Sob o microscópio, o trabalho: Saúde Mental e risco de suicídio em contextos de trabalho laboratorial
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O suicídio constitui um grave problema de saúde pública mundial, vitimando aproximadamente 720 mil pessoas por ano. No campo da saúde mental, é compreendido como um fenômeno multifatorial, resultante da interação entre fatores individuais e contextuais. Estudos contemporâneos indicam que transtornos mentais isoladamente não explicam o comportamento suicida, que também pode ser entendido como resposta a condições de sofrimento social, relacional e existencial, associadas à desigualdade e à precarização das condições de vida. Este estudo avaliou a prevalência de risco de suicídio em trabalhadores de uma rede de laboratórios federais agropecuários e identificou fatores sociodemográficos, laborais e psicossociais associados. Adotou-se delineamento quantitativo transversal, com convite a todos os trabalhadores via e-mail institucional contendo link para formulário online. Foram utilizados: questionário sociodemográfico e laboral; Self-Report Questionnaire 20 (SRQ-20); Wong and Law Emotional Intelligence Scale (WLEIS); Protocolo de Avaliação dos Riscos Psicossociais (PROART); Burnout Assessment Tool (BAT-12, versão brasileira); e o módulo de risco de suicídio do MINI International Neuropsychiatric Interview (MINI PLUS). As análises incluíram estatísticas descritivas, teste de Kolmogorov-Smirnov, alfa de Cronbach, correlação de Pearson, teste t de Student, ANOVA com post hoc de Tukey, Qui-Quadrado e regressão logística múltipla, utilizando IBM SPSS Statistics 25.0 e JAMOVI 2.6.44, com nível de significância de 5%. Participaram 403 trabalhadores, majoritariamente mulheres (59,3%), pessoas brancas (63,5%) e com nível superior ou pós-graduação (83,2%). Desses, 252 foram avaliados quanto ao risco de suicídio, por atenderem ao critério de encaminhamento (resposta positiva a pelo menos um item do SRQ-20) e aceitarem participar da etapa complementar. Entre estes, 206 não apresentaram risco, 27 risco baixo, 8 risco moderado e 11 risco elevado, totalizando 46 (11,41%) com algum nível de risco. Os fatores psicossociais e de saúde mental apresentaram escores mais desfavoráveis no grupo com risco em comparação ao grupo sem risco. Na análise multivariada, a chance de apresentar risco de suicídio foi 3,4 vezes maior entre participantes com pouco lazer, aumentou em 92% a cada incremento de um ponto no escore de distanciamento mental e foi reduzida em 55% a cada ponto no estilo de gestão coletivista. Os resultados evidenciam a relevância dos fatores psicossociais do trabalho e de práticas de gestão baseadas em apoio e cooperação para a promoção da saúde mental e do bem-estar laboral, contribuindo para a compreensão do suicídio relacionado ao trabalho.
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Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Psicologia e Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciência da Saúde de Porto Alegre.
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