Demanda e perfil de usuários adultos classificados como pouco urgentes em unidade de pronto atendimento oriundos de uma rede de serviços de saúde comunitária
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O Sistema Único de Saúde do Brasil (SUS) foi concebido tendo a Atenção Básica
como principal porta de entrada dos usuários aos serviços de saúde e estudos
internacionais mostram que este nível de atenção é capaz de solucionar 85% das
necessidades da população. Uma grande parcela da população entra no sistema
através das emergências, com situações pouco urgentes, causando filas e tempo de
espera excessivo. A Política Nacional de Humanização do Ministério da Saúde iniciou
a organização dos serviços de urgência e emergência, criando as Unidades de Pronto
Atendimento (UPAs). O objetivo do presente estudo é descrever o perfil de usuários
vinculados a doze Unidades Básicas de Saúde, que buscaram atendimento em uma
Unidade de Pronto Atendimento (UPA), durante todo o ano de 2017, com classificação
de risco pouco urgente, segundo o protocolo de Manchester. Para atingir essa
finalidade, os dados presentes na classificação de risco, foram coletados e realizado
um estudo retrospectivo descritivo, com abordagem quantitativa. Foram incluídos
3.584 indivíduos, menos de 3% da população adstrita, a maioria do sexo feminino
(62,6%) e a faixa etária predominante foi entre 41 e 65 anos (36,3%). Avaliando
separadamente, evidenciou-se que a maioria buscou atendimento preferencialmente
em dias úteis e no período diurno. Mas, considerando dias e horários de UBS fechadas
ou abertas a maioria acessou à emergência em dias e horários de UBS fechadas. Foi
observado que a faixa etária influenciou os horários de procura da emergência.
Separando-os por UBS, o maior número de usuários era proveniente das unidades
que possuíam maior população adstrita, mas a distância das UBS ao serviço de
emergência não teve relação direta. Os principais sintomas observados foram dor
abdominal, cefaleia, dor lombar, dispneia e dor de garganta e estes variaram sua
frequência de acordo com as estações do ano e apresentaram peculiaridades ligadas
a procedência. Considerando que a população vinculada às UBSs é de
aproximadamente 120.000 pessoas, houve baixa procura destes usuários, com
situações de saúde pouco urgentes (menos de 3%), que pode ser atrelado a um bom
vínculo entre as UBSs e as comunidades adscritas. O produto desta dissertação é um
conjunto de relatórios científicos, com o levantamento epidemiológico da população
estudada, destinados a cada um dos serviços. Conhecer a demanda específica de
uma comunidade permite agregar informações úteis e fomentar a implementação de
estratégias específicas nos diferentes níveis de atenção e como consequência,
contribuir com essa dimensão da saúde que é a qualidade.
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Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Saúde da Família, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
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