Nutrigenética e escores de memória: Interação entre o consumo de Zinco e Selênio e a variabilidade nos genes SLC30A3, SEP15 e APOE

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Uma característica bastante comum do envelhecimento é o declínio gradual de memória que, em maior ou em menor grau, alguns indivíduos sofrem ao chegar à terceira idade. O desenvolvimento deste fenótipo sofre influencia de fatores ambientais e genéticos. A alimentação é um dos fatores ambientais que podem influenciar a capacidade de memória dos indivíduos, através de compostos antioxidantes como os micronutrientes Selênio e Zinco. Os genes SEP15 e SLC30A3 codificam proteínas que são responsáveis pelo transporte dos micronutrientes Selênio e Zinco, respectivamente e são expressos em regiões cerebrais importantes para a formação e consolidação dos diferentes tipos de memória. O gene APOE vem sendo associado a déficits de memória na população saudável. Assim, objetivo do presente estudo foi analisar a associação dos polimorfismos nos genes SEP15, SLC30A3 e APOE com variações de escores de memória, assim como correlacionar a frequência de consumo de alimentos ricos em Selênio e Zinco com as respectivas concentrações séricas em voluntários a partir dos 50 anos de idade. A amostra final foi construída por 240 voluntários da Região do Vale dos Sinos e Porto Alegre, (Rio Grande do Sul, Brasil) que foram entrevistados para fornecer dados sobre a sua frequência alimentar, assim como histórico de doenças neurológicas e uso de medicamentos psicotrópicos. Todos os voluntários que aceitaram participar deste estudo foram avaliados através de testes de memória. Além disso, foi coletado sangue venoso para as análises genéticas e dosagens séricas de Selênio e Zinco. Os escores de memória foram ajustados para gênero e nível educacional através de modelos lineares generalizados, onde foi possível comparar a médias dos escores de memória entre os genótipos e também testar a interação genótipo x ingestão alimentar e genótipo x dosagem sérica. Para as correlações entre dosagem sérica e frequência alimentar foi utilizada a correlação de Spearman. O programa SPSS versão 19.0 foi utilizado para as análises estatísticas, sendo considerado um p<0,05 significativo. Em relação ao polimorfismo rs11126936 do gene SLC30A3, a concentração de Zinco no soro foi menor nos homozigotos CC (0,75 ± 0,31mg/L) do que em portadores T (0,89 ± 0,28, p = 0,016). Para o polimorfismo rs5845 do gene SEP15, a concentração de Selênio foi maior nos homozigotos CC (5,65 ± 1,11 µg/dL) do que nos portadores T (4,88 ± 1,25, p = 0,044). Houve também uma interação gene x nutriente no que se refere à correlação entre a concentração sérica de Selênio e ingestão dietética para os polimorfismos rs5845 e rs5859 do gene SEP15. A concentração de Selênio foi positivamente correlacionada com a ingestão dietética em portadores do alelo T (r = 0,520, p = 0,005), mas não nos homozigotos CC (r = -0,016, p> 0,05). Resultados semelhantes foram observados para rs5859, com concentração sérica de Selênio positivamente associado com o consumo em portadores do alelo A (r = 0,371, p = 0,036), mas não em homozigotos GG (r = 0,146, p> 0,05). Em relação à memória, uma associação significativa foi encontrada para o polimorfismos rs5845 do gene SEP15 nos escores de memória de Aprendizado Verbal. Portadores do alelo C apresentaram escores mais elevados de memória do que homozigotos TT (0,13 ± 1,13 vs -1,10 ± 1,20 p = 0,034). Não houve interação entre os polimorfismos dos genes investigados e as frequências do consumo de Zinco e Selênio na determinação dos escores de memória. No entanto, houve interação nutrigenética para o rs73924411 do gene SLC30A3: portadores do alelo T apresentaram escores mais elevados de memória verbal imediata e tardia do que homozigotos CC, somente quando a concentração de Zinco no soro estava abaixo do recomendado (p da interação para memória verbal imediata = 0,011, p da interação de memória verbal tardia = 0,039). Os dados do presente trabalho demonstram a influência de polimorfismos em genes que codificam proteínas reguladoras da disponibilidade de Zinco e Selênio sobre escores de memória, atuando isoladamente ou em conjunto com as concentrações séricas nos escores de memória. Nossos resultados reforçam a necessidade de mais investigações em uma amostra maior e com outros delineamentos de estudo, afim de esclarecer e tornar possível a personalização da dieta na população idosa.

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Dissertação(Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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