Fisioterapia profilática ao desenvolvimento do trismo radioinduzido em pacientes com câncer de cabeça e pescoço

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Introdução: O trismo radioinduzido é definido como uma hipomobilidade mandibular decorrente do tratamento radioterápico na região da cabeça e pescoço. Devido ao trismo radioinduzido ter um impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço, a fisioterapia torna-se um recurso essencial tanto para prevenção quanto para tratamento desta comorbidade, porém, ainda não existe consenso sobre qual o melhor regime fisioterapêutico a ser empregado na prevenção do trismo radioinduzido. Objetivos: Verificar o efeito de dois protocolos de exercícios fisioterapêuticos na manutenção da amplitude de movimento mandibular dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço em tratamento radioterápico e secundariamente associar a variável abertura bucal às variáveis demográficas, clínicas e adesão ao protocolo de exercícios. Métodos: Este estudo trata-se de um ensaio clínico randomizado paralelo controlado. Noventa pacientes foram randomizados em três grupos: Grupo exercícios TheraBite-Hiperbolóide (GETH), Grupo exercício Hiperbolóide (GEH) e Grupo controle (GC). A mensuração da mobilidade mandibular, através de paquímetro, foi realizada antes e após a radioterapia. Resultados: Houve uma tendência de redução da abertura bucal (AB) em todos os grupos, sendo essa redução menor no GETH, porém sem significância estatística (p=0,246). Na avaliação intra-grupo a redução de AB foi estatisticamente significativa no GC (p=0,015). Quando analisada a AB em relação à adesão ao protocolo, observou-se que o GETH apresentou um aumento de AB nos pacientes que adeririam ao tratamento e nos que não adeririam houve uma redução da AB, sendo essa diferença estatisticamente significativa (p=0,007). No GEH os pacientes que aderiram ao protocolo reduziram menos a AB quando comparado aos que não aderiram, porém sem significância estatística (p=0,295). Após análise de covariância permaneceram associadas com a variação da AB as variáveis: grupo (p=0,022) e variação do grau de mucosite (p=0,027). O GETH apresenta uma variação menor da AB (0,50  1,28) do que o GC (-3,78  1,25). O GEH não apresentou diferença significativa para nenhum dos dois grupos (-2,10  1,50). A mucosite é um fator independente associado com a redução da AB. Conclusão: Concluí-se que um protocolo de reabilitação associando o TheraBite com treino de mastigação com o hiperbolóide é o mais adequado para manutenção da medida de AB durante a radioterapia, devendo-se controlar a adesão desses pacientes ao tratamento e, sugerindo, que protocolos de profilaxia à mucosite sejam investigados.

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Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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