Identificação dos riscos ocupacionais de equipes de saúde que atuam na administração e manipulação de quimioterápicos
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Data
2014
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Editora
Editor Literário
Resumo
Introdução: Os profissionais da área de saúde situam-se no grupo dos que
estão mais expostos a riscos ocupacionais. Entre os principais fatores de risco
estão as substâncias químicas, destacando-se os quimioterápicos. Estes
fármacos são potencialmente mutagênicos, carcinogênicos, teratogênicos,
fetotóxicos e esterilizantes, podendo levar ao desenvolvimento de patologias
como depressão de medula óssea, alterações imunológicas, hepáticas, de
fertilidade e câncer. Destaca-se ainda que profissionais, como enfermeiros e
farmacêuticos, têm um risco ocupacional maior devido à manipulação e
administração direta dessas substâncias. Objetivo: Identificar os principais
riscos ocupacionais dos profissionais da saúde de Porto Alegre que atuam na
administração e manipulação de quimioterápicos. Materiais e métodos: Trata
se de um estudo descritivo, transversal, com abordagem quali-quantitativa que
foi realizado em três estabelecimentos de saúde habilitados em alta
complexidade em oncologia na cidade de Porto Alegre. Após a aprovação do
projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) de cada hospital pesquisado,
aplicou-se o termo de consentimento livre e esclarecido aos participantes. Em
seguida utilizou-se como instrumento um questionário fechado contendo
perguntas sobre biossegurança em quimioterapia antineoplásica. Por fim
realizou-se uma observação de campo sistemática, para analisar os processos
de administração, manipulação e descarte de quimioterápicos por estes
profissionais. Discussão e Resultados: Participaram quarenta indivíduos,
todos profissionais da saúde: enfermeiros 27,5% (11), farmacêuticos 35% (14)
e técnicos de enfermagem e de farmácia 37,5% (15). Dentre estes, 67,5% (27)
informaram ter sofrido algum tipo de acidente na prática profissional, e 63%
(17) dos acidentados trabalha apenas em um turno. Os pesquisados
subnotificaram os acidentes, pois apenas 44,4% (12) realizaram o Comunicado
de Acidente de Trabalho (CAT). Verifica-se também o esforço das instituições
em cumprir os requisitos legais, pois 92,5% (32) relataram participar do
Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e 72,5% (29)
dos profissionais relataram ter tido algum tipo de treinamento na área.
Conclusão: Os dados sugerem que, apesar do tempo de experiência,
formação e capacitação dos profissionais a prática correta da manipulação e
administração ainda há um longo caminho a percorrer. Constatamos um certo
despreparo e má prática dos profissionais da área de saúde frente aos riscos,
aos quais estão sujeitos ao lidarem com quimioterápicos. Estudos adicionais
poderiam contribuir para chamar a atenção desses profissionais e evitar futuros
danos à saúde desses trabalhadores.
Descrição
Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Patologia, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
Palavras-chave
Saúde do Trabalhador, Riscos Ocupacionais, Quimioterapia, [en] Occupational Health, [en] Occupational Risks, [en] Drug Therapy