Trauma na infância, transtornos psiquiátricos e conduta antissocial em mulheres: avaliação dos níveis de concentração sérica de BDNF

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Wagner Wessfll

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Transtornos psiquiátricos e traumas na infância são altamente prevalentes em mulheres encarceradas. O fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) desempenha vários papéis na sobrevivência, estrutura e função neuronal. Dados da literatura sugerem que ele é um substrato neurobiológico que modera o impacto das adversidades na infância na expressão tardia de doenças mentais. Objetivou-se, neste estudo, avaliar variáveis sociodemográficas, clínicas e neurobiológicas em mulheres encarceradas. O primeiro artigo descreveu, através de estudo de prevalência controlado, o perfil sociodemográfico, psicopatológico e criminal de uma amostra de 147 mulheres pareadas em quatro grupos (hospital psiquiátrico forense, internação psiquiátrica, prisão e controle). O segundo artigo avaliou a associação entre o nível de concentração sérica de BDNF em mulheres com trauma na infância (em cinco subtipos - abuso físico, abuso sexual, abuso emocional, negligência física e negligência emocional) e/ou transtornos psiquiátricos e/ou conduta antissocial (crime), comparando-as com mulheres saudáveis, em uma amostra consecutiva de 110 mulheres pareadas em três grupos (forense - doentes mentais que cometeram crimes -, clínico - internação psiquiátrica – e controle). Os grupos foram avaliados por meio de questionário de dados sociodemográficos, do Questionário sobre Traumas na Infância e de entrevista semiestruturada diagnóstica Mini International Neuropsychiatry Interview Plus. Os níveis séricos de BDNF foram medidos após a entrevista. O nível de significância adotado na análise estatística foi de 5%. Os índices de transtornos mentais e de trauma na infância foram elevados no grupo de mulheres encarceradas, que apresentou perfil sociodemográfico, criminal e psicopatológico comprometido e semelhante aos já descritos na literatura. A prevalência e os escores de abuso emocional foram maiores nos grupos clínico e forense do que no grupo controle. Níveis mais baixos de BDNF foram associados a abuso emocional no grupo forense, assim como a abuso sexual no grupo controle. O uso de Carbonato de Lítio foi associado a níveis mais altos de BDNF. Após regressão logística multinomial, baixos níveis de BDNF, altos níveis de abuso emocional e presença de delito familiar foram considerados fatores relacionados às pacientes do grupo clínico. Os resultados do presente estudo indicam que a presença de transtornos psiquiátricos e a exposição a eventos traumáticos precoces são altamente prevalentes em amostras femininas forenses, representando um grave problema de saúde pública. Os achados também permitem supor que o ambiente ofensivo favoreça o abuso emocional na infância, e que isso danifique os neurônios (o que é inferido por níveis baixos de BDNF), deixando as pessoas mais vulneráveis a desfechos desfavoráveis como a doença mental. A presença de delito familiar somada à presença de abuso emocional na infância e à presença de baixo BDNF propicia vulnerabilidade biológica, com o aparecimento de doença mental aguda, e é possível esboçar a hipótese de que fatores ambientais estão modificando a expressão fenotípica. Os resultados deste estudo ressaltam a ideia de que o BDNF possa ser um importante fator relacionado ao desenvolvimento de doenças e criminalidade em mulheres vítimas de trauma infantil, tornando-se um possível marcador biológico.

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Tese (Doutorado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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