Perfil de fala e cognitivo de pacientes com miastenia gravis

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Wagner Wessfll

Resumo

A miastenia gravis (MG) é uma doença autoimune, caracterizada por fraqueza e fadiga muscular flutuante dos músculos esqueléticos. Alterações no padrão vocal podem ser o sintoma inicial em até 15% dos pacientes. Além disso, déficits cognitivos vêm sendo descritos, com queixa de até 60% dos pacientes. O objetivo deste estudo foi descrever o perfil de fala e cognitivo de pacientes com MG. Realizou-se um estudo transversal, com 39 sujeitos com diagnóstico de MG a partir de eletromiografia e anticorpos, fora da crise e 18 controles, pareados por idade e sexo. Excluíram-se indivíduos com história de outros eventos neurológicos prévios e qualquer distúrbio sensorial ou motor que impossibilitassem a realização dos testes. Avaliação da fala compreendeu gravação de tarefas de fala, avaliação perceptiva-auditiva e análise acústica. Para avaliação cognitiva utilizou-se uma bateria de testes cognitivos (testes de rastreio, memória, linguagem e planejamento). Além disso, os pacientes com MG responderam questionários de auto percepção sobre qualidade de vida, sono, depressão e fala. No que diz respeito a fala, encontrou-se na análise perceptiva auditiva uma alta porcentagem de alteração nas bases motoras fonação (95,2%) e respiração (52,63%) nos pacientes com MG, sendo que na respiração houve diferença significativa entre os grupos. Na análise acústica encontrou-se alteração nas bases motoras de fonação, com valores de shimmer significativamente maiores no grupo MG em comparação ao grupo controle e articulação com diferença significativa entre os grupos para o primeiro formante do “iu”. Não encontramos correlação entre os aspectos motores, clínicos e os questionários de autopercepção com a análise acústica. Com relação a cognição, verificou-se a presença de déficits cognitivos no teste de rastreio MOCA (66.7%) e nos testes de memória imediata (59.0%) e memória recente (56.4%). Após a análise de regressão de Poisson, com variância robusta, verificou-se que pacientes com diagnóstico de depressão apresentaram razão de prevalência (RP)=1.887 (IC:1.166-3.054) para escores alterados no MOCA, RP=9.533 (IC:1.600 - 56.788) para déficit em fluência verbal fonológica (FVF) e RP=12.426 (IC:2.177-70.931) fluência verbal semântica (FVS). Além disso, indivíduos que faziam uso de glucocorticosteróides e com escore no BDI indicativo de depressão apresentaram, respectivamente, RP=11.227 (IC:1,736 -72.604) e RP=0.351 (IC:0.13- 0.904) para alteração de memória de retenção de curto prazo (A6). Dessa forma, conclui-se que nesta amostra os pacientes com MG apresentaram disartria, com alteração nas bases motoras fonação e respiração. As alterações não mostraram correlação com tempo e estadiamento da doença e questionários de autopercepção. Um pior padrão de fonação foi correlacionado com o uso de glucocorticoides. Com relação a cognição, houve a presença de déficits de memória e funções executivas indivíduos com MG. Além disso, encontrou-se uma associação de depressão e uso de glucocorticosteróides com prejuízo nas tarefas de memória.

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Tese (Doutorado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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