Epidemiologia de infecções bacterêmicas por Staphylococcus aureus resistentes a meticilina (MRSA) de Porto Alegre

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O Staphylococcus aureus resistentes a meticilina (MRSA) é um importante patógeno humano, associado a uma variedade de síndromes clínicas. A ocorrência de bacteremia associada a esses quadros está associada a elevada morbidade e mortalidade. O entendimento da epidemiologia, tendências clínicas e desfechos é importante para o desenvolvimento de medidas preventivas e protocolos de tratamento. Sob essa perspectica, esse trabalho teve como objetivo analisar a epidemiologia e caracterizar MRSA isolados de infecções bacterêmicas de MRSA oriundos de hospitais de Porto Alegre, Brasil. O estudo compreende dados clínicos epidemiológicos, bem como a caracterização bioquímica e molecular de MRSA isolados de hemocultura de pacientes atendidos em hospitais de Porto Alegre no período de 2014 a 2019. Testes de suscetibilidade aos antimicrobianos foram realizados pelos métodos de disco-difusão e fitas de gradiente. A caracterização genotípica, com detecção de genes de resistência e virulência e a tipagem molecular, foi realizada por detecção in silico por meio de dados obtidos por high throughput sequencing, utilizando a tecnologia Illumina. Como resultado foi verificado uma elevada incidência de bacteremia por S. aureus (68,5 casos/100.000 pacientes/ano) e não foi identificada variação estatisticamente significativa durante o período, sendo a proporção de infecções por MRSA de 22% (variação: 19 a 27%). A maioria dos pacientes foram do sexo masculino (64,3%), com mediana de idade de 62 anos, intervalos interquartis (IIQ) de 51 a 74 anos, que apresentavam múltiplas comorbidades. Dentre as comorbidades mais frequentes cabe destacar: hipertensão (45,2%), diabetes mellitus (31,6%) e cardiopatias (21,1%). Dois escores de gravidade foram avaliados, o Índice de Comorbidade de Charlson com mediana de 5 pontos (IIQ: 3 a 6) e o Escore de Bacteremia de Pitt com mediana de 1 ponto (IIQ: 1 a 4). A maior parte das infecções foram relacionadas à assistência à saúde (IRAS) e o principal foco identificado foram dispositivos intravasculares (28,5%). Além disso, foi evidenciada uma mortalidade de 31,2% em 30 dias, sendo identificados dois fatores de risco independentes para mortalidade: o Índice de Comorbidade de Charlson aOR 1,222 (1,061-1,409; p=0,006) e o Escore de Bacteremia de Pitt aOR 1,726 (1,410-2,112; p<0,001). Os dados sugerem que pacientes com mais comorbidades presentes ou apresentações iniciais de bacteremia com maior gravidade tendem a apresentar maior mortalidade. A terapia antimicrobiana empírica com droga com atividade anti-MRSA foi um fator protetor com aOR 0,319 (0,126-0,806; p=0,016). A maioria dos isolados de MRSA apresentou perfil de resistência a mais de um antimicrobiano além dos betalactâmicos, com um total de 35,1% dos isolados multirresistentes. Por meio da caracterização molecular desses isolados, foram detectados cinco diferentes tipos de SCCmec, sendo o SCCmec IV (68,2%) o mais frequente, além de elevada presença da leucocidina de Panton-Valentine (53,8%). Este estudo pode evidenciar a presença de onze sequencias tipo (ST) relacionadas a cinco complexos clonais (CC) entre os isolados, sendo os principais: CC5, CC30 e CC8. Foi caracterizado o clone mais prevalente entre as infecções comunitárias, o ST30-SCCmecIVc-PVL+ e o CC5 como associados às IRAS. Foram identificados ST não descritas previamente e outras não identificadas em infecções na América Latina, além de identificar a baixa frequência do Brazilian endemic clone (BEC), uma linhagem antes circulante, evidenciada em somente 3,3% dos isolados.

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Tese (Doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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