.163 pacientes; RR = 2,02, IC 95% 1,53–2,67; I² = 88,3%, muito baixa certeza da evidência) e hospitalização (n = 7 estudos, 4.803 pacientes; RR = 2,14, IC 95% 1,83–2,50; I² = 0%, muito baixa certeza da evidência). A associação entre qualidade muscular e qualidade de vida foi conduzida com dados de 248 pacientes com IC (56,3 ± 12,8 anos, 56,7% adultos e 66,7% homens) em acompanhamento ambulatorial. Todos os IQM foram independentemente associados a uma melhor qualidade de vida geral (faixa de RP: 2,06–3,59), exceto o IQM calculado com a CP ajustada para o BMI. Os índices IQM baseados na CMB e na AMB foram associados a escores mais baixos nos domínios do MLHFQ 'físico' (RP = 2,76; IC 95%: 1,17–6,52 e RP = 1,73; IC 95%: 1,08–2,76, respectivamente) e 'outras questões' (RP = 2,52; IC 95%: 1,07–5,95 e RP = 1,57; IC 95%: 1,01–2,45, respectivamente). CONCLUSÃO: A desnutrição é prevalente e associada a piores desfechos em pacientes com IC. No entanto, o alto risco de viés em estudos primários, heterogeneidade não totalmente explicada e muito baixa certeza da evidência devem ser considerados ao interpretar os achados. Ademais, o IQM com medidas antropométricas foi associado com a qualidade de vida em pacientes ambulatoriais diagnosticados com IC.
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Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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